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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

ACTUALIZAR A JANELA DO CAPÍTULO - 1

Afirmam os nossos contraditores (sem nunca mencionar a quem se referem concretamente) que em Tomar a dianteira não sabemos de que estamos a falar, neste caso da salvaguarda da Janela. Acrescentam até que não medimos as consequências daquilo que escrevemos. Ambas as alegações são falsas. Medimos muito bem o alcance do que fazemos e conhecemos menos mal a Janela e o Convento, desde há sessenta anos. Quem estiver nas mesmas condições que faça o favor de levantar a voz. Para provar aquilo que dizemos, tendo em conta que se está a generalizar a moda de exigir o respeito pelo contraditório por tudo e por nada, resolvemos fazer melhor. Assumimos a posição dos defensores da limpeza/lavagem da Janela. Afinal até podem ter razão. Num mundo de modernices, estilo Eurodisney ou Pantera Cor de Rosa, o melhor será actualizar a Janela, pondo-a com aspecto adequado ao mundo moderno, como forma de atraír mais turistas. Afinal aquilo assim até está uma vergonha terceiro-mundista. Tudo sujo, tudo cheio de crostas, tudo com aspecto de velho e desmazelado, tudo repulsivo para os visitantes aurautos da modernidade.

Deve ser por isso que na conclusão do propalado relatório do LNEC, de Janeiro de 2002, se propõe já, com toda a seriedade, que "No final das operações de limpeza...será recomendável dar um acabamento final às superfícies, por forma a dar coerência à apresentação final das áreas intervencionadas..." Acrescenta-se até que "A aplicação de uma pátina artificial reduzirá a reactividade da pedra..." Não se percebe como, referem outros técnicos por nós consultados, mas isso é já outra história. Vamos ter portanto, se vingar a ideia estapafúrdia de adulterar sem necessidade o actual aspecto do monumento, tudo indica que em nome da modernice, mas igualmente da ganância, uma pátina artificial. Assim sendo, Tomar a dianteira antecipa-se, propondo a quem não conhece adequadamente a velha Casa da Ordem, nem a sua célebre Janela, vários modelos possíveis. Não não ! Não têm nada que agradecer ! É a nossa obrigração. Colocamos a cabeça no cepo para os carrascos trabalharem à vontade.

A primeira sugestão é sobretudo para visitantes do avental, uma tendência que está agora muito em voga. Até já temos na autarquia pelo menos dois eleitos pelos rosas que ostentam nos seus blogues as insígnias dos grupos respectivos. São geralmente cidadãos que vêem longe. O problema é que usam uns óculos com umas lentes muito peculiares, geralmente anticlericais. Todavia, enquanto há vida há esperança e tarde é aquilo que nunca vem. Daí termos alguma luz no vão da Janela mergulhada nas trevas, todavia bastante luminosas, para realçar as dimensões e a beleza das coisas.
A segunda sugestão resulta da necessária adequação à sociedade envolvente. Como é sabido tudo nela tende para o cinzentismo. Trata-se, por conseguinte e na nossa opinião, de um modelo perfeitamente adequado para conformistas, cinzentões, indiferentes, atentos veneradores e obrigados.
A terceira sugestão, esta aqui mais próxima, destina-se unicamente aos esotéricos obstinados. Daqueles que passam uma vida inteira buscando e acabam poor nunca encontrar a tal explicação final ao fundo do túnel. Entretanto vão vendo tudo negro e sem perspectivas, pedindo a Deus que a Janela e o Convento tenham quanto menos visitantes melhor, para não profanaram aquele santuário nem, sobretudo, desgastarem os pavimentos.
É nesta amálgama que vivemos. Vivemos ?



domingo, 7 de fevereiro de 2010

SALVAR A JANELA DO CAPÍTULO - CONTINUAÇÃO

Vimos ontem como lutaram, (respeitando sempre a legalidade) e conseguiram vencer, os franceses que se manifestaram contra o projectado abastardamento do Hotel Lambert. Unidos, conseguiram recolher oito mil assinaturas, numa petição contra as pretensões do novo proprietário. Dado que Paris intramuros conta quatro milhões de eleitores, enquanto o concelho de Tomar anda pelos 4o mil, as pouco mais de 100 assinaturas aqui recolhidas contra a limpeza/lavagem da Janela do Capítulo, representariam afinal, em Paris e nas mesmas condições contextuais, dez mil signatários. Nada mau, nada mau, sobretudo para alegados ignorantes. Ou será que, tudo devidamente ponderado, no fim de contas, a ignorância não mora onde dizem ?
Consta igualmente da tradução de ontem que "apagar os sinais da história para conseguir um suposto aspecto inicial do edifício" (exactamente o que se pretende fazer na Janela), "vai contra a Carta de Veneza, de 1964." Ora sendo o Convento de Cristo Património da Humanidade, está naturalmente sob a tutela vigilante da UNESCO, que lhe retirará tal estatuto, caso não sejam respeitadas as suas determinações. E quais são essas exigências?
De acordo com o citado documento, adoptado pela UNESCO, "A conservação e o restauro dos monumentos constituem uma disciplina que apela à colaboração de todas as ciências e de todas as técnicas que podem contribuir para o estudo e salvaguarda do património monumental." (Artigo 2º) E lá se vai a ideia, tão querida dos nossos contraditores, de que os especialistas de restauro é que são competentes ! Logo no artigo seguinte (3º), estabelece-se que "A conservação e restauro dos monumentos visam salvaguardar tanto a obra de arte como o testemunho histórico." Se a ideia de limpeza/lavagem da Janela for avante, como é que depois os visitantes poderão ficar a conhecer o comportamento da mesma durante 500 anos de exposição aos elementos ?

Caso ainda restem dúvidas de que a pretendida intervenção é de todo inaceitável, o artigo 4º da referida carta dissipa-as: "A conservação dos monumentos impõe em primeiro lugar uma adequada manutenção permanente dos mesmos." Que o mesmo é dizer, mantê-los em bom estado, com a menor intervenção possível, de forma a salvaguardar o seu aspecto natural. E logo mais adiante, no final do artigo 6º, estipula-se que "qualquer distribuição e qualquer arranjo susceptível de alterar as relações de volume e cor, devem ser prescritos."

