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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

OUTRAS TERRAS, OUTROS COSTUMES...

Revista TABU/SOL de 11/09/09, página 24




Revista TABU/SOL de 11/09/09, página 27

Nestas adoráveis margens nabantinas, cujos ilustres habitantes tão generosamente me têm permitido viver no seu nobre território, é o que sabemos. No Convento de Cristo, Património da Humanidade, apesar das entradas a cinco euros, não há visitas guiadas. Os cinco euros apenas dão direito a percorrer o monumento por conta própria. Quando algum tomarense tem a ousadia de criticar tal situação, apresentando-a como um sério obstáculo a um turismo de qualidade, é imediatamente apodado de invejoso, ressabiado, rancoroso, má-língua, e outros epítetos muito característicos da nobreza da terra.
Além de insultarem o mal educado, lá vão aproveitando para dizer que não foram contratados para acompanhar visitas, que nunca receberam formação para isso, que é proibido por lei, que os guias oficiais iriam logo apresentar queixa... E assim vamos tendo mais de trinta funcionários, na sua maior parte com um dia-a-dia realmente descansado. É só ir vendo passar os turistas...
Felizmente, em Mafra parece ser outro país, conforme se pode ler nas ilustrações supra. Apesar de reformado há muito, o senhor Gil Magens vai guiando visitas ao Convento na paz do Senhor. E não lhe caem os parentes na lama, por causa disso. Havia de ser aqui em Tomar ! A primeira vez que olhasse para a cara de alguns funcionários, nunca mais arranjava coragem para recomeçar.
Afinal, bem diz o povo -"A morte tem sempre uma desculpa." É por isso que morremos todos, mais tarde ou mais cedo. Incluindo o turismo em Tomar, se continuarmos assim.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

MAIS OBRAS A ESMO?


Já anteriormente aqui se abordou a questão das obras na Mata e na envolvente do Convento. Como só agora acedemos a um desenho que permite perceber quais os trabalhos a efectuar, pareceu-nos oportuno voltar ao assunto.
A apresentação do projecto, subscrita pelo arquitecto-consultor Mário Bernardo, começa assim:
"Pretende-se que a intervenção consiga a aproximação entre o complexo monumental e a cidade de Tomar, conseguindo, deste modo reter o maior número de visitantes do Convento." Sem querermos de modo algum levantar problemas onde eles não existam, havemos de concordar que este primeiro parágrafo poderá ter algumas qualidades, mas a clareza e a elegância não estão certamente entre elas. Acontece aos melhores.
Mais adiante, pode ler-se igualmente: "Propõe-se que este estacionamento [de 34 lugares] tenha uma configuração orgânica, de modo a melhor se adossar ao terreno existente e será pavimentado com saibro solto de modo a salvaguardar a sua permeabilidade." Trata-se do novo parque de estacionamento, a construir naquele terreno junto à estrada, do lado esquerdo de quem sobe, imediatamente antes do desvio para a Sra. da Conceição. Coberto de "saibro solto", tudo indica que no verão será um mar de pó e no inverno será ornamentado com inúmeras regueiras, logo às primeiras bátegas. Logo veremos...
Passemos então ao conjunto, já que o texto de apresentação, apesar de aí ser dito que "A solução escolhida, após terem sido discutidas as vantagens e desvantagens inerentes a cada uma...", não menciona qualquer outra hipótese.
Numa crítica anterior, procurou-se demonstrar que é um erro crasso obrigar os turistas com local de partida em 4-Entrada da Mata a subirem até 2 - Torre da Condessa (apresentada no plano como "nova entrada no Convento", cometendo assim dois erros graves numa frase tão curta - 1- a entrada não é nova, pois existe há mais de 500 anos, tem é estado encerrada; 2- não é entrada no Convento, mas no castelo; o Convento fica umas boas dezenas de degraus mais acima). Com efeito, bastaria escavar a antiga via de acesso a 14 - Porta da Almedina (o acrescento é nosso), para poupar alguma caminho e algum dinheiro nas obras. Mas enfim! Como até vão instalar iluminação pública, apesar da Mata encerrar ao pôr-do-sol, já nada nos surpreende.
Há também as obras previstas para o espaço junto à fachada norte do Convento, que prevêem o rebaixamento e alargamento da actual estrada municipal, implicando a construção de um muro de suporte e estacionamento em faixa "para autocarros, com vista a recolher os turistas no fim da visita e levá-los a visitar a cidade (considerando que estes chegam no sentido de Pegões)."
O plano nada diz sobre o assunto, mas terá de haver, obrigatoriamente, rampas e escadas de acesso à actual saída dos visitantes, bem como uma rampa da acesso ao Claustro da Micha e respectivos taludes laterais. Tudo por causa do aludido rebaixamento, cuja utilidade prática está por demonstrar. Obras a mais, como vai sendo costume?
O mais grave disto tudo é que se vão gastar somas elevadas, em parte pedidas à banca, para modificações cuja concgruência não é nada evidente, excepto no que se refere à Cerrada do Cães e às Calçadas dos Cavaleiros e de S. Tiago. Quanto às modificações previstas para o lado norte do Convento, servirão para quê, quando a saída dos visitantes deixar de ser por ali? Como é que os autocarros que recolhem os turistas junto dessa fachada, os levam depois a visitar a cidade? Vão estacionar onde? Para os turistas fazerem o quê? E os horários imperativos das viagens organizadas, que são todas as de autocarro? Alguém pensou nisso?
O tempo da improvisão e das obras de pouca ou nenhuma utilidade, só para inglês ver, já foi. Agora exige-se rigor, modéstia, realismo, conhecimentos, sentido prático e pelo menos rudimentos de economia. Sem tudo isso, nada feito. Como se verá certamente em Outubro próximo. Aliás, a pouco mais de 3 meses do fim do mandato, para os actuais autarcas o mais honesto e ético seria não se meterem nesta e noutras cavalarias altas, uma vez que, ao que se diz, a autarquia começa a estar atascada em dívidas. Numa situação de progressiva diminuição das receitas e de aumento das despesas...

