quarta-feira, 31 de Dezembro de 2008

BREJEIRICES DE ANO NOVO




Redacção de Tomar a dianteira





Duas advertências, a abrir: 1 - Sabido como é que os tomarenses em geral padecem de obstrição crónica do sentido de humor, pedimos licença para informar que esta peça tem termos que podem considerar-se brejeiros, (segundo a opinião da Velha senhora indigna e da Odete das farturas, expressamente consultadas para o efeito), pelo que deverá fazer-nos o favor de se abster de continuar a leitura, caso não consiga suportar as cantigas do Quim Barreiros. 2 - Como sempre acontece no nosso país, particularmente nas margens nabantinas, a culpa é sempre dos outros, nunca nossa. Neste caso, o "culpado" é o Alfredo Caiano Silvestre, que foi o primeiro a publicar na blogosfera a opulenta imagem que antecede. Aqui fica o nosso agradecimento ao Caiano, com votos de Bom ano novo.
No blogue citado, Caiano Silvestre escreveu que gostaria muito de ver a cara do padre, aquando da celebração do enlace. Dado que o lema de tomaradianteira é "os meios de saber e a coragem para o dizer", fomos consultar um dos nossos companheiros de redacção, que esteve duas semanas na Rússia, em Agosto passado. De fio em agulha, concluiu-se que o matrimónio em questão teve lugar em S. Petersburgo, conforme indicam a vegetação e as limousines. O passo seguinte foi a consulta ao clero local, que prontamente nos indicou o pope celebrante.
Questionado sobre a sua atitude na ocasião do evento, mostrou-se surpreendido, pois considera que se tratou de um casamento como tantos outros, embora neste caso com especiais características, que nos enumerou: A - Trata-se, sem qualquer dúvida, de pessoas prevenidas, pois temendo que a vodca possa escassear, começaram a beber logo junto à igreja; B - O noivo escolheu bem, em termos de falta de leite condensado, de falta de aquecimento, de falta de chicha, ou de airbag no carro, para já não falar na eventual falta de divertimentos. C - Acresce que, consciente de que as altas cilindradas implicam altos consumos, a noiva fez bem em escolher um homem prevenido, que como se sabe vale por dois. E se calhar nem é demasiado...
Bom ano para todos!

terça-feira, 30 de Dezembro de 2008

MAZELAS TOMARENSES - Ruas e caminhos

Acessos pedonais ao Convento - Património da humanidade



Foto 1



Cão Tinhoso




Antes de mais, um agradecimento à nossa companheira de redacção Odete das Farturas. Às terças-feiras este espaço é dela, mas esta semana, dada a minha insistência, concordou em ceder-mo.
Ontem, aproveitei a ida ao Porto do sr. Sebastião, e lá fui com ele. Os tripeiros continuam iguais a si próprios: abertos, fraternos, francos, frontais, usando sem peias uma linguagem vernácula, sempre adaptada às circunstâncias. Quando nos viram gritaram logo -Ora sejam bem aparecidos os mouros da herdeira burra! Tudo fino? Correspondida a saudação, como não percebi aquela da herdeira burra, indaguei. A resposta saltou logo -Ai num sabiam?! É Tomar; herdeira de vastíssimo património, não o sabe governar. Toma e arrecada, pensei eu.
A conversa continuou e, quando íamos a despedir-nos, lançaram-nos -Tende boa viagem de regresso à terra do faz de conta. Só em Tomar é que se inauguram pontes que faz de conta que estão prontas! Rimo-nos e o sr. Sebastião murmurou para mim -Nestas ocasiões a gente faz de conta que está alegre e que gostou da piada.
Ainda outro desvio, antes de ir ao essencial. Ontem o blogue do Templário esteve praticamente inactivo. Quererá isso dizer que a quase totalidade dos seus intervenientes são gente de passagem, que se entretém a semear caca e depois desanda para outras paragens, quando o cheiro é demasiado intenso e persistente? Aqui fica a pergunta, com votos de Bom ano novo para a Isabel e o Zé, que naturalmente não têm culpa nenhuma e merecem respeito pela coragem.
Passando às mazelas: Eu já desconfiava. Agora, após a entrevista de Corvelo de Sousa ontem referida, poucas dúvidas me restam. Tanta insistência no percurso Cidade-Convento através da Mata, há-de ter a sua explicação. Fiz-me ao caminho e julgo ter encontrado uma resposta possível. Ao pretender encaminhar futuramente os turistas por parte da antiga estrada da Almedina, a autarquia pretende desviar as atenções do estado em que se encontram, há longuíssimos anos, a Calçada dos Cavaleiros e a Calçada de S. Tiago. Além de arrecadar fundos europeus e mostrar obra feita, como vem sendo hábito.
Para quem tenha algumas dúvidas, é só reparar nas duas fotografias anexas, que não necessitam de qualquer comentário. Apenas duas achegas: 1-Ambas as vias pedonais se situam a menos de 200 metros da sede da autarquia; 2 - No caso da Calçada de S. Tiago, (Foto 1), já há cerca de 400 anos, o rei Filipe III de Espanha, 2º de Portugal, mandou recomendar ao alcaide o arranjo da calçada, antes da visita que tencionava fazer... Nas margens do Nabão, há coisas que nunca mudam!


segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

ANÁLISE DA IMPRENSA - EXTRA

Política com comando à distância


Jerónimo Foice

Mais uma entrevista do nosso presidente Corvelo de Sousa. Desta vez na "Prisma - Cidades +", uma publicação de 8 páginas, encartada no Diário de Notícias de ontem. Por me parecer pertinente uma análise detalhada, abordarei primeiro o conteúdo e depois o continente, ou suporte.
Nesta sua intervenção, o alcaide tomarense deixa finalmente transparecer que é um arguto, fino e culto observador da realidade local e nacional. Assim, falando da Ordem de Cristo, avançou "que teve um papel importante nos Descobrimentos, mas não permitiu que a cidade ou o concelho se modernizassem, ...a Ordem é que explorava tudo o que era passível de ser explorado." Perguntado se "Essa situação afectou o crescimento da cidade", disse que "afectou e ainda afecta de alguma maneira, porque estas situações levam gerações a desaparecer."
Num registo mais actual, lá foi dizendo que "Neste momento é difícil distinguir entre as dificuldades que nos são específicas e aquelas que são generalizadas, por causa da crise. Já estávamos em crise em Portugal, antes dela se generalizar e não é fácil distinguir uma coisa da outra." Sobre o Parque de Campismo foi claro, apesar do lapso de datação: "Tínhamos um Parque de Campismo muito apreciado, o qual teve de fechar por força das circunstâncias, mas penso que ainda este ano irá abrir..." Refería-se ao próximo ano, bem entendido.
Devidamente assinalado o que está bem e muito deve honrar os tomarenses, vou agora ao que não me parece assim tão correcto. Antes de mais, a afirmação segundo a qual "A cidade está em recuperação..." carece de qualquer fundamento e surge como mera propaganda eleitoralista antes de tempo. Igualmente eleitoralista é dizer que "Há situações que nos estão a correr bem, designadamente a construção de dois campos de golfe no concelho e a possibilidade de avançarem mais dois." Além da ideia de improviso, contida na frase "Há situações que nos estão a correr bem...", o Cão Tinhoso, que está aqui ao lado a seguir as coisas, não se conteve e ladrou logo -"Um dos golfes devia ser na Várzea Grande!" Então porquê, CT?
"Porque os buracos já lá estão e ficava muito mais barato e central..." Desabafos caninos!
Sobre aquilo que parecem ser as grandes opções do actual presidente para o futuro próximo, arrisco-me a ser demasiado duro, mas serei claro -não me parecem nem coerentes, nem adequadas, nem profícuas.
Não me parecem coerentes, pois se estamos a braços com três crises simultâneas, a mundial, a nacional e a local, é imprudente avançar com iniciativas tendentes a aumentar os encargos da autarquia, os quais terão de vir a ser pagos, mais tarde ou mais cedo, por uma população que já é das mais sobrecarregadas do país em termos de preços, impostos e taxas. Não me parecem adequadas porque sendo necessário e urgente disciplinar as despesas da autarquia, como condição para baixar os encargos permanentes da população residente, aquilo que se anuncia é a criação de mais empregos e consumos a pagar pelo orçamento de estado ou da autarquia, o mesmo é dizer pelos contribuintes. Não me parecem profícuas porque, designadamente no caso da Cerca do Convento, se corre o risco de devassar aquele espaço, de o tornar menos íntimo, menos tomarense, como de resto já sucedeu no Mouchão, sem qualquer retorno digno de registo. Ou passará pela cabeça de alguém que autocarros e automóveis virão a estacionar na Várzea Grande, ou alhures na cidade antiga, para os seus passageiros irem para o Convento (ou virem do Convento) a pé? Deixem-se de toscos arremedos de Granada...
Indo agora ao continente, ou suporte da entrevista. Trata-se de uma publicação que vai no seu número 2 e se destina, sem sombra de dúvida, à promoção, mais ou menos encapotada, dos presidentes de câmara, à custa do orçamento autárquico. Neste número há três chamadas, com fotografias a cores, que enchem completamente a primeira página: "Benavente - O pulmão de Lisboa", "Elvas - Cidade em ascensão...sempre com Badajoz em vista", "Tomar - Pólo deTurismo e de Cultura".
Nas páginas interiores, o autarca de Benavente, no cargo há 24 anos, tem direito a página e meia. O mesmo acontece com o de Elvas, em funções há 16 anos. Corvelo de Sousa ocupa apenas uma página, a 6ª.
É na publicidade que as coisas são ainda mais óbvias. Metade da página 3 é ocupada pelo anúncio dos restaurantes "Tromba Rija" que, conjuntamente com uma tira da "Lusocarta" e outra da "City 21", ambas na primeira página, constituem a publicidade não-autárquica. O "Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Raínha" ocupa metade da página 5 , enquanto que Alcobaça usa toda a página 7 com os seguintes dizeres: "Acolhemos & Apoiamos o seu Projecto
GAE -Gabinete de Apoio ao Empreendedor, FINICIA OESTE - Fundo de apoio a iniciativas empresariais, NOSE-URBACT II - Programa de iniciativa comunitária, HERITAGE CERAMICS -Projecto de preservação de tradições e arte da cerâmica, ZICA - Zona industrial do Casal de Areia, ALEB - Área de Localização Empresarial do Casal da Benedita. UM CONCELHO CONSTRUÍDO A PENSAR EM SI. GAE-Gabinete de Apoio ao Empreendedor, Morada, Telefone, Fax, e-mail. ALCOBAÇA MUNICÍPIO.
Perante esta promoção bem feita, tanto a das Caldas da Rainha como, sobretudo, a de Alcobaça, o que fez o Município de Tomar? Comprou a última página, escolheu um fundo vermelho, colocou ao alto "O tesouro dos templários somos nós", antecedido pelo logótipo templário e usou uma foto aérea do castelo e parte do Convento, já com uns bons anitos, logo abaixo. Terminou com "Tomar: património para o futuro" e "Tomar - Cidade Templária", com aquela espécie de bolota à esquerda.
Resumindo: nem apoios, nem serviços, nem telefones, nem faxes, nem endereços, nem e-mail. Bem sei que o anterior presidente disse um dia que "Tomar não é para quem quer, mas quem pode." Mesmo assim, estou convencido de que se os templários tivessem procedido como faz a actual Câmara, nunca teriam passado da cepa torta. O Gualdim Pais deve dar voltas na campa, cada vez que ouve essa da "Cidade Templária". Outros tempos...

domingo, 28 de Dezembro de 2008

MAZELAS TOMARENSES - Desprezo pelos eleitores



Foto 1

Foto 2

O nosso painel de leitores, que nos orienta nestas coisas da actualidade, foi claro: O tema de ontem é interessante, mas a aludida ligação entre a Rua Lopes Graça e a Av. Mello e Castro é periférica, numa zona de expansão da cidade. Tomei nota, sem todavia concordar. Pode lá ser periférica uma ligação entre uma zona residencial e um hospital moderno?! Correndo o risco de ser inconveniente, ouso dizer que se trata de mais uma daquelas desculpas para lástimas que não têm desculpa nenhuma, pelo menos no domínio do bom-senso.
Como não sou de rancores, e continuo sem trela nem açaimo, pelo menos enquanto o sr. Sebastião consentir, fiz-me à viagem e fui procurar outras mazelas, desta vez mais antigas e situadas em zonas não-periféricas. A foto 1, ao cimo da Rua Voluntários da República, mostra o passeio, ou o que dele resta, junto à actual residência de um dos vereadores da oposição. Ou muito me engano, ou o referido autarca nunca protestou contra tal estado de ruína. E se nem a oposição protesta...
A foto 2 foi tirada um pouco mais acima, na antiga Rua de Coimbra. Um passeio dos antigos está em estado lamentável. Além disso, um poste da EDP obriga qualquer peão a passar pela faixa de rodagem, colocando-se assim em perigo.
São estes detalhes, que com boa vontade se resolveriam rapidamente e em conta, que me envergonham, a mim e aos tomarenses. Porque coisas destas já nem são sequer europeias. Fazem pensar noutras cidades bem mais a sul. E quem nos visita nota isso, embora nada nos diga.
Aqui há tempos, dois jornalistas locais falaram com um turista canadiano, professor universitário. Quando lhe perguntaram o que pensava do país, nem hesitou -"É muito sujo e pouco cuidado. Faz-me lembrar a Itália dos anos 50." O que ele ignorava e continua a não saber, é que os autarcas, apesar de insistentemente alertados pela comunicação social, fazem ouvidos de mercador e assobiam para o lado. Como se não fosse nada com eles. Ora se isto não é desprezo, desdém, por quem os elegeu, é o quê? Falta de vergonha, se calhar.

Cão Tinhoso

sábado, 27 de Dezembro de 2008

MAZELAS TOMARENSES - O útil e o supérfluo

Conforme prometido, aqui está um primeiro exemplo de que os erros da Ponte do Flecheiro estão longe de ser filhos únicos. A foto acima mostra o estado da actual ligação entre a Rua Fernando Lopes Graça e a Av. Dª Maria de Lurdes de Mello e Castro. Apesar da sua curta extensão -tem menos de 100 metros- nunca a autarquia mostrou qualquer vontade de resolver aquilo que constitui uma autêntica chaga, e que vem já do tempo de Pedro Marques. Agora com a mudança da PSP para a Rua D. Lopo Dias de Sousa, quando os elementos desta força de segurança pretenderem deslocar-se ao Hospital pelo caminho mais curto, vão encontrar um piso nada adequado para peões ou para viaturas.
Temos assim, cem metros mais acima, piscina de água quente e campos de ténis. Fundos e/ou vontade de resolver problemas básicos como este, é que parece não haver. Os senhores autarcas, no seu conjunto, incluindo a oposição, manifestam mais inclinação para pontes, rotundas, requalificações, pavilhões, PDMs e PPs. Eles lá sabem porquê. Mas os eleitores não.
Claro que há os esgotos, obra fundamental. Mas aí a mazela tem sido a manifesta ausência de coordenação. Basta ver o que se passa no Bairro das Flores (Rua do Camarão, Largo do Pelourinho e arredores), cujos moradores aguardam há meses que os trabalhos continuem, e vão até ao fim, de forma e acabar com o actual lodaçal. Pois em vez disso, vá de fazer o mesmo na parte nascente da Rua Nova e na Rua de Pedro Dias. Até parece que se divertem a molestar as pessoas...

Cão Tinhoso

ARRANJOS DA PONTE - É TUDO UMA MARAVILHA

O meu texto informativo de ontem parece ter tido algum sucesso, mas também houve reclamações contra a minha prosa canina, disse-me o sr. Sebastião. Parece que, segundo alguns leitores, daqueles que até já têm dinheiro para computadores e tudo, "com coisas sérias não se brinca e o respeitinho é muito bonito." Seja. Passo, portanto, a usar um tom sério e respeitoso.
Continuo a não entender como foi possível os autarcas que nos governam inaugurarem a ponte, quando ainda nem sequer há acessos dignos ao mercado, que fica mesmo ao lado. Aqui há tempos, o nosso colaborador António Rebelo escreveu no jornal, que tanto os autarcas como os funcionários parecem considerar que os cidadãos estão ao serviço deles, ao arrepio da normalidade democrática. Não faltou quem logo dissesse que o nosso companheiro de trabalho estava velho, senil, gágá, chéché, e outras prendas do género. Curiosamente, tanto os soviéticos, no seu tempo, como os chineses agora, usam a mesma argumentação para internar em psiquiatria os seus adversários políticos. Será que aqui nas margens do Nabão também há adeptos anónimos de tais práticas. Não? Então o que vão alegar agora perante o escândalo da inauguração da ponte sem acessos ao mercado limítrofe, nem para peões, nem para automóveis? Como claramente mostram as duas fotos, a de ontem e a de hoje, nem sequer houve a mínima preocupação no sentido de restabelecer as condições anteriores às obras. Estará certo?
Os habituais defensores do que está, vão se calhar alegar que se trata de um caso isolado, que não justifica tanto alarido. Em futuros escritos vou procurar demonstrar que estão enganados. Como quase sempre acontece a muito boa gente, iludida pelos "óculos partidários".

sexta-feira, 26 de Dezembro de 2008

NOVA PONTE E ARREDORES - SÓ MARAVILHAS


A habitual seita de inimigos do progresso, de botas de elástico, de má-língua, de profetas da desgraça, de adversários da modernidade e do futuro, não descansam. Todos os dias, a toda a hora, em todos os sítios, é só dizer mal da nova ponte e arranjos circundantes. Para tirar dúvidas, pedi ao senhor Sebastião, o patrão aqui do blogue, para me tirar a trela e o açaimo, e lá fui. Sou obrigado a dizer que gostei. Tasse bem, como se diz agora. Vi, farejei e urinei, tudo na maior. Surpresa das surpresas, apesar daquele acampamento permanente que há lá perto, não apanhei nenhuma pulga. O que é a modernidade! Já nem a tradição é o que era!
Quanto à novel ponte ora inaugurada, qualquer visitante do local vê logo que obedeceu a um planeamento rigoroso e a um projecto que contemplou os mais infímos detalhes. Conforme mostra a fotografia acima, até pensaram na saúde das pessoas. Constatando que a população tomarense está a ficar obesa com tanta fartura, arranjaram maneira de obrigar quem vai ao mercado a pé a fazer um bocadinho de corta-mato. Coisa que já não faziam desde a escolaridade obrigatória. Agora digam lá que não está bem visto, vá!!!

