sexta-feira, 17 de agosto de 2012

A "democratização" da mesquinhez

"Uma das consequências mais negativas da actual crise foi estimular  entre os portugueses a manifestação dos sentimentos mais baixos. A inveja, a insídia, o despeito, o prazer da delação e da denúncia, tudo isso veio ao de cima. E as redes sociais derem a esse fenómeno um gigantesco impulso.
Na internet circulam textos abomináveis, onde o azedume, a insatisfação e a má-criação dão as mãos. E sendo hoje a contaminação entre os media muito rápida, esse espírito doentio alastrou à imprensa popular, que gosta de explorar os dramas humanos. E da imprensa popular à imprensa de referência foi um pulo. Para não falar nas televisões, cujos conteúdos se aproximam às vezes perigosamente do jornalismo tablóide.
Neste momento, já quase todos os media entraram no jogo. As notícias mesquinhas -ou uma forma mesquinha de tratar as notícias- multiplicam-se por toda a parte. É o fulano que foi contratado por ser filho, sobrinho, irmão ou afilhado do político A ou do empresário B, como se os familiares de políticos ou de empresários tivessem de ficar no desemprego. É o gestor que ganha "uma fortuna" -e escarrapacha-se na primeira página do jornal (ou mesmo no ecrã da TV) o que o fulano ganha (sem se perceber se é bruto ou líquido, se inclui ou não prémios ou subsídios, etc), tudo como se fosse um crime ganhar bem. É o órgão de soberania que compra carros "de luxo" (que frequentemente são carros bons mas correntes), etc. etc.
Muitas destas notícias são verdadeiras, embora possam ser pouco rigorosas. Mas não é isso que está em causa. O que está em causa é a forma como são apresentadas, procurando despertar reacções mesquinhas. Tentando estimular sempre o lado mais baixo de quem lê ou ouve.
Claro que em tempo de crise se exige equidade, repartição de sacrifícios, sentido de justiça. E o governo e os líderes das empresas têm de ter, em alto grau, este cuidado e esta sensibilidade. Só que as reacções violentas que se observam não têm muitas vezes que ver com a indignação respeitável face a iniquidades ou injustiças. Têm que ver com a dimensão menor do ser humano. Até porque muitos daqueles que usam as redes sociais para fazer as suas denúncias, registar as suas críticas ou desencadear os seus ataques, não são os mais necessitados, os mais sacrificados ou os mais fracos. São simplesmente os menos bem formados.
Nuns manifesta-se a ganância -porque embora ganhando razoavelmente, lhes "roubaram" um subsídio ou uma regalia, de que nem precisavam muito. Noutros vem ao de cima o despeito, porque acham que o colega foi menos sacrificado do que eles no emprego, ou o vizinho do lado comprou um carro melhor do que o seu. É conhecida a história do americano que vê passar um carrão na avenida e diz: "Um dia hei-de ter um carro igual àquele!", enquanto o português chama nomes ao condutor.
Não precisamos de ser tão ambiciosos como os americanos, mas com uma mentalidade mesquinha não vamos a lado nenhum. O espírito "denunciante" não nos levará longe. Se passarmos a vida a olhar para o lado, em vez de olharmos para nós (o que posso eu fazer mais e melhor?), se preferirmos invejar o vizinho em vez de lutarmos pelo que queremos, não conseguiremos nada.
Até pelo seguinte: muitos daqueles que hoje mais criticam, mais denunciam, mais atacam, mais se indignam, são os que amanhã, se tiverem oportunidade, pior farão. Porque, em geral, não o fazem em nome de sentimentos superiores, mas de impulsos inferiores. Em geral, não querem a elevação do país; querem que o país rasteje ao nível da sua mediocridade. Em geral, não têm sentido de justiça; têm simplesmente inveja. E a inveja torna as pessoas piores."

José António Saraiva, Política a sério, SOL, 17/08/2012, página 2

APELO URGENTE!!!

Apelo urgente a todos os tomarenses de boa vontade

Peço, rogo, suplico, imploro a todos os meus conterrâneos de boa vontade, a começar pelos eleitos e funcionários superiores da autarquia, que façam o necessário para remediar a triste situação que adiante se descreve. Está em causa o bom nome e até a sobrevivência do turismo nesta já tão desgraçada terra. Já não basta protestar. É necessário fazer. Quanto antes melhor.

Foto 1 - Bifurcação do Casal do Láparo, acesso poente ao Convento.

 Foto 2- Estrada Venda da Gaita - Algarvias, esta manhã.

Foto 3 - Largo Infante D. Henrique. À direita a Estrada do Convento, principal acesso ao monumento.