O negrito, o itálico, o 14, a linha vermelha e a indicação entre [ ], são de Tomar a dianteira. O desenho é da CMTomar, a quem agradecemos.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

TURISMO BASÓFIAS E FRUSTRAÇÕES







Vamos começar por legendar as fotografias, tarefa indispensável para melhor entender o que vem a seguir. Em cima, a modesta porta da Capela de S. Jorge, agora transformada em única porta de acesso ao Convento para todos os turistas/visitantes. Logo abaixo, o acesso à referida porta. Amplo, prático, visível e esteticamente impecável... O Portal manuelino da igreja, ou Portal da Virgem, está sempre fechado, embora raros saibam porquê. A grande maioria dos visitantes nem o chega a ver, porque a actual porta de entrada fica antes. Finalmente, um aspecto da Charola e da Torre Sineira que, como facilmente se constata, tem tudo a ver com o acesso dos visitantes, pelo menos em termos de monumentalidade. Ou não?

Na cerimónia realizada na passada segunda-feira na Torre de Belém, com a presença do Ministro da Cultura, do Presidente do IGESPAR, dos Presidentes de Câmara de Alcobaça, Batalha e Tomar e de um representante do Presidente da Câmara de Lisboa, para apresentar o projecto "Mosteiros Património da Humanidade", financiado pela União Europeia com 10 milhões de euros de um total de 15, o Presidente do IGESPAR declarou que "No futuro vamos ter mais turistas, mais idosos, mais diversos -de países como a China, a Índia, o Brasil- e mais cultos. É para eles que temos que preparar as nossas infra-estruturas e as nossas cidades." Acrescentou que o programa agora anunciado "aposta forte em criar uma marca de referência a nível mundial."
Temos assim que, num país periférico, patrimonialmente pobre e muito pouco conhecido, que recebe 12 milhões de visitantes por ano (Espanha recebe 80 milhões, a Itália perto de 100, Veneza 21 e a França 110), mas cujo monumento mais visitado (Os Jerónimos) não ultrapassa as 500 mil entradas, enquanto que o Convento de Cristo se fica abaixo dos 150 mil visitantes, incluindo os alunos das escolas, um alto responsável ousa falar em lançar uma marca (turística) de nível mundial. Que se saiba, marca de referência portuguesa a nível realmente mundial, só há uma -O vinho do Porto- e foram os ingleses que a lançaram. Nestas condições, de que estaremos à espera para abandonar a basófia, a arrogância, a sobranceria, o pretensiosismo, e descermos até à realidade que nos cerca? Fantasias é na Disneyland, em Paris, que tem metro directo, recebe milhões de visitantes, paga mal aos empregados, e mesmo assim está quase sempre em apertos financeiros. E perante coisas assim, espantam-se que paire por aqui um certo ar de frustração? (Ler igualmente "Ó patego olhó blogue" em http://www.nabantia.blogspot.com/)



segunda-feira, 1 de junho de 2009

DAQUI E DOS JORNAIS


Agora que se volta a falar, com grande destaque (www.nabantia.blogspot.com), no fabuloso projecto conjunto para os monumentos Património da Humanidade (Alcobaça, Batalha, Lisboa e Tomar), pareceu-nos conveniente moderar os ânimos. A chancela da UNESCO não garante nada à partida. E não é só com avultadas verbas da União Europeia que vamos passar a ter um turismo cultural florescente. Como em qualquer outro sector de actividade, o real "nervo da guerra" é o factor humano. Sem isso...
As fotos mostram onde se chegou já, em termos de falta de autorespeito, no que concerne à lamentável sinalização da Sinagoga. É claro que certas almas caridosas vão alegar imediatamente que uma coisa não tem nada a ver com a outra. A Sinagoga é a Sinagoga, o Convento é o Convento. Cada caso é um caso. Seja. Mas convém não esquecer que essas mesmas almas também garantiram durante meses que, uma vez concluídas, as obras de requalificação ligadas à Ponte do Flecheiro iam ficar muito bonitas. Azar dos azares, nem cuco nem mocho. Nem ficaram bonitas, nem estão prontas e o bar mais importante da zona, o RioBAR, já fechou. Para uma iniciativa que pretendia fazer da zona as docas de Tomar...
Ficamos, portanto, assim: A Sinagoga não é o Convento, mas pelo andar da carruagem tem-se logo uma ideia sobre os passageiros. Em linguagem mais clara: A sinalização pindérica, visível nas fotografias, não passa de um indício. Mas é um indício muito importante, tal como a incrível entrada actual para o Convento, onde não cabem obesos nem cadeiras de rodas. Ambos indiciam a tal confrangedora carência de recursos humanos realmente qualificados. E a época já não está para mais improvisos. Enquanto nós continuamos a marcar passo, os outros vão avançando. E fazem eles bem! (Convirá não esquecer que o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, julgou conveniente fazer-se representar, numa cerimónia onde estavam os outros três autarcas, o presidente do IGESPAR e o Ministro da Cultura. Porque terá sido? Na política nada acontece por acaso e, lá dizia o outro, "o que parece..."
Para aqueles cidadãos que habitam Tomar ou seguem de longe os problemas concelhios, mas têm tendência para se sentirem incomodados com as críticas francas que aqui vamos fazendo, aqui vai um documento insuspeito. Tem a sua origem no Eurostat, o serviço estatístico da União Europeia, e foi publicado no diário espanhol EL PAÍS. Nele podemos ver que o futuro dos pensionistas, aposentados e reformados não é nada brilhante em Portugal. Em termos de despesas percentualmente ao PIB (Produto Interno Bruto), em pior situação do que nós só a Itália, a Áustria e a França (ver ângulo inferior esquerdo do quadro). Que significa isto? Que dada a nossa tradicional fraqueza em relação àqueles três países, não tardará muito que ou se aumentam os impostos (directos ou indirectos, ou ambos), ou poderá não haver disponibilidade para honrar tanto compromisso. Que podemos fazer? Pouca coisa. Apenas poupar mais e gastar menos. Se tal for possível, bem entendido.