Cão Tinhoso

quinta-feira, 25 de Dezembro de 2008

UMA PONTE QUE NASCEU TORTA

Salvador sem sorte
O discurso do presidente Corvelo de Sousa, na inauguração da nova ponte, veio confirmar aquilo que já era do conhecimento geral, nos meios ditos bem informados: o PSD está muito preocupado e com muitas dúvidas sobre as eleições de 2009. Sobretudo com as autárquicas aqui em Tomar. E compreende-se. Há o problema Carrão, mas igualmente as obras mal encaixadas e a manifesta ausência de um plano digno desse nome. Apesar das proclamações em contrário, como por exemplo na introdução ao Orçamento 2009: A população conhece-nos bem. Sabe que somos uma equipa com um projecto com futuro...
Cidadão de boa convivência, quero acreditar que esse tal projecto existe na verdade. Devo, porém, confessar que nunca o vi, nem conheço quem o tenha visto. Se os senhores autarcas tivessam a amabilidade de enviar um exemplar aqui para a redacção, é que era serviço!
No que concerne às obras, o que já está, já está. O tempo se encarregará de demonstrar quem tinha razão, e quem estava equivocado. No caso da ponte, há a questão da localização, o facto de ter só três faixas, a falta de uma rotunda na junção com a Av. Nun'Álvares, o insólito desvio da Av. Aquiles da Mota Lima e os acabamentos de gosto muito duvidoso. Aqueles passeios em calçada e os projectores azuis são nitidamente estilo parvónia.
Sobre os arranjos daquela zona, por enquanto ainda longe da conclusão, que se pode acrescentar? Que não se percebe a utilidade de tudo aquilo? Que há vários locais muito perigosos, sobretudo para as crianças e os jovens? Que os acabamentos já executados carecem de qualidade estética? A tudo isto, os usuais votantes do PSD dirão, como sempre, que está muito bonito, ou que está muito melhor do que estava. Pois está, confirmamos nós. Mas o problema não é esse. A questão é a de saber se não se poderia ter feito muito melhor pelo mesmo preço. Se a ponte não teria ficado melhor em S. Lourenço ou em Carvalhos de Figueiredo, para ligar à futura Via de Cintura. Se aquele paredão com aquela altura era mesmo indispensável.
E depois há igualmente a questão dos custos-benefícios. Tudo aquilo foi financiado em grande parte pelo Governo e pela UE, mas doravante vai exigir manutenção em condições, tanto nas novas vias de comunicação como nos espaços verdes, que são vastos. Já atascada em dívidas e com as receitas a baixarem, designadamente em virtude da diminuição da população residente, onde tenciona a autarquia ir arrecadar o suplemento anual indispensável para dar conta do recado de forma cabal?
O Castelo mostra todas as noites aos tomarenses que não basta gastar milhares de contos numa iluminação capaz. Sem manutenção adequada, tudo aquilo se vai degradando aos poucos. O mesmo acontece com a Ermida da Conceição e com os projectores das margens do Nabão. Dado que a partir de 2013 não haverá mais fundos europeus, a partir daí onde iremos conseguir verbas para manter a barca tomarense a navegar em condições que não nos envergonhem a todos? Porque estamos actualmente numa posição semelhante à do submarino do Solnado: A cidade é bonita. Mas não flutua! Nem lá perto!

quarta-feira, 24 de Dezembro de 2008

ORA ATÉ QUE ENFIM!!!

Amadeu Anjos
A autarquia de Mafra acaba de decidir, segundo os jornais de hoje, encerrar os seus serviços situados no edifício-sede todas as sextas-feiras. Os funcionários, que assim ficarão com mais um dia de não comparência ao serviço, deverão compensar com algumas horas nos restantes quatro dias, de forma a perfazerem as 36 horas semanais de presença. Segundo um eleito da autarquia, tal medida destina-se fundamentalmente...a poupar. Ora até que enfim! Lá apareceu uma equipa autárquica como uma clara visão do actual contexto social e do futuro. Mesmo assim, creio bem ser provável que os senhores autarcas nem tenham antevisto todas as implicações da medida agora implementada.
Há, como bem disseram, a poupança:Subsídio de refeição, água, electricidade, telefone, internet, papel, papel higiénico, limpeza, arrumação, recolha de lixo, etc. etc. Mas há também, e sobretudo, maiores facilidades para os munícipes. Não só o horário de funcionamento é alargado, como previsivelmente vai diminuir a burocracia, dado que menos funcionários presentes = menos trabalho dispensável e menos tramitação.
A bem dizer, não admirararia grandemente que, dentro de alguns meses ou anos, seguindo o mesmo princípio, agora posto em prática pela autarquia mafrense, a maior parte dos funcionários, do estado e das autarquias, possa vir a ser mandada para casa. Com o vencimento por inteiro, ou consoante o que vier a ser negociado pelos próprios ou pelos sindicatos do sector.
Bem sei! Bem sei! Alguns irredutíveis vão protestar. Pois vão. E daí? Alguém nega, perante tantos exemplos gritantes, que na função pública em geral há funcionários a mais e trabalhadores a menos? Alguém é capaz de desmentir que há milhares de funcionários sem tarefas quotidianas efectivas? Alguém se arrisca a mandar auditar, por entidades exteriores e independentes, os serviços que tutela, como eleito pelos contribuintes? Então, afinal...
Tome-se o caso da autarquia tomarense. De acordo com o orçamento, recentemente aprovado, para 2009, 21.354.645€ destinam-se a vencimentos e despesas de funcionamento. Para quem não vislumbre bem a enormidade, aqui vai o mesmo, mas em escudos: 4 milhões, duzentos e setenta mil, novecentos e vinte nove contos. Tal é o custo previsto da máquina municipal em 2009. Está o leitor contente com a qualidade, adequação e quantidade dos serviços fornecidos pela autarquia, como contrapartida pelos seus impostos e taxas? Então não se esqueça disso por ocasião das próximas autárquicas. E vá considerando se não será já tempo de ir pensando em emagrecer o paquiderme autárquico.
A título de exemplo, só a Assembleia Municipal prevê gastar 78.000€ = 15.600 contos em 2009, dos quais 39.000€ com pessoal = 7.800 contos, e outro tanto com aquisição de bens e serviços, entre os quais 30.000€ = 6.000 contos, em publicidade nos jornais do costume. Parece-lhe sensato e decente, quase 16 mil contos anuais para menos de uma dúzia de reuniões plenárias?
A pergunta aqui fica. A resposta pertence-lhe.

ANÁLISE DA IMPRENSA LOCAL E REGIONAL

Redacção de Tomar a Dianteira
Se calhar adeptos do "se eles sacam, porque não hei-de sacar eu?", os responsáveis da empresa que colocou o interceptor da cidade nova não estiveram com meias medidas. Alegando obras a mais e outros contratempos, como por exemplo a interrupção forçada para a realização da Festa dos Tabuleiros, avançaram para a justiça. Pedem uma idemnização nunca inferior a milhão e meio de euros (500 mil contos). Para uma empreitada que custou pouco mais de 2,6 milhôes de euros, não se pode dizer que sejam modestos a pedir. Dado que a citada empresa é de Braga, onde como se sabe a influência religiosa é grande, provavelmente terão pensado que, por estarmos próximos de Fátima e da Santa da Ladeira, ainda cá acontecem milagres. Caberá ao Tribunal de Tomar decidir se têm ou não razão. Entretanto, O Templário fez manchete da notícia, aparentemente desconhecida para os restantes periódicos da zona.
Ainda no Templário, as habituais crónicas de Isabel Miliciano, José Soares e João Simões, bem como 18 páginas de desporto, para 28 de informação geral. O Remate já bateu na trave há largos anos, mas parece ter deixado muitas saudades a gente influente. Para os leitores poderem comparar, nesta mesma semana o Cidade de Tomar dedica 12 páginas ao desporto, enquanto que O Mirante, jornal regional, se contenta com 6 páginas desportivas e O Ribatejo, igualmente regional, se fica pelas 4.
Mas também é verdade que o Orçamento da Câmara de Rio Maior é de 32 milhôes de euros, e o concelho avança a olhos vistos, contra 57 milhões em Tomar, cuja situação é conhecida de todos. Tudo leva a pensar que há-de haver por aí vários disfuncionamentos devoradores orçamentais, mas a comunicação social local, (por enquanto?), guarda do Calado o prudente silêncio.
No Cidade de Tomar, destaque para mais um acidente no paredão ali junto à nova Ponte do Flecheiro, bem como uma peça bem documentada sobre a recente sessão da Assembleia Municipal, durante a qual dois presidentes de Junta do PSD se manifestaram contra o executivo, igualmente do PSD. Os corajosos foram o presidente das Olalhas e o de S. Pedro. Se a moda pega, ainda vamos ter ocasião de ouvir e ler do bom e do bonito, que aqueles autarcas sabem muito mais do que aquilo que dizem. Ainda no semanário da Praça da República, geralmente tão recatado, uma opinião surpreendente. A Chefe de redacção incluiu, nos 12 pedidos para 2009, a construção de um Forum. Quem diria!
O semanário O Ribatejo manifestamente não tem ninguém aqui no concelho. Semana após semana, aparentemente nada acontece aqui em Tomar, se nos guiarmos por aquele semanário. Seja qual for a razão de semelhante e prolongado mutismo, temos de reconhecer que não é justo. A época é de crise, mas por enquanto ainda estamos vivos. E enquanto há vida... Acresce que a autarquia continua a enviar a sua publicidade paga, pelo que deveria haver retorno noticioso.
No Mirante, pode ler-se uma entrevista de duas páginas com António de Sousa, director artístico da Casa-Memória Lopes Graça, o caso do rapto de rapariga adolescente com fins sexuais, a proposta de PS de bicicletas gratuitas na cidade e a muito contestada aprovação do Orçamento autárquico para 2009.
A fechar, a "prata da casa", pois também integramos a comunicação social nabantina. Tomar a Dianteira falou com o vereador Carlos Carrão, na tentativa de saber as últimas. Na sequência da breve troca de palavras, podemos dizer que: 1 - Por enquanto nada de novo. 2 - "Vale mais morrer reinando do que viver servindo." 3 - "Não podemos esquecer que a palavra dada tem muito valor." 4 - Continuam as pressões de toda a parte e "dividir é favorecer terceiros."
Bom Natal!

terça-feira, 23 de Dezembro de 2008

CRÓNICA DA ODETE DAS FARTURAS

Castanhas quentes e boas
Hoje é terça-feira e dia da minha habitual crónica. Como estamos no Natal e os próximos tempos
vão ser de muitos sacrifícios, achei melhor não desanimar mais os leitores com um texto longo e sem pontuação. Por isso, pedi ao sr. Sebastião, aqui do blogue, para me ajudar, que ele gosta muito de me pontuar (entre outras coisas), quando eu deixo. Mas não se avezem. Para a próxima já não haverá outra vez pontuação. Para se habituarem a ler "como deve ser".
1ª Castanha
Foi hoje inaugurada a Ponte do Flecheiro, cuja utilidade real continua por demonstrar. Para já, constata-se que praticamente não tem saída em condições para nascente, e que lhe falta uma via ascendente. Depois, aquele desvio da Av. Aquiles da Mota Lima para a traseira de Santa Maria, só podia lembrar a alguém numa terra como esta. Como se tudo isto não bastasse, quem circule de automóvel pela nova ponte não consegue aceder ao Mercado. É muito prático, não é?
2ª Castanha
Os arranjos envolventes da ponte são uma maravilha. Até há o que parece ser uma pista de ciclismo, que por enquanto não vai dar a lado nenhum. Os peões é que estão pior. O novo acesso pela ponte pedonal abriga a descer/subir uma escada. É assim o progresso?
3ª Castanha
Aquela extravagância que veio substituir a modesta muralha do matadouro é uma desgraça. Qualquer que seja o ponto de vista. Já se sabia, mas agora os factos são incontroversos. Além de prejudicar seriamente os moradores e ser um verdadeiro atentado ao bom gosto, ainda nem sequer abriu ao público e já causou duas vítimas, naqueles degraus. Uma perna partida e um jovem em estado grave, internado em Lisboa. É no que dá o novo-riquismo, que ignora como investir decentemente os fundos públicos colocados à disposição.
4ª Castanha
Ouve-se por aí, e já foi escrito neste blogue, que a imprensa local começa a sentir algumas dificuldades. Nada mais natural. Mesmo a nível nacional e internacional as coisas não vão nada bem para os jornais. E a crise ainda agora começou. E está para durar. Infelizmente!
Neste contexto, é surpreendente que numa das redacções locais se queixem de "original" a mais, ou de falta de páginas, situação que obriga a protelar algumas colaborações. Se realmente assim é, a solução parece óbvia. Como justificar um suplemento desportivo semanal, de 12 páginas no mínimo, numa zona onde o desporto está como sabemos, e num distrito em que os jornais regionais se limitam a 3 ou 4 páginas de desporto por semana? Diz o povo e com razão: Quem não tem dinheiro, não tem vícios.
5ª Castanha
Necessários, ia a escrever indispensáveis, sem qualquer dúvida, são aqueles três postes de iluminação pública, quase da altura da Torre Sineira, ali junto ao Cemitério Antigo. Com vários projectores cada um, facilitam as coisas a muita gente. Eu, por exemplo, que ainda não tinha decidido se devia ir morar para o novo ou para o velho, agora já não tenho qualquer dúvida. Vou escrever que me levem para o Cemitério Velho. Sempre poderei ler durante a noite, de borla.
6ª Castanha
No blogue mais animado aqui da zona, que é o do Templário, os conteúdos são por vezes de um nível que mete dó. Agora que vieram as férias, diminuiram as mensagens, mas a qualidade parece ter aumentado um bocadinho. Hoje, por exemplo, houve intervenientes muito instruídos em agricultura. Digo isto porque, lendo-os, fica-se com a ideia de que a crise tomarense resulta da óbvia falta de tomates. No meu fraco entendimento, nada mais falso. A cidade manifestamente não precisa de quem tenha tomates, mas de quem tenha cabeça e saiba usá-la, sem confundir a de cima com a de baixo. No caso dos cavalheiros, bem entendido. Essa é que é essa!
Um bom Natal para todos!

segunda-feira, 22 de Dezembro de 2008

BOAS FESTAS

A todos os que têm tido coragem e paciência para nos lerem, que não são assim muitos, mas são de qualidade, rogamos que aceitem os nossos votos sinceros de Natal em paz, interior e exterior, e um Ano Novo o menos mau possível.