A projectada limpeza/lavagem não vai alterar as relações de volume e cor ? Muitos visitantes pensam o contrário: "É a mais fascinante das obras manuelinas de Portugal. Esculpida entre 1510 e 1523, resume e concentra de modo perfeito toda essa arte, ponto culminante do delírio vegetal. Os musgos e líquenes contribuem ainda mais para lhe dar relevo e espessura..." , Le Guide du Routard - Portugal, Hachette, página 342. (O negrito é nosso).

Será preciso acrescentar mais ? "O restauro é uma operação que deve ter um carácter excepcional. Destina-se a conservar e a revelar os valores estéticos do monumento e baseia-se no respeito pelos materiais originais...O restauro pára onde começa a hipótese." (Artigo 9º da carta de Veneza)

Os arautos da limpeza/lavagem já perceberam agora que estão equivocados ? Ou pretendem realmente colocar em perigo não só a Janela no seu aspecto natural, mas igualmente o seu estatuto de Património da Humanidade, conseguido em 1982 ? Rezam as crónicas que a UNESCO não tem manifestado até agora qualquer simpatia pelos aprendizes de feiticeiro...

SALVAR A JANELA DO CAPÍTULO - CONTINUAÇÃO

Três cidadãos se pronunciaram até agora, na imprensa local, a favor da quanto a nós supérflua, perigosa e prejudicial limpeza/lavagem da Janela do Capítulo -Iria Caetano, Carlos Veloso e Rui Bernardino, por esta ordem. Enquanto Iria Caetano, actual directora do Convento de Cristo foi extremamente correcta e cordata, como aliás era de esperar, os outros dois nem tanto assim. Ambos procuraram desacreditar os signatários do apelo contra a anunciada acção de limpeza/lavagem, apelidando-os de ignorantes, de retrógrados e outros mimos. Carlos Veloso foi até mais longe. Tresleu uma resposta mais acutilante e, partindo daí, mostrou-se agastado e ameaçou com a justiça. À boa maneira da província portuguesa. É sobretudo para eles, todos produto das universidades portuguesas, com tudo o que isso implica, a tradução seguinte:
RESTAURO DO PATRIMÓNIO - A LIÇÃO DO HOTEL LAMBERT
O restauro, em conformidade com as regras da arte, de um monumento histórico para habitação, é uma aventura delicada. Acrescentar o conforto último grito a um edifício classificado, pode pôr em causa a sua integridade patrimonial. Apagar os sinais da história para restabelecer um suposto aspecto inicial da construção, é contra a Carta de Veneza, adoptada pela UNESCO em 1964, a qual preconiza que se conservem todos os indícios de evolução. O caso do parisiense Hotel Lambert acaba de trazer para a ribalta da opinião pública, de maneira gritante, todas estas problemáticas.
As obras previstas para esta jóia do século XVII, edificada na proa da Ilha de São Luís, por Louis le Vau -o mesmo que ampliou Versalhes- para Jean-Baptiste Lambert, secretário de Luis XIII, foram muito contestadas desde o início. Após doze meses de polémica e um julgamento do Tribunal Administrativo de Paris, que anulou a autorização ministerial, o assunto foi resolvido com um compromisso entre as partes. Um caso exemplar, que indica claramente os limites de intervenção sobre um edifício classificado como monumento histórico.
Rememoremos os factos. O protocolo de acordo, assinado em 22 de Janeiro, entre o Ministério da Cultura, a Câmara de Paris, o proprietário do edifício em causa, representado pelo Cheique Hamad Al-Thani, afilhado do Emir do Qatar, e a Associação Paris Histórica, soluciona o contencioso. O projecto inicial de reabilitação, que propunha um retorno ao aspecto suposto do século XVII, com uma ultra modernização do conforto interior, foi considerado demasiado violento, e seriamente emendado.
Os detalhes do compromisso conseguido são bastante reveladores. O proprietário renunciou ao parque subterrâneo e ao ascensor para automóveis debaixo do pátio de honra. As condutas técnicas serão colocadas sob o sobrado, de forma a não afectar a decoração -alguma assinada Le Brun e Le Sueur. O gabinete estilo século XVII, com o tecto historiado, manterá a chaminé. Não será transformado em casa de banho... mas passará a ter um ascensor para o subsolo.
A galeria neogótica de Jean- Baptiste Lassus, acrescentada no século XIX pelo príncipe Czartoryski e onde se reunia o Paris romântico, com Chopin e Delacroix, será mantida com o aspecto actual. O parapeito do jardim suspenso, que sublinha a curva do rio Sena, não será modificado. Finalmente, menos de 10% das pedras da fachada serão substituídas, e não 40% como estava previsto.
Tudo começara sob os melhores auspícios. Em Julho de 2007, o barão Guy de Rothschild, que habitava o edifício há mais de trinta anos, vendeu-o ao irmão do Emir do Qatar, que consta ser grande admirador da arte francesa. O novo proprietário mostrou-se logo disposto a custear um restauro exemplar, o qual poderia atingir 40 milhões de euros.

