Quis o senhor vereador Luís Ferreira, (já fora de horas, ainda por cima), ter a para nós imerecida bondade de nos honrar com um comentário ao rascunho do orçamento autárquico e grandes opções do plano, para o corrente ano. Agradecemos penhoradamente e, se nos fosse permitido, ousaríamos sugerir que os outros membros do executivo tivessem a coragem de descer do palanque imaginário em que julgam estar, acedendo a explicar aos ignaros eleitores as suas posições partidárias e/ou pessoais. Dito isto, que já não é nada pouco, vamos ao principal.
Com as habituais dificuldades, que nesta terra e neste país são quase nenhuns os que gostam realmente da transparência, apesar de muitos garantirem o contrário, (basta ler o primeiro parágrafo da página 4 do orçamento, por exemplo), lá conseguimos obter um exemplar do citado documento. Desta vez sem suporte electrónico, provavelmente para evitar fugas. Se era isso, falharam outra vez.
Primeira surpresa, o dito rascunho não tem as páginas numeradas. É estranho e dificulta a análise, mas é assim. Tomar a dianteira numerou as páginas da cópia, de 1 a 19, começando naturalmente na Introdução.
Outro aspecto pitoresco é que tudo indica estar o sr. vereador Luís Ferreira equivocado, ao referir que "durante os debates...será possível ficar claro...". Na verdade, o próprio documento, página 1, refere que a legislação em vigor estabelece dever o executivo "elaborar a proposta de orçamento e apresentá-la à Assembleia Municipal para que esta a aprove..." Qual debate, qual carapuça ! Essas coisas só servem para perder tempo e moer a paciência a cada um. Alguma dúvida a este respeito ? O documento esclarece, na página 4: "Impomo-nos trabalhar com comedimento." Sem demasiado alarido, portanto. Logo, quanto menos debates, melhor !
Mas as curiosidades não se ficam por aqui. Antes de abordar os erros tácticos, estratégicos e de prospectiva, Tomar a dianteira muniu-se de lápis e papel e foi aos números, para detectar eventuais erros formais, daqueles do nível do ensino básico antigo, no fim do qual os alunos sabiam, pelo menos, "ler, escrever e contar em português, com correnteza". Ainda será o caso ?
Vamos então a eles, aos erros formais ou de palmatória. A primeira infografia (gráfico de colunas, se preferem) da página 6 não é certamente deste orçamento. Mostra, como total de receitas correntes, 30.892.034, quando na página 10 é referido que a mesma receita corrente ascende a 32.697.560. Afinal em que ficamos? 30 milhões? Ou 32 milhões ? Dois milhões de euros é muita fruta !
Para complicar um pouco mais a questão, a infografia da página 11 fornece um terceiro total para as receitas correntes: 30.902.034. Sempre é uma diferençazita de 10 mil euros = dois mil contos.
Mas os lapsos deste tipo começam logo na página 4, onde se indica um valor global orçamentado de 61.181.o80, total que depois é representado na infografia da página 5. Todavia, na página 6, como já vimos acima, o total representado é de 57.631.136, por acaso (?) uma quase capicua.
Finalmente, por agora, a infografia da página 17 é algo enigmática. Apresenta 26.739.102 de receitas de capital, das quais 8.550.ooo de venda de bens de investimento, mas depois o texto apenas especifica um montante previsível de 4.754.355, referente à eventual alienação do Convento de Santa Iria + Colégio Feminino, bem como de algumas fracções do prédio municipal da Alameda 1 de Março. Os outros quase 4 milhões virão de onde ? Simples contabilidade mobiladora ? Não convém exagerar, meus senhores, que a situação é séria. E muitos eleitores já há muito que não andam de barrete até às orelhas...Nem usam óculos partidários.
PS: Já nos ia a escapar que a infografia da página 17 - Despesas de capital, também não coincide com o total apresentado na página 18. Somando os dados da infografia, obtemos 33, 224,234, quando adiante se indicam 33.198.653. Mais um enganozito de 25,581, se não nos equivocamos.
Bem sabemos que estas coisas são muito complexas, mas também é certo que com os dinheiros públicos todo o cuidado é pouco...
Com as habituais dificuldades, que nesta terra e neste país são quase nenhuns os que gostam realmente da transparência, apesar de muitos garantirem o contrário, (basta ler o primeiro parágrafo da página 4 do orçamento, por exemplo), lá conseguimos obter um exemplar do citado documento. Desta vez sem suporte electrónico, provavelmente para evitar fugas. Se era isso, falharam outra vez.
Primeira surpresa, o dito rascunho não tem as páginas numeradas. É estranho e dificulta a análise, mas é assim. Tomar a dianteira numerou as páginas da cópia, de 1 a 19, começando naturalmente na Introdução.
Outro aspecto pitoresco é que tudo indica estar o sr. vereador Luís Ferreira equivocado, ao referir que "durante os debates...será possível ficar claro...". Na verdade, o próprio documento, página 1, refere que a legislação em vigor estabelece dever o executivo "elaborar a proposta de orçamento e apresentá-la à Assembleia Municipal para que esta a aprove..." Qual debate, qual carapuça ! Essas coisas só servem para perder tempo e moer a paciência a cada um. Alguma dúvida a este respeito ? O documento esclarece, na página 4: "Impomo-nos trabalhar com comedimento." Sem demasiado alarido, portanto. Logo, quanto menos debates, melhor !
Mas as curiosidades não se ficam por aqui. Antes de abordar os erros tácticos, estratégicos e de prospectiva, Tomar a dianteira muniu-se de lápis e papel e foi aos números, para detectar eventuais erros formais, daqueles do nível do ensino básico antigo, no fim do qual os alunos sabiam, pelo menos, "ler, escrever e contar em português, com correnteza". Ainda será o caso ?
Vamos então a eles, aos erros formais ou de palmatória. A primeira infografia (gráfico de colunas, se preferem) da página 6 não é certamente deste orçamento. Mostra, como total de receitas correntes, 30.892.034, quando na página 10 é referido que a mesma receita corrente ascende a 32.697.560. Afinal em que ficamos? 30 milhões? Ou 32 milhões ? Dois milhões de euros é muita fruta !
Para complicar um pouco mais a questão, a infografia da página 11 fornece um terceiro total para as receitas correntes: 30.902.034. Sempre é uma diferençazita de 10 mil euros = dois mil contos.
Mas os lapsos deste tipo começam logo na página 4, onde se indica um valor global orçamentado de 61.181.o80, total que depois é representado na infografia da página 5. Todavia, na página 6, como já vimos acima, o total representado é de 57.631.136, por acaso (?) uma quase capicua.
Finalmente, por agora, a infografia da página 17 é algo enigmática. Apresenta 26.739.102 de receitas de capital, das quais 8.550.ooo de venda de bens de investimento, mas depois o texto apenas especifica um montante previsível de 4.754.355, referente à eventual alienação do Convento de Santa Iria + Colégio Feminino, bem como de algumas fracções do prédio municipal da Alameda 1 de Março. Os outros quase 4 milhões virão de onde ? Simples contabilidade mobiladora ? Não convém exagerar, meus senhores, que a situação é séria. E muitos eleitores já há muito que não andam de barrete até às orelhas...Nem usam óculos partidários.
PS: Já nos ia a escapar que a infografia da página 17 - Despesas de capital, também não coincide com o total apresentado na página 18. Somando os dados da infografia, obtemos 33, 224,234, quando adiante se indicam 33.198.653. Mais um enganozito de 25,581, se não nos equivocamos.
Bem sabemos que estas coisas são muito complexas, mas também é certo que com os dinheiros públicos todo o cuidado é pouco...