A redacção de Tomar a dianteira, incluindo o Cão Tinhoso

domingo, 21 de Dezembro de 2008

AGRAVA-SE A CRISE MUNDIAL

Futuro incerto para a imprensa

Sebastião Barros com a redacção de TaD
Agrava-se singularmente a crise económica mundial, alastrando como mancha de óleo a todos os países e a todos os sectores. Após o colapso da moeda islandesa e da divisa húngara, chegou a vez da libra inglesa e do dólar americano, ambas moedas de referência. A moeda inglesa, que valia há um mês 1,30€, cotou ontem 1,05 contra o euro, no mais baixo valor de sempre, desde que existe a divisa europeia, e com tendência para piorar. Quanto ao dólar, apesar de se encontrar praticamente a juro zero, continua a perder valor face ao euro e ao yen. Há seis meses, um dólar valia 1,20€; ontem já se comprava a moeda americana a 0,80 cêntimos de euro por cada dólar.
Nesta conjuntura económica, aumenta o desemprego, baixa o consumo, encerram empresas. No sector da imprensa, o grupo Chicago Tribune está com sérias dificuldades, enquanto o New York Times, o jornal de maior tiragem nos USA (1.250 mil exemplares por dia), foi forçado a hipotecar a sua imponente sede em Manhatan (Centro de Nova Iorque), para poder cumprir compromissos inadiáveis.
Aqui ao lado, em Espanha, o grupo PRISA, que controla entre outros o conceituado diário El País, também enfrenta sérias dificuldades.
Em Portugal o grupo Impresa, de Pinto Balsemão, proprietário do semanário de maior circulação no país, o Expresso, pretende dispensar 125 pessoas desse jornal, o que corresponde a cerca de 25% do total. Também em Lisboa, o Jornal de Negócios experimenta grandes dificuldades, que têm vindo a agravar-se. Em todos estes casos críticos são apontadas as mesmas causas: aumento dos custos, quebra na publicidade e na circulação paga.
Na nossa cidade, de acordo com as informações recolhidas por TaD, a situação também está muito longe de ser brilhante. Cidade de Tomar estará com sérios problemas de tesouraria, provenientes de excesso de pessoal, aumento de custos, quebra na procura de publicidade e nas vendas em quiosque. Enquanto isto, haverá cada vez mais assinantes que se vão esquecendo de liquidar os seus compromissos para com o jornal. Alguns poucos por nós contactados asseveram que não pagam, dada a fraca qualidade redactorial do jornal. Em tempos conturbados, qualquer desculpa serve.
Pelas bandas do Templário, após a separação da Rádio Hertz, houve aquele diferendo Isabel Miliciano/Manuel Faria, que este ganhou em tribunal. Na sequência dessa sentença, estamos em condições de informar que Faria mandou penhorar 80% do Templário, bem como uma percentagem que não conseguimos apurar da moradia que Isabel Miliciano possui, e onde habita, na Freguesia de Carregueiros.
Pessoas ligadas a estas questões de execuções de sentenças, opinaram estarmos perante uma decisão ditada sobretudo por mera sede de vingança, pois nas actuais circunstâncias os bens penhorados dificilmente encontrarão compradores, caso cheguem realmente a ir à praça. No caso do jornal, por causa da presente situação de crise, que tende a agravar-se e não poupa nada nem ninguém. No caso da moradia, porque está hipotecada a um banco e habitada, sendo que na conjuntura actual nenhum banco responsável estará na disposição de ficar com mais "um menino nos braços", quando a tendência é para ninguém comprar, ficando na expectativas de ainda maiores quedas de preços.

sábado, 20 de Dezembro de 2008

CRÓNICA DA ODETE DAS FARTURAS

Tenho andado danada com a vida e a pensar mudar de ofício porque isto das farturas vai de mal a pior de tal forma que agora até me pedem meias farturas e depois dizem que é só para não engordar são cá duma franqueza que francamente e sabem muito bem que as farturas não engordam só engordam os que as comem falta de pilim é o que é que a crise cada vez aperta mais e ninguém sabe quando vai acabar pelo menos aqui na redacção onde o sr. Sebastião o chefe agora deu em ler o "Novo estado industrial" dum tal J. K. Galbraith e o Cão Tinhoso que passa cá as noites aproveitou para também o ler e achou-o muito chato mas foi perguntar ao chefe qual era o interesse do livro e ouviu que o complexo militar-industrial de que fala Galbraith é assim como o nosso actual lóbi do betão à escala americana bem entendido vai daí fiquei na mesma mas pode ser que algum leitor mais atento e erudito me possa esclarecer porque tenho vergonha de perguntar ao sr. Rebelo que anda muito ocupado com a água e o orçamento camarário para 2009 assuntos da maior importância segundo ele diz dado que vão condicionar fortemente o nosso futuro que prevê cada vez mais sombrio caso se confirmem os candidatos já anunciados que não parecem ter na sua opinião qualquer plano que se aguente nas canetas e sem isso as coisas irão de crise em crise até à crise final em que o governo terá de nomear alguém para nos governar mas eu achei que estava a exagerar e falei-lhe na entrevista que o sr. Relvas deu ao Templário o que provocou a sua irritação e o levou a uma longa intervenção daquelas como só ele sabe para sublinhar que o referido senhor deve viver numa realidade virtual algures no reino da fantasia para ter a coragem de dizer aquilo que foi publicado ou então sabe que está a enganar as pessoas mas pensa que é por aí que conseguirá ganhar as próximas autárquicas porque ele embora dê a entender o contrário também se engana até na sua vocação universitária onde foi primeiro para direito depois para história e depois para ciências políticas que são tudo cursos "de borla" nas privadas e agora vem para aqui falar do emprego como prioridade em conjunto com a cultura e o turismo sem dizer como e o pessoal mais culto aqui da redacção diz que aquilo é só música de ouvido e que na realidade o PSD está aflito com a luta de galos Corvelo/Carrão em que qualquer um deles pode ganhar se for a votos e não aparecer entretanto uma candidatura forte com um projecto sólido que os eleitores entendam e aceitem sendo evidente que o actual ritmo de obras trapalhonas em que os projectos iniciais dados a conhecer à população e apresentados para obter fundos comunitários depois incluem muitas outras coisas por vezes quase sem relação directa com o plano inicial esse estilo esgotou as suas virtualidades e até o sr. Relvas afirma na entrevista que acabou a fase das infraestruturas e vamos agora entrar num novo ciclo mas esqueceu-se de mencionar em que ciclo e o Plano e Orçamento para 2009 também não é nada esclarecedor antes pelo contrário e o sr. Corvelo de Sousa diz que a população "sabe que somos uma equipa com um projecto com futuro" mas as pessoas com quem costumo falar dizem que nunca deram por nada e que isto de há uns anos para cá está cada vez pior e eu também penso assim e o tal lóbi do betão que é muito forte e está bem implantado e até financia os partidos não vai baixar os braços facilmente que a máquina precisa de cada vez mais "combustível" para continuar a funcionar e o sr. Relvas é consultor de 4 ou 5 empresas por alguma razão e para alcançar alguns resultados e até era bom que alguém fosse consultar o registo obrigatório de interesses para depois dizer aos tomarenses de que empresas estamos a falar justamente para evitar futuro falatório.

sexta-feira, 19 de Dezembro de 2008

ANÁLISE DA IMPRENSA LOCAL E REGIONAL

Redacção de Tomar a dianteira Colaboração da Papelaria CLIPNETO
Desta vez a primazia vai, sem contestação, para a "Grande entrevista exclusiva a "O Templário", dada por Miguel Relvas e com direito a foto e chamada de 1ª página. Grande, é realmente. Ocupa três páginas, embora com algumas fotografias. Entre estas, uma assaz curiosa, onde se pode ver o nosso deputado ao lado de Durão Barroso, agora em Bruxelas, e de Isaltino Morais, com um sobrinho na Suiça, segundo constou nos jornais.
Em termos de qualidade, a citada entrevista já não se pode dizer que seja grande, designadamente porque não é esclarecedora. Não por culpa de quem entrevistou, mas em virtude das cautelas do entrevistado. Político hábil, inteligente e com muita experiência, Relvas só disse exactamente aquilo que entendeu dever dizer. Não houve qualquer deslize, qualquer palavra ou frase fora do sítio.
Ficamos assim a saber que a nova ponte, cuja construção só foi aprovada na Assembleia Municipal com o seu voto de qualidade, "É hoje um consenso no concelho." Na mesma linha, "12 anos depois sinto-me feliz pelo facto de termos iniciado um trajecto comum que me deu muita satisfação." E mais adiante "Tivemos um excelente, dos melhores presidentes de Câmara do país."
Para que não restem quaisquer dúvidas de que aprova e apoia tudo o que foi feito, acrescentou que no próximo mandato há que "Manter o projecto e abordar um novo ciclo." "Temos orgulho na obra que está a ser realizada." Sobre o referido projecto, de cuja existência nunca ninguém se deu conta, nicles. Sobre a "luta de galos" Corvelo/Carrão, apenas uma explicação vaga.
Em resumo, Miguel Relvas nunca se engana e raramente tem dúvidas. Para ele não parece haver, em Tomar e no concelho, nem miséria, nem fome, nem sem-abrigo, nem prédios em ruínas, nem desemprego, nem decadência urbana, nem estabelecimentos a fechar, nem eleitores pouco satisfeitos. Lendo e relendo as suas respostas, fica-se com a ideia de estarmos a viver num oásis de paz e prosperidade. Na devida altura, os cidadãos dirão se assim é realmente.
No "Cidade de Tomar", destaque para ambulância do INEM que levou meia hora a chegar ao Moinho Novo, e "Mulher agredida e roubada". Sobre esta última notícia, será pertinente reconhecer que a nossa língua se vai degradando paulatinamente, de tal forma que já pouco ou nada nos pode surpreender. Após leitura atenta, aqui a redacção concluiu que não se trata propriamente de uma mulher, mas de uma senhora de 63 anos, viúva. Vai dar ao mesmo, dirão os do costume. Pois vai, mas há aquela história do tempo da tropa obrigatória.
Um soldado dirige-se ao sargento da guarda e pede-lhe para o deixar saír. -E o que é que tu queres ir fazer lá fora? -É para ir ajudar a minha esposa a levar as compras do mercado, respondeu o soldado. O sargento soltou uma sonora gargalhada e exclamou -Esposa?! Mulher tenho eu, e sou sargento! Esposa é só para os senhores oficiais! Vai lá ajudar a tua gaja e não digas que vais daqui!
Na segunda página, o mesmo semanário publica uma notícia curiosa, sobretudo no título: "PSD em vias de encontrar lista única. Carlos Carrão receptivo a ocupar o segundo lugar da lista." O curioso é que da leitura do corpo da notícia não resulta qualquer das anteriores conclusões. Carrão apenas confirmou estar a ser pressionado, designadamente por Relvas, afirmando que vai ponderar junto da família e dará uma resposta em Janeiro.
Noutras páginas, o periódico da Praça da República fala do natal dos vereadores em duas páginas, da primeira reunião da Entidade Regional de Turismo, que teve lugar em Tomar e designou Manuel Faria com vice-presidente, secretário, responsável pela delegação de Tomar e pelos Serviços de promoção. Aprovaram igualmente o organograma, que o jornal publica, mas num formato que não permite a respectiva leitura.
Ainda no "Cidade de Tomar", uma magnífica fotografia do candidato PS, no estilo Indiana Jones, uma proposta dos Independentes pedindo a reabertura do Parque de Campismo, bem como a revisão do plano de pormenor para o local. Trata-se de boa base, que teria outra força e outro alcance se fizesse parte de um plano mais abrangente. Assim ficamos sempre sem respostas para algumas perguntas. A ler igualmente as "Conversas ajardinadas" de António Freitas, que permitem entender, com diz o povo "porque é que as cabras marram umas nas outras".
No "Ribatejo", apenas duas notícias do nosso concelho: a reunião da Entidade Regional de Turismo e um Projecto de Realidade Virtual no Convento de Cristo, numa parceria IGESPAR/IPT. O texto de parte da notícia é muito peculiar. Ei-lo: "Imagine-se transportado à Idade Média, há cerca de mil anos atrás, quando o castelo e o Convento de Cristo eram o centro da vida de toda a região de Tomar." Tal e qual. O pior é que há cerca de mil anos ainda não havia Castelo, nem Convento, nem Tomar. Resta esperar que o citado projecto tenha mais qualidade. Caso contrário mais vale estar quedo, que com coisas sérias não se brinca.
"O Mirante" dedica esta semana muito espaço ao nosso concelho. Logo na primeira página, a toda a largura, os casos de agressão aos bombeiros. Depois temos ainda a transferência do Tribunal de Trabalho, uma foto de Corvelo de Sousa, a propósito de ter assumido a presidência da CIM do Médio Tejo, uma foto conjunta dos presidentes de S. João e Santa Maria e as queixas dos moradores de Carvalhos de Figueiredo, por causa da inclinação do viaduto sobre a via férrea.
Boa leitura. Bom Natal. Até para a semana.

quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008

TENTAR COMPREENDER A CRISE - 10

CONSIDERAÇÕES FINAIS E CONCLUSÕES PROVISÓRIAS

António Rebelo


Ao longo de vários intervenções, procurei facultar um adequado conhecimento da crise, de forma a que cada um dos leitores atentos fique mais preparado par obviar os seus inconvenientes, que são muitos e graves. Fi-lo, usando uma linguagem e um estilo tão simples quanto possível. Tentei ser o mais sucinto que a complexidade da questão permite, no meu entendimento. Esforcei-me para raciocinar sempre na perspectiva de quem escreve numa pequena cidade periférica, de um país periférico, que faz parte de um continente cada vez mais periférico, após ter sido, durante séculos "o centro do Mundo". Como é do conhecimento geral de quem se interessa por economia, enquanto as leis e as modas vão sempre do centro para a periferia, a riqueza segue o caminho inverso. Convém nunca esquecer este axioma.
É agora tempo de apresentar algumas conclusões, para juntar, eventualmente, às que os leitores já terão deduzido. Faço-o ponto por ponto, para maior comodidade de leitura e entendimento.

1 - No momento em escrevo, posso afirmar, sem receio de ser desmentido, que ninguém no
mundo sabe ao certo quais as causas reais ou qual a evolução, a duração ou a gravidade da
actual crise. Os governantes só não o admitem porque seria catastrófico em termos
psicológicos.

2 - Quanto mais prolongada e profunda for a crise, a nível mundial e europeu, maiores e mais
graves serão as suas consequências em Portugal, particularmente em termos de emprego e
de poder de compra.

3 - Mesmo quando, pouco a pouco, a actual crise for desaparecendo, em Portugal continuaremos
confrontados com a nossa crise, então singularmente agravada em termos de défices,
exigindo grandes e prolongados sacrifícios à população, bem como determinação, coragem e
persistência aos governantes.

4 - Na nossa terra, além de atingidos pelos efeitos da inevitável política de austeridade, que virá
logo a seguir à atenuação da crise internacional, podendo até começar logo após os próximos
actos eleitorais, qualquer que seja a cor do futuro governo, teremos de procurar forçosamente
outras políticas, outros caminhos, outros métodos de governação, se quisermos realmente
contrariar com eficácia a actual decadência que já ninguém nega. Seja quem for que ganhe as
autárquicas.

5 - A futura maioria autárquica, seja ela qual for, terá desde o início do mandato um pesado
dilema: ou atacar o mal pela raíz, ou deixar correr o marfim. O mesmo é dizer, procurar
soluções ou deixar que se vá agravando a decadência. Num caso, é preciso ter muita coragem.
No outro, é preciso ter muita falta de vergonha.

6 - À primeira vista, o problema tem uma solução extremamente simples. Dada a situação de
evidente desiquilíbrio orçamental crónico, todos estarão de acordo, tanto entre os eleitos
como entre os eleitores, para afirmar que a única saída correcta é aumentar as receitas e
diminuir as despesas. É aqui que começam as dificuldades. Há que optar, tanto no domínio
das receitas como no das despesas, respondendo a perguntas implícitas também muito
simples: como? quando? onde? porquê? até quando? para quê?

7 - Naturalmente, para poderem responder a tais perguntas, sobretudo à última, os autarcas
terão de estar na posse de um plano devidamente estruturado, realista e com pés para
andar. Com já referi em texto anterior, os eleitores até aceitarão certamente sacrifícios, se
souberem para
quê e se perceberem qual é o caminho e qual o destino previsível. Enganam-se redondamente
os candidatos que se apresentem sem planos bem definidos, como tem sucedido até agora,
convencidos de que após a vitória logo se verá. O tempo do improviso permanente chegou ao
fim, porque durante e após a crise nada voltará a ser como dantes, sob pena de graves
problemas sociais.

8 - São conclusões óbvias, mas nada melhor que deixá-las aqui consignadas. A - Nada nasce do
nada. B - Um conjunto só de galinhas ou só de galos não dá um único pinto. C - Não adianta
ter 50 sapatos, se forem todos do mesmo pé.

9 - Para todos aqueles que não gostam mesmo nada de debates, a não ser que se trate de
futebol, e que apelidam de senil, ou pior ainda, quem ousa continuar a pensar, aqui fica a
opinião de J. Maynard Keynes, o economista inglês cuja doutrina permitiu acabar com a grave
depressão de 1929/1933. "Mais cedo ou mais tarde, são as ideias, e não os interesses
instalados, que são perigosos, para o bem ou para o mal."
Depois não venham dizer que ninguém avisou a tempo e a horas.

