Afirmam os nossos contraditores (sem nunca mencionar a quem se referem concretamente) que em Tomar a dianteira não sabemos de que estamos a falar, neste caso da salvaguarda da Janela. Acrescentam até que não medimos as consequências daquilo que escrevemos. Ambas as alegações são falsas. Medimos muito bem o alcance do que fazemos e conhecemos menos mal a Janela e o Convento, desde há sessenta anos. Quem estiver nas mesmas condições que faça o favor de levantar a voz. Para provar aquilo que dizemos, tendo em conta que se está a generalizar a moda de exigir o respeito pelo contraditório por tudo e por nada, resolvemos fazer melhor. Assumimos a posição dos defensores da limpeza/lavagem da Janela. Afinal até podem ter razão. Num mundo de modernices, estilo Eurodisney ou Pantera Cor de Rosa, o melhor será actualizar a Janela, pondo-a com aspecto adequado ao mundo moderno, como forma de atraír mais turistas. Afinal aquilo assim até está uma vergonha terceiro-mundista. Tudo sujo, tudo cheio de crostas, tudo com aspecto de velho e desmazelado, tudo repulsivo para os visitantes aurautos da modernidade.
Deve ser por isso que na conclusão do propalado relatório do LNEC, de Janeiro de 2002, se propõe já, com toda a seriedade, que "No final das operações de limpeza...será recomendável dar um acabamento final às superfícies, por forma a dar coerência à apresentação final das áreas intervencionadas..." Acrescenta-se até que "A aplicação de uma pátina artificial reduzirá a reactividade da pedra..." Não se percebe como, referem outros técnicos por nós consultados, mas isso é já outra história. Vamos ter portanto, se vingar a ideia estapafúrdia de adulterar sem necessidade o actual aspecto do monumento, tudo indica que em nome da modernice, mas igualmente da ganância, uma pátina artificial. Assim sendo, Tomar a dianteira antecipa-se, propondo a quem não conhece adequadamente a velha Casa da Ordem, nem a sua célebre Janela, vários modelos possíveis. Não não ! Não têm nada que agradecer ! É a nossa obrigração. Colocamos a cabeça no cepo para os carrascos trabalharem à vontade.
A primeira sugestão é sobretudo para visitantes do avental, uma tendência que está agora muito em voga. Até já temos na autarquia pelo menos dois eleitos pelos rosas que ostentam nos seus blogues as insígnias dos grupos respectivos. São geralmente cidadãos que vêem longe. O problema é que usam uns óculos com umas lentes muito peculiares, geralmente anticlericais. Todavia, enquanto há vida há esperança e tarde é aquilo que nunca vem. Daí termos alguma luz no vão da Janela mergulhada nas trevas, todavia bastante luminosas, para realçar as dimensões e a beleza das coisas.A segunda sugestão resulta da necessária adequação à sociedade envolvente. Como é sabido tudo nela tende para o cinzentismo. Trata-se, por conseguinte e na nossa opinião, de um modelo perfeitamente adequado para conformistas, cinzentões, indiferentes, atentos veneradores e obrigados.
A terceira sugestão, esta aqui mais próxima, destina-se unicamente aos esotéricos obstinados. Daqueles que passam uma vida inteira buscando e acabam poor nunca encontrar a tal explicação final ao fundo do túnel. Entretanto vão vendo tudo negro e sem perspectivas, pedindo a Deus que a Janela e o Convento tenham quanto menos visitantes melhor, para não profanaram aquele santuário nem, sobretudo, desgastarem os pavimentos.
É nesta amálgama que vivemos. Vivemos ?










