As quatro fotografias supra são mais uma pequena ilustração do drama tomarense -Não há dinheiro para o essencial, mas não faltam verbas para o supérfluo. Dos casos aqui documentados, um é rural, o outro urbano.
Comecemos pelo rural. A estrada entre Asseiceira e Linhaceira levou uma camada de asfalto (o mais fina possível, para gastar menos massa). As tampas das caixas de visita dos colectores e as das caixas das torneiras de segurança, ficaram tapadas. Veio o pessoal da autarquia, com planta e picareta e vá de pôr as tampas novamente à vista. Em qualquer outro país europeu, ou em qualquer autarquia bem organizada e respeitadora dos direitos elementares dos eleitores, logo a seguir teriam vindo os pedreiros, para colocar as tampas ao nível do novo pavimento. Aqui, porém, o tempo passa e nem sinalização adequada e obrigatória, nem ditos nem modos. Sempre o mesmo desprezo pelos cidadãos, excepto quando se trata de lhes sacar os votos. As populações lá se vão queixando, como neste caso, pois Tomar a dianteira não adivinha, mas a resposta é sempre a mesma: dentro em breve, logo que possível, no momento oportuno. Tudo = a "estamos aflitos com falta de verbas disponíveis, os encargos cada vez são mais e as receitas cada vez menos."
Sendo assim, o mais racional seria procurar poupar o mais possível, sobretudo naqueles sectores não fundamentais (cultura, desporto, assessorias, horas extraordinárias, outsourcing, leasing, renting,etc). Pois não senhor. As outras duas fotos, tiradas às 8 da manhã, mostram a fila de cidadãos séniores que se pretendem inscrever para mais uma passeata/comezaina/tintol/bailarico, à custa dos contribuintes, como habitualmente. Desta vez parece qe o destino é Alcobaça e estão previstos 16 autocarros = 800 e tantas pessoas. Vai ser uma alegria! E depois já houve ou ainda vai haver mais outra função igual, também à custa dos contribuintes, mas organizada pelas respectivas juntas de freguesia. É a chamada caça ao voto, sem vergonha nem um mínimo de decoro.
Alguns dos que estavam na fila até foram dizendo que é tudo gente doida, que não têm dinheiro para obras, para o pavilhão da Linhaceira ou para acabar o Largo do Pelourinho, mas têm para estes passeios. Perante o nosso espanto, logo foram acrescentando: "A gente não tem culpa nenhuma. Eles oferecem e a gente vai, porque é de borla. Se não vamos vão outros."
Outra vez a milenar lógica dos ladrões -Se não roubo eu, roubam os outros, por isso o melhor é despachar-me enquanto há. Parafraseando o saudoso António Variações: Quando a cabeça não tem juízo, o povo é que paga. E depois queixem-se!