Perante a envergadura das obras propostas pelo arquitecto-chefe dos monumentos históricos, a "Comission du Vieux Paris", uma comissão municipal que existe há mais de cem anos, emitiu um parecer desfavorável. Alertado, Bertrand Delanoë, presidente da Câmara de Paris, deu a conhecer as suas reservas. Christine Albanel, na altura ministra da cultura, aceita o projecto, com modificações. Estas são consideradas insuficientes pela associação Paris Histórica, que recorre aos tribunais e obtém satisfação...e assim sucessivamente, até ao compromisso actual.
Os especialistas do património estiveram na primeira linha da contestação, secundados por sumidades das artes e das letras, bem como pelos cidadãos comuns, até conseguirem vencer. A mobilização popular, de todas as origens, conseguiu oito mil assinaturas numa petição. Do simples cidadão até membros da Academia Francesa e a Michèle Morgan, artista famosa que outrora morou no Hotel Lambert, conforme repetem todos os dias os altofalantes dos "Bateaux-Mouches". Pela sua situação, em varanda sobre o Sena, esta obra-prima do Grand-siècle é muito querida dos parisienses..."
Florence Evin, Le Monde, Service Culture f.evin@lemonde.fr
Selecção, tradução e adaptação de António Rebelo (O texto original conta mais quatro parágrafos, que se referem a outra matéria no âmbito do património. O documento pode ser lido integralmente em lemonde.fr)

Os negritos e as imagens são de Tomar a dianteira.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

MAIS UM EXEMPLO DE COMPETÊNCIA - 2


Somos um povo assim. Tanto no país, como sobretudo nas margens do Nabão. Durante a cinzenta e pesada pasmaceira anterior ao 25 de Abril, raríssimos eram por estas bandas os que se sentiam incomodados. Houve o malogrado golpe das Caldas, em Março, reprimido por tropas idas daqui, mas ninguém ligou peva. Porém, logo no 1º de Maio de 1974, milhares de tomarenses desfilaram até à Praça da República, numa gigantesca manifestação. Afinal parece que eram todos resolutamente contra o regime anterior, mas ninguém nunca tinha dado por nada.
36 anos volvidos, estamos na mesma. Anda tudo incomodado com a questão das escutas e com a alegada manobra conspirativa de José Sócrates, para acabar com a liberdade de informação, mas ninguém está interessado em responder cabalmente a perguntas tão simples quanto estas: Algum jornalista já foi morto, preso ou ameaçado fisicamente, em virtude das opiniões que publicou ? Algum jornal foi censurado, apreendido ou encerrado compulsivamente ? Quantas licenças de rádio ou de TV é que o actual governo já anulou ? O cidadão Eduardo Moniz, uma das putativas vítimas da TVI, está agora a ganhar mais ou menos que naquela estação ? Manuela Moura Guedes já deixou de receber pontualmente algum dos seus ordenados ? Por ser primeiro-ministro, Sócrates tem menos direitos de cidadania que os seus concidadãos ? Está-lhe vedado definir estratégias legais, ou comentá-las com amigos, em conversas privadas ? Não foi Marx quem escreveu que nas sociedades capitalistas tudo se compra e tudo se vende ? Se o actual governo vier a ser derrubado ou se demitir, qual é a alternativa ? Novas eleições ? Um governo PSD/CDS/PCP/BE. Com que programa mínimo e para quanto tempo de existência ?
Regressando ao património, aqui está mais uma prova incontroversa de que as lavagens/limpezas degradam seriamente os monumentos. Basta comparar as duas fotos. A de baixo é anterior à limpeza. A de cima é posterior. Os danos são evidentes. Até o nariz do busto do medalhão foi à vida...
Bem mostra o S. Pedro, na foto inferior -É dos livros meus senhores !
Aquando do recente apelo "Salvar a Janela do Capítulo", foram muitos os que deliberadamente se abstiveram de o subscrever, designadamente entre os que integram as variadas instituições locais de índole cultural. Apareceram até posteriormente pessoas com alguma responsabilidade cívica, derivada das suas habilitações superiores e dos cargos que ocupam, a criticar os subscritores.
Querem os leitores apostar que, caso a Janela venha a ser profanada e, como tudo indica neste momento, gravemente mutilada, toda a gente virá então declarar que sempre foi contra a limpeza, e que por acaso até assinou o apelo nesse sentido ?
Pela nossa parte e por agora, apenas mais uma pergunta irritante: Estamos como estamos e nunca mais aprendemos ?

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

MAIS UM EXEMPLO DE COMPETÊNCIA...




Perante nova intervenção dos auto-proclamados defensores do património e adeptos da sua limpeza/lavagem (ver Análise da Imprensa, de ontem), Tomar a dianteira entende que é conveniente ripostar taco a taco. Para evitar quaisquer dúvidas. Dizem eles que temos excelentes especialistas de incontestável competência; que tais especialistas sabem muito bem o que andam a fazer; que somos uns ignorantes de bradar aos céus, com pretensões a saber de tudo, e por aí adiante. Balelas.
Apesar de ser do entendimento geral não haver pior cego do que aquele que não quer ver, nem pior surdo... aqui vai mais um exemplo das barbaridades que por cá vão acontecendo, sem que os cidadãos reajam como conviria. As três fotos acima mostram outros tantos detalhes do portal da Igreja da Atalaia, no vizinho concelho de Vila Nova da Barquinha. Monumento nacional, primeiro templo renascença edificado nosso país, a partir de 1528, certamente obra de João de Castilho, encontrava-se na mesma situação da nossa Ermida da Conceição, sobre a qual já muito se publicou por estas bandas. Sem danos, sem ervas, sem musgos, sem líquenes e sem sujidade. Apenas com a normal patine de quase quinhentos anos de exposição aos elementos. Há porém, ou havia, a aparente abundância de verbas no Orçamento de Estado, com a concomitante ganância e as alcavalas por baixo da mesa. Vai daí, também aquele magnífico templo renascentista "beneficiou" de uma moderna lavagem/limpeza, naturalmente levada a cabo por pessoal competentíssimo e supervisionada por reputados técnicos de incontestável lastro, tanto nacional como internacional. O resultado fala por si e curiosamente nunca ninguém, que saibamos, ousou até agora "levantar a lebre". Nem sequer os alegados especialistas da obra castilhiana. Muito estranho, realmente.
Face a tantas provas indesmentíveis de verdadeiros atentados ao património ao bom senso e à honestidade, os arautos de mais limpezas, entre as quais a da tomarense, portuguesa e universal Janela do Capítulo, insistem em tentar levar a água ao seu moinho, contra ventos e marés. Em mais este desastre, alegarão que as fotos não provam nada, porque afinal aquilo já estava assim, e até muito pior, antes da intervenção. Como no triste caso dos estragos na Ermida da Conceição. Admitamos. Há porém algo que não entendemos. Em cada empreitada de limpeza/lavagem, as propostas apresentadas pelas empresas, para posterior selecção e adjudicação, por ajuste directo, englobam todo um clausulado, no qual figura a obrigação de efectuar adequado levantamento fotográfico imediatamente antes e logo a seguir à conclusão dos trabalhos. Porque será que tais fotos nunca até hoje foram publicadas, ou sequer anunciada a sua existência nos competentes serviços do IGESPAR ? Haverá algo a esconder deliberadamente ? Para proteger quem e/ou o quê ? Afinal, ainda vivemos num Estado de Direito, cujas autoridades e demais servidores públicos respeitam os preceitos constitucionais, entre os quais figura o direito à informação, ou já não ?