Aqui temos a "máquina política tomarense" em plena actividade, tal como vem fazendo desde há anos para cá. Perante isto, só podemos dizer: Força! Continuem! Continuem! Quando isto abater vai fazer bastante ruído. Pode ser que assim acordem finalmente os tomarenses amigos da sua terra. O desenho foi tirado do EL PAÍS de ontem.



terça-feira, 28 de abril de 2009

O PRESTÍGIO ESTÁ INTACTO



Numa altura de grave crise, que está longe de ser só económica, faz bem à alma constatar certos factos reconfortantes. Faz bem e ajuda a supoortar e ultrapassar incompreensões, avacalhamentos, abandalhamentos, e assim sucessivamente.
Afinal a fama da nossa célebre Janela, não só como brazão de Tomar mas também de Portugal, ainda é o que era. E o prestígio idem, idem. Na sua página de abertura, o guia turístico "Portugal ", da American Express, a verdadeira bíblia dos turistas não só americanos mas de língua inglesa, escolheu a obra-prima do manuelino como imagem central do nosso país. É certo que o cliché seleccionado está longe de ser o mais feliz. Basta comparar com a outra foto para perceber isso mesmo. Mas ainda assim, aquece-nos o coração. E permite até uma pequena digressão em defesa do património. Se uma simples operação de recorte fotográfico alterou consideravelmente o aspecto da janela que estamos habituados a contemplar, imagine-se o que poderia resultar da infeliz ideia de proceder à limpeza do emblema do Convento. Mesmo a laser! Há coisas que só se conseguem explicar por doentio deslumbramento perante os recursos do progresso. Essa da tal limpeza é uma delas. Oxalá nunca se venha a verificar.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

MAZELAS TOMARENSES - SINALIZAÇÃO

Foto 3
Foto 2

Foto 1


Quem vindo do norte ou do sul use a A1 com destino a Tomar, sairá normalmente em Torres Novas, continuará pela A23 e depois pelo IC3. De acordo com as indicações da via, sairá normalmente no Moinho Novo e virá pela EN 110. Chegado à nova Rotunda do Padrão, nicles! Não há qualquer painel informativo (Foto 1). As únicas placas referem-se aos Terminais e à GNR, sendo visíveis unicamente pelos automobilistas que já estejam na direcção correcta, caso contrário não verão nada (Foto 2).
Sem qualquer referência, o turista/automobilista adopta a atitude habitual nestes casos -na ausência de indicação em contrário, deve seguir-se sempre em frente. Chegado ao cruzamento seguinte a situação agrava-se singularmente. Há realmente indicações mas de outro convento, dos terminais, do tribunal e da Comunidade Urbana. Ou seja: há um~painel que só interessa a meia dúzia de autarcas (o da Comunidade), mas não há qualquer referência ao Convento de Cristo, ao Hospital, a Leiria, a Coimbra, etc etc. Face a semelhante estado de penúria de sinalização adequada, é caso para perguntar -A Ponte do Flecheiro é mesmo para retirar parte do trânsito da Ponte Nova, ou é principalmente para baralhar os visitantes automobilistas?

terça-feira, 7 de abril de 2009

MAZELAS TOMARENSES - SINALIZAÇÃO


Foto 3 - Aproximação à Rotunda, vindo de Coimbra/IC3/IC9...



Foto 2 - Rotunda entre a da Estrada da Serra e a da Estrada de Coimbra

Foto 1 - Aproximação à Rotunda do Quartel Novo


A situação não muda e nós somos forçados a continuar a bater no cèguinho. Quem viaja por esse mundo fora, sabe que uma das coisas que mais irrita qualquer turista é a falta de sinalização adequada. Pois nesse aspecto, Portugal deve ocupar um dos últimos lugares da Europa em termos de satisfação dos visitantes. E Tomar será certamente dos piores exemplos deste país que nos viu nascer. Tomemos um caso concreto, que nos vai dar para mais de uma intervenção, para não abusarmos demasiado de quem faz o favor de nos ler. Estamos a falar da sinalização dos acessos ao hospital, indispensáveis para quem, vindo dos arredores ou dos concelhos vizinhos, lá queira chegar rapidamente por o problema ser de solução tão urgente quanto possível.



Conforme já aqui foi demonstrado anteriormente, um dos grandes problemas da sinalização tomarense, para além das suas evidentes carências em quantidade e adequação, resulta do facto de ninguém saber nem nunca ter sabido, por ausência de conveniente esclarecimento de quem de direito, se as placas existentes são para ligeiros e pesados, se para estes e para peões, se só para peões, se unicamente para ligeiros... O outro é o manifesto desprezo pelas reais necessidades e conveniências dos cidadãos.



Quem sobe a Rua de Coimbra, encontra realmente um painel indicando o hospital, imediatamente antes da Rotunda do Quartel Novo (foto 1). No entanto, dado que o acesso àquele estabelecimento de saúde, por motivos que falta apurar, não inclui rotunda adequada, os condutores são obrigados a cortar à direita e seguir até à rotunda mais próxima... onde não existe qualquer sinalização do hospital (foto 2). Pensarão os senhores autarcas que olhando para aquele edifício tão grande, qualquer automobilista adivinhará que se trata do Hospital de Nossa Senhora da Graça? Mistério...