Dezembro de 2008

quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008

TENTAR COMPREENDER A CRISE - 9

António Rebelo
Warren Buffet, o americano mais rico do mundo, guindou-se a essa posição limitando-se a jogar na Bolsa. Por tal motivo e dada a sua idade (já ultrapassou os 80) é muito solicitado para dar conselhos, pois quem investiu 10.000 dólares no fundo dele em 1976, tinha antes da crise, no caso de querer vender, um total de 40 milhões de dólares. Reconheça-se, humildemente, que é obra!
Pois o dito senhor da finança, interrogado recentemente sobre a evolução da crise e os vários escândalos dela resultantes, limitou-se a afirmar: -"É quando a maré baixa que se consegue ver quem anda a tomar banho nu". É exactamente o que tem acontecido entre nós (BCP, BPN, BPP) e aqui no burgo, onde a popularidade dos que nos governam, bem como a dos políticos em geral, nunca foi tão baixa, tanto quanto se pode saber pelos contactos quotidianos, sendo certo que não há sondagens. Nem vontade para as mandar fazer. Haverá motivo ou motivos para tal estado de desalento e descrença a nível local?
Já foi dito que a grave crise em curso é do tipo boneca russa. Dentro de cada uma há várias outras. No caso tomarense assim acontece. Aos efeitos da crise mundial, europeia e nacional, há que juntar os da já tradicional crise local. Esta caracteriza-se por um peso cada vez maior do funcionalismo público, com a Autarquia e o Estado como maiores empregadores do concelho. Naturalmente, para assegurar os vencimentos, regalias e meios de trabalho a este grupo de improdutivos, a autarquia vai aumentando tudo o que pode (taxas, licenças, impostos, derramas, tarifas, preços). Daqui resulta, para cada contribuinte, um nível de pagamentos obrigatórios que faz de Tomar o concelho mais caro da região. Confrontado com tal situação, cada um faz as suas contas, sendo bastantes o que resolvem ir habitar para outras paragens mais baratas. Face à subsequente redução da cobrança, o Município é praticamente forçado a decidir novos aumentos, os quais vão provocar nova debandada, e assim sucessivamente. Trata-se do chamado "círculo vicioso", muito frequente no Alentejo, mas neste caso nabantino.
Para se ter uma ideia da real situação económica do Município de Tomar, aconselha-se a leitura atenta da declaração de voto dos Independentes por Tomar, publicada na página 4 do Cidade de Tomar de 12 do corrente. Independentemente de se concordar ou não com a totalidade do documento em causa, com as opções políticas subjacentes, ou com a actuação dos referidos vereadores, tem de reconhecer-se que a citada declaração está bem estruturada, bem documentada e, sobretudo, põe em evidência factos que até provocam arrepios. Eis alguns: No Orçamento para 2009, as despesas com pessoal aumentam 45% em relação a 2007, enquanto a aquisição de bens e serviços, destinados a permitir o funcionamento do "império da papelada" (a designação é minha), aumenta 112,4%, também em relação a 2007. Por este caminho e numa altura em que a crise se acentua a todos os níveis, onde iremos parar?
Para além do constante aumento com a máquina municipal, é visível para todos os munícipes mais atentos que a qualidade dos serviços prestados tem vindo a diminuir progressivamente. Um bom exemplo do que se afirma é a chamada "recolha do lixo". No século passado, com muito menos pessoal municipal, uma carroça adaptada, puxada por uma mula, ia tocando a sineta de rua em rua e de porta em porta, para aceitar e despejar os caixotes de detritos que os moradores traziam à porta. Anos volvidos, já depois do 25 de Abril e com veículos automóveis de caixa aberta, adaptados para o efeito, foram colocados uns contentores grandes ou mais pequenos, praticamente à esquina de cada rua. Ainda mais recentemente, alegando que os novos veículos de recolha de lixo não cabiam nalgumas ruas, acabaram com os contentores mais pequenos, sendo os moradores forçados, sem qualquer consulta prévia, a irem despejar os detritos sólidos cada vez mais longe, bem como a fazer a respectiva separação, de forma a usar os pontos verdes, que ficam ainda mais longe. Neste momento não é possível prever, com segurança, se iremos ficar por aqui, mas tudo indica que não. A usual defesa dos trabalhadores autárquicos, que são numerosos, há-de sempre sobrepor-se ao interesse da colectividade, pelo que o actual estado de coisas também vai perdurar. Estamos assim numa situação curiosa. Quando a recolha do lixo se fazia porta a porta, os munícipes nada pagavam para esse efeito. À medida que os locais de recolha se vão afastando dos utentes, as taxas vão aumentando na mesma proporção. Actualmente já se paga pelo esgoto e pelos resíduos sólidos. Um dia destes, provavelmente, dada a cada vez maior despesa da autarquia, ainda vamos ter de pagar mais uma taxa de resíduos líquidos e uma outra de resíduos assim-assim. Além das actuais, bem entendido.
Tudo isto, que é muito grave, poderia tolerar-se, se houvesse um projecto global devidamente estruturado, quantificado e explicado aos cidadãos, sendo óbvio que na actual conjuntura a grande maioria aceitaria participar na caminhada colectiva, mesmo se dolorosa para os pés e para a bolsa, desde que soubesse qual era o objectivo final do actual mandato. Infelizmente para todos os munícipes, tal não é o caso, antes pelo contrário. Nas "Grandes opções do plano" pode ler-se, na página 5, "...ainda não sabemos exactamente os montantes a receber e que obras poderão ser financiadas." ..."temos que prever realizar o maior número de obras que possam vir a ser objecto de candidatura QREN." Ou seja, em linguagem que o povo entende bem -tudo o que vier à rede é peixe, que a gente não somos biqueiros nem sabemos bem o que procuramos.
Com tal modo da actuação, entende-se perfeitamente a nossa situação de permanete decadência. A qualidade de vida degrada-se se são cada vez mais evidentes as inadequações entre as iniciativas autárquicas, determinadas pela ânsia de obter fundos europeus, e as as reais necessidades dos munícipes. É assim que temos pistas de ciclismo, mas não há ciclistas; campos de ténis, mas não há tenistas; pistas de atletismo, mas não há atletas; ou cinema, mas não há espectadores. Em contrapartida, há campistas e caravanistas, mas não há parque de campismo nem de caravanismo; há investidores, mas não há facililades nem estruturas de apoio; há cidadãos a passar fome e a dormir em casas velhas ou em sanitários públicos, mas não há albergue nocturno em condições, nem refeições gratuitas; a nova ponte está profusamente iluminada, até com luzinhas azuis, num flagrante exemplo de despudorado novo-riquismo, mas o conjunto Convento-Castelo está às escuras. Assim vamos! Ou somos levados?

terça-feira, 16 de Dezembro de 2008

SMAS: FORNECER E METER ÁGUA

António Rebelo e Redacção
Caiu muito mal. É esta a opinião geral das pessoas por nós contactadas sobre o recente aumento do tarifário da água e saneamento. Acrescentaram algumas que é preciso muita falta de sensibilidade para anunciar um aumento gravoso de um bem essencial, numa altura de grave crise e próximo do Natal.
Já anteriormente, aquando da publicação, nos jornais nacionais e locais, da notícia segundo a qual Tomar figurava entre os concelhos onde a água é mais cara, foi geral o descontentamento.
Face a estas duas situações, decidimos aprofundar a questão, de modo a proporcionar a quem nos lê uma visão tão completa quanto possível da realidade em que vivemos, quer queiramos quer não.
A água, como todos sabemos, é um bem livre. Quer isto dizer que qualquer pessoa pode captar ou consumir água em qualquer ribeiro, rio ou albufeira, sem qualquer encargo. No caso de poços e nascentes, trata-se geralmente de apropriação privada de um bem público, aceite sem resistência em virtude do chamado direito consuetudinário, o que significa baseado nos costumes.
Assim sendo, os SMAS-TOMAR, um organismo inteiramente controlado pelo Município de Tomar, não produz nem vende água. O que vende a cada consumidor é um conjunto de serviços:
captação, armazenamento, análise, desinfecção, distribuição. Estes serviços são prestados em regime de monopólio de facto e de jure. De facto, porque os SMAS são proprietários de toda a estrutura existente, da captação até cada contador. De jure, porque o município nunca concedeu nem tenciona conceder tal serviço a qualquer entidade concorrente da actual. Além de monopólio, os SMAS são propriedade a 100% da própria entidade teoricamente encarregada de os fiscalizar -o Município de Tomar, gerido pela Câmara e, em princípio, controlado pela Assembleia Municipal. Quer isto dizer que, na situação actual em que há uma maioria de determinado partido, tanto no executivo como na Assembleia, estes representantes maioritários decidem como entendem, naturalmente nos limites da lei, sem qualquer fiscalização prévia ou posterior digna desse nome. Acresce que as usuais alegações de que é necessário poupar água, utilizadas para tentar justificar tudo e mais alguma coisa, carecem de fundamento. No nosso concelho nunca houve nem há falta de água. A prova está no facto da albufeira de Castelo do Bode, a 10 quilómetros da cidade, até fornecer água para Lisboa e Grande Lisboa. O que já se verificou, no passado recente, foi a falta de capacidade de captação, armazenamento e distribuição eficaz, que os competentes serviços procuraram escamotear com a argumentação de poupança de água.
É neste quadro que convém situar o recente preçário aprovado pelo executivo, no qual abundam as situações aberrantes, discriminatórias e autoritárias, que nenhum argumento simultaneamente sólido e legítimo pode justificar. Para maior facilidade de leitura, passamos a enumerar os casos polémicos.
Primeiro caso
A tabela aprovada estabelece 5 escalões para os consumos domésticos, cujos preços variam de 0,45€ por metro cúbico, nos primeiros seis, até 1,54€/metro cúbico, para consumos superiores a 25 metros cúbicos. É óbvio que nos dias de hoje, com máquinas de lavar e novos hábitos de higiene, já nenhum lar gasta menos de 10 metros cúbicos/mês, salvo no caso das casas de fim de semana e de férias. Temos assim que as impropriamente chamadas "tarifas sociais", as mais baixas, acabam por beneficiar quase exclusivamente aqueles agregados familiares com recursos suficientes para terem uma segunda habitação de lazer. Em contrapartida, uma família com dois filhos ultrapassará certamente os 25 metros cúbicos/mês, pagando tudo pela tarifa máxima, dado que os SMAS, sem qualquer base legal, determinaram que será tudo facturado pelo preço do último escalão atingido. Contrariam assim o que é a prática comum no comércio em geral -quem compra em quantidade beneficia de descontos e de melhor preço por unidade.
Segundo caso
Sem qualquer argumentação, convincente ou não, determina-se que os comerciantes e industriais deverão pagar 1,08€/metro cúbico até 15 e 1,71€/metro cúbico para mais de 15. Porquê? Que mal fizeram os que asseguram empregos e pagam os seus impostos? A água fornecida nestes casos fica mais cara aos SMAS? É de melhor qualidade? Tudo perguntas sem resposta, pelo que devem ser feitas pela oposição nos locais próprios -Câmara e Assembleia Municipal, uma vez que nos SMAS não têm qualquer representação.
Terceiro caso
Os consumos do Hospital, do Quartel, das Escolas, da Caixa, das Finanças, do Tribunal, etc, entram na categoria de "Consumos do Estado", de acordo com a referida tabela dos SMAS. Aparentemente longe de pensarem que o Estado somos todos nós, os que pagamos impostos dos mais elevados da Europa, os dirigentes dos SMAS, se calhar influenciados pelo antigo slogan esquerdista "Os ricos que paguem a crise", decidiram que o Estado deve pagar tudo a 1,94€/metro cúbico. Já a autarquia, dona dos SMAS, mas igualmente a viver dos nossos impostos, só paga 0,52€/metro cúbico sem qualquer limite de consumo. Ou seja, a autarquia para regar jardins, abastecer os balneários desportivos ou encher a piscina aquecida, paga quase 4 vezes menos que o Estado para assegurar o ensino, os cuidados médicos ou a justiça. Estará isto certo? E depois quando se escreve que a principal preocupação parece ser sacar dinheiro ao Estado e aos consumidores, alegam que é apenas má-língua e que os SMAS têm de ter recursos para financiar os seus investimentos.
Quarto caso
Igualmente sem qualquer justificação, plausível ou outra, os consumidores devem pagar, de acordo com a nova tabela, uma "Quota de serviço", a qual varia em função do diâmetro do contador. Vai de 5,70€ para os contadores mais pequenos (15mm), até 45,58€ para os maiores (100mm). Dado que os maiores consumidores são os organismos de Estado (Hospital, Quartel, Escolas), estamos perante outra forma dissimulada de saque ao dinheiro dos contribuintes. Neste caso, como nos anteriores, sem qualquer lógica, pois tanto custa fornecer ao Estado como à Autarquia, como aos particulares. Além de que a qualidade da água é sempre a mesma, tal como os seus custos/base para os SMAS, qualquer que seja o diâmetro do contador.
No fundo, trata-se apenas de anular a recente decisão, votada na Assembleia da República, que acabou com o chamado "aluguer do contador". Não podendo legalmente sacar pela porta, os SMAS procuram sacar pela janela.
Quinto caso
Como se não bastassem os excessos de toda a ordem já referidos, que denotam uma situação de claro abuso de poder e de celebração de contratos leoninos impostos por uma posição de monopólio de facto e de jure, os consumidores são ainda obrigados a pagar a taxa de saneamento e a taxa de resíduos sólidos, bem como o respectivo IVA, tudo em função do último escalão atingido. Partem, portanto, do princípio de que mais consumo de água é igual a mais resíduos sólidos. Será mesmo?
Após esta breve abordagem, resta-nos formular uma proposta susceptível de tornar as coisas mais justas para todos, e eventualmente até mais baratas. Naturalmente que deverá ser apresentada, para discussão e votação, nos locais próprios -a Câmara e a Assembleia Municipal.
É a seguinte: Em vez de dispender verbas com a compra de contadores, instalação de contadores, contagens, fiscalização, determinação de escalão, facturação, não seria melhor instituir um preço único por metro cúbico para todos os consumidores, calculando-se os consumos de água em função dos consumos de electricidade, e apresentando a facturação em conjunto. Aqui fica a ideia, à disposição de quem a quiser usar. Pensamos que poderá não ser aprovada nos próximos tempos, mas é para aí que caminhamos. O tempo das decisões incorrectas está a acabar, por força das circunstâncias, sendo que, perante a lei e na altura de votar, somos todos iguais. Convém não esquecer.


segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

CONFIDENCIAIS E FRESCAS

Redacção de Tomar a dianteira
Ainda têm muito tempo...
A Freguesia de Além da Ribeira foi criada há 25 anos, mais coisa menos coisa. Separou-se da Freguesia de Casais. Pois volvido todo esse tempo, ainda há correio endereçado do tipo "Beltrano de Tal, Póvoa-Casais." Ainda mais grave e prejudicial para os além-ribeirenses, a percentagem das contribuições e impostos, cobrados pelo estado, a que têm direito, continua a ir direitinha para a Junta dos Casais. Após tão longa espera pela necessária actualização cadastral, designadamente para efeitos de IMI, um autarca de Além da Ribeira desabafava um dia destes numa roda de amigos, num tom de resignada paciência:-"Pode ser que um dia destes resolvam pagar tudo junto e com juros." Realmente a esperança é mesmo a última coisa a morrer.
Pela nossa parte, apenas podemos recomendar aos responsáveis que não se apressem com a tal actualização cadastral. Afinal ainda têm muito tempo, porque quem já espera há 25 anos...
Abandono da participação no Blogue do Templário
Após várias tentativas para alargar o debate no âmbito do Blogue do Templário, de longe o mais movimentado da blogosfera nabantina, foi resolvido, em reunião de redacção, abandonar qualquer participação naquele blogue. O nosso representante para o efeito, Cão Tinhoso, que é igualmente o permanente nocturno aqui da sede, já foi informado desta decisão, com efeitos a contar das 15H00 de ontem.
No citado blogue, parece existir um núcleo duro de participantes que manifestamente nem sabem nem querem aprender, não fazem nem deixam fazer. São os chamados empatas. Quando alguém aparece com mensagens pessoais e não copiadas de alhures, recorrem seja ao que for para desviar a atenção daquilo que interessa -o respectivo conteúdo. Usam do insulto, da calúnia, do palavrão, da difamação ou de textos sem nexo, só para baralhar. Tal como aqueles tristes jogadores sem grandes qualidades ou objectivos, praticam o futebol ranhoso, desviando para a tabela ou para canto, chutando para o ar ou usando aquela prática dos "sarrafeiros" -se passa a bola não passa o homem. No caso presente, se passou o texto, toca a evitar que passem as ideias. Chegaram até ao cúmulo de escrever que não se deviam ler os textos do participante X, mas sim os livros ou os relatórios do Banco de Portugal.
A prova de que agimos com correcção foi dada por um dos próprios prevaricadores, que se apressou a proclamar a sua vitória contra nós, e o seu contentamento por tal facto. Ignoramos se os proprietários do blogue terão a mesma opinião, mas de qualquer forma a experiência entretanto adquirida permite-nos confirmar, aqui e onde for necessário, que têm razão todos aqueles para quem é totalmente inútil alcatifar, ou equipar com sanitários, os currais de porcos. Realmente e sem qualquer sombra de dúvida, os recos continuam urinar e defecar onde calha e adoram dormir e foçar nos próprios dejectos. Pouco ou nada se pode fazer para contrariar a natureza...
Nem tanto assim, nem tanto assado
No tempo do anterior autarca abundavam as queixas, em tom de confidência, tanto de funcionários como de alguns eleitos. Era demasiado agreste, autoritário, por vezes mesmo incorrecto, autocrata e excessivamente directivo. Aceitava o debate e a contra-argumentação manifestamente com condescendência, e recusava liminarmente as propostas da oposição, por vezes até as dos próprios partidários.
Conforme escreveu Camões, "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, todo o mundo é feito de mudança, tomando sempre novas qualidades". Foi-se o anterior presidente e temos um novo. Pois agora acusam-no do oposto. É demasiado brando, excessivamente ponderado e indeciso, carece de autoridade e ouve quem não deve. Sem uma direcção firme, dizem, a maioria dos serviços encontra-se praticamente em autogestão e sem objectivos precisos. Acresce, de acordo com as mesmas fontes, que alguns vereadores e outros autarcas não desempenham cabalmente os lugares para os quais foram eleitos, mostrando-se quase exclusivamente preocupados com acções tendentes a facilitar a futura reeleição. Assim vamos. Ou somos levados?

