Mostrar mensagens com a etiqueta CDS. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta CDS. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

ESTRANHO PRESENTE DE NATAL !


Estranho presente de Natal este, que a actual maioria PSD+PS, mais aquele senhor santareno do CDS, acabam de entregar aos tomarenses (mesmo aqueles que cá não nasceram) realmente amigos da sua terra e defensores intransigentes do seu património. A moção-apelo para preservar a Janela do Capítulo, nosso emblema no Mundo, apresentada pelos Independentes por Tomar, foi vencida por 26 votos contra, do PSD+PS+CDS, e 11 a favor (IpT+CDU+BE). Os do temporário quinteto mais o senhor PP devem estar todos contentes. No lugar deles, eu não estaria, porque há males que vêm por bem.
Com a sua sabedoria milenar, o povo costuma dizer que mais vale ter inimigos declarados do que falsos amigos. É exactamente o caso presente. Que é igualmente caricato, pois enquanto em Lisboa, na Assembleia da República, PS, PSD e CDS não se esgadanham mais porque não podem, e pareceria mal não respeitar um mínimo de decência, aqui em Tomar, tão amigos que nós somos ! Por quanto tempo ainda ?
Há derrotas que são vitórias e este resultado, que só pode envergonhar quem ganhou, tanto a curto como a médio ou a longo prazo, tem uma grande vantagem -separou as águas. O que é excelente porque, tanto na vida em geral, como na política em particular, vale mais só que mal acompanhado. Ou, por outras palavras e com outra dimensão, diz-me com quem votas, te direi quem és. Politicamente, claro.
Mesmo derrotada no parlamento tomarense, a campanha "Salvar a Janela do Capítulo" vai continuar, recorrendo a todos os meios legais, e conseguiu até agora três grandes resultados:
1 - Obrigou o IGESPAR, pela primeira vez desde a sua fundação, a explicar por escrito aos tomarenses aquilo que está a ser feito e o que pretende mandar fazer a seguir.
2 - Mostrou na prática que os tomarenses não podem contar com a actual maioria PSD+PS, quando se trata de defender o nosso património. (O que não significa que se possa contar com eles para qualquer outra coisa...) Laranjas e rosas preferem defender os interesses governamentais em detrimento dos locais. Que vos faça muito bom proveito. Mas cuidado com as indisgestões.
3 -Tornou claro que há em Tomar e no concelho toda uma série de capelinhas (IPT, Agrupamentos de Escolas, Juntas de Freguesia, Colectividades) que, salvo raras excepções, nunca arriscam sair da ortodoxia, com medo de perderem uns pratitos de lentilhas. Bom proveito igualmente.
Tudo isto poderá parecer pouco, tanto a quem julga estar instalado no poder por muitos e bons anos, como a alguns signatários e votantes do apelo. Contudo, no meu fraco entendimento, representa a passagem da opinião pública tomarense da "carneirada" para a plena cidadania. E isso, podem crer, já está a incomodar muita gente.
Doravante, laranjas rosas e azuis já não poderão olhar para os tomarenses com ar de quem está a cumprir os seus deveres para com a comunidade. Estão feridos de asa, o que em política raramente perdoa. Mesmo em Tomar, onde, aparentemente, quanto mais isto muda, mais está na mesma.
Feliz Natal e Bom Ano Novo para todos, que a época é de concórdia, mas não implica unanimidade política.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

CANDIDATO DO CDS TROPEÇOU

Siena, Património da Humanidade, 60 mil habitantes. Largo do Campo, onde tem lugar o Pálio duas vezes por ano. Sem trânsito, mas com cargas e descargas antes da 9 da manhã.Onze restaurantes, com esplanadas exteriores.


Uma rua do centro histórico de Florença, Património da Humanidade, 380 mil habitantes. Naturalmente sem carros na maior parte do casco histórico. Mas com milhares de motoretas.


Verona, Património da Humanidade, 110 mil habitantes. A terra onde supostamente Romeu e Julieta... Naturalmente sem automóveis em toda a movimentada parte antiga.


Até agora com uma campanha simpática, arejada, com ideias corajosas e provavelmente eficazes, a candidatura do CDS, liderada por Ivo Santos, acaba de tropeçar por duas vezes. E de que maneira! Em declarações à Rádio Hertz, o cabeça de lista dos populares afirmou que, caso vença as eleições, reabrirá a Corredoura ao trânsito, com algumas restrições. Mais adiante, disse igualmente que a dívida da autarquia é neste momento de 10 milhões de euros.
Quanto ao eventual regresso do trânsito automóvel à Corredoura, trata-se, na nossa opinião, de uma tacanha, inútil e totalmente desadequada tentativa de regresso ao passado. Com se tal coisa fosse desejável, ou sequer possível. Como mostram as ilustrações acima, a tendência é, por todo o lado, a proibição de automóveis nos núcleos históricos, mesmo em cidades muito maiores que Tomar. No nosso país, basta pensar em Óbidos ou em Évora, que desde há muito interditaram ao trânsito automóvel todo o aglomerado urbano situado no interior das muralhas. E não consta que estejam arrependidos.
Aqui em Tomar, cidadãos-comerciantes manifestamente de compreensão lenta, (como de resto sucede com a maior parte dos tomarenses, que quando chegam a perceber qualquer coisa já outros encontraram a solução há muito), nem sequer se dão conta de que, apesar de a sua rua continuar aberta ao trânsito, os comerciantes da Rua Direita também estão em crise. Em vez de cuidarem de encontrar soluções pelo lado do atendimento, qualidade, quantidade, variedade, originalidade e preços, insistem em culpar a autarquia por ter fechado a rua ao trânsito automóvel. É realmente muito mais fácil, mas pouco ou nada democrático. Porque afinal, quantos são os comerciantes da Corredoura? Quantos empregos asseguram de facto? Quanto pagavam anualmente de IRC antes do fecho da rua? E quanto pagam agora? O tempo do "rebéubéu" já lá vai. Agora os problemas discutem-se com factos, números, quadros e o mínimo possível de opiniões, fundamentadas ou não. Habituem-se, diria o comentador Vitorino. O da RTP.
Parece-nos, portanto, de todo insustentável a posição de Ivo Santos, quando numa atitude claramente populista pretende agradar a comerciantes entranhadamente retrógrados porque alérgicos ao futuro.
Sobre a dívida camarária, a menos que tenha havido confusão entre dívida total e dívida de longo prazo, ou dívida exclusivamente bancária (a economia é uma coisa assaz complicada...), o trambolhão do candidato foi de grande amplitude. Falou de 10 milhões de euros, quando fontes fidedignas nos garantem que rondará os 45 milhões, tudo incluído, com tendência para mais. A ser assim, teremos encargos superiores aos da câmara de Faro (cerca de 30 milhões de euros), capital de distrito, com mais população e actividades que Tomar e situada numa região com muito mais perspectivas futuras. Isto está bonito, está! Continuem a aguardar que apareça alguém para nos resolver os nossos problemas, e depois queixem-se, que vos há-de valer um bocado!