Se calhar para tratar todos os automobilistas por igual, quem venha de Ferreira, do IC3 ou IC9, pela estrada de Coimbra, também não tem sorte nenhuma. Não existe antes da Rotunda do Quartel Novo qualquer indicação do Hospital (foto 3).



Isto para não mencionar o Convento, Ourém, Santarém, Abrantes etc. etc. E depois queixam-se que os visitantes são cada vez mais raros na cidade antiga, demorando em geral o menos tempo possível. Sempre ouvimos dizer que não é com vinagre que se apanham moscas...

terça-feira, 17 de março de 2009

LIGAÇÃO TOMAR - CONVENTO

Troço do que já foi a Calçada de S. Tiago

Sebastião Barros
Era para não escrever mais sobre este assunto, pelo menos por agora. Porém, alguns correspondentes pediram, insistiram, e quem sou eu para recusar? Tanto mais que aqui no blogue lemos tudo o que nos escrevem, procurando sempre ter em conta o que nos parece de considerar. De forma que, farão o favor de desculpar, lá vou repisar coisas, como via mais rápida para justificar novas ideias.
Esta questão da "ligação forte para o Convento" parece-me carecer em absoluto de qualquer base técnica credível. Tudo indica que o autor da ideia aceitou como boa a afirmação de que os turistas que visitam o Convento não descem à cidade por falta de uma ligação convidativa. Ora sucede que, não só muitos visitantes vêm vá abaixo, frequentemente mesmo antes de subirem a colina do Castelo, como faltam estudos adequados junto dos turistas, para confirmar ou desmentir a ideia base.
Tenho para mim, após várias conversas com visitantes de passagem, que o relativo desinteresse dos turistas pela cidade, radica em factores bem diferentes -falta de atractivos, sinalização deficiente, comércio reduzido e banal, ausência de novidade, qualidade, quantidade e preço, restauração média-baixa, atendimento pouco simpático, etc. É claro que são coisas difíceis de admitir, mormente por pessoas cuja principal qualidade não é certamente a elasticidade mental, mas a realidade é o que é. Em vez de persistirem na negação, que tal mandar proceder a um inquérito qualificado junto dos turistas?
Há depois aquele grave erro, ainda não reparado, que afastou da cidade algumas centenas de turistas estrangeiros de elevado poder de compra -o encerramento injustificado do Parque de Campismo, com o pretexto de facilitar as obras do pavilhão desportivo. Por razões conhecidas, os senhores comerciantes e proprietários de restaurantes têm tendência para olvidar esse facto, o que é pena, pois radica aí uma das grandes causas da crise do sector.
Com ou sem estudos adequados, por estes ou por aqueles motivos, sabe-se agora que o realmente pretendido são três colectores em tridente ( Estrada do Convento, Mata, Estrada de Paialvo) com a haste base na Rua da Graça (Av. Cândido Madureira). O resto são tretas técnicas, tendentes a apresentar as coisas sob uma luz nitidamente mais favorável, as quais esqueceram, pelo menos até agora, um problema básico -como obrigar automóveis e autocarros a estacionarem na Várzea Grande, havendo um parque de estacionamento lá em cima? Tencionam acabar com o parque, imitando o que foi feito em Alcobaça? Vai ser difícil. O Mosteiro de Alcobaça fica no centro da cidade, enquanto que o Convento de Cristo está fora da malha urbana, numa zona de muito difícil urbanização.
Par além das deficiências já apontadas, há ainda a péssima opção do percurso pedonal pela Torre da Condessa, que a União Europeia não financiará se não comportar facilidades para menos válidos. Por isso, julgo ser incomparavelmente mais adequado escolher o percurso pelo Portão dos Arcos, mas incluir no projecto a reabilitação da Porta da Almedina e das rampas de acesso, tanto no exterior como no interior. Naturalmente, ambas as portas deverão ser dotadas de comandos à distância, de forma a poderem ser operadas a pedido, após identificação visual dos visitantes, coisa hoje em dia corriqueira.
Sobre a tão evocada "ligação forte entre a cidade e o Convento", uma vez requalificados todos os percursos pedonais (S. Tiago, Cavaleiros, Arcos, Torre da Condessa e Almedina), sejamos corajosos e olhemos para o futuro sem óculos passadistas. A única solução realmente inovadora e susceptível de trazer à cidade os visitantes do Convento, sempre que haja cá em baixo fortes motivos de atracção, o que vai implicar, entre outras coisas, intensa e adequada formação profissional, a única solução inovadora e eficaz será um túnel entre as traseiras dos Paços do Concelho e a Cerrada dos Cães. Insólita e sonhadora? Nem tanto. Afinal são pouco mais de 80 metros em linha recta.
Aqui fica a ideia. A partir de agora vão mas é pensando nisso, que o futuro anuncia-se muito difícil para todos, e não se compadece com hesitações ou cópias daquilo que fazem nas outras cidades. Esse tempo já passou.

segunda-feira, 16 de março de 2009

PORTA DA ALMEDINA: O ESTADO DO SÍTIO


Foto 8 - Ao ser-lhe mudada a serventia, a partir da reforma de 1529, que expulsou os cavaleiros
monges e os substituiu por frades de cógula, houve o cuidado de tranformar a antiga
rampa numa escadaria, o grande portal numa pequena porta de ferro e os antigos
terrenos comunitários numa Cerca Conventual, mediante a edificação de um muro de
vedação de alguns milhares de metros. No século XIX, aquando da nacionalização dos
bens das ordens religiosas, em 1834, alguns tomarenses aproveitaram para se
fornecerem de degraus já aparelhados e a bom preço.