CONFIDENCIAIS E FRESCAS



Redacção de Tomar a Dianteira



Ainda vão a tempo...

domingo, 14 de Dezembro de 2008

TENTAR COMPREENDER A CRISE - 8

António Rebelo
Na abordagem anterior, após brevíssima súmula de alguns períodos da nossa história económica, concluímos que a crise é, entre nós, o estado normal e permanente, acrescentando que a situação presente tem remédio. Entretanto, a crise foi evoluindo a nível mundial, e o nosso país, naturalmente, não ficou imune. Convém, por isso, tentar fazer o ponto da situação.
Para melhor se fazerem entender pelos leitores, os economistas, em particular os que praticam a divulgação da sua disciplina, como os jornalistas económicos, por exemplo, costumam usar "bengalas" ou "muletas", mais propriamente imagens figuradas ou figuras de estilo. Até aqui, as alegorias mais correntes eram o "efeito dominó", o "efeito cascata", o "efeito bola de neve", o "efeito mancha de óleo" e o "efeito castelo de cartas". A presente crise, que tudo indica estar para durar, embora se ignore até quando, já facultou uma nova figura de estilo, para traduzir a sua extrema gravidade. Agora e doravante, economistas e jornalistas, económicos ou não, escreverão "efeito tsunami" para classificar o que está ocorrendo, tanto na economia real como na financeira. Já esta semana, por exemplo, o conceituado analista Nicolau Santos, numa peça encabeçada por "Lutar para sair da idade do gelo da economia mundial", dividiu os economistas em três grandes grupos, tendo em conta as respectivas atitudes perante esta crise.
Segundo o referido analista, surge primeiro o grupo dos analistas que acreditam em milagres. Para estes, acrescenta, trata-se apenas de um pequeno aperto. Lá para o final de 2009, já tudo terá regressado à normalidade, pelo que iremos poder continuar com o usual estilo de vida, com crédito barato e abundante, matérias primas ao preço da uva mijona, as bolsas sempre a subir, o poder de compra sempre a aumentar.
Logo a seguir, aparece o grupo dos economistas optimistas. Dada a actual conjuntura, hoje em dia pode considerar-se um optimista todo aquele que afirma não serem as coisas assim como dizem os dos milagres, nem tão- pouco como vaticinam os pessimistas, pois a economia europeia está a entrar em recessão, mas esta acabará progressivamente, na melhor das hipóteses, no segundo semestre de 2010.
O terceiro grupo é o dos pessimistas, composto por todos aqueles que fazem comparações com o sucedido há poucos anos no Japão. Conforme devia ser do conhecimento geral, mas não é, entre outros motivos porque os japoneses são pouco praticantes ou apreciadores de futebol, aquele país padeceu de grave crise nos anos 90 do século passado, tendo estado dez anos com taxas de juro reais nulas, ou mesmo negativas, sem todavia conseguir que a economia voltasse a arrancar. Pois os pessimistas pensam que nos vai acontecer o mesmo. Que podemos vir a conhecer com o crédito o mesmo que sucedia na antiga União Soviética, onde as botas eram muito baratas, mas nunca havia botas.
Qualquer que seja o grupo que vai ter razão, para nós a situação é clara. Já estávamos em crise antes, vamos continuar em crise depois. As actuais medidas anti-crise tomadas pelo governo, bem como o auxílio à banca, mais não são que a tradução, à medida das nossas modestas capacidades, (representamos apenas 1,2% do PIB dos 27), daquilo que já decidiram todos os países ocidentais, os USA, a Austrália, o Japão, a China ou a Coreia do Sul. Destinam-se basicamente a amortecer os efeitos da crise. Não propriamente a acabar com ela. Trata-se de medicina paliativa e não curativa. Em Portugal, cuida-se basicamente, dada a situação anterior à crise de origem americana, de evitar o encerramento de empresas e de combater o desemprego na medida do possível, tendo em vista, igualmente, (ia a escrever sobretudo, mas não tenho a certeza), os actos eleitorais do próximo ano.
Tudo visto e ponderado, é já certo que, quanto mais longa e profunda for a crise, maiores serão os sacrifícios que teremos de fazer depois, para voltar a reduzir o défice orçamental crónico, entretanto singularmente agravado com estas medidas de emergência. E oxalá este autêntico mar de dinheiro, posto à disposição pelos governos, não venha a provocar uma futura inflação galopante, ou hiperinflação.
Para todos os leitores que gostam de tentar compreender a sociedade em que vivemos e para onde caminhamos, tomo a liberdade de aconselhar dois pequenos livros. O primeiro, O DEVER DA VERDADE, Medina Carreira e Ricardo Costa, Editorial D. Quixote, 14 euros, já vai na 7ª edição. Como é sabido, Medina Carreira já foi Subsecretário de Estado do Orçamento e Ministro das Finanças. É um pessimista lúcido e bem documentado, que sabe do que fala. Eis um pequeno excerto, para abrir o apetite: "A "luta" entre os trabalhadores e os capitalistas deixou de estar presente, substituída que foi pelo enfrentamento dissimulado entre os políticos, os funcionários, os pensionistas e os subsidiados pelo Estado, por um lado, e os contribuintes, por outro." (pág. 104). Como diria o Pessa: E esta hein?! Até parece que o autor vive em Tomar, acrescento eu.
O outro livro tem por título "OS MITOS DA ECONOMIA PORTUGUESA", Álvaro Santos Pereira, prefácio de Nicolau Santos, Editora Guerra e Paz, 15 euros. É de Maio deste ano e já vai na 3ª edição, coisa rara para livros de economia. O autor é professor de Economia numa Universidade canadiana e escreve num estilo descontraído, ao alcance de todos. Aqui vai uma amostra, só para começar:"Existe uma regra de ouro com a qual deve estar munido sempre que ouve falar um economista ou, sobretudo, um político. Se esse economista ou político lhe prometer uma receita mágica, se lhe disserem que existem uns pozinhos milagrosos para os problemas da economia portuguesa, a primeira coisa que deve fazer é desconfiar. A seguir, a segunda coisa é lembrar-se da regra de ouro da boa educação económica: não existem receitas mágicas. Quem lhe disser o contrário ou está a mentir, ou os seus conhecimentos de Economia são provavelmente questionáveis." (pág. 29).
No próximo artigo escreveremos sobre a crise tomarense. Finalmente! Até lá.

sábado, 13 de Dezembro de 2008

AUTÁRQUICAS 2009

Respeitando a lealdade que procuramos manter para com os leitores, informa-se que na entrada desta manhã, Confidenciais frescas, foi omitida inadvertidamente uma notícia que se passa a transcrever, com o nosso pedido de desculpas pelo lapso.
Vereador da cultura
Um elemento da redacção de Tomar a dianteira foi recentemente sondado, por elementos ligados a outras tantas forças concorrentes às autárquicas de 2009, no sentido de saber se estaria interessado num lugar susceptível de lhe vir a facultar o Pelouro da Cultura. Em ambos os casos, o nosso colega de redacção foi categórico: Não há qualquer hipótese de vir a aceitar, seja em que lista for.
Aproveita-se par esclarecer que este blogue não tem quaisquer ligações com partidos, movimentos, grupos ou candidatos às próximas autárquicas. Se, no futuro, algum dos nossos companheiros ou companheiras entender romper o nosso compromisso, isso será imediatamente noticiado no blogue, para informação de quem nos honra com a sua preferência.

CONFIDENCIAIS FRESCAS

Afinal é só blá-blá-blá
Tomar a dianteira está em posição de poder avançar que as propaladas obras de requalificação da Mata e da envolvente do Castelo/Convento, por enquanto não passam de mera intenção. Há apenas um estudo preliminar, que custou 90.000 euros, o qual nem sequer foi ainda dado a conhecer a todos os vereadores.
Ainda não abriram e já pedem para as fechar
Moradores da zona do antigo bairro Sarroeira, nas traseiras da igreja de Santa Maria dos Olivais, mostram-se indignados com o que se passa nas novas casas de banho ainda por acabar e nas novas escadas. Dizem que aquilo está transformado em valhacoito de gente pouco recomendável, pelo que é urgente mandar fechar as referidas escadas e entaipar as casas de banho, para evitar futuros arrombamentos. Pelos vistos, quem opinou que as obras da nova ponte estavam enguiçadas sempre tem alguma razão.
Más notícias para Carlos Carrão
Tomar a dianteira avançou, em primeira mão, o lançamento da candidatura independente de Carlos Carrão no próximo mês de Janeiro, caso entretanto o PSD não o escolha como cabeça de lista. Esta informação foi-nos confirmada pelo próprio e desagradou a muitos eleitores sociais-democratas entretanto contactados.
Podemos acrescentar agora que Carlos Carrão tem sido pressionado no sentido de reconsiderar, mantendo-se o PSD/Tomar na expectativa até obter satisfação. Fontes por nós contactadas, mostraram-se chocadas por um companheiro de partido resolver afastar-se da equipa autárquica actual, após 12 anos de trabalho em comum, movido unicamente pela ambição pessoal. Acrescentaram que pelo menos um dos elementos do actual elenco não aceita fazer parte da equipa Carrão, caso o PSD o venha a designar como cabeça de lista. Esse elemento não é o actual presidente.
Falta de coordenação
Os cidadãos mais atentos já se terão apercebido de que nem tudo vai bem, no seio da maioria do executivo camarário. Designadamente no domínio da coordenação de tarefas, tem havido falhas demasiado frequentes e demasiado evidentes. Agora aconteceu com a inauguração da Casa-Memória Lopes-Graça, prevista para hoje, sábado. Ontem ao cair da tarde ainda lá não havia água da rede, pois faltava efectuar a respectiva ligação. Portanto, já sabe: se foi convidado, aceitou e tiver vontade de usar a casa de banho, certifique-se primeiro que há lá água. Se não houver, terá sido porque alguém algures meteu água.

sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008

ANÁLISE DA IMPRENSA LOCAL E REGIONAL

Redacção de tomaradianteira
Colaboração da PAPELARIA CLIPNETO
Só para contrariar o secretário do senhor de La Palisse, desta vez vamos começar pelo fim. Por qualquer motivo que nos escapa, embora continue a beneficiar dos anúncios da Assembleia Municipal, O Ribatejo não cobre a realidade local de forma aceitável. Esta semana, por exemplo, limita-se a noticiar a aprovação do orçamento camarário e a inauguração da Casa-memória Lopes Graça. Como que a reforçar tal parcimónia, a peça sobre o referido orçamento tem por título "Tomar aprova orçamento". Dado que toda a oposição que temos votou contra, acham os jornalistas d'O Ribatejo que tal cabeçalho seja adequado?
O Templário é um semanário simpático, dirigido e feito por gente de convívio agradável, mas cujo conteúdo, no nosso entendimento, resvala demasiado para o "people", para não usar outro termo mais agressivo. Esta semana, designadamente, um aluno agride professor, incêndio causa um morto, leilão da quinta do contador, um tomarense no Parlamento Europeu, um casal de militares tomarenses no Líbano e Carta do Canadá. Opiniões sobre a realidade local, há duas: a de João Simões, que propõe mais pontes, e a de José Soares, falando Mozart e do falecimento de Manuel Antunes. Fala-se ainda de 12 casos de agressão sexual, de um incendiário considerado inimputável, da aprovação do orçamento camarário e do aumento do preço da água, focando o voto contra dos independentes e as respectivas propostas alternativas. São gostos, e os gostos...
O Mirante, o outro semanário regional que beneficia dos anúncios da Assembleia Municipal de Tomar, inclui várias notícias da cidade e do concelho. Esta, por exemplo, que dá para pensar: Roda Pequena e Roda Grande, freguesia de Asseiceira, estiveram uma semana sem telefone fixo, devido a avaria num cabo subterrâneo. Contactado pelo Mirante, o presidente da Junta de Freguesia disse que ainda não sabia de nada, o que não surpreende, pois se os telefones estavam cortados...
Ainda no mesmo semanário, a notícia de que a oposição pede a reabertura do Parque de Campismo, como parque de caravanas e auto-caravanas, continuando a maioria PSD a não aceitar a ideia. Segundo Corvelo de Sousa, haverá novo parque de campismo no próximo verão, mas escusou-se a revelar em que local.
Cidade de Tomar, cujo estilo peculiar é conhecido e apreciado por largas camadas, faz manchete com o aumento do preçário dos SMAS. Numa decisão feliz, decidiu publicar a proposta da nova tabela em fotocópia, o que vai permitir aos leitores verificarem as iniquidades de que estão a ser vítimas desde há pelo menos 20 anos. Há de tudo um pouco. Quanto mais um consumidor gastar, mais paga por cada metro cúbico, a contar do 1º. Por exemplo: Se o leitor gastar mensalmente 6 metros cúbicos, pagará 1 euro e meio, mais taxas, ou seja 0,45 por metro cúbico. Se tiver uma família grande e gastar 26 metros cúbicos, pagará 26x1,54= 40,04 euros. Descontando os 6 metros cúbicos a o,45, temos os restantes 20 a 1,92 euros. Será isto justo? No comércio em geral ocorre exactamente o contrário -quanto mais se compra, mais barato fica por cada unidade adquirida.
Uma outra situação de gritante injustiça é a seguinte: Vivendo dos impostos de todos nós, a autarquia paga a água que consome, mesmo a que serve para regar alguns jardins e para encher a piscina da Estrada do Barreiro, por exemplo, a 0,52 por metro cúbico, a contar do primeiro e sem qualquer limite, num contraste flagrante com aquilo que é impostos aos contribuintes. Mais gritante ainda, o estado, igualmente a viver dos impostos de todos nós, paga a água que se gasta no hospital, nas escolas, nas finanças, no quartel, etc. a 1,94 cada metro cúbico, a contar do primeiro. Porquê? A água fornecida aos organismos dependentes do estado sofre algum tratamento especial? Ou trata-se simplesmente de sacar o mais possível, em conformidade com a filisofia do bandido, segundo a qual "se não saco eu, sacam eles, por isso é melhor ir sacando o mais possível, enquanto há." Mas depois, quando alguém aparece, como nós agora, a denunciar tais injustiças, dizem que é tudo uma cambada de anormais e de invejosos. Daí a pergunta que fazemos muitas vezes: Será que isto é mesmo um país, ou não passamos de um amontoado de pessoas que por aqui foram ficando, impossibilitadas pelo Atlântico de continuarem a viagem?
Também no Cidade de Tomar uma interessante colaboração de Gestosa da Silva, que vale a pena ler, para desanuviar. Tem por título "Cenas da vida real" e vem na página 17. Há ainda a habitual crónica de MC, que aqui a redacção não teria subscrito de ânimo leve, dado o seu conteúdo e sabido como é que todo o cuidado é pouco. Mas oxalá não seja nada.
Para terminar, este naco da prosa de AF, na penúltima página, sobre a Taberna do Capador: "Chegou-nos a notícia...".E o leitor mais velho recorda velhos tempos, e vê a notícia a chegar devagarinho ali ao Paraíso, sentar-se, tomar uma bica e depois ir até à redacção de CT. Outros tempos, outros costumes.

quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008

TENTAR COMPREENDER A CRISE - 7

António Rebelo
Em abordagens anteriores, escreveu-se sobre a crise nos USA, e depois a respeito das suas consequências na Europa, cuja crise é diferente e anterior, mas se agravou singularmente por contágio da norte-americana no início, mas agora mundial e sem resolução à vista.
No que concerne a Portugal, é sempre complicado tentar explicar, de forma tão isenta quanto possível, qualquer situação desagradável, porque estamos cá dentro e fazemos sempre parte do problema e/ou da solução, quer queiramos ou não. Em economia é ainda mais grave, pois como é sabido, a culpa é sempre "deles" e nunca "nossa".
Ainda a entidade política chamada Portugal não existia, nem viria a existir nos séculos seguintes, já as coisas não iam nada bem, conforme mostra um episódio conhecido, narrado em quase todas as obras sobre ciência política ou história económica. Nos primeiros séculos da era cristã, há portanto 20 séculos, as legiões romanas dominavam quase toda a Península Ibérica, em nome do Império sediado em Roma. Por essa altura, um viajante romano culto escreveu que "no ocidente da península vive um povo, os lusitanos, que não se sabe governar, nem deixa que o governem." Passaram os séculos, mas a situação pouco mudou no aspecto governativo, sendo cada tentativa de alteração, ainda que para melhor, criticada até à exaustão, e anulada na prática quotidiana sempre que possível.
Seria fastidioso e deslocado apresentar aqui o longo rosário dos nossos erros, e consequentes padecimentos, na área económica, ao longo da história. Avançam-se apenas alguns, a título de exemplo.
A nossa maior empresa de sempre, a dos Descobrimentos, tem andado envolta em alguma confusão histórica e económica. No domínio da História, não corresponde à verdade que as coisas tenham sido lideradas pela Coroa até à morte de D. Manuel I, em 1521. Tal equívoco parece provir do facto de o soberano ter sido mestre da Ordem de Cristo bem antes de herdar a coroa. Ora, como é geralmente consensual, foi a citada ordem militar que sempre dirigiu a empresa, até ser reformada e, posteriormente, integrada na coroa. As cruzes que sempre figuravam nas velas das caravelas, não permitem qualquer dúvida sobre o assunto.
Da mesma forma, na área económica, o próprio Infante D. Henrique foi claro na sua crónica, escrita por Zurara. A empresa das descobertas e navegações, lê-se nessa obra, foi custeada pelo senhor infante, com as rendas da Ordem de Cristo e cabedais da sua casa.
Consideram os portugueses em geral, produtos do ensino que por cá se ministra, que os Descobrimentos foram uma importante fonte de riqueza desde o início, com os escravos, o ouro e o açucar, primeiro; a pimenta, a canela e outras especiarias, mais tarde. É possível que assim tenha sido para alguns. Em geral, porém, as coisas foram bem sombrias. A tal ponto que à sua morte, em 1460, o Infante deixou dívidas de tal monta que só vieram a ser saldadas pelo seu sobrinho-neto D. Manuel I. E nem valerá a pena detalhar as astúcias várias do senhor Infante, Governador e Administrador Perpétuo da Ordem dos Cavaleiros de Nosso Senhor Jesus Cristo, sucessora dos Templários, como se sabe, no sentido de escapar aos impostos decretados sucessivamente por seu pai, seu irmão e seu sobrinho-neto. Este comportamento, da parte de um estrangeirado, filho de mãe inglesa, vem demonstrar alguns dos traços característicos da classe dirigente nacional, em termos de atitude cívico/económica. E seria errado pensar que D. Manuel I, uma vez liquidadas a dívidas deixadas pelo Infante, nunca mais teve problemas económicos. Apesar das sumptuosas embaixadas ao Papa e de uma vida de luxo na corte, a verdade é que o casamento de sua filha, D. Isabel, com o imperador Carlos V, teve de ser adiado vários meses, porque a coroa portuguesa não dispunha de fundos suficientes para pagar o dote combinado.
Rei após rei, século após século, a situação de má administração e consequente penúria geral foi-se mantendo, mesmo no auge da exploração brasileira, a qual permitiu a construção do Convento de Mafra. A cada aflição, recorria-se aos empréstimos externos, regra geral assegurados pelos britânicos, que várias vezes para cá despacharam tropas, como forma de garantir a ordem pública, a cobrança de impostos, e o reembolso das dívidas. Ainda hoje, não é por acaso que a parte coimbrã além-Mondego se chama Guarda Inglesa. Pode-se afirmar, por conseguinte, sem ponta de exagero, que a crise económica é em Portugal algo de praticamente permanente.
Já na época contemporânea, os militares que em 1926 resolveram tomar o poder, marcharam de Braga sobre Lisboa para impor ordem no país e garantir o pagamento atempado dos seus soldos. Por isso, alguns anos volvidos, desesperados por não terem conseguido grandes resultados, resolveram chamar, para Ministro das Finanças, um obscuro ex-seminarista e professor da Universidade de Coimbra, de seu nome António de Oliveira Salazar. O que se seguiu é conhecido de todos, ou pelo menos dos mais velhos.
Já depois do 25 de Abril, as coisas pouco ou nada melhoraram. Por duas vezes estivemos à beira da cessação de pagamentos e fomos obrigados a recorrer à ajuda do Fundo Monetário Internacional, o qual, como sempre, receitou "remédio de cavalo": aumento de impostos, deflação, desvalorização da moeda. O próprio Cavaco Silva usou, tal como os seus antecessores, da chamada "desvalorização deslizante", como forma de ajudar a incrementar as nossas exportações e, simultaneamente, encarecer as importações e diminuir o consumo.
Mesmo com a entrada na zona euro, as coisas não melhoraram na área económica. Pelo contrário. Com a brusca redução das taxas de juro, os portugueses rapidamente se habituaram a viver acima das suas reais possibilidades, com recurso permanente ao crédito, obrigando os bancos a endividar-se no exterior, devido à muito fraca poupança interna.
Não podendo recorrer à usual arma da desvalorização, para limitar as importações e incrementar as vendas ao exterior, pressionado por Bruxelas para equilibrar as suas contas, de forma a conseguir, de forma durável, um défice inferior a 3% do PIB, o governo resolveu, entre outras medidas impopulares, aumentar o IVA para uma taxa que era e é a mais elevada da Europa, mesmo após a redução de 21 para 20%. A título comparativo, os franceses pagam 17, os espanhóis 16, os ingleses 15, os americanos 12 e os canadianos 6%. Significa isto que a crise portuguesa tem características muito particulares, que nos aproximam mais da Islândia que da Europa, e nos teriam já arrastado para a bancarrota se estivéssemos fora da zona euro. Situação sem esperança? Certamente que não. Como costuma dizer o povo, só a morte é que não tem remédio. É o que veremos na próxima intervenção. Até lá.

quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008

A PONTE DO FLECHEIRO ESTÁ ENGUIÇADA?

Redacção de Tomar a dianteira


Com conclusão prevista para o final de Setembro, as obras da nova ponte prolongam-se, prolongam-se, prolongam-se. Estamos quase em meados de Dezembro, e tudo leva a pensar que se a nova travessia começar a funcionar antes do Natal, já não será nada mau. Tomar a dianteira sabe que, após a ultrapassagem do problema das calhas técnicas, continuam as medições e verificações finais, havendo vários problemas pendentes e de difícil resolução, dada a intransigência de ambas as partes. Os representantes da sociedade construtora alegam que cumpriram e estão a cumprir o projectado. Os representantes da Tomarpolis contrapõem que os projectos são para interpretar e adaptar. Estranham estes mesmos representantes as posições demasiado rígidas da empresa construtora, as quais podem ter a sua origem na multa de 150 mil euros que lhe foi aplicada, por incumprimento de normas contratuais, ou no carácter de algum ou alguns quadros intermédios, cuja principal qualidade não será certamente a diplomacia. De acordo com as mesmas fontes, não está em causa, de modo algum, a idoneidade ou boa-fé da empresa adjudicatária, mas sim, eventualmente, a de um ou mais quadros subalternos das suas subsidiárias, Abrantina ou MRG.
Entretanto, continuam as prospecções arqueológicas, sob a égide do IGESPAR, sem que se vislumbre, assim à primeira vista, a utilidade de tal perseverança e minúcia, sendo certo e sabido que, num cemitério de recurso, como é o caso, quanto mais se escavar, mais restos mortais se vão encontrar, sem que, todavia, os novos achados venham acrescentar o que quer que seja, para além da quantidade, aos anteriores. Até este momento já foram levantados e enviados para a Universidade de Évora e outros destinos, cerca de 1200 esqueletos.
Dado que tem chovido e as escavações e outros trabalhos naquela zona só podem prosseguir com o solo seco, pelo andar das coisas, lá para meados da primavera ainda as obras estarão por concluir.
Conforme foi constatados por vários cidadãos que por ali passam habitualmente, na sequência das últimas chuvas as lajes e as condutas de águas pluviais, situadas à direita da plataforma nova, abateram, obrigando a novo assentamento e revelando que a fiscalização não terá sido suficientemente eficaz.
Cidadãos mais virados para o paranormal, assinalaram a este blogue que a nova ponte nasceu de esguelha ou torta, e o que torto nasce, tarde ou nunca se endireita, pelo que é muito provável que a nova travessia esteja enguiçada, a aguardar que alguém proceda em conformidade. Aqui fica a informação, conforme solicitado.

Resposta a um leitor atento e amável

Obrigado pela sua participação empenhada. Agradeço também a sua preocupação para comigo, esclarecendo que não estou de modo algum perdido. Apenas limitado pelos recursos locais e pelo âmbito da minha colaboração, que não visa um público universitário.
No que se refere a Max Weber e à ética, nada mais lhe posso acrescentar, pois apenas pretendi vincar dois aspectos: que as coisas não acontecem por acaso; que nem todos têm com o dinheiro a péssima relação que os portugueses em geral têm, o que contribui para explicar o nosso atraso recorrente e muito mais.
Quanto ao desejo mimético, mais conhecido por estas bandas como inveja, cobiça, ganância, ganhunça, avidez, garganeirice, só lhe posso aconselhar a leitura atenta do pensador francês René Girard. Li em tempos duas obras dele -Des choses cachées depuis le début des temps e Mensonge romantique et vérité romanesque- que me marcaram profundamente pela sua originalidade de pensamento. Creio que não existem em versão portuguesa.
Sobre as minhas intenções ao escrever sobre a crise, como decerto sabe, nem sempre os leitores compreendem aquilo que um autor pretende transmitir, sobretudo quando se trata de temas áridos como os do domínio da economia política. Por isso, julgo que o melhor será aguardar as reacções finais, para então tentar esclarecer da melhor maneira possível, se tal for necessário.
Saudações cordiais.
António Rebelo

terça-feira, 9 de Dezembro de 2008

TENTAR COMPREENDER A CRISE - 6

António Rebelo
Duas questões prévias, a abrir: 1 - No anterior texto sobre este tema, na 5ª linha, onde se lê
"falências, consumo e desemprego a aumentar", deve ler-se falências a crescer, consumo a baixar e desemprego a aumentar. Bem sei que, por estas bandas, nunca se enganam e raramente têm dúvidas. Por mim, prefiro a que diz que só não erra quem não faz. 2 - No blogue do Templário, o mais vivo da zona, mas de qualidade oscilante como não podia deixar de ser, alguém asseverou que ando a escrever textos estéreis, que ninguém lê nem entende. É possível. Mas eu ainda acredito na espécie a que pertenço. Por isso, vou escrevendo, nem que seja só para arquivo, persuadido de que se não escrevesse é que ninguém teria ocasião de ler e perceber ou não. As suputações são coisas demasiado sensíveis para serem manejadas sem cautelas.
A recessão que agora começou a afligir a Europa, e tem tendência para se agravar, e persistir pelo menos até ao segundo semestre de 2010, de acordo com os dados disponíveis neste momento, teve início nos USA em Dezembro de 2007. Soube-se só agora, porque na Economia acontece o mesmo que na Meteorologia: fazem-se previsões, mas certezas só as há após as medições. Foi o que sucedeu neste caso. Dado que a recessão é a situação em que o produto interno, em vez de crescer, diminui, traduzindo-se em menos emprego, menos consumo, menos exportações, etc. só quando feitos os respectivos cálculos à posteriori se pode ficar com a certeza.
Como já referido anteriormente, antes de ser vítima do contágio da crise dos subprimes, a Europa enfrentava uma crise de contornos diferentes mas igualmente complicada, com origem no seu modelo social. Para melhor entendimento da questão, convém referir que a designação genérica Europa é, tanto em economia como no resto, uma simplificação que pode arrastar problemas de vária ordem. Na verdade, não há uma Europa mas várias, cada uma com os seus problemas específicos. Apenas na área económica, temos a Europa do euro, ou dos 12, a Europa do Norte, a Europa de Leste, ou a Europa dos 27. Na parte que nos diz directamente respeito, fazemos parte dos 12, mas estamos no grupo da Europa do Sul, católicos e ortodoxos, olhados com sobranceria pelos da Europa do Norte, protestantes. De tal forma que, em Bruxelas, capital da burocracia europeia, de onde nos vêm os fundos, que nem sempre sabemos aplicar da melhor forma, somos designados por porcos, havendo até uma "explicação" para tal epíteto. Para eles, Europa do sul é = a Portugal, Itália, Grécia e Espanha, por esta ordem, tendo em conta a fuga aos impostos, a qualidade dos serviços públicos, as mafias, etc. Pois acontece que, em inglês, a língua cada vez mais dominante, Portugal, Italy, Greece, Spain = PIGS = PORCOS. Ou seja: Só nos interessam os fundos europeus para irmos engordando. O resto que se marimbe. Retrato exagerado? Sem dúvida, mas não tanto assim.
Ainda em 2007, enquanto a Alemanha e os países do norte tinham orçamentos equilibrados, e a Espanha tinha um excedente de 22 biliões de euros, a França, a Itália, a Grécia e Portugal lutavam com problemas de défices excessivos, com temor das eventuais sanções daí advenientes. Não eram os únicos entre os 27, mas contituiam o grupo dos maus alunos da zona euro. No entanto, dado que dois dos principais prevaricadores, a França e a Itália, fazem parte do chamado "núcleo duro", ou "grupo dos fundadores", ou "grupo dos 6", a Comissão Europeia, para mais dirigida por Durão Barroso, foi "fechando os olhos" e escamoteando as recomendações da Alemanha, da Holanda e do BCE.
Entretanto a crise agravou-se singularmente. Houve falências bancárias importantes e salvamentos em catástrofe, tanto nos USA como na Europa, a Islândia declarou a bancarrota e vários governos europeus entraram em pânico, embora procurando ocultá-lo dos seus eleitores. Facto sem precedente, o Banco Central Europeu, guardião da ortodoxia alemã e inimigo declarado da inflação, viu-se forçado a inverter completamente as suas prioridades, baixando drasticamente as taxas directoras e passando a aconselhar implicitamente o aumento dos défices, em vez da redução dos mesmos, como forma desesperada de injectar liquidez no mercado para conseguir o seu relançamento. Temos assim que, no momento em que escrevo, ninguém sabe ao certo o que se poderá vir a passar nos próximos tempos, nem qual a previsível duração da crise. Uns temem que não bastem as fenomenais injecções de capital (só a Espanha distribuiu 16 biliões entre os seus contribuintes) e as importantes descidas de juros. Outros, pelo contrário, começam a alarmar-se com a hipótese de toda essa liquidez poder vir a provocar hiperinflação, uma coisa horrorosa para os alemães, que se recordam ainda da crise de 1923, quando os operários iam receber os salários com sacos de 50 quilos e/ou carrinhos de mão, para transportar as notas, e que veio a permitir a incrível ascensão do nazismo, na origem da 2ª guerra mundial.
Enquanto o prémio Nobel Aumann opina que "não há motivos para tanta preocupação", outro prémio Nobel, James Mirrlees, afirma que vamos ter "três ou quatro anos de recessão" e a analista chefe do Banco Morgan Stanley, Elga Bartsch, considera que "A verdade é que ninguém sabe como é que as coisas vão evoluir".
Num ambiente tão sombrio e instável, P.A. Delhommais, um dos "crânios" da Escola de Economia de Paris, escreveu recentemente "...Também podemos encarar o pior. Há muito por onde escolher. A começar pela expansão dos protestos populares na China, país que necessita
de um crescimento anual da ordem dos 8%, para poder absorver anualmente os 20 milhões de pessoas que entram no mercado do trabalho. De acordo com os cálculos mais recentes, poderá não chegar sequer aos 6% no fim de 2008. O que será da economia mundial, se a sua principal fábrica entra em greve?"
No próximo texto, abordarei a presente situação da economia portuguesa, para mais tarde passar à economia tomarense. Até lá.

segunda-feira, 8 de Dezembro de 2008

CRÓNICA DA ODETE DAS FARTURAS

Tenho andado toda a semana pior que uma barata tonta por causa dos meus concidadãos e compatriotas e dos textos do meu sócio de redacção sobre a crise que se agrava de dia para dia e sem fim à vista onde ele escreveu que o progresso tem por base a inveja ou desejo mimético podendo este ter duas subespécies a negativa e a positiva e a nós logo nos havia de calhar a negativa que é aquela resumida na frase popular "se eu não tenho também não has-de ter" que afinal até esteve na origem do 25 de Abril visto que os capitães se revoltaram por causa dos milicianos que lhes passavam à frente e ficavam a ganhar mais e vai daí mas o pior já vinha do anterior regime e tem-se agravado com o tempo que é a chamada "lógica do bandido" segundo a qual "se eu não roubar roubam eles" "se eu não sacar sacam eles" "se eu não aldrabar aldrabam eles" e por aí adiante de tal forma que até partidos sérios que se proclamam defensores dos trabalhadores e dos pequenos comerciantes e agricultores não têm vergonha nenhuma em colocar pelo país fora cartazes condenando os juros altos os lucros e ultimamente os milhões para a banca como se não soubessem muito bem que sem juros sem lucros ou sem os milhões nas actuais circuntâncias haveria falências que provocariam milhares de despedimentos que provocariam por sua vez quebra acentuada no consumo o qual provocaria mais falências e mais despedimentos e assim sucessivamente e como os dirigentes dos partidos em questão até são professores de economia ou dispõem de conselheiros para o efeito os tais cartazes e outras atitudes demagógicas até em plena Assembleia da República só podem ter penso eu como justificação a acima referida lógica do bandido neste caso "quanto mais sacarem os bancos menos a gente vai podser sacar" e isto é insensato porque nos mantém mergulhados num clima de permanente golpismo baixo com as próprias autarquias a adoptarem princípios semelhantes em relação aos fundos europeus olvidando deliberadamente os reais interesses das comunidades locais a favor de obras de fachada e da permanente mas hipócrita caça ao voto com acontece aqui em Tomar cuja autarquia não tem nenhum projecto englobante digno desse nome mas vai sacando fundos europeus para obras sem retornos negociáveis sem se dar conta que os referidos fundos só cobrem uma determinada percentagem dos custos e nunca a manutenção subsequente e basta ver o caso da ponte do Flecheiro e agora o do anunciado arranjo da envolvente do Castelo para perceber que até se utilizaram e utilizam argumentos falaciosos para justificar as ditas obras no caso da ponte aquele paredão aqueles projectores sob o tabuleiro e as luzinhas azuis de ambos os lados fazem exactamente tanta falta como os projectores de solo na Corredoura ou uma viola atrás de um enterro e no caso do castelo estão a enganar duplamente a Comissão Europeia e os eleitores locais primeiro porque aquilo que se procura realmente é realizar o saneamento da zona até à Rua da Graça e a dita requalificação da Cerrada dos Cães a que no Tomar 2015 chamam Praceta Gualdim Pais denotando excelente conhecimento da toponímia local não passa de mero pretexto para poderem utilizar o "Património da Humanidade" como argumento e segundo porque aquilo depois de pronto não contribuirá grandemente para o desenvolvimento do turismo ao contrário do que proclama o senhor presidente porque os turistas de passagem só virão cá abaixo durante algumas horas quando houver cá razões para que eles venham o que actualmente não acontece nem passará a acontecer após a conclusão do referido projecto pois até já há muitos turistas sobretudo em viagens organizadas que visitam a Sinagoga a Praça e até a pila do Gualdim mas não ficam nem compram nada ou quase nada porque não há nada de original e barato e o melhor seria empreender acções de formação junto dos comerciantes e industriais hoteleiros em vez de continuar a embalá-los com falsas expectativas ou anunciando novas quimeras isto para já não voltar a falar do encerramento precipitado e sem qualquer justificação do Parque de Campismo URBANO cujos utentes constituiam uma excelente clientela para o comércio local e para os restaurantes porque ficavam por cá bastante tempo e vinham à baixa a pé dada a proximidade por isso digo para terminar que até me custa escrever certas coisas que aqui já escrevi porque também não estou nada contente com o governo mas não vejo alternativa plausível e parece-me que seria melhor que autarcas e políticos nacionais agissem com mais realismo e solidariedade e menos inveja negativa e ganância porque de outro modo não vejo como conseguiremos sair da cepa torta num pais e numa cidade cujos défices aumentam de ano para ano e os impostos já atingiram taxas intoleráveis propícias às aldrabices porque lá está "se não aldrabo eu aldrabam eles e fico prejudicado".
Um grande Xi-Coração da Odete das Farturas

