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sábado, 8 de maio de 2010

MOLHAR A SOPA

Foto 1: Relva disponível; coisa rara em pleno Congresso da sopa.

Foto 2: Cerca da uma e meia da tarde, não havia muita gente a entrar.

Foto 3: Eventual novo modelo de açude no Nabão -Em S e com taipais em vez da tradicional rama de pinheiro consolidada com areia.

Foto 4: Aspecto de uma das bilheteiras, junto aos correios. Era uma e um quarto.

AZAR DOS AZARES !!! Já não bastavam a perfídia, a maledicência mais torpe, o elitismo mais atroz, a mesquinhez, o provincianismo, o dogmatismo atávico, os dislates e o desespero [que] deve ser muito grande, para usarmos os precisos termos do nosso vereador da cultura e do turismo, senhor Luís Ferreira (Também conhecido nos meios locais por "Ferreira dos foguetes", "Ferreira das bandeirolas", "Ferreira do avental" ou "Ferreira das farturas"). Até o senhor S. Pedro, ou lá quem manda nestas coisas do sol, do vento e da chuva, resolveu portar-se como qualquer tomarense que se respeita, e vá de molhar a sopa. A nós não nos pareceu nada mal, por dois motivos principais, a saber: 1 - Molhar a sopa é o que vamos procurando fazer todos os dias em Tomar a dianteira. "Dentro de lo que cabe", como diriam os nossos vizinhos; 2 - Há mais de dez anos que advogamos outro local para o Congresso da Sopa, baseados no princípio europeu de conceber sempre dois cenários possíveis, consoante o estado do tempo. Acontece que nunca fomos ouvidos, em virtude de um princípio sagrado entre os autarcas nabantinos -Primeiro é preciso ser candidato, depois ser eleito, e só então se passa a ser ouvido e a ter razão. Fora disso, cidadão só serve para votar e para pagar. Sobretudo para pagar.
Consequência de tal linha de pensamento, houve muito pouca gente na edição deste ano do Congresso da Sopa, por causa da chuva. A mesma doença que vitimou o então já muito conhecido Carnaval de Tomar, há mais de vinte anos. Passam os anos repetem-se as asneiras.
Abstraindo o problema meteorológico, cabe registar a habitual organização tomarense, muito eficaz e pontual. O açude está por acabar. Ficou aos SSS. E tem taipais, em vez de areia, erva seca e rama de pinheiro, como é usual. Se calhar toda contente, a velha roda cheia de remendos, vai fazendo como os trabalhadores tomarenses -ora trabalha, ora está parada. Cansa menos e rende o mesmo. Bem dizem os analistas anglo-saxões da Reuters: "Até pode ser que os PIGS (Portugal, Itália, Grécia e Espanha) retomem a costumeira indolência". É no que dá o turismo estrangeiro. Vêm cá, observam os indígenas em plena vida quotidiana e zás-catatrás! Não perdoam uma ! O Gualdim é que os topa, mas moita carrasco! Nem ai nem ui. O silêncio dos séculos!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

ADAPTAR-SE AOS NOVOS TEMPOS...

O mais recente mordomo da Festa dos Tabuleiros é um cidadão honrado, probo e poupado, como de resto o foram e são outros cidadãos seus antecessores no cargo. Quanto aos Tabuleiros, são a Festa Grande de Tomar e está tudo dito. Não se trata portanto de escarnir seja em quem for ou no que for. Somos todos tomarenses e todos queremos o melhor para a nossa terra e para os nossos conterrâneos. É esse o espírito deste comentário.Procurar contribuir para a mudança, para o aperfeiçoamento e para mais honra e proveito para Tomar e os tomarenses, que são cada vez menos.
Disse João Victal recentemente, conforme já aqui foi referido, que não concorda com entradas pagas para se ver o cortejo, por se tratar de uma festa religiosa, do espírito santo. Tendo razão, Victal está no nosso entender a encarar mal o problema. Estará na mesma posição do célebre Monsieur Jourdain (desconhecido em Portugal), que toda a vida escreveu prosa e morreu convencido que escrevia poesia...
Antes de mais, é indispensável referir que os organizadores da festa dos tabuleiros sempre se foram adaptando aos tempos. Já foi quando Deus queria, já foi de três em três anos, já foi festa das colheitas, já foi cortejo de oferendas, já foi festa dos imperadores, já teve lugar sem ruas populares ornamentadas, já se realizou sem jogos populares. O actual figurino é basicamente o das festas de 1950, igualmente conhecido como o "modelo João Simões".
É claro que se trata de uma celebração profana, que a igreja adoptou, pelo que é realmente, desde há séculos, uma festa religiosa. E aqui aparece o primeiro problema. Tratando-se de uma festa religiosa católica e sendo a autarquia obrigatoriamente laica, porque o Estado que a tutela também o é, a que título se envolve nos mais variados sectores da referida celebração, a começar pela Comissão Central, à qual preside enquanto tal ? Estando em causa a cada edição avultados fundos provenientes do erário público, não se perderia nada em esclarecer devidamente e de uma vez por todas esta questão. Antes que os não católicos comecem a queixar-se que os seus impostos...
Além disso, o facto de se tratar de uma celebração de índole religiosa não justifica nem obsta a que possa proporcionar no final um saldo transaccionável tão confortável quanto possível. Abundam os exemplos de actos religiosos católicos que proporcionam lucros. A Semana Santa em Sevilha, a Hospedaria dos Monges, no mosteiro de Guadalupe, Espanha, o tapete rolante do santuário de Guadalupe, México, o bingo no subsolo das igrejas católicas americanas e/ou canadianas... Pois, pois ! Entre os países mais desenvolvidos, o Estado só tem a mania que é rico aqui em Portugal. Nos outros não há dinheiro público para financiar festas ou outros devaneios. Por isso estamos como estamos e somos como somos.
Nesta conformidade, aqui em Tomar, se houver coragem e espírito aberto ao diálogo franco e fraterno, a nossa Festa Grande ainda poderá vir a constituir, a médio e longo prazo, um dos quatro pilares do nosso turismo e do nosso futuro. Que todos queremos mais risonho que o presente. Ou não ?