sábado, 9 de janeiro de 2010

MUDANÇA DE PLANOS

Escrevemos no post de ontem que iríamos hoje tentar demonstrar que o agora aparentemente inútil aqueduto dos Pegões faz na realidade muita falta. Entretanto houve leitores que se lastimaram de não entenderem muito bem o tipo de construção com a cobertura naquele estado, e de não saberem como são as abóbadas de berço. Desde sempre adeptos da elasticidade mental, resolvemos alterar os planos. Assim, voltamos a falar mais detalhadamente da mãe-d'água da Porta de Ferro, nos Brasões, ficando aquela demonstração para logo à noite. Estamos certos de que os nossos leitores compreenderão, mais a mais tendo em conta o preço da assinatura do nosso blogue, não é verdade ?
Pois aqui temos então a construção já referida, com a abertura de acesso encimada por um frontão triangular. Tem igualmente uma forte e interessante porta de ferro, do princípio do século XVII, tal como o edifício, a qual está permanentemente aberta. Em cima, pode ver-se que duas primitivas frestas foram posteriormente tapadas, certamente para evitar a entrada de aves, designadamente nocturnas, nos tempos idos em que a porta de ferro ainda funcionava.


E aqui temos a abóbada de berço, ou semicircular, neste caso sem caixotões, que estavam muito na moda naquela época. Repare-se que as infiltrações começam a ser importantes, o que nem é de admirar tendo em conta aquele coberto vegetal exterior, onde deviam estar lajes ou telhas. A eventual decoração da abóbada, como acontecia nas outras casas da água (ver post anterior), essa se existiu, há muito que se sumiu.



Com o aqueduto, património do Estado, que o mesmo é dizer de todos nós, ao abandono há décadas, cada qual tem-se amanhado como pode, usando aquela velha máxima segundo a qual "a tropa manda desenrrascar". Lisboa é lá longe, o IGESPAR provavelmente nem sabe que isto existe e a autarquia acha que, não sendo a gestora, também não é nada com ela. Até já aconteceu, há anos atrás, que um pacato cidadão ali da zona resolveu deitar abaixo um troço do aqueduto, para assim poder chegar com o tractor a uma pequena parcela agrícola. Tanto quanto sabemos, a situação mantém-se e nada lhe aconteceu até agora. E também já houve um outro que se veio queixar, numa das reuniões públicas da câmara, de que um vizinho estava a roubar a água do aqueduto. Quando lhe perguntaram como é que sabia isso, respondeu candidamente -É que antes roubava-a eu, mas ela agora já não chega ao "endireito" da minha fazenda... Sem comentários.
Praticamente em regime de autogestão, a água que através do aqueduto devia chegar ao convento e à velha cerca, corre agora em abundância num regato ao lado...enquanto no convento se consome água da rede pública, mesmo para as casas de banho e para regar os jardins. Somos na verdade um "ganda" país. E rico, ainda por cima !

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

HÁ COISAS REALMENTE ESTRANHAS

Este é o magnífico aqueduto dos Pegões, ou Pegões Altos na linguagem popular. Orgulho da freguesia arrabaldina de Carregueiros, sucessora da freguesia de S. Martinho, mais tarde S. Miguel de Porrais, a imponente construção data do chamado período filipino, ou dos reis espanhóis. Foi edificado entre 1596 e 1613, para resolver o problema do abastecimento de água corrente ao Convento de Cristo, naturalmente graças aos rendimentos da opulenta Ordem de Cristo, de longe a mais rica do país. Classificado como Monumento Nacional desde a primeira metade do século passado, é parte integrante do Convento, e infelizmente uma espécie de enteado do IGESPAR, a entidade que administra a antiga casa da ordem. Certamente apenas por desconhecimento, e não por desmazelo ou desprezo, a referida entidade tutelar insiste de forma estranha na ideia de proceder à limpeza/lavagem da Janela do Capítulo, iniciativa cujas vantagens estão por demonstrar, quando no mesmo monumento há situações de bradar aos céus, a necessitar de providências urgentes.


É certo que para os menos conhecedores, o aqueduto já há muito deixou de ter qualquer utilidade para o Convento, até porque a água que nele deveria correr é agora desviada pelo caminho. Trata-se, contudo, de uma visão superficial das coisas, conforme pretendemos demonstrar no próximo post.
Para já, fiquemo-nos por este tristérrimo aspecto parcial do interior da primeira "casa da água", a contar da velha Cerca do Convento. Datada no exterior de 1613, com uma excelente porta em ferro forjado e esta magnífica abóbada em meia esfera que se vê na fotografia, encontra-se há décadas de porta escancarada, à mercê de todos os vandalismos. A antiga e bela decoração pintada, de tipo geométrico, cujos indícios ainda são visíveis, é agora praticamente irrecuperável na totalidade. A própria abóbada, vítima do tempo e da incúria dos homens, um dia destes fará a sua derradeira viagem, rumo ao solo. Seguir-se-ão os habituais lamentos, do tipo "ninguém previa uma coisa destas", ou "eu bem avisei, mas ninguém ligou nenhuma..."