domingo, 7 de Dezembro de 2008

TENTAR COMPREENDER A CRISE - 5

A CRISE NA EUROPA
António Rebelo
Dada a crescente globalização, as diversas economias europeias têm sido, e continuam a ser,
fortemente fustigadas pela crise dos subprimes, com origem nos Estados-Unidos, como vimos. Desde há meses em recessão, com falências, consumo e desemprego a aumentar, os americanos viajam menos para o estrangeiro, e compram menos produtos, importados ou não. Se recordarmos que França, Espanha e Itália, por esta ordem, são os países que mais turistas recebem no Mundo, perceberemos a gravidade da presente situação nesse sector.
Além do já apontado, é facto que, mesmo antes da crise originada nos USA, as coisas não iam nada bem na Europa, embora com algumas raras excepções, como se verá mais adiante. Não é este o local, nem o momento, para recuar demasiado na história europeia, pois não se trata de nenhum trabalho de índole universitária, ou para especialistas, mas apenas de uma descrição analítica, tanto quanto possível neutra, com o intuito de levar à compreensão possível do mundo em que vivemos.
No final da 2ª guerra mundial, em 1945, grande parte da Europa estava em ruínas, tinha havido milhões de mortos e quase tudo estava por fazer, ou para reconstruir. Com abundante mão de obra, resultante da desmobilização, com matérias primas baratas, com os recursos do Plano Marshal e os ensinamentos de Keynes, foi o início daquilo a que mais tarde se veio a chamar os 30 gloriosos, referindo-se à época situada entre 1945 e 1975. Foi um período de pleno emprego, aumentos anuais de salários, construção de infraestruturas, reconstrução e edificação de alojamentos, crescimento anual do PIB superior a 3%. Só a Espanha e Portugal não beneficiaram inicialmente da tal progresso, pois não tinham participado na guerra e por isso foram excluídos do plano americano. Eram também, na altura, países de regime ditatorial, pouco do agrado dos americanos, embora Portugal já estivesse na NATO, desde 1950.
Dada a convergência de interesses na luta comum contra o nazismo, na qual participaram tanto americanos como russos, bem como a subsequente divisão da Europa, decidida em Yalta, havia partidos comunistas fortes (entre 20 e 30% de votos) na Itália e em França. Neste último, tinha até havido já, (em 1936), um governo de Frente Popular, integrando ministros comunistas, durante cuja vigência se instituiu, pela primeira vez, o princípio da obrigatoriedade de férias anuais pagas para todos os trabalhadores. Esta decisão marcou, indubitavelmente, o nascimento do turismo moderno.
Num ambiente de paz, de pleno emprego, de matérias-primas abundantes e baratas, e com incontestável superioridade tecnológica, os empresários beneficiavam de altas taxas de valor acrescentado, mesmo após pagamento dos impostos, das prestações sociais, das férias dos trabalhadores, dos salários e dos respectivos aumentos salariais, negociados com os sindicatos sector a sector. Foi-se criando assim, de cedência em cedência por parte do governo e do patronato, incomodados com a hipótese de os comunistas poderem vir a governar, na sequência de vitórias eleitorais, aquilo a que chamamos agora, por vezes com orgulho, o "modelo social europeu". Resumidamente, emprego para toda a vida, escola gratuita, salário mínimo, assistência médica gratuita, rendimento mínimo, alojamento social, liberdade sindical e de opinião, assistência na velhice, reformas e aposentações sob égide estatal, transportes subsidiados. E tudo continuaria pelo melhor no melhor dos mundos possível, diria Pangloss, se não fora a evolução permanente, que ninguém consegue parar, embora muitos tentem.
A primeira crise do petróleo, a perda das colónias e das respectivas matérias-primas baratas, o progressivo envelhecimento da população e a nítida diminuição da natalidade, foram os primeiros sinais de alarme a indiciar que o bom tempo estava a acabar. A queda do muro de Berlim, as subsequentes deslocalizações de fábricas, a perda da superioridade tecnológica europeia, a emergência da India, da China, do Brasil, e outros, bem como a nítida perda de influência dos partidos comunistas e dos sindicados por eles controlados, no seguimento da implosão da União Soviética e dos países de leste, contribuiram para transformar, paulatinamente, o modelo de sociedade em que vivemos em algo de dificilmente sustentável a médio e longo prazo. Salvo se os países emergentes vierem a ser constrangidos, de alguma maneira, a adoptar um modelo semelhante, coisa que a actual situação chinesa não permite, de modo algum, pressagiar. Que fazer então? É o que tentaremos ver no próximo trabalho. Até lá!


A

sábado, 6 de Dezembro de 2008

TENTAR COMPREENDER A CRISE - 4

António Rebelo
Começando pelo princípio para acabar no fim, como diria o secretário do senhor de La Palice, que , segundo ele, dez minutos antes de morrer ainda estava vivo, convém assinalar unm lapso vocabular. Na parte 3 (texto anterior), onde se lê procura solvável, deve ler-se procura solvente. É assim que grafa o dicionário, e pronto.
Agindo no seio de uma sociedade que, recorde-se, não é de base científica, mas eminentemente pragmática, com todas as vantagens e inconvenientes daí resultantes, os dois citados mastodontes do crédito hipotecário americano, as suas numerosas subsidiárias e os seus concorrentes, foram constrangidos pela sua própria racionalidade e pelas características do universo humano envolvente, como vimos anteriormente, a conceder cada vez mais créditos a quem logicamente os não poderia pagar ou, mais simplesmente, créditos de alto risco. Aparentemente pouco racional, coerente ou lógica, tal política encerrava na verdade uma parte escondida, que é a fundamental, e que só demasiado tarde se verificou estar errada. Consideravam esses tomadores de empréstimos hipotecários que, aumentando continuamente o preço das casas e dos apartamentos, e constituindo as prestações combinadas previamente rendas fixas mensais, ajustáveis ao mercado financeiro, ainda que os devedores não honrassem os seus compromissos, bastaria conseguir ordens de despejo por não pagamento atempado, que são bastante céleres nos USA, e voltar a vender o bem em causa. E assim se foi desenvolvendo o mercado em questão, com operações cada vez mais arriscadas, mas dado que os retornos eram confortáveis, ninguém se procupou com a lógica a coerência ou a racionalidade. Pelo contrário, apareceram até imensas "lojas de crédito fácil", como de resto aconteceu em Portugal, embora com objectivos diferentes. Estas, forçadas pelas circunstâncias, especializaram-se na concessão de empréstimos hipotecários àqueles cujos pedidos haviam sido anteriormente rejeitados por outras instituições. Agiram assim, não por pura filantropia, mas alicerçados numa racionalidade muito própria, como de resto ocorre com frequência mesmo no nosso país.
Quando alguém entra numa instituição bancária para solicitar um empréstimo, esta procura escrutinar o melhor possível a situação real do pretendente e do respectivo património. Em Portugal é coisa relativamente simples, pois existem cartões e dados para tudo, o cliente preenche, ou pede para lhe preencherem, uma quantidade de papéis, paga pelo exame do dossier e aguarda a resposta. Se esta for favorável, vão anunciar-lhe quais as condições do empréstimo. Seguros, fiadores, prestação mensal fixa ou variável, prazo e taxa de juro fixa ou ajustável. Para determinação desta, em função das garantias oferecidas de acordo com o dossier fornecido, quem empresta usa um indexante. No nosso caso é a chamada Euribor, ou taxa interbancária europeia,
o que corresponde ao custo do crédito entre bancos, à qual se acrescenta um spread, constituindo este o ganho do banco. O spread é sempre objecto de negociação, variando consoante a melhor ou menor qualidade das garantias oferecidas pelo cliente.
Nos USA, as coisas acontecem de maneira semelhante, sendo todavia muito mais difícil ter certezas quanto às garantias oferecidas para além do bem hipotecado pois, como se sabe, naquele país os cidadãos não têm bilhete de identidade, nem cartão de contribuinte, nem cartão de eleitor, nem segurança social, nem subsídio de desemprego, nem segurança de emprego. Nestas condições, a teia de vendedores de crédito hipotecário resolveu o problema agravando o spread de acordo com cada situação concreta, mas em proporções muito superiores às praticadas na Europa. O sistema caiu assim numa prática não racional, ilógica, incoerente, ou contraditória, pois quanto menos o cliente podia pagar, mais lhe aumentavam as prestações. A isto se deu a designação de subprime, ou seja, um preço suplementar para além do usual.
Apesar desta anomalia, o sistema prosperou enquanto foi válida a hipótese adoptada à partida, segundo a qual o preço dos alojamentos aumentaria sempre. Quando os devedores não pagavam, aparecia a ordem de despejo e uma nova venda, com o conseguente lucro. O incremento foi de tal monta que os estabelecimentos de crédito se viram confrontados com a falta de liquidez, ou carência de fundos para fazer face à procura. Foi então que apareceu nos USA a ideia milagrosa. Se não havia liquidez suficiente, mas havia procura para taxas de juro muito confortáveis, porque bem acima da média, nada obstava a que se aumentassem os fundos disponíveis, mediante a transformação das hipotecas em títulos negociáveis, com rendimento fixo ou variável, consoante os casos. Foi o sucesso. Venderam-se milhões de activos, tanto nos USA como no Mundo, ainda que ninguém soubesse ao certo o que estava a comprar, aliciado por proventos superiores à média. Infelizmente para quem arriscou, que foram quase todos os grandes fundos e investidores, menos Warren Buffet, o homem mais rico do mundo, que se recusou a comprar tais títulos porque não os percebia, segundo disse, a partir de dada altura, a "bolha imobiliária" que se formara graça ao crédito fácil dos subprimes, rebentou e provocou o descalabro. Com uma atitude em relação ao alojamento muito diferente do sentimentalismo dos europeus, e habituados à falta de estabilidade em tudo, quando verificaram que os preços do mercado eram inferiores ao das casas que estavam a pagar, abandonaram-nas. Incapazes da as voltarem a vender, dada a queda da procura provocada pela expectativa de preços ainda mais baixos, as instituições de crédito começaram a sentir dificuldades, deixaram de honrar os tais títulos de subprime, que passaram desde aí a ser designados por activos tóxicos, por razões óbvias. As ondas de choque sucessivas, resultantes de tal estado de coisas, ainda estão por amainar. Na realidade, ninguém sabe ao certo quais os montantes ou onde se encontram todos esses títulos exóticos, cuja explicação cabal nem os especialistas conseguem dar.
No que nos diz respeito mais directamente, veja-se o comportamento dos principais bancos perante as crises do BPN e do BPP, e face à oferta de aval por parte do governo. Todos garantem a pés juntos que, por acaso, até nem têm activos tóxicos. Mas lá vão manifestando a intenção de beneficiar da garantia governamental. Porque, nestas coisas como no resto, nunca se sabe!
Na próxima intervenção abordar-se-à a crise na Europa e procurar-se-à responder às dúvidas formuladas aqui no blogue, se as houver. Até lá.

sexta-feira, 5 de Dezembro de 2008

ANÁLISE DA IMPRENSA LOCAL E REGIONAL

COLABORAÇÃO DA PAPELARIA CLIPNETO

Fraquinha, fraquinha, muito fraquinha a imprensa desta semana. Tanto a local como a regional. A culpa, porém, não será dos jornalistas, mas sim da actualidade. Porque os jornais, como tudo o resto, fazem-se com trabalho, conhecimento e matéria-prima. Ora, faltando esta última, tanto em quantidade como em qualidade, os produtos finais ressentem-se. Em linguagem popular -não se podem fazer chouriços sem carne. É o caso. Em sentido figurado, naturalmente.
Coisa extremamente rara por estas bandas nabantinas, Cidade de Tomar, o decano, faz manchete com a greve dos professores e a adesão das escolas do concelho, que foi elevada. Perante tal, se eu mandasse alguma coisa no governo central, começava a encarar a hipótese de recuar, porque quando até nas margens do Nabão os cidadãos discordam e se manifestam com prejuizo pessoal, algo está mesmo muito mal. O que será?
Ainda no mesmo semanário, acção do PS local para análise crítica do orçamento autárquico para 2009, lançamento do 2º livro do escritor tomarense Virgílio Saraiva, com o autor apresentado por Becerra Victorino, o caso da cidadã residente no concelho que é a mais velha do mundo, e a habitual crónica burlesca de MC, esta semana, além de bem escrita, como habitualmente, com um tema que deve dar que pensar a muito boa gente.
O Templário decidiu, desta vez, ficar-se pelos fait-divers, abordando sucessivamente Um caso de sobrevivênvia, a visita do director nacional da PSP às futuras instalações da esquadra de Tomar, a cidadã mais velha do mundo, o lançamento do livro de Virgílio Saraiva, a homenagem ao padre Leopoldo e o usual encontro anual dois antigos do CNA. Merecido destaque para a crónica de Carlos Carvalheiro, que infelizmente não sai todas as semanas. Num estilo ora irónico, ora vicentino, lá vai conseguindo transmitir a sua mensagem.
O Ribatejo apenas se refere ao nosso concelho no caso da cidadã mais velha do mundo, com um artigo substantivo e muito profissional. É o único das 4 analisados que informou ser a pensão da senhora de 307 euros mensais, de 236 a da filha que dela cuida, e de 206 euros a despesa mensal com o apoio domiciliário. Um retrato social, em poucas palavras e sem adjectivos. Como devia ser sempre.
No Mirante, a manchete, embora não se refira a Tomar, merece ser aqui reproduzida, pois constitui outro retrato do país. Escreve o semanário, a toda a largura da primeira página "Muralha em risco no Castelo de Abrantes e ninguém sabe quem manda no monumento" Numa altura em que, pressionado por uma petição popular e por um requerimento da deputada Luisa Mesquita, o Ministério da Cultura encara a hipótese de anular a decisão que dividiu o conjunto monumental Convento de Cristo, numa zona rica (a que dá rendimento) e vários zonas pobres (as que não garantem retorno -Aqueduto, Castelo, Conceição, Mata), nem é preciso ler o corpo da notícia do Mirante para ter uma ideia do estado do país em certas áreas.
Também no mesmo semanário, a habitual e deliciosa crónica subscrita por Manuel Serra d'Aire (nome suposto, naturalmente), que no costumeiro estilo de mail apresenta outro caso para meditar, baseado em notícia publicada numa outra página. Escreve Serra d'Aire que Moita Flores, presidente da Câmara de Santarém, pediu publicamente que os presentes usualmente oferecidos a ele próprio e/ou à Câmara, por ocasião do Natal, sejam convertidos em dinheiro a doar ao Banco Alimentar Contra a Fome. Aplaudindo com entusiasmo tal decisão, Tomar a Dianteira não pode deixar de estranhar que aqui em Tomar nunca se tenha falado publicamente de ofertas aos autarcas ou à autarquia, pelo Natal. Uns unhas de fome, os tomarenses e outros residentes!
Uma nota final, para algo que intriga desde o início a nossa redacção. Refere-se ao desporto no concelho e na região. Esta semana, por exemplo, os dois semanários locais publicam cada um o seu suplemento desportivo com 12 páginas. Igualmente esta semana, O Ribatejo dedica apenas 4 páginas ao desporto da região, enquanto o Mirante saiu com 7 páginas de desporto e 12 páginas de economia. É evidente que cada periódico publica o que entende, e ainda bem que assim é. Mas não pode deixar de provocar interrogações tão anómala situação, cujas causas conviria apurar, para posterior correlacionamento com outros aspectos da realidade tomarense.