Foto 7 - É neste estado que se encontra o interior da antiga porta principal de acesso ao Castelo
Templário. Perante o silêncio e a complacência de todos. Em pleno século XXI e num
país europeu. Bárbaros nós?! Nem pensar!!!

Foto 6 - Vista actual da Cruz Tutelar Templária, do século XII, única no país e na península, que
nos identifica como Capital Templária. Deste percurso fala Humberto Eco, célebre
escritor, historiador e professor universitário italiano, no seu livro O Pêndulo de
Foucault. Se ampliada, ver-se-á uma legenda e uma data na parte superior, bem como
uma figura humana estilizada do lado esquerdo


Foto 5 - Só se compreende que os fungos da Janela Manuelina façam tanta impressão a alguns
entendidos, e ninguém proponha a limpeza da Porta do Sangue, certamente porque
nunca tiveram nem têm coragem para vir até ao local de onde foi tirada esta foto, que
dispensa mais comentários.


Foto 4 - Quem se aventurar a corta-mato a partir da base da Torre da Condessa, vinte metros e
vários arranhões depois consegue esta vista de conjunto. Numa altura em que se volta a
falar a alegada indispensável limpeza da Janela do Capítulo, apetece perguntar: Não
seria melhor começar antes por limpar e reabrir a Porta da Almedina?




Foto 3 - Subindo aos cepos que integram a estrutura de toros referida em 2, conseguem-se
vislumbrar os dois cubelos, um de cada lado da Porta da Almedina.





Foto 2 - Era em frente de onde agora está aquela estrutura com toros com o caminho bifurcava
para a Porta da Almedina.






Foto 1 - Este é o muro de pedra solta, erguido no século XIX por ordem do Conde de Tomar, que
veda a antiga rampa de acesso à Porta da Almedina, ou Porta do Sangue.






sábado, 14 de março de 2009

RUMO À SENHORA DA ASNEIRA - 3

Foto 4 - Escadaria Nobre de acesso ao Terraço
do Portal da Virgem


Foto 3 - Escadaria de acesso ao Terreiro da
Sala do Capítulo inacabada


Foto 2 - Escadaria de acesso ao piso superior
da Torre da Condessa, a partir do 1º
patamar



Foto 1 - Vista geral da escadaria da Torre da Condessa


Vimos, nas duas peças anteriores, que parece haver indefinição, por parte da autarquia, em relação aos projectos a mandar elaborar para a Cerrada do Cães, a Mata do 7 Montes e os acessos pedonais, dentro e fora desta antiga Cerca Conventual. Vimos, também, que havia algum receio de que ousassem introduzir o trânsito automóvel na Mata, hipótese que afinal parece que nunca existiu. Concluímos a tentar demonstrar que o mais fácil acesso pedonal ao Convento, através da Mata, pelo Portão dos Arcos ou do Lagar, é igualmente o mais longo, bem como a afirmar que a autarquia prefere o acesso pela Torre da Condessa, que consideramos uma má escolha. Vamos agora tentar explicar os motivos que nos levam a considerar o acesso pela Torre da Condessa, como opção prioritária, um erro crasso.
Desde meados do ano passado que a Câmara de Tomar vem advogando a necessidade de uma ligação forte da Cidade ao Convento, através da Mata. Organizou até uma célebre passeata "Da Cidade ao Convento pela Porta do Sangue", só para um escol de convidados, durante a qual houve pelo menos um incidente, e que acabou por passar pela Torre da Condessa . Citamos este facto, aparentemente sem importância, porque demonstra várias coisas: a) - o indispensável "trabalho de casa", ou preparação prévia, não teve lugar; estavam convencidos que era possível passar pela Porta do Sangue ou da Almedina; b) -o presidente Paiva, cuja obstinação é conhecida, já tinha escolhido: seria por ali e por mais lado nenhum; c) - na ignorância epistemológica (desculpem o palavrão, mas não conheço outro) dos fundamentos que determinaram tal opção, trata-se apenas de mais uma decisão do tipo "quero, posso e mando", inaceitável numa sociedade aberta.
Olhando atentamente para as quatro fotos que publicamos, vemos exactamente aquilo que os assessores do nosso ex-autarca lhe deviam ter mostrado, antes de ele ter optado, ou para fundamentar o indispensável mudança de opinião. Realmente, enquanto o acesso pelo Portão do Lagar não comporta qualquer desnível em degraus, este da Torre da Condessa é bastante fértil nesse aspecto. Começa logo pelo íngreme escadaria até ao pomar, que agora ocupa a antiga Almedina, continua com a igualmente íngreme escada do pomar até ao terreiro da Casa do Capítulo inacabada, terminando com a escadaria renascença até ao Terraço da Virgem. Será este um bom percurso para peões, sobretudo para os séniores, que são os mais disponíveis para viajar e visitar? E para as cadeiras de rodas? É claro que não! Há os ascensores e as escadas rolantes? Pois há sim senhor! E vão fazer as respectivas instalações, sem destoar, onde? Será tudo isto prioritário? Ou simples mania de novos-ricos, deslumbrados com os fundos comunitários? Qual o papel da ganância no meio disto tudo?
O actual presidente, que todos consideram uma boa pessoa, sensível e culta, comprometeu-se a respeitar as opções do seu antecessor no cargo. Mas Fernando de Sousa não é um "tomareco", daqueles que ao fim de meia dúzia de anos cá, já se proclamam mais tomarenses que os próprios nabantinos de nascença. Fernando de Sousa é tomarense, nascido à sombra tutelar do castelo templário, e mesmo ao lado da igreja de S. João, o que lhe coloca uma gravíssima responsabilidade sobre os ombos -o respeito pelo nosso passado, pelo bom gosto e pelo bom senso. Sendo evidente que a escolha da Torre da Condessa, como ligação prioritária, é um erro monumental, só nos resta uma esperança -que o nosso autarca tenha a coragem de mudar de cavalo de batalha. Apesar dos compromissos assumidos.

