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sábado, 19 de fevereiro de 2011

HÁ AQUI UM LAPSO A SOLICITAR EMENDA URGENTE...


Há já muitos meses que não passava junto da Escola Gualdim Pais, onde leccionei durante mais de duas décadas. Aconteceu hoje que a usual iniciativa conjunta Rádio Hertz/Tomar a dianteira teve lugar no Café Habitat, que fica mesmo em frente, do outro lado da Estrada do Barreiro. Foi então que fiquei surpreendido com a ilustração supra. Está tudo óptimo quanto a dizeres, mas a cruz é que não faz sentido. Se a escola se chama Gualdim Pais, fundador de Tomar enquanto Mestre da Ordem dos Templários, não me parece nada  pertinente ornar o dístico com a cruz de Cristo, ordem militar que só veio a substituir a dos Templários em Portugal mais de um século após o falecimento do referido mestre.
Se o lapso tivesse ocorrido noutro tipo de instiutuição, dir-se-ia certamente que nem todos podem ser conhecedores da história local. Tratando-se de um estabelecimento de ensino, no qual até leccionam vários professores da especialidade...restam várias hipóteses. A mais fácil consiste em deixar as coisas como estão, que "vozes de burro não chegam ao céu". Corre-se é o risco de um dia destes algum aluno, ou simples passante, garantir a pés juntos que Gualdim Pais foi mestre da Ordem de Cristo, pois naquela placa a indicar a biblioteca da escola...
Uma outra possibilidade será sobrepor uma cruz templária na que está, de forma a verem-se a duas, para significar que uma substituiu a outra. A ideal, enfim, passa por transformar aquela cruz inscrita num quadrado, pela dos templários, inscrita num círculo. Julgo que um bom artista não terá grande dificuldade em fazer essa transformação. E poupa-se o custo de uma placa nova.
Vamos a isso, senhora presidente Luísa? É só um detalhe, bem sei, mas que diz muito.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

DESVENDADO O MISTÉRIO DO AÇUDE




Suponho que poucos saberão, (estas coisas da história já não interessam a ninguém), mas os nossos antepassados (nossos, dos tomarenses, bem entendido) foram sucessivamente foreiros dos Templários, até 1312, e da Ordem de Cristo até à aceitação do foral novo dado por D. Manuel I (1509). Significa isto que beneficiaram de um estatuto próprio durante séculos, após o que passaram a ser regidos pela lei geral do reino.
Sendo foreiros, a entidade que lhes concedera os foros garantia-lhes alguns direitos, mas igualmente muitas obrigações. Entre aqueles figuravam o direito de habitação, o direito de amanhar uma courela mediante renda anual (o foro) e/ou de exercer um ofício. Das obrigações, as principais eram a participação nas campanhas militares, o cumprimento dos direitos de aposentadoria e de comedoria dos nobres e, sobretudo, o pagamento de impostos.
Naqueles tempos, a circulação de moeda era muito reduzida, e a troca directa muito frequente, pelo que os impostos e as rendas dos foros eram pagos em géneros. Na região de Tomar, além dos tradicionais animais domésticos (galinhas, patos, perús, cabritos, cordeiros, vitelos), o usual era pagar com a azeitona e os cereais. Além das filhas casadoiras, no âmbito do direito de pernada, mas isso é já outro assunto mais sensível.
Procurando evitar a falcatrua e/ou a fuga ao pagamento mais ou menos justo, os administradores da Ordem muniram-se desde o início, em 1162, de todas as garantias. Assim, só a Ordem e os por ela designados tinham o direito de fazer açudes fixos no rio, bem como de moer azeitona ou cereais. Maneira ardilosa de forçar os agricultores a entregarem toda a sua produção nos lagares/moínhos existentes (os da Levada), onde lhes retiravam logo a parte referente aos impostos. Além de mais qualquer coisinha para o lagareiro/moleiro...
Os outros foreiros apenas podiam fazer anualmente açudes provisórios, exclusivamente para rega, que deviam obrigatoriamente ser desmontados até meados de Outubro. Por casa das cheias, mas sobretudo para evitar tentações e subsequentes vigarices...
Com a extinção das ordens religiosas em 1834, houve confusões com fartura na questão dos foros, acabando muitos foreiros por se assenhorearem dos terrenos que até então exploravam e pelos quais pagavam os foros anuais. Quanto aos lagares/moínhos e açudes, foram sucessivamente arrematados por vários cidadãos à fazenda nacional. Os últimos foram João Torres Pinheiro e Manuel Mendes Godinho, por compra àquele. Nos nossos dias, como é sabido, resta um açude de madeira e uma roda a funcionar (quando funciona !), ambos propriedade da autarquia, que comprou o conjunto conhecido por Mouchão dos Frades nos anos 40 do século passado.
Toda esta lenga-lenga para tentar enquadrar o mistério do açude do Mouchão, que este ano ainda lá continua em meados de Novembro, contrariando o que sempre se praticou até agora -a sua desmontagem o mais tardar até 15 de Outubro, por causa das cheias. Isto apesar da roda ter dado o berro e deixado de funcionar em Agosto passado.
Finalmente, em mais uma demorada visita ao local, foi fácil desvendar o mistério. A exemplo do que vem fazendo em vários pontos da cidade, preservando a vegetação mais ou menos rasteira que vai nascendo nas ruas e nos espaços verdes, a autarquia está apenas a procurar defender o ambiente. Neste caso a assegurar o poiso e o comedouro da garça. E está certo, pois de acordo com a tradição popular, Tomar sempre foi madrasta para os seus filhos, mas extremamente hospitaleira para as aves de arribação. O pior é que até um rural disse ao meu lado -Mau sinal ! Gaivotas em terra é sinal de tempestade!
Ainda não percebi onde ele queria chegar.