Uns quilómetros mais adiante, a grande casa da água e nascente da Porta de Ferro, junto aos Brazões, uma construção de 1610, com abóbada de berço e um engenhoso sistema de repartição das águas, está neste estado miserável. Parece um edifício colonial abandonado, numa qualquer planície africana ou sul-americana. O que aqui vemos são duas paredes exteriores e a respectiva cobertura. Onde devia estar um telhado de telha romana, ou de canudo, há um autêntico bosque do tipo mediterrânico. Deverá ser o resultado do tal desconhecimento do IGESPAR. O que se compreende. Apesar de relativamente perto do Convento, não há qualquer estrada decente que chegue até aqui. Tem de se andar um bocado a pé, depois de perguntar o caminho à reduzida população local. E em tempo de chuva sujam-se os sapatos, situação sempre aborrecida, já que ninguém gosta de passar por borra-botas. Quanto a sinalização para turistas, nem falar ! Se até na cidade há falta dela, estavam à espera de quê, aqui no meio de uma mata rural, onde os turistas nunca chegam ?


É GUERRA, É GUERRA ! Resposta ao cidadão Veloso

Exemplo de uma recente intervenção, por técnicos credenciados de conservação e restauro, neste caso na Ermida da Conceição
Resolveu o respeitável cidadão Veloso lançar, em CIDADE DE TOMAR, página 23, uma disfarçada catilinária contra os signatários do apelo a favor da preservação da Janela do Capítulo, com o seu aspecto actual de obra de arte com 500 anos. Como fui um dos primeiros signatários de tal documento, sinto-me na obrigação de lhe responder. Entre outras razões, porque fiz e faço parte daquelas centenas de milhares de portugueses que não fugiram. Foram treinados para a guerra e fizeram a guerra em África, muitos sem com ela concordarem, e de manta às costas. Outros tempos, que oxalá não voltem !
Tem o cidadão Veloso a coragem de exercer o seu direito de cidadania, expondo publicamente os seus pontos de vista e assinando, neste caso à cabeça. Louvo-lhe tal atitude. Docente do ensino politécnico tomarense, cuja qualidade é geralmente reconhecida a nível nacional; cujos alunos são, como se sabe, de primeiríssima escolha; e cujos métodos de recrutamento do corpo docente têm constituído um verdadeiro paradigma de transparência e da igualdade de todos os cidadãos perante as leis do país, está o citado cidadão naturalmente acima de qualquer suspeita, em termos de declaração de interesses.
É certo que a empresa IN SITU Conservação de bens culturais, Lda, que foi contratada para a primeira fase da limpeza e tratamento da nave manuelina, por ajuste directo, (o que quer dizer sem concurso público), afirma ter colaboração com o Departamento de Arte, Conservação e Restauro, do Instituto Politécnico de Tomar, onde justamente o cidadão Veloso exerce em parte o seu ofício de historiador encartado. É igualmente verdade que uma das técnicas especialistas da referida empresa, que até apresenta no seu currículo aquela desgraça que foi a intervenção no exterior do Corredor do Cruzeiro do Convento de Cristo, foi baptizada como Maria Madalena Pinto Veloso.
Serão apenas meras coincidências, até porque se acaso fossem outra coisa, o respeitável cidadão Veloso não teria deixado de fazer a sua prévia declaração de interesses, de forma a não induzir os seus numerosos e dedicados leitores em erro, não é verdade ? Simples coincidências, portanto, mas ainda assim pouco ou nada oportunas, mormente quando se escreve, designadamente isto -"Vamos já fazer abaixo-assinados a exigir que os técnicos de restauro se limitem...a olhar".
Se pretendesse ser cruel, diria que em muitos casos, na verdade, se os técnicos de restauro se têm limitado a olhar, os monumentos intervencionados estariam agora bem melhor. E posso apresentar exemplos devidamente documentados. Só o não faço agora para poupar espaço e a paciência dos leitores.
Para além da involuntária baralhação raciocinal do cidadão Veloso, pois o património não existe para dar trabalho aos técnicos, estes é que se formaram para servir o património, só onde e quando seja inquestionavelmente necessário, avultam duas outras questões. No meu modesto entendimento, de mero cidadão apenas alfabetizado, o respeitável cidadão Veloso, até pela sua excelsa formação universitária, em vez de lateralizar a questão num texto vagamente sarcástico, andaria muito melhor se completasse a sua frase "Os monumentos degradam-se:" com uma demonstração e exemplos claros e inequívocos de que tal degradação resulta da pretensa sujidade e, sobretudo, que as projectadas limpezas/lavagens os deixaram ou vão deixar menos degradados e mais protegidos. Como diz o povo ao qual pertenço -Isso é que era obra !
Um último tópico. Não nasci em berço de ouro, bem pelo contrário. Vim ao mundo ali no hospital da Rua da Graça e fui baptizado em S. João Baptista. A minha mãe era lavadeira e nunca foi à escola. Como me formei em Paris, acredito que tal situação incomode seriamente a autoproclamada "boa sociedade" tomarense. Ou pelo menos uma parte. Dito isto, sem ponta de orgulho, mas igualmente sem sombra de vergonha, recuso incluir-me no âmbito da quanto a mim infeliz frase do cidadão Veloso: "Porque nós, os legítimos nativos, é que sabemos !"
Ser tomarense de nascimento e de vivência, poderá não ser uma qualidade. Mas também não é, de certeza, um defeito. Tal como acontece com os metecos, desde que não abusem ! Caso contrário, é como exclamou, a dada altura, a filha do "venerando" -Ora essa ! É guerra, é guerra !
António Rebelo

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

LAVATÓRIO TIPO MULTIBANCO

Na noite de ano novo publicou-se neste espaço um quebra-cabeças com três fotos, de outros tantos motivos tomarenses. Certamente devido à natural euforia daquela noite, ninguém pareceu muito interessado na questão. Antes assim. É sinal de que vão tendo vidas felizes e bastante ocupadas. Em todo caso, pedimos licença para insistir a propósito desta foto. Trata-se do lavatório manuelino da sala do capítulo do Convento de Cristo. Sim ! E depois ?, indagarão os habituais cépticos.



