Se houvesse necessidade de caracterizar a opinião pública nabantina com uma só frase, seria "incapacidade total para se adaptar ao mundo em que vive". É patente que a actual maioria autárquica nunca governou, não governa, nem tenciona vir a fazê-lo. Limita-se a gerir "biscates" candidatados ainda por António Paiva, os quais, dado que a conjuntura local, nacional e internacional entretanto mudou radicalmente, tendo passado sucessivamente das vacas gordas às magras, e destas aos ossos de vaca, deixaram de fazer qualquer sentido, dando de barato que alguma vez fizeram. É igualmente claro, para o reduzido meio jornalístico local, que no PSD há dois grupos que se guerreiam. Um, bastante reduzido, obedece à batuta de Miguel Relvas. O outro, liderado por José Delgado, ganhou recentemente as eleições locais e domina a secção tomarense. Os "relvistas" continuam a achar que não há qualquer alternativa ao actual elenco maioritário coligado. Os "delgadistas", pelo contrário, consideram que já houve demasiados erros, pelo que é tempo de mudar de alcaide e de, logo que possível, provocar o fim da coligação.
Pressionado a colocar o lugar à disposição, Corvêlo de Sousa continua a resistir. Como já demonstrou não ter meios para governar, só um detalhe pode justificar a sua teimosia -a necessidade de, antes de abandonar, conseguir tempo de serviço suficiente para uma reforma confortável.
Dizendo-se sucessivamente enganados pelo actual presidente, "delgadistas" desabafaram, em tom irritado, que a proeminência de Relvas na actual direcção laranja é doravante o principal obstáculo a vencer, pelo que urge conseguir alterações locais, antes que seja a 2ª personalidade do futuro governo laranja, com Paiva num ministério técnico. Tudo isto caso o PSD consiga vencer as futuras eleições antecipadas com maioria absoluta. Sabe-se, no entanto, que em política como no resto, é sempre muito arriscado contar com o ovo no oviduto da dita...
Face a tudo isto, gente a mando, ao mesmo tempo que vai indagando pela cidade quais seriam os bons cabeças de lista em futuras autárquicas, susurra que tudo não passa de especulações sem sentido, pois a actual maioria relativa completará normalmente o mandato. Afinal em que ficamos? Se são apenas especulações, para que querem saber quais seriam os melhores cabeças de lista? Normalmente as eleições deverão ter lugar apenas no final de 2o13. Não será prematuro andar já à procura de candidatos?
A realidade parece assim pouco lisongeira para os tomarenses em geral. Manifestamente incapazes de se adaptarem aos tempos que correm, cuidam que o Mundo parou algures no passado, onde aguarda que resolvam as suas trapalhadas, para então retomar a sua marcha. Vai daí, como na verdade a evolução é cada vez mais acelerada, até já começam a não saber mentir em condições. Fazem-no tão mal que se topa à légua. Após a má-língua, após o bota-abaixo, após os críticos encartados, arranjaram agora essa da especulação. Mas que especulação ? Os factos relatados não são verdadeiros? As argoladas da actual maioria não têm sido evidentes? Têm alguma solução global para os próximos três anos? Têm algum programa coerente e adequado aos novos tempos?
Parafraseando um conhecido incitamento, em tempos escrito na Barragem do Alqueva, quando esta ainda estava praticamente em gemas -Expliquem-se porra!!! Deixem-se de tretas!!!
