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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

CENAS TRISTES E INÚTEIS

 Foto 1 - Local de estacionamento da carrinha, antes do início das obras (Foto Rádio Hertz)



Foto 2 - À esquerda, o local de onde foi removida a carrinha
Foto 3 - Aspecto actual do hediondo paredão, vendo-se o alambor tapado por plásticos

Foto 4 - Imagem insólita, algures nas obras paradas

Foto 5 - Aspecto da futura cafetaria, onde como se vê, não anda ninguém a trabalhar (a foto foi tirada ontem às 15 horas)

Foto 6 - Outro aspecto das obras para edificação do paredão, vendo-se os efeitos das primeiras chuvas

Foi uma cena triste, digna de um daqueles famosos filmes neo-realistas italianos, dos anos 60 do século passado. Meteu polícia e tudo. Como se houvesse a mais ínfima hipótese de cenas de violência. Tudo num alarde de autoritarismo inútil, violento e desumano. A câmara ordenou a remoção da carrinha-quiosque, estacionada junto ao Castelo dos Templários há mais de 30 anos, que nunca incomodou ninguém. Pelo contrário. Até prestava serviço aos turistas, guias e motoristas. Inclusivamente, incomodada por tanto desmazelo e cansada de ouvir as queixas dos visitantes, a dona da carrinha limpou e cuidou durante muitos anos das retretes da Cerrada dos Cães, fornecendo mesmo  papel higiénico, sabonetes e toalhas. Sem nunca pedir um subsídio à autarquia, dona das instalações...
Sabedores de tudo isto e também do facto incontroverso de que a carrinha não interferia minimamente com as obras, uma vez mudada para onde agora estava (foto 2), os vereadores Luís Ferreira e Pedro Marques tentaram, na recente reunião do executivo, evitar um desfecho tão lamentável. Lembraram que os donos da carrinha estavam dispostos a chegar a um "acordo de cavalheiros", mediante o qual tudo continuaria como estava até ser conhecido o resultado do futuro concurso para a concessão da exploração da cafetaria, conforme foi decidido numa reunião camarária anterior. Pois não senhor! É pra tirar, é pra tirar!
Lindo serviço! E agora? As obras continuam praticamente paradas, com apenas dois ou três trabalhadores e uma máquina a funcionar, para ir entretendo até mais ver, que a reunião dos credores do empreiteiro está marcada só para Janeiro e há salários em atraso. E a família, que até agora vivia dos rendimentos do quiosque  instalado na carrinha? Terá de ir roubar para comer? Ou a autarquia vai começar a abonar-lhes um subsídio de alimentação?
Entretanto, o problema dos acampamentos ciganos do Flecheiro, onde já "vivem" quase 200 pessoas (entre as quais 5 inválidos), continua a incomodar todos os moradores daquela zona, devido à insalubridade, aos maus cheiros (não há retretes públicas, pelo que os ciganos se aliviam ao ar livre e onde podem...), às ocasioais cenas de violência e ao barulho durante a noite. Mas aí nem os autarcas eleitos nem as chefias tomam qualquer decisão. O que se compreende. Como diz o povo, com toda a razão, "Quem tem cu, tem medo!" e aquela gente é tradicionalmente violenta e vingativa. 
Por isso, como oportunamente disse Corvêlo de Sousa, numa tirada entrementes já célebre na urbe, "Trata-se de um problema urgente, que já se arrasta há mais de 30 anos." Agora que decidiram mandar retirar pela força a carrinha junto ao Convento, que não incomodava ninguém, é de supor que  esteja para breve a resolução definitiva do problema do Flecheiro, que incomoda tanta gente. Mas se calhar estou a ver mal...