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terça-feira, 23 de agosto de 2011

Até ao lavar dos cestos...

No reduzido meio político citadino tem-se por adquirido que a actual maioria coligada, que domina mais ou menos a autarquia, irá até ao fim do mandato, em Janeiro de 2014. Tenho as minhas dúvidas e boas razões para as ter. Desde logo porque antes do fim do corrente ano haverá nova versão da Lei das autarquias locais, a qual, em conformidade com os compromissos assumidos para com a troika, comportará obrigatoriamente a) - Redução de chefias, b) - Redução de pessoal, c) - Redução de despesas, d) - Simplificação acentuada dos circuitos burocráticos. Incluirá também, como é lógico, maior controlo do governo na área das despesas, dos empréstimos e das contratações, tanto mais que o primeiro-ministro já foi assaz explícito ao afirmar que o governo tenciona ir além do exigido pela troika.
Numa câmara sem perspectivas geradoras de futuro e singularmente endividada como a de Tomar, cujo défice crónico medra à média de 1,5 milhões de euros por mês, o clima de implacável austeridade que vai caracterizar 2012 e 2013 pode bem representar algo de insustentável. Sendo certo que alguns membros do executivo não conseguem sequer entender cabalmente a situação de certa forma caótica em que agem, por nítida falta de utensilhagem teórica e de ausência de vontade de a adquirir, outros há (um ou dois) que já perceberam o essencial: A autarquia está praticamente falida (tal como a Madeira) e portanto atada de pés e mãos. Segue-se que, quando e se perceberem que assim é, os habituais fornecedores e prestadores de serviços do município, antevendo que nunca poderão ser pagos em tempo razoável, passarão a trabalhar apenas com dinheiro à vista. Fatal como o destino! Sem consumíveis, sem fornecedores de serviços e sem funcionários motivados, que poderão fazer os integrantes da actual maioria coligada?
Acresce que, por herança sociológica que seria inadequado esmiuçar aqui, todos temos uma ou mesmo várias "costelas manuelinas": não ligamos às principais características de uma dada situação, mas adoramos empolar um ou outro detalhe. Veja-se o caso dos militares que em boa hora tiveram a coragem de desencadear um golpe que veio a culminar numa mudança de regime. Ao cabo de 12 anos de guerra em condições extraordinariamente difíceis e perigosas, os capitães não se agregaram para exigir reforços humanos ou materiais, para obter aumento do soldo ou sequer para reivindicar a abertura de negociações com o inimigo. Conluiaram-se tendo como único ponto de partida o caso dos "capitães espúrios", os milicianos que nunca tendo seguido o cursus normal da academia, estavam então a começar a ultrapassar os do quadro permanente na escala de promoções. O resultado é conhecido de todos.
Da mesma forma, é meu entendimento que daqui até ao lavar dos cestos, no final de 2013, algo de importante na área política terá de acontecer em Tomar. Sob pena de voltarmos a perder o comboio da história. Que só passa uma vez em cada estação...