Redacção de Tomar a Dianteira

quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008

TENTAR COMPREENDER A CRISE - 3

António Rebelo
Apresentaram-se anteriormente noções conceptuais indispensáveis para a boa compreensão destes textos. É, por isso, de toda a conveniência ler previamente os artigos 1 e 2. Após a relações entre os crentes de algumas religiões e o dinheiro, bem como o desejo mimético, segue-se a ideia de racionalidade, que estamos mais habituados, aqui na Europa, a ouvir designar como lógica ou coerência, que, para este caso, são sinónimos.
Desde a mais tenra idade que nos habituaram a separar os seres vivos em duas grandes categorias: de um lado o homem, animal racional, do outro os animais irracionais. Acontece, como decerto já se deram conta, que as coisas nunca foram, nem são assim tão nítidas e simples. Procurando aprofundar este conceito, o Prof. Robert Aumann, Nobel de Economia 2005, catedrático da Universidade Hebraica de Jerusalém, fundou e dirige, nessa institução, o Centro para o estudo da racionalidade.
Disse ele, numa recente entrevista ao Expresso, que a actual crise tem a sua origem numa sucessão de actos não racionais, que já veremos mais detalhadamente adiante. Agora julgo ser mais adequado entrar com alguns exemplos, para evitar dúvidas. A minha amiga Odete das Farturas, com quem debati alguns destes tópicos, portou-se como portuguesa que é. Pegou numas ideias alheias e, sem mais nem porquê, publicou-as, como se fossem de todos. Já está, já está, mas aqui fica o reparo, naturalmente sem acrimónia, para que ela não deixe de continuar com a sua escrita peculiar.
Além dos exemplos do tabaco e das prostitutas (ver a Crónica da Odete das Farturas) temos, aqui em Tomar, outro exemplo flagrante de acto ilógico, incoerente ou não-racional -o dos TUT, Transportes Urbanos de Tomar. Neste caso, se falarmos com os autarcas que nos governam e que votaram favoravelmente aquele serviço, todos dirão que são defensores do ambiente, da poupança de combustível, do controlo da despesa pública, da redução de CO2, contra a poluição e pela saúde da população. Ora ocorre que, à luz de qualquer destas posições, a decisão que
tomaram carece em absoluto de racionalidade. Significa isto que se trata efectivamente de um comportamento totalmente desprovido de lógica, de coerência, ou de racionalidade? Não tanto assim. Os nossos autarcas poderão não ser excelentes, mas são, em geral, pessoas ponderadas, às vezes até em demasia.
Tudo depende, como sempre, do ponto de vista ou ponto de focagem, pois estamos perante construções teóricas prévias, que depois foram levadas à prática, sem que todavia tenham sido tidos em conta todos os aspectos positivos e negativos. No caso em apreço, se em vez de nos focarmos no ambiente e assim, formos para o sistema político, tudo se torna lógico. Na realidade, o que os autarcas procuraram, ao votar favoravelmente a implementação dos transportes urbanos, foi agradar aos eleitores, de modo a assegurar, na medida do possível, a sua futura reeleição.
Também no caso do tabaco e da prostituição, já referenciado anteriormente, estamos perante actos não-racionais, se considerados em termos de longo prazo, mas perfeitamente lógicos e coerentes quando o prazer imediato se sobrepõe a tudo o resto.
Mas vamos finalmente às crises, que já não é sem tempo! Conforme citado acima, Aumann pensa que a actual crise mundial, designada genericamente "Crise dos subprimes", tem a sua origem em sucessões de actos não racionais, estando persuadido que não é tão grave quanto parece, pois está sempre a ser empolada pela comunicação social. Para ele a crise começou com os incentivos aos gerentes bancários, concedidos em função dos contratos de empréstimo efectuados. Como sabemos, em geral, os governos propugnam o constante alargamento das facilidades de crédito, baseados na máxima Keynesiana segundo a qual "quando a construção vai bem, tudo vai bem". Acontece que, se a acção governamental directa é fundamental nas obras públicas, no domínio da habitação e de outros equipamentos rentáveis, a iniciativa privada é preponderante, sobretudo nos países anglo-saxónicos.
A presente crise terá surgido nos USA porque, tanto o governo federal como os estaduais, encorajaram a todos a compra de habitação própria, como forma não declarada publicamente de manter um nível confortável de actividade económica. Nesse sentido, foram criados, com o aval do governo federal, dois gigantes do crédito hipotecário, conhecidos ambos pela sigla FM, com as mesmas funções, mas com nomes e redes de balcões diferentes. Estou a referir-me a Fanny Mae e Fredy Mac. Estes dois mastodontes, uma vez satisfeita aquilo que se designa como procura solvável, ou seja uma vez efectuados os empréstimos a quem realmente dispunha e dispõe de meios para os reembolsar, foram forçados pela sua lógica particular de quanto mais empréstimos melhor, a passar aos empréstimos de alto risco, o mesmo é dizer aos empréstimos a conceder a quem logicamente os não pode pagar. Tudo indica, agora, que foi o primeiro passo rumo à actual tempestade, que ainda ninguém sabe quanto tempo vai durar, ou como acabar com ela. No próximo texto completarei este raciocínio e procurarei explicar o que é isso de crise do subprime e activos tóxicos. Até lá.

quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008

TENTAR COMPREENDER A CRISE - 2

António Rebelo
Peço licença aos leitores para iniciar com alguns recados prévios, tão sucintos quanto possível. 1- Desculpem as gralhas na parte final do texto de ontem, que não corrigi por motivo alheio à minha vontade. 2 - Comunicaram-me que um amável leitor disse, no Blogue do Templário, (o mais animado da blogosfera nabantina, pelo menos desde o desaparecimento, ainda sem explicação, do Conde do Flecheiro), que iria certamente referir-me, neste trabalho, à Revolução Francesa, uma vez que estudei em França. Dado que o Cão Tinhoso foi mandatado para responder e seguir esse blogue, mas renunciou ao mandato, após ter lido uma mensagem de desagrado para com a sua actuação, veio dizer-me para escrever eu a resposta conveniente. Como não tenho as calças nem as pernas no seguro, e ele tem os dentes grandes e afiados, acedi imediatamente, pelo que aqui vai. Sobre o aludido tema, limitar-me-ei a reportar dois episódios, devidamente documentados,
para ilustrar duas situações portuguesas, que todos conhecemos.
Logo no início do levantamento popular, em 14 de Julho de 1789, um mensageiro foi ao Palácio Real de Versalhes, onde estavam a família real e a corte, para comunicar os acontecimentos a decorrer em Paris e pedir providências. Recebido pela raínha, esta interrogou-o: -Mas afinal, que querem eles?! -Dizem que não há pão, magestade! -Ora essa! E porque não comem bolos?! Entretanto, o rei aproximara-se e indagou -É então uma revolta?! -Não, magestade! É uma revolução!!
Mais tarde, quando as cabeças do rei e da raínha já haviam caído no cesto da gilhotina, centenas de condenados ao suplício supremo continuavam a atravessar as ruas de Paris, em cima de toscas carroças. O povo gostava e aplaudia com entusiasmo. Foi então que alguém gritou, entre a numerosa assistência: -Não aplaudam!!! As próximas carroças podem muito bem vir a ser as vossas!!!
E aí temos, no primeiro caso porque aconteceu o 25 de Abril, no outro porque houve necessidade do 25 de Novembro.
3 - Procurando obviar eventuais equívocos, esclareço que estes textos não são futurologia, nem programas partidários, nem eventuais soluções seja para o que for. Apenas procuram facultar elementos de reflexão para tentar perceber a crise, como o título geral indica.
4 - Aconselha-se vivamente a leitura prévia do texto de ontem, para melhor entendimento deste. E vamos ao principal.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Já vimos que a actual crise,
tal como muitas das anteriores, bem vistas as coisas, é do tipo boneca russa. Abrindo a maior encontramos outra mais pequena, e assim sucessivamente. No nosso caso, dado o âmbito e os objectivos previamente fixados, apenas vamos reter quatro bonecas, que o mesmo é dizer quatro crises: A crise mundial, a crise europeia, a crise portuguesa e a crise tomarense. Para a respectiva abordagem analítica caso a caso, vou ser forçado a usar alguns conceitos e referências pouco usuais em Portugal. Acreditam que o faço unicamente por me parecerem os instrumentos mais adequados, e não por puro pedantismo. Afinal nem sequer tenho nada a ganhar, a perder ou a demonstrar.
O primeiro conceito é sobre a relação entre os católicos, os protestantes, o dinheiro e a política. Quem esteja interessado neste tema pouco estudado, deve ler Ética católica e ética protestante, de Max Weber (existe uma tradução portuguesa). Segue-se o de "desejo mimético", que pode ser lido desenvolvidamente em Des choses cachées depuis le début des temps, de René Girard (sem tradução portuguesa, que eu saiba), finalmente a "noção de racionalidade" em Teoria dos
jogos, de Robert Aumann (sem tradução portuguesa, mas pode-se consultar a entrevista dada recentemente ao Expresso Economia).
Quanto ao primeiro conceito, penso ser do conhecimento geral que os católicos e/ou ortodoxos, tal como os muçulmanos, têm uma relação "complicada" com o dinheiro, que é visto como um bem algo pecaminoso. Durante séculos, a igreja de Roma proibiu formalmente a usura como um pecado grave. Só os Templários foram autorizados a emprestar dinheiro e cobrar custas, o que, se fez o seu poderio, ditou igualmente a sua perda. Na mesma linha, ainda hoje os bancos maometanos não emprestam dinheiro a juro, recorrendo a mecanismos bem mais complicados.
Inversamente, os protestantes sempre se deram bem com o dinheiro, tal como os judeus. Para eles, ganhar dinheiro é uma forma de honrar a Deus. Por isso verificamos que, enquanto em Portugal, país católico, ninguém sabe bem quem ganha o quê, na Suécia ou nos outros países nórdicos, todos protestantes, qualquer pessoa pode consultar a lista dos contribuintes, publicada anualmente, com as somas desembolsadas por cada um.
O que acabo de escrever parece não ter, à primeira leitura, nada a ver com a política.Mas não nos iludamos. Um grande pensador francês, René Girard, há muito radicado na Califórnia, onde deu aulas em Berkeley, mas ignoro se ainda é vivo, proclamou basta vezes que o mundo sempre avançou e avança graças ao "desejo mimético", em palavras mais simples, graças à cobiça, à inveja, ao desejo de imitação. O homem apenas deseja aquilo que o outro já tem. A partir daqui, parece haver uma subtil bifurcação: enquanto protestantes e judeus, por exemplo, vão procurar conseguir ter o mesmo, ou mais que o ou os indivíduos imitados, os católicos e os maometanos procuram em geral agir segundo o condenável credo "se eu não tenho, tu também não podes ter". Assim se compreendem muitas coisas, designadamente a força, actual ou passada, dos partidos comunistas nos países católicos, ortodoxos ou árabes, enquanto nois países protestantes ou em Israel quase não existem, apesar da óbvia liberdade de opinião. Assim se explica igualmente as diferenças de nível de bem-estar entre os nórdicos e os dos sul, na Europa, ou entre Estados-Unidos/Canadá e todos os outros na América. Custa a aceitar, mas é a realidade. Habituem-se, como diz o outro!

TENTAR COMPREENDER A CRISE - 2

terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

TENTAR COMPREENDER A CRISE

António Rebelo
Universidade de Paris VIII
Este é o primeiro de uma série, que será o mais curta possível, de artigos cujo objectivo principal será facultar, ao leitor atento, elementos que lhe permitam entender o mundo, o continente, o país e a cidade em que vive, no que se refere à economia, na sua dimensão política. Dado que escrevo directamente no computador, sem rascunho nem apontamentos prévios, não me é possível, neste momento, saber quantos artigos serão necessários. Apenas garanto, como implicitamente referi acima, que procurarei ser, simultaneamente, o mais completo e o mais sucinto possível. Vamos a ver se conseguirei.
Antes de entrar no tema, permitam-me alguns pontos prévios, para melhor entendimento do que virá a seguir. O primeiro é este: Se o leitor se sente algo desanimado, ou mesmo desorientado, por não entender grande coisa, ou mesmo nada, sobre a crise e o ambiente social que o rodeia, não desanime, pois tudo indica que faz parte de uma larga maioria. Só que os outros não dizem nada, para não darem parte de fracos. Repare: Só nos jornais de hoje, para não ir mais longe, enquanto o jornalista Miguel Gaspar, na última página do Público, escreve que "Aquilo que aprendi com Panoramix, o druida de Astérix -"não esfoles a pele do urso antes de o ter caçado"- teria sido uma melhor ajuda aos gestores do capitalismo do que os MBA (Mestrado em Administração de Negócios) em que aprenderam a fabricar produtos financeiros que nem os próprios conseguem compreender", no DN, o outro jornal de referência do país, Mário Soares afirma que "Os dirigentes políticos europeus devem compreender que o paradigma económico está a mudar, acelerada e radicalmente." E logo mais adiante, "Os dirigentes europeus tradicionais ou compreendem a mudança -e procedem em conformidade- ou estão condenados a desaparecer de cena." Estamos, portanto, muito bem acompanhados, os que procuramos ir compreendendo o filme da crise, à medida que ele vai correndo.
Em segundo lugar, convém estar sempre de sobreaviso em relação a algumas armadilhas correntes, no entanto conhecidas unicamente pelos mais advertidos. Desde logo, a divisão disciplinar do saber humano, cada vez mais vasto, que está na origem de vocabulários específicos e conceitos próprios, muito raramente coincidentes com os das disciplinas vizinhas. Um antropólogo, por exemplo, preferirá sempre as afirmações de outro antropólogo às de um sociólogo. O mesmo sucedendo com arquitectos e engenheiros, psiquiatras e psicanalistas ou geógrafos e economistas. Isto para não falar da conhecidíssima rivalidade entre politólogos e juristas.
Outro aspecto da mesma questão é a tradicional rivalidade entre as diferentes escolas, muito bem resumida por José Hermano Saraiva, ao dizer que "A melhor universidade é sempre aquela onde nos formámos". E aí tem o leitor a razão porque indiquei logo a abrir qual era a minha.
Ligado à questão anterior, há mais um padrão muito importante a considerar, que é especificamente português. Na universidade onde andei, inculcaram-me que uma pessoa realmente culta, ou especialista nalguma área, é aquela que consegue explicar coisas complicadas com um vocabulário e frases o mais simples possível, para facilitar a compreensão. Agora imagine o leitor a minha surpresa, cada vez que constato que no meu país se ensina exactamente o oposto: Culto ou especialista, é aquele que consegue dizer coisas simples com vocabulário e frases do mais complicado possível, provocando amiúde a conhecida exclamação popular "Não percebi nada do que ele disse, mas falou muito bem!"
Este verdadeiro tique da sociedade portuguesa terá a ver, digo eu, com o desenvolvimento muito recente do ensino universitário em Portugal. Devido a isso, logo antes de cada licenciado, mestre ou doutor, há em muito casos, (no meu, por exemplo), gente rural, por vezes até analfabeta. Daí a necessidade de usar "linguagem fina" para insinuar que se tem verniz , que se "tomou chá no berço", que não se é nenhum rústico ainda com terra nos sapatos, que se é de "boas famílias", o que quer que isso queira dizer.
Passo agora ao tema destes escritos, salvaguardando desde já hipótese de quaisquer lacunas, que procurarei suprir, na medida das minhas capacidades, se receber mensagens nesse sentido.
A crise-matrioska
Quando se fala de crise e de agravamento da crise, ou que vem sendo cada vez mais frequente, o mais importante será saber, antes de mais nada, que estamos perante uma crise-matrioska, ou crise-boneca russa. Para quem não saiba, esclareço que a matrioska é uma boneca tradicional russa, em madeira de bétula, muito colorida. A particularidade destas bonecas é que são ocas, tendo cada uma no seu interior várias outras, cada uma mais pequena do que a exterior/anterior. Pois imagine o leitor que com a crise que atravessamos sucede exactamente o mesmo: dentro da crise mundial, dita Crise dos Subprimes, há várias outras, cada uma com as suas cracaterísticas e causas próprias. É que tentarei mostrar no próximo artigo, que este já vai longo ou, em linguagem popular, tipo peixe-espada (comprido e chato).

segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008

CRÓNICA DA ODETE DAS FARTURAS

FARTURAS COM RECHEIO DE ECONOMIA
Resolvi antecipar a crónica para hoje com o fim de aproveitar o feriado e o dia de chuva que em conjunto com a crise não me deixam vender nada avisando desde já e pedindo desculpa porque se nas semanas anteriores a leitura foi difícil então nesta ainda vai ser pior não podendo eu fazer nada posto que a realidade é que comanda a vida e as coisas são o que são como diziam De Gaulle e o Cunha Rego e já agora o João César das Neves que é conservador católico integrista e economista liberal mas igualmente uma das grandes cabeças deste pobre país que escreveu no DN uma daquelas verdades universais e eternas ao afirmar que ninguém emenda os erros que não reconhece o que me levou a ler e reler para aquilatar se o cavalheiro terá vivido algum tempo em Tomar onde a situação é exactamente essa com os nabantinos a considerarem que têm sempre razão e os outros é que estão enganados e a situação é senão boa pelo menos normal as aves agoirentas e os profetas da desgraça é que têm a mania de pintar tudo com cores sombrias para criar agitação social e daí conseguirem extrair dividendos e essa posição tomarense dominante constitui para quem se der ao trabalho de pensar um bocadinho uma manifesta negação da realidade ambiente com fins que ninguém alcança mas é perfeitamente definida pelo Prof. Aumann Nobel de Economia 2005 como uma atitude não-racional do mesmo tipo da dos fumadores que continuam a pagar o vício apesar de saberem que o tabaco é a principal causa de cancro do pulmão ou a daqueles clientes das prostitutas que até pagam mais caro uma relação sexual não-protegida sabendo perfeitamente que a SIDA não perdoa e custa anualmente milhões de euros aos contribuintes que não são vistos nem achados mas têm de pagar sem culpa alguma ou ainda a dos autarcas tomarenses que lá vão proclamando pretender desenvolver o turismo o investimento e o aumento da população residente mas na prática quotidiana fazem exactamente o contrário como no caso do encerramento do Parque de Campismo que prejudicou os comerciantes e os restaurantes mas parece ter tido origem na ideia errada de que o campismo é igual a pobreza e turismo-de-pé-descalço ou de "caracóis" e por considerarem que a cidade e o concelho precisam é de turismo da qualidade seja lá isso o que for indústrias amigas do ambiente e população da classe média-alta exactamente aquilo que também é desejado pelos outros concelhos pelo que não se vê o motivo ou motivos que poderão levar essas pessoas ou entidades a escolher uma cidade mais chata mais cara e mais burocrática do que as outras mas isto é todo um processo mental que exige muito boa vontade justamente da parte de quem nunca a parece ter tido e por isso não vai agora mudar a não ser que o agravamento da crise a isso obrigue mas entretanto há que amochar e esperar por melhores dias os quais ao ritmo actual deverão surgir ao mesmo tempo que as galinhas com dentes penso eu de que o melhor é ir pensando já na próxima crónica que esta está a acabar só faltando mesmo o habitual
Xi-Coração da Odete das Farturas (Chata como tudo! Então não era melhor escrever com pontuação como toda a gente? Uma pessoa tem de aturar cada mania!!!)

CRÓNICA DA ODETE DAS FARTURAS