E depois trata-se de um lavatório à portuguesa, ou lavatório tipo máquina multibanco. Dado que na altura, e ainda durante mais um século, não havia água corrente no convento, uma vez que o aqueduto dos Pegões é de 1613, quando os senhores comendadores da Ordem de Cristo, de longe a mais rica do país, pretendiam lavar as mãos ou beber água (o que era bem raro), dirigiam-se a este lavatório. A curiosidade reside no tipo de abastecimento, que não era nenhuma nascente, mas apenas a água previamente despejada pela criadagem na cavidade um pouco acima, do lado direito. Exactamente como nas máquinas multibanco -para sair dinheiro pela frente, alguém tem de previamente alimentar a máquina pelo outro lado. Os senhores autarcas, os senhores técnicos superiores e dirigentes de colectividades, não perderiam nada se meditassem um pouco neste exemplo. Sobretudo numa época em que há cada vez mais eleitores cansados de despejar água para que outros possam beber ou nela lavar as mãos. Como Pilatos ?


quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

QUEBRA-CABEÇAS DE ANO NOVO




Sabe-se que os tomarenses, salvo raras excepções, são cidadãos "bons de boca"; "comem de tudo" e sem dificuldade. Vivem cá, andam por aí, mas não reparam na maior parte das coisas. Então em termos políticos nem se fala. Passa-lhes quase tudo ao lado. Ou despercebido, que dá o mesmo resultado prático. Como contrariamente ao que tem acontecido em anos anteriores, agora quanto menos se repara mais se é prejudicado, vai ser praticamente obrigatório mudar de comportamento. Em 2010 e além, os cidadãos ou abrem os olhos, ou abrem olho e põem-se e jeito. A escolha cabe a cada um.
Tentando ajudar, aqui ficam, com os nossos votos de BOM ANO NOVO, três aspectos da cidade antiga, à vista de toda a gente. Veja se consegue identificá-los e diga-nos.
O primeiro é um telhado ecológico, muito verdejante, mas se calhar menos conveniente em caso de chuva forte. O seguinte é uma chaminé modelo clássico tomarense, devidamente caiada, mas florida; sinal de que nem o inverno obrigou ainda à sua utilização. A terceira é uma fonte muito curiosa, do tipo "máquina multibanco" (depois lhe diremos porquê), que já conheceu melhores dias, visto que agora já não deita água.


INSÓLITOS TOMARENSES - 18

Já aqui se falou daquela casinhota do Mouchão, cuja utilidade ninguém conhece. É por assim dizer uma coisa sem passado nem futuro. Uma simples borbulha provocada pela febre dos fundos europeus.
Hoje apresentamos mais três exemplares, mas estas são de outra estirpe. São muito tomarenses. Tal como a cidade, têm um passado, por vezes brilhante. Não têm é futuro nenhum.
Esta primeira, situada na Mata dos Sete Montes, foi durante muitos anos apoio para o único parque infantil então existente em Tomar. Ao lado havia até um armário metálico com umas boas dezenas de livros para empréstimo, a cargo de uma funcionária municipal, que também vendia refrigerantes. Foi durante o período áureo de Tomar. Vinham as senhoras dos senhores oficiais e outras damas da boa sociedade nabantina passear a descendência, fazer malha e conversar, sempre acompanhadas pelas respectivas criadas de servir, ou sopeiras, devidamente ataviadas com aventais de peitilho...
Foram-se os militares, foram-se esses tempos, foram-se os livros, foi-se a funcionária, foi-se o parque infantil. Já não há sopeiras nem boa sociedade. Apenas alguns tomarenses que ainda julgam que sim. Ficou a chafariz e acrescentaram um contentor, por despejar desde a última festa dos tabuleiros...
Entretanto os adolescentes de ambos os sexos, apesar da liberdade de costumes, continuam a macular espaços com juras de amor que não têm coragem de dizer directamente aos interessados. Os portugueses sempre foram muito desinibidos, e quem sai aos seus...
Outra casinhota municipal, sem futuro mas com passado. Fica na estrada do Convento, do lado direito de quem sobe. Foi em tempos uma mini-estação elevatória. Puxava a então "água da Mendacha" da reduzida rede local até ao Convento, onde era consumida pelo Hospital Militar, pelo Seminário das Missões, pelo Posto Rádio Militar e pela GNR. Tinha até um vigilante permanente, avô de uma funcionária superior da autarquia. Já não há no Convento qualquer daquelas estranhas ocupações (e ainda bem) e o abastecimento de água utiliza agora outras canalizações.


Esta é a benjamim das casinhotas locais. Pertence ao IGESPAR e fica na via de acesso à Ermida da Conceição. A dada altura, um daqueles quadros superiores do organismo lisboeta que tutela o Convento e mais meia dúzia de monumentos, cuidou ser capaz de mudar o mundo. Assim como aquele outro que descobriu o método para fabricar pregos com a cabeça do outro lado...
Pois a pessoa em causa, certamente com vasta experiência em gestão turística, convenceu-se que colocando ali um funcionário do Convento a vender bilhetes a um euro para visitar a capela, iria ser um sucesso. Está claro que não foi. Pois se a maior parte dos visitantes nem à borla lá querem ir...
Ficou a casinhota, a aguardar transporte e melhores dias.



quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

POBRE MATA DOS SETE MONTES !




Mais de uma semana após o temporal, a Mata dos Sete Montes -a antiga Cerca Conventual- está como mostram as fotografias. Praticamente ao abandono, ao Deus dará. Por falta de pessoal, por falta de interesse, por estar demasiado longe de Lisboa e das preocupações governamentais.
Entretanto a autarquia, com fundos da União Europeia, vai requalificar a casa do guarda, as casas de banho, e sobretudo um dos acessos pedonais entre a cidade e o castelo, através da Mata. À excepção das casas de banho, realmente a precisar de urgente reforma, mas que, se se ficarem pelas obras previstas, menos de um ano depois estarão outra vez a precisar de obras urgentes, mal empregado dinheiro ! Mal comparado, é assim como se oferecessem uma gravata de seda natural e uns bons óculos de sol a um indivíduo sem camisa, descalço e com fome...
Já aqui foi escrito diversas vezes que a melhor solução seria voltar a unir, sob a administração da autarquia, a Mata, o Convento, o Castelo e os Pegões. Habituados a depender do pai-estado, através do capataz-governo, e a receberem os respectivos vencimentos com um mínimo de esforço, vários responsáveis alegaram logo (e vão voltar a dizê-lo) que a autarquia não tem vocação, nem estruturas, nem recursos humanos, para se ocupar de monumentos e de parques florestais. E o governo tem ? perguntamos nós. Porque se tem, realmente não parece. Quanto à autarquia, o que falta aos seus dirigentes é humildade, vontade de aprender, apego ao trabalho, apetência por novas soluções, abertura ao mundo. Vocação, estruturas e recursos humanos logo se arranjariam. Mas também concordamos que assim é muito mais confortável para quem ocupa os cadeirões dos paços do concelho. Não se pode ter tudo. Honra e proveito raramente cabem no mesmo saco.


