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segunda-feira, 12 de julho de 2010

ESPECULAÇÕES...

Se houvesse necessidade de caracterizar a opinião pública nabantina com uma só frase, seria "incapacidade total para se adaptar ao mundo em que vive". É patente que a actual maioria autárquica nunca governou, não governa, nem tenciona vir a fazê-lo. Limita-se a gerir "biscates" candidatados ainda por António Paiva, os quais, dado que a conjuntura local, nacional e internacional entretanto mudou radicalmente, tendo passado sucessivamente das vacas gordas às magras, e destas aos ossos de vaca, deixaram de fazer qualquer sentido, dando de barato que alguma vez fizeram. É igualmente claro, para o reduzido meio jornalístico local, que no PSD há dois grupos que se guerreiam. Um, bastante reduzido, obedece à batuta de Miguel Relvas. O outro, liderado por José Delgado, ganhou recentemente as eleições locais e domina a secção tomarense. Os "relvistas" continuam a achar que não há qualquer alternativa ao actual elenco maioritário coligado. Os "delgadistas", pelo contrário, consideram que já houve demasiados erros, pelo que é tempo de mudar de alcaide e de, logo que possível, provocar o fim da coligação.
Pressionado a colocar o lugar à disposição, Corvêlo de Sousa continua a resistir. Como já demonstrou não ter meios para governar, só um detalhe pode justificar a sua teimosia -a necessidade de, antes de abandonar, conseguir tempo de serviço suficiente para uma reforma confortável.
Dizendo-se sucessivamente enganados pelo actual presidente, "delgadistas" desabafaram, em tom irritado, que a proeminência de Relvas na actual direcção laranja é doravante o principal obstáculo a vencer, pelo que urge conseguir alterações locais, antes que seja a 2ª personalidade do futuro governo laranja, com Paiva num ministério técnico. Tudo isto caso o PSD consiga vencer as futuras eleições antecipadas com maioria absoluta. Sabe-se, no entanto, que em política como no resto, é sempre muito arriscado contar com o ovo no oviduto da dita...
Face a tudo isto, gente a mando, ao mesmo tempo que vai indagando pela cidade quais seriam os bons cabeças de lista em futuras autárquicas, susurra que tudo não passa de especulações sem sentido, pois a actual maioria relativa completará normalmente o mandato. Afinal em que ficamos? Se são apenas especulações, para que querem saber quais seriam os melhores cabeças de lista? Normalmente as eleições deverão ter lugar apenas no final de 2o13. Não será prematuro andar já à procura de candidatos?
A realidade parece assim pouco lisongeira para os tomarenses em geral. Manifestamente incapazes de se adaptarem aos tempos que correm, cuidam que o Mundo parou algures no passado, onde aguarda que resolvam as suas trapalhadas, para então retomar a sua marcha. Vai daí, como na verdade a evolução é cada vez mais acelerada, até já começam a não saber mentir em condições. Fazem-no tão mal que se topa à légua. Após a má-língua, após o bota-abaixo, após os críticos encartados, arranjaram agora essa da especulação. Mas que especulação ? Os factos relatados não são verdadeiros? As argoladas da actual maioria não têm sido evidentes? Têm alguma solução global para os próximos três anos? Têm algum programa coerente e adequado aos novos tempos?
Parafraseando um conhecido incitamento, em tempos escrito na Barragem do Alqueva, quando esta ainda estava praticamente em gemas -Expliquem-se porra!!! Deixem-se de tretas!!!

domingo, 8 de novembro de 2009

OS FACTOS E A OPINIÃO

Desenganem-se os ferrenhos adeptos das duas forças políticas que presentemente governam a câmara. E deixem-se de paranóias. Ninguém persegue os vossos amados eleitos, nem exerce deliberadamente aquilo a que as senhoras e os senhores em questão apodam erradamente de má-língua. A situação económica local é suficientemente grave -e a economia condiciona tudo o resto- para se perder tempo com tais ninharias inglórias.
No que nos diz respeito, trata-se apenas de mostrar factos incontroversos e sobre eles emitir opiniões fundamentadas, naturalmente sujeitas a erros de perspectiva, como tudo o que é humano. Por exemplo, dizendo que, tal como o governo, a câmara tomarense também tem a mania de viver acima das suas posses, estamos apenas a alertar para uma situação evidente. Realmente, se a autarquia nabantina não gastasse sitematicamente mais do que aquilo que recebe, para que seriam os sucessivos e consideráveis empréstimos?
Pois a partir daqui, enquanto os tais adeptos ferrenhos, geralmente ignorantes que se desconhecem, consideram que está tudo bem, pois não havia outra solução, nós opinamos que a situação é insustentável a curto/médio prazo, pelo que é forçoso buscar e encontrar outra maneira de viver. Que isto na política, na economia ou na medicina, não é como no futebol. No futebol, ganhe quem ganhar, aconteça o que acontecer, a vida continua tal como anteriormente, salvo para alguns dirigentes, treinadores ou jogadores. Pelo contrário, na economia, na política ou na medicina, um simples acto insuficientemente ponderado pode vir a provocar a morte do paciente. Repentinamente, a curto, médio ou longo prazo.
A actual situação tomarense parece-nos extremamente grave, não só porque insustentável, como já foi dito, mas sobretudo porque os nossos eleitos parecem persuadidos de que tudo se há-de resolver com umas aspirinas (empréstimos), enquanto não se ultrapassa a crise e volta a fartura. Acontece que, sem novas políticas, nunca mais se conseguirá ultrapassar o actual marasmo económico, dado que a época das farturas, do crescimento a 3% ao ano, é coisa do passado, que nunca mais voltará.
O reputado economista e ex-ministro Hernâni Lopes, é muito claro sobre este assunto: "A Europa foi condicionada pelo que se pode designar como uma "ilusão de óptica". A expectativa de que o seu crescimento excepcional nas três décadas que se seguiram à segunda guerra mundial poderia continuar por tempo indefinido. Justificava-se que, no pressuposto de que essa expectativa se iria confirmar, se instalassem dispositivos de políticas sociais e programas de despesas públicas que garantiam a segurança de estilos de vida libertos da necessidade de se preocupar com a formação de poupanças, para satisfazer o tradicional motivo de precaução.
...De facto, a taxa média de crescimento anual registada na Europa e no mundo ao longo de séculos, não justifica a expectativa de se poderem prolongar por um tempo indefinido os valores obtidos entre 1945 e 1975..."
(Hernâni Lopes, A economia no futuro de Portugal, páginas 74/75).
Convém ainda acrescentar dois factos agravantes. Por um lado, devido à nossa especificidade política na Europa do pós-guerra, a fartura proveniente do crescimento económico iniciou-se entre nós só no final dos anos 60 e acentuou-se nos anos a seguir ao 25 de Abril, com a economia "puxada" pelo consumo interno, vindo a esmorecer com a entrada na moeda única. Por outro lado, a tradicional morosidade lusitana é particularmente evidente em Tomar, onde apesar de vivermos uma situação económica desgraçada, os nossos autarcas fazem de conta que está tudo bem, que não é nada com eles, que não há nada a fazer, bastando ir aguentando para que tudo acabe por se resolver.
Nestas condições, quando finalmente forem obrigados pelo agravamento da envolvência sócioeconómica a tomar medidas, já as características da presente crise terão evoluído, pelo que as medidas que neste momento seriam correctas já estarão ultrapassadas. Aqui fica o aviso, para o que considerarem conveniente.