sexta-feira, 13 de março de 2009

OUTRA VEZ A LIMPEZA DA JANELA


António Rebelo
Provavelmente convencidos, como antigamente, de que o País é Lisboa e o resto é paisagem, volta não volta há uns crânios que anunciam o que convém aos provincianos toscos que somos. Aqui há uns bons anos, alguém determinou que a Janela do Capítulo necessitava com urgência de uma boa limpeza. Dada a oposição das pessoas que foram ouvidas, ninguém ousou avançar com a peregrina ideia. Mais recentemente, ninguém sabe muito bem por que carga de água, uma jornalista do Expresso, mostrando uma foto de dois prumos de madeira, no Claustro da Hospedaria, segurando um artesão vítima do salitre, afirmou que o Convento de Cristo ameaçava ruína. Acrescentou, baseada não se sabe em que dados, que a Janela Manuelina estava seriamente ameaçada por musgos e líquenes, pelo que necessitava de ser limpa. Houve, naturalmente, alarme, auscultações a nível local, e tudo amainou. Era um daqueles exageros lusitanos.Mas foi sol de pouca dura.
Desta vez, tomando como pretexto a eleição das sete maravilhas portuguesas no mundo, o conceituado Diário de Notícias resolveu brindar outra vez os tomarenses amantes do Convento com o disco da necessária limpeza da obra-prima de Diogo de Arruda. Não explica porquê, nem como, nem para quê. Fala de cátedra -"é preciso remover os líquenes da Janela", e pronto. Está escrito, está escrito.
Com a autoridade que me advém da circunstância de conhecer, amar e dialogar com a Janela há mais de 50 anos, repito o já dito anteriormente: Por favor, deixem-na descansada, para alegria e sossego dos tomarenses. O seu estado actual é, praticamente, o mesmo dos anos 50 do século passado. Os musgos e líquenes fazem parte daquela patine que só os séculos dão. Além disso, cobrindo os poros do calcáreo, protegem-no das chuvas ácidas, cada vez mais agrestes. Após 499 anos de exposição à chuva, ao vento, aos musgos e aos líquenes, não se nota na Janela qualquer indício de degradação grave. Faltam-lhe as duas imagens, uma em cada nicho lateral, mas isso é outra questão.
Tendo em conta o que antecede, não será já mais que tempo de os arautos da citada limpeza argumentarem convenientemente a sua pretensão? Bem sei que agora começaram a falar de limpeza a laser, extremamente onerosa, pelo que haverá necessidade de mecenas, blá-blá, blá-blá. Trata-se, bem sei também, de uma tarefa muito cara, o que justifica tanto alarme em ano de três eleições. Cuidado porém. A Janela é sagrada e com o sagrado não se brinca nem se negoceia. Alguém pode garantir que, uma vez limpa a laser, aquela obra manuelina conservará o mesmo aspecto e a mesma resistência às intempéries? Que estudos foram feitos nesse sentido? Gostariam mais de a ver com aspecto de novo, como ousaram fazer à Ermida da Conceição?
A janela é do país e do Mundo; mas antes de mais é dos tomarenses. Respeitem-nos respeitando-a!

domingo, 15 de fevereiro de 2009

MAZELAS TOMARENSES - Vias pedonais

Foto 1 - Calçada de S. Tiago
Foto 2 - Calçada dos Cavaleiros

Foto 3 - Rapa Nui - Acesso à pedreira de Ranu Raruku


Foto 4 - Rapa Nui - Acesso ao vulcão Ranu Kau
OS BÁRBAROS E OS CIVILIZADOS
Cão Tinhoso
Há um velho dito popular árabe, segundo o qual "As viagens são muito formativas. Toma, porém, cautela. Se mandares o teu burro a Meca, ele voltará tão asno como era à partida." Lembrei-me disto enquanto via, com deleite, aqui no computador, as centenas de fotografias do nosso companheiro António Rebelo, tiradas durante a sua recente viagem à América do Sul. Com um olhar treinado por muitos anos de vida e centenas de viagens através do mundo, ele consegue ver e intuir tudo aquilo que outros olham mas não "vêem" nem entendem. Com imagens desse recente circuito e de anteriores deambulações pela nossa cidade, pareceu-me oportuno alertar novamente os tomarenses para uma evidência que os nossos autarcas persistem em não entender.
Desde os tempos do Império Romano que se tornou usual dividir o mundo em duas categorias - os civilizados, cidadãos do império; os bárbaros, todos os outros. Com o desfilar dos séculos, difundiu-se uma ideia ligeiramente diferente: Civilizados, os europeus e seus descendentes; bárbaros, todos os outros. Infelizmente, a realidade é, quase sempre, bem diferente. No caso presente, basta ver com atenção as imagens supra, tiradas em Tomar e na Ilha da Páscoa. Em todas elas o motivo central são as vias pedonais para turistas e naturais.
Na Ilha de Rapa Nui (designação original), 3.800 habitantes, isolados no meio do Oceano Pacífico, a 4.000 Kms da costa chilena e a 2980 da ilha mais próxima, Património da Humanidade desde 1995, as autoridades locais cuidam de bem acolher os turistas. Conforme se pode confirmar nas fotos 3 e 4, os caminhos pedonais foram arranjados com telas sintéticas, sobre as quais se colocaram "tapetes" de plástico duro com estrutura em favos, posteriormente cheios com gravilha. Foi a boa maneira encontrada para evitar que os turistas escorreguem na lama, o que leva a pensar que a governadora chilena da ilha e os seus habitantes preferem que os visitantes "escorreguem" de outra maneira, mais proveitosa para todos, deixando dólares, euros, libras, yens, etc. etc.
Enquanto isto, em Tomar, 35.000 habitantes, a 120 Kms de Lisboa e a 2.500 de Bruxelas, de onde têm vindo milhões e milhões de euros a fundo perdido, Património da Humanidade desde 1983, os acessos pedonais ao Convento, a 100 metros da Câmara, que é a entidade responsável pela sua conservação, estão como se vê há mais de 50 anos. Pergunta-se: Se, um dia destes, um turista menos acomodado escorregar e torcer um pé, ou partir uma perna, decidindo queixar-se, dado o evidente mau estado dos caminhos, que irá a autarquia alegar? Que não sabia? Que não tem verba disponível? Quem pagará a quase certa indemnização? Que culpa têm os contribuintes de que os autarcas sejam manifestamente desleixados?
Tudo visto e devidamente ponderado: Quem são os civilizados? Quem são os bárbaros?