terça-feira, 29 de dezembro de 2009

CONTINUAMOS A TENTAR SALVAR A JANELA


A questão da limpeza/lavagem da Janela do Capítulo continua na ordem do dia, apesar do silêncio reinante e da lamentável atitude da maioria PSD/PS/CDS na Assembleia Municipal. Lá para o final da próxima semana, esperamos ter novidades para os cidadãos realmente amigos da sua terra, para quem o interesse da comunidade está sempre antes da carteira de meia dúzia, ou das opções lisboetas, venham elas de onde vierem.
Entretanto, após esforços consideráveis, graças ao trabalho do fotógrafo aqui do blogue e à ajuda preciosa do piloto do nosso helicóptero, é-nos agora possível apresentar uma perspectiva exclusiva de parte do Convento de Cristo, naturalmente protegida por rigoroso copyright.
Na foto de cima, o Convento visto de noroeste, mostra toda a sua imponência. Na foto de baixo, tirada de uma posição assaz rara, mesmo em helicóptero, no sentido sudoeste/nordeste, vemos no primeiro plano parte do telhado do Claustro dos Corvos, com a edícula circular da escada de caracol, ainda não lavada. No segundo plano, parte do telhado novo do Corredor do Cruzeiro e o exterior da respectiva capela, já depois da tal "limpeza por escovagem". No terceiro plano, o Coro Manuelino, que permite ver a diferença de patine entre as partes já alvo de limpeza/lavagem, e as outras.
Dado que as mesmas causas, nas mesmas condições exteriores, produzem sempre os mesmos efeitos, a Janela do Capítulo e toda a fachada manuelina, caso consigam resistir sem estragos demasiados aos trabalhos previstos, terão depois o mesmo aspecto do exterior da capela do cruzeiro e da torre anexa. Se acham que fica melhor...nós não !
Finalmente, ao fundo, a parte superior da Charola e, do lado esquerdo, os andaimes e plataformas para os tais testes, tendo em vista a limpeza/lavagem da Janela, já aqui referidos em escritos anteriores.
(A foto de cima é d'O TEMPLÁRIO, a quem agradecemos. A outra é de Tomar a dianteira)

sábado, 26 de dezembro de 2009

UMA DESGRAÇA NUNCA VEM SÓ




É do conhecimento geral que cada povo é formatado de determinada maneira, essencialmente pela língua e pelos costumes. O chamado peso sociológico. No caso português, logo nos primeiros séculos da nossa era, um viajante romano deixou escrito que "no ocidente da hispânia vive um povo, os lusitanos, que se não sabe governar nem deixa que o governem". Muitos séculos mais tarde, na primeira metade do século passado, Unamuno, um escritor espanhol, anotou que os portugueses eram um povo de suicidas, não tanto por porem termo à vida mais do que os outros, mas simplesmente porque, mesmo quando avisados de que caminham para o abismo, prosseguem impávidos e serenos a sua marcha.
Nestas condições, não espanta demasiado que em 2009/10 estejamos, aqui em Tomar, numa situação assaz curiosa, em termos de conservação do património e de acolhimento dos turistas. É o caso que, enquanto o IGESPAR, por razões difíceis de descortinar, (ver foto acima) , resolveu mandar limpar/lavar a Janela do Capítulo, com o apoio objectivo da actual maioria autárquica tomarense, e dos que dela dependem; a Câmara adjudicou a empreitada da requalificação do caminho pedestre entre a cidade e o Castelo, pela Torre da Condessa. Esta empreitada inclui igualmente a iluminação do citado percurso, quando é sabido que tanto a Mata como o Castelo/Convento encerram às 18 horas no verão e às 17 horas no inverno, bem como o arranjo da casa do guarda, situada à esquerda de quem entra na antiga Cerca conventual.
Praticamente a dois passos do Convento e da entrada da Mata, o Tanque da cadeira d'el-rei, da primeira metade do século XVII, está conforme documenta a fotografia há mais de dois anos. Na vertente oposta, a Charolinha, edícula renascentista do reinado de D. João III, sofre as agruras do tempo e os atentados dos homens, tudo na indiferença geral. Ambos os monumentos já pertenceram ao Convento, um integrado no sistema de abastecimento de água, o outro como logradoura da Cerca dos Frades, sendo actualmente da responsabilidade do ICN- Parques Nacionais. Perante situações destas, com dinheiro mal gasto nuns lados e a fazer tanta falta noutros, não dá mesmo vontade de bater com a cabeça nas paredes ?

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

ATÉ NOS AÇORES...OBRIGADO AÇORES !

Clique sobre a ilustração para a ampliar.


Graças à boa vontade do Dr. João Simões, ilustre amigo nascido alhures, mas agora tomarense de antes quebrar que torcer, acabamos de receber este apoio ao nosso apelo "Salvar a Janela do Capítulo", que naturalmente agradecemos, com um grande abraço fraterno para o "Expresso das nove" e para todo aquele arquipélago de briosos patrícios nossos, cuja igreja matriz e cabeça foi, durante muitos séculos, Santa Maria dos Olivais, ou Santa Maria de Tomar.
Temos assim que lá longe, em pleno Atlântico, há quem tema pelo futuro do nosso ex-libris, enquanto que pelas bandas da Praça da República... Decidamente, os autarcas que vamos tendo por aqui estão a ficar cada vez mais tremidos na fotografia. Ai estão, estão !

sábado, 19 de dezembro de 2009

S. JOÃO E A PRAÇA ANTES E DEPOIS

Antes, quando o mercado (chamado praça) era atrás da câmara e ainda não havia o Gualdim, era assim. S. João com duas janelas para iluminar as naves, a praça com bancos e árvores frondosas, para dar sombra.


