O texto do "Acordo de partilha da gestão municipal em Tomar", assinado pelo PSD e pelo PS, não contempla o caso das freguesias. Houve uma versão inicial que incluía a expressão "extensivo às freguesias", que contudo não consta da versão efectivamente subscrita. Causa por isso algum espanto aquilo que aconteceu ontem na sede da Junta de Freguesia de S. João Baptista. Na freguesia com a torre mais alta do concelho, alguns resolveram enveredar pela política mais rasteira que conseguiram encontrar.
Os factos. Nesta freguesia, os IpT foram a formação mais votada, nas recentes eleições para a junta, com 5 eleitos. O PSD, que anteriormente dirigia a junta, obteve igualmente 5 eleitos. Os socialistas conseguiram dois, e a CDU um. Na primeira reunião formal da Assembleia de Freguesia, realizada ontem à noite, por força da lei, o cabeça de lista dos IpT tomou posse como presidente daquele órgão autárquico. Todavia, quando se tratou de escolher os restantes lugares, a lista apresentada pelos IpT, sem qualquer elemento dos minoritários, foi rejeitada com 5 votos a favor e 8 contra.
Tornou-se assim evidente estar-se perante uma situação de política videirinha. Apesar daquilo que se pode ler no acima referido acordo de coligação, salvo a representante da CDU, ninguém mais na oposição deu mostras de se preocupar minimamente com as reais aspirações dos tomarenses. Após vários e prolongados conciliábulos, não foi possível conseguir qualquer entendimento prévio, tendo sido marcada uma nova reunião da assembleia, para o próximo sábado. Agastados com tal estado de coisas, há quem já fale abertamente de renúncia colectiva, a qual a verificar-se teria de ser imediatamente seguida de nova eleição. Outros, mais ponderados, julgam ainda poder conseguir um entendimento na próxima ocasião. tanto mais que os IpT estão de acordo para viabilizar uma lista PS noutra freguesia.
Entretanto, não se vê bem com que intuito, para além da vingança mesquinha, o estrénuo defensor da legalidade republicana, Luís Ferreira, mentor e motor do PS/Tomar, resolveu escrever no "twitter" e publicar no seu blogue "vamos por aqui" "Pedro Marques de vitória em vitória até à derrota final." É uma frase indigna da parte de um vereador em exercício a tempo inteiro, que não atingindo o visado, envergonha os eleitores e não credibiliza de modo algum o seu autor. Os eleitos livremente pelo povo tem todos igual dignidade, que deve sempre ser respeitada, para além das naturais divergências políticas. Além disso, a época dos jogos de berlinde começa só o mês que vem. Ou pelo menos começava, quando eu andei na escola da Várzea Grande. Mas como o Mundo evolui cada vez mais rapidamente...