domingo, 11 de janeiro de 2009

MAZELAS TOMARENSES -Ratoeira para turistas


















Cão Tinhoso, com a colaboração de António Rebelo
PRÓLOGO
Às vezes, durante as longas noites que passo aqui na redacção do TAD, ponho-me a pensar se não serei demasiado severo, ou até injusto, nas minhas críticas, que faço sempre com recta intenção: A de que as coisas mudem para melhor, em termos de bem comum. No caso do turismo, que todos proclamam a actividade que salvará Tomar, tenho visto por aí tanta coisa que considero estar mal, e tanta farronca, que as minhas dúvidas eram enormes. Por isso pedi ao nosso companheiro de redacção António Rebelo, que há mais de 40 anos percorre o mundo como turista, depois o ter feito como profissional de turismo, para me dar uma ajuda. Graças à sua leal colaboração, eis o que conseguimos.
A RATOEIRA DE LEIRIA/FÁTIMA
Começou-se por imaginar que éramos turistas estrangeiros. Daqueles que não gostam de andar em grupos organizados, porque estes nunca vão aonde desejam e visitam tudo em ritmo demasiado acelerado. Decidimos então comprar um bom guia, para preparar a nossa viagem.
Já em Portugal, resolvemos fazer a Rota do Património Mundial. Após a visita ao Jerónimos e à Torre de Belém, alugámos um carro sem condutor e saímos rumo a Sintra. No dia seguinte fomos até Alcobaça e Batalha, após o que nos detivemos em Fátima. Seguindo sempre as indicações do guia já referido, metemos pela estrada até Ourém onde, de acordo com o narrador "Muitos turistas param por engano, confundindo o castelo lá no alto comTomar." (Routard/Portugal/2008, página 337). Como o leitor pode ver, a sinalização é boa por todo o lado. Os turistas é que... Pois!
A partir daqui, para um bom entendimento do texto, cada qual fará o favor de ir vendo as fotografias de baixo para cima, com a atenção possível.
Visitado o Castelo de Ourém, com entrada gratuita e visitas guiadas a um euro por pessoa, eis-nos na N113, rumo a Tomar. Logo após Carregueiros, aparece-nos a indicação Tomar Oeste( foto 1, que finalmente permite explicar algumas coboiadas nocturnas ali na Cerrada dos Cães) e Convento de Cristo, com o logótipo "Património da Humanidade". Exactamente aquilo que procuramos. A coisa começa bem!
A seguir apareceu-nos a bifurcação sem nome, mas que nós tomarenses sabemos ser da Venda da Gaita (foto 2). Como nos pareceu, de acordo com a indicação anterior, que o Convento ficava em Tomar Oeste, resolvemos continuar para a direita, pois não queríamos ir para Tomar Centro. Poucos metros mais adiante, (foto 3) nem Convento de Cristo nem Tomar Oeste, nem Coimbra, nem Algarvias. Deduzimos que era melhor continuar em frente, como se faz quando não há sinalização em contrário.
Cerca de 500 metros depois, outra sinalização (foto 4). Algarvias Lisboa para a direita, Painel de limite de Tomar, para a esquerda. Nem Tomar Oeste, nem Convento de Cristo, nem Coimbra. Seguimos em frente, de acordo com a dedução anterior.
Percorrido cerca de quilómetro e meio, mais indicações (foto 5). Que remédio senão virar à esquerda. Mas nada de Convento de Cristo nem de Tomar Oeste. Finalmente naquilo que nos pareceu a cidade de Tomar, as coisas não melhoraram, pois não há qualquer sinalização adequada para quem vem da estrada de Paialvo/Torres Novas (foto 6). Se fôssemos mesmo turistas, teríamos sido forçados a perguntar onde fica o Convento a pessoas de passagem.
Chegados lá acima, há ainda aquele parque de estacionamento, que já é conhecido dos tomarenses, o pessoal pouco acolhedor (salvo raras excepções) do IGESPAR, as entradas a quatro euros e meio (diz o guia), e vão andando por aí adiante, que visitas guiadas não há.
Se teve a paciência de nos ler até aqui, responda agora a uma pergunta singela. Apesar da Janela ser uma das 19 maravilhas do país, que nenhum turista deve perder; depois de tanta peripécia, estaria satisfeito e capaz de voltar, ou de recomendar a vinda a Tomar aos seus amigos?
Somos da mesma opinião. A menos que o leitor seja masoquista. Ou espírito de contradição. Ou vítima dos "óculos partidários".