Depois, as árvores foram-se, (davam muito trabalho aos jardineiros ?) as janelas de S. João também e o mercado emigrou para a margem do rio. Veio o Gualdim e o célebre punho da sua espada que, observado da porta principal dos SMAS, é cá um espectáculo ! Tão famoso que até já há turistas (e guias turisticos !!!) a mostrarem a coisa do lado do Pepe. Não percebem nada, mas que importa ? O que interessa no mundo moderno é poder dizer "Eu estive lá e vi !". Mesmo quando não viram nada...


quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

A CHAROLA E O RELÓGIO, ANTES E DEPOIS

Antes de 1937, a Charola do Convento de Cristo tinha este aspecto exterior, aqui numa fotografia de Silva Magalhães, da última década do século XIX.


Em 1937, especialistas alemães que vieram restaurar o castelo, concluíram que a velha igreja-mãe dos Templários estava em perigo. A torre sineira, que é posterior, ameaçava ruína e, se isso viesse a ocorrer, arrastaria na queda grande parte do próprio templo. Foi então decidido consolidar a estrutura da torre, mediante uma nova estrutura em cimento armado, que assim foi usado pela primeira vez em Portugal no restauro de monumentos. A implantação da armação de ferro a cobrir posteriormente com massa de cimento (a que agora chamamos betão), implicou a retirada do relógio (ver mais abaixo). Ficou apenas o respectivo mostrador.
Já depois de 1974, os mesmos especialistas que mandaram retirar o telhado da cúpula de S. Gregório e as capelas laterais de Santa Maria dos Olivais, acharam que o mostrador do relógio estava a mais, visto que já não havia relógio. Era assim uma espécie de nódoa, do mesmo tipo da sujidade da Janela do Capítulo. E o mostrador, que já não era o do século XVI, desapareceu.


Resta-nos agora, devidamente preservado numa das muitas salas do Convento, o maquinismo do dito relógio, idêntico ao que ainda hoje existe e funciona na Igreja de S. João Baptista. Pelo menos até que os habituais especialistas não se dêem conta de que o templo é do reinado de D. Manuel, mas o relógio foi mandado colocar por seu filho D. João III. Quando se derem conta, lá se vai o relógio, uma vez que não é coevo da construção da torre sineira. Lagarto! Lagarto! Lagarto!



segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

SANTA MARIA ANTES E DEPOIS...

Aqui vemos o aspecto actual da Igreja de Santa Maria dos Olivais, ou Santa Maria de Tomar, após a obras integradas nos arranjos da Ponte do Flecheiro.


E aqui a mesma Igreja, numa fotografia de 1927. Nos anos 40 do século passado, adoptou-se o princípio de que tudo o que não era da época da edificação principal, devia ser eliminado. Tivemos sorte nunca terem aplicado tal doutrina ao Convento de Cristo. Caso contrário, teria ido tudo abaixo, menos a Charola e as muralhas do Castelo. Ele há cada uma...


INSÓLITOS TOMARENSES - 15


Fica ali no Padrão, na margem do Nabão, um pouco antes do Acampamento Pascoal, no sentido Lisboa Tomar. É uma magnífica árvore, de grande porte, certamente multicentenária. Julgo que é um carvalho cerquinho, mas não estou 100% seguro. Será melhor perguntar a especialistas. Além da envergadura fora do comum, tem um tronco curioso, primeiro bifurcou e depois os dois voltaram a unir-se, dada a compatibilidade da seiva.
Como se pode ver, é de geração espontânea e nunca foi devidamente cuidado. Não seria agora tempo de cuidar um pouco deste exemplar excepcional ? Afinal quem é que cuida das margens do Nabão ? Ninguém ?

Outro aspecto da vegetação espontânea em Tomar. Neste caso num dos projectores junto à Ermida da Conceição. A mostrar que tudo aquilo é devidamente inspeccionado periodicamente. Salvo erro...


sábado, 12 de dezembro de 2009

AS VONTADES MUDAM COM O TEMPO

Foto A



Foto B



Foto C


As três fotos acima documentam três épocas, três vontades colectivas, três modos de agir sobre a envolvência. A foto A mostra-nos a Ermida da Conceição por volta de 1900. Com os sinais dos séculos. Até a parte superior direita -o exterior da cúpula e o pequeno terraço, concluídos apenas na primeira metade do século XIX, já tinham adquirido praticamente a mesma pátina das restantes paredes em pedra.
A foto B permite-nos constatar que 100 anos após a primeira, o aspecto exterior da capela se mantinha praticamente idêntico. Com os mesmos tons nos mesmos locais. Como que a contrariar os que afirmam que o tempo suja os monumentos. Bem ao contrário. Dá-lhes carácter, personalidade, o aspecto da idade em suma. Algo que até hoje ainda ninguém conseguiu imitar.
Talvez por isso, quiçá contra essa evidente incapacidade, os homens tenham resolvido que, esteticamente, bem lavadinho, e bem caiadinho quando necessário, é que é bonito. Exactamente o aspecto da fotografia. De um ano para o outro, o multicentenário monumento funerário nunca utilizado de D. João III rejuvenesceu alguns séculos. Parece agora uma capela contemporânea, concluída o ano passado e num estilo a imitar os antigos gregos e romanos.
Azar dos azares para os arautos da limpeza/lavagem dos monumentos, agora é que a parte caiada está mesmo suja, e isso nota-se. Façam o favor de a voltar a caiar, que assim está uma vergonha. Afinal querem ou não querem limpeza ? Ou o que pretendem realmente é "limpar" os fundos de Bruxelas ?