sábado, 10 de janeiro de 2009

CONVENTO A RUIR? - EXPRESSO REINCIDE



António Rebelo
Pela segunda vez, o Expresso de hoje aborda a alegada degradação do património, dando especial relevo ao Convento de Cristo. O título "UNESCO diz que património é uma vergonha" figura à esquerda de uma foto a 5 colunas, com a Janela do Capítulo, o botaréu do Rosão de Ouro, parte do Claustro de Santa Bárbara e parte do Claustro da Hospedaria.
No corpo da notícia pode ler-se, designadamente, que "As preocupações do presidente da Comissão Nacional da UNESCO centram-se neste momento na tentativa de encontrar uma solução para cada um dos 13 monumentos e sítios classificados -e os que estão em pior estado são o Convento de Cristo, o Mosteiro de Alcobaça e os centros históricos de Évora e Porto." Dado que a notícia não fornece qualquer outro elemento sobre o Convento, fui a www.expresso.pt/expressotv, conforme aconselhado pela jornalista. Terminado o video, de pouco mais de 2 minutos, percebi que Alexandra Carita, a autora da notícia e narradora, parece ter ficado particularmente impressionada com a degradação do Claustro da Hospedaria, com as ruínas dos Paços do Infante e com a falta de limpeza da Janela do Capítulo. Segundo a ouvi afirmar, a limpeza da janela a laser é demasiado cara e a limpeza a jacto de água ou de água com areia pode destruí-la. Nem sequer considerou a hipótese mais sensata -deixar a janela descansada, tal como sempre esteve, limitando-se a arrancar as ervas e os arbustos, ou retirar os ninhos de pombo, ou outros, sempre que necessário, e com muita cautela.
Se não conhecesse bem os tomarenses, sendo eu um deles, faria aqui um apelo, no sentido de evitar que se mexa na janela de forma irremediável; no sentido de a manter tal com está, com a sua patine multicentenária, que lhe dá autenticidade e até agrada aos turistas estrangeiros, mesmo os mais advertidos. No "Guide du Routard" - Portugal -2008" pode ler-se, na página 342: "É a mais fascinante das obras manuelinas em Portugal. Resume e concentra, de um modo perfeito toda essa arte, ponto culminante do delírio vegetal. O musgo e os líquenes contribuem ainda mais para lhe dar espessura e relevo." Se assim é, para quê modificar e arriscar enormes perdas?
À luz da peça desta semana, penso já ser possível conjecturar, com relativa segurança, onde se pretende chegar. No meu modesto entendimento, trata-se de legitimar, junto da opinião pública, o recente decreto-lei do Ministério das Finanças, que torna possível a exploração dos monumentos classificados por entidades privadas. Tenta-se igualmente, segundo julgo, tornar mais atractivo o mecenato por parte das grandes empresas, mediante a promoção daí resultante, além dos benefícios fiscais.
Incluindo na sua peça as propostas de cinco especialistas de diversos quadrantes (um arqueólogo, dois arquitectos, um historiador e o presidente da Comissão Nacional da UNESCO), a jornalista termina destacando a acção mecenática da Cimpor e da EDP. Sobre esta última dá até aos tomarenses uma novidade em primeira mão: Nos termos de um protocolo EDP/IGESPAR, a empresa de electricidade vai proceder à iluminação cenográfica de alguns grandes monumentos, entre os quais o Convento de Cristo. Agora só falta saber quando e se o Castelo está ou não incluído. Os projectores continuam lá (ver foto), mas há longos meses que não acendem. Alguém sabe porquê?
Falta igualmente que as entidades responsáveis arranjem coragem e audácia para encontrar um modelo de gestão turística à altura da categoria do Convento de Cristo. A situação presente, que se arrasta há longos anos, não beneficia ninguém e pode contribuir até para cavar a sepultura dos seus funcionários, caso não se aja atempadamente para acabar com aquilo que configura uma anomalia. No guia há pouco citado a propósito da Janela, com uma tiragem anual de 75.000 exemplares, é dito que no Castelo de Ourém, cuja entrada é gratuita, há visitas guiadas a 1 euro por pessoa. No Convento de Cristo, que fica a menos de 20 quilómetros, paga-se 5 euros, não há visitas guiadas e algumas publicações aí à venda são de fraca qualidade. Ourém e Tomar farão parte do mesmo país?

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

UMA POUSADA NO CONVENTO

Lidas as mensagens no blogue do Templátio, Tomar a dianteira procurou informar-se junto de quem conhece realmente o Convento. Garantido o anonimato, que os tempos começam a não estar fáceis outra vez, a nossa fonte começou por esclarecer que sempre foi e continua a ser favorável à instalação de uma unidade hoteleira na antiga Casa da Ordem. Discorda, no entanto, da projectada instalação no antigo Hospital Militar, anterior enfermaria dos frades, porque no seu entender é por ali que um dia se deverá fazer a recepção e entrada dos visitantes no monumento, quando ele estiver dotado de uma gestão capaz e inovadora, mais virada para os visitantes do que para os seus próprios funcionários. Tal transformação, disse, só poderá acontecer quando aquele património da humanidade, mas também dos tomarenses antes de tudo, sair da alçada do IGESPAR, que já demonstrou a sua incapacidade, e passar para uma entidade local, vocacionada para outros horizontes.
Sobre a unidade hoteleira, referiu que deverá ser instalada na parte que sempre serviu para receber hóspedes -o Claustro da Hospedaria e limítrofes. Como aquilo está actualmente, com uma entrada ridícula que nos envergonha a todos, funcionários em excesso e que pouco ou nada fazem, ausência de visitas guiadas e algumas pessoas que se julgam donas daquilo, É QUE NÃO PODE CONTINUAR, SOB PENA DE GRAVE DESCRÉDITO, concluiu.

Sebastião Barros/tomaradianteira