 Foto 4 - "Parque" de estacionamento no terreiro da antiga Messe de Oficiais.

Foto 5 - Estacionamento na Várzea Grande.

Estamos perante um verdadeiro atentado contra o turismo local. Involuntário, produto do usual deixa-andar, do progressivo abandalhamento da actuação da autarquia, mas nem por isso menos grave para a nossa reputação como cidade de turismo, de gente ordeira, trabalhadora e amante da sua terra. Vamos aos factos.
Desde a semana passada que voltou a ser possível chegar ao Convento de Cristo pelo seu principal acesso, a Av. Vieira Guimarães, vulgo Estrada do Convento. Infelizmente, a evidente falta de coordenação (ou o desleixo?) provocou o lindo serviço que está agora à vista de todos. Um autocarro de turismo que chegue com um grupo para visitar o Convento, não tem por onde lá chegar, a menos que não respeite o código da estrada.
Tanto pelo acesso da Venda da Gaita (Foto 2) como pelo das Algarvias, o resultado é este (foto 1). Tem de virar o rabo ao macho e procurar outro caminho.
Chegado ao cimo da Rua da Graça, ao Largo Infante D. Henrique, depara-se-lhe o documentado na foto 3: Trânsito proibido a veículos de peso superior a 3,5 toneladas, conforme placa do lado direito. Resta-lhe portanto "despejar" os clientes, indicar-lhes o caminho pedonal, garantir-lhes que não é longe e marcar-lhes uma hora para os vir recolher.
Depois terá de ir à procura de um lugar para estacionar, o que não é nada fácil para um veículo de mais de 11 metros de comprido. No terreiro da Messe de Oficiais? Nem pensar. Está sempre cheio. Na Várzea Grande? Era bom era. Se houvesse.
Dirão os habituais bajuladores e outros lambe-botas de serviço que se trata apenas de garantir que os turistas viajando em grupo organizado vêm à cidade. Não há dúvida que assim é. Mas onde está então o transporte alternativo para o Convento?
Perante isto, faça algo pela sua terra. Alerte, avise, previna, mande fazer, faça. O mais depressa possível. É indispensável e urgente tapar os sinais, no mínimo até ao fim de Agosto. Para vergonha já chega e basta! E eu quero continuar a acreditar nas virtudes das gentes da terra nabantina!

A GRÉCIA MAFIOSA

O jornalista do LE MONDE Yann Plougastel conversou em Atenas com Petros Markaris, 75 anos, "grego de origem arménia, nascido em Instambul (Turquia) e educado em Viena (Áustria), onde estudou economia, autor de peças de teatro, tradutor de Brecht e de Goethe, guionista para a TV e argumentista de cinema, foi ele que escreveu a maior parte dos filmes de Théo Angelopoulos, recentemente falecido. É igualmente encenador, autor de livros policiais, com largas tiragens tanto na Grécia como na Alemanha, e comentador político muito reputado no seu país."
Eis alguns excertos da referida conversa:
"Para ele a crise económica actual mais não é que o resultado da crise do sistema político e esta tem as suas raízes nos anos 80, a partir do momento em que os governantes gregos resolveram sacar o dinheiro europeu. Os responsáveis são sobretudo os membros da nova geração do PASOK (Partido Socialista Grego), que chegou ao poder em 1981: "Destruiram este país. Queriam edificar uma nova Grécia, servindo-se de uma fraseologia de esquerda e falharam. Os que eram sérios e rigorosos retiraram-se então, para proteger a sua reputação. Os outros tornaram-se políticos profissionais. Fizeram grandes negociatas graças ao sistema montado, ou conseguiram empregos bem remunerados no topo da burocracia estatal."
"Actualmente, Petros Markaris, escondido atrás das suas considerações sarcásticas, é um cidadão muito descontente e sem papas na língua: "O Estado grego é a única mafia do mundo que conseguiu falir... ...Trata-se de um monstro que não funciona. A única hipótese de o reformar é destruí-lo", diz em tom amargurado este homem que ousou resistir à ditadura dos coronéis e presidiu durante muito tempo à Sociedade Grega de Escritores. Considera-se profundamente de esquerda e pró-europeu, mas não se reconhece no PASOK nem no  SYRIZA, a esquerda radical liderada por Alexis Tsipras.
A terminar recordou-nos, em tom fatalista, um milenar provérbio grego: "Qualquer situação vai sempre melhorando à medida que se vai agravando."

Le Monde, 15/08/2012, página 11

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Análise da imprensa regional de hoje


"Câmara de Tomar pediu autorização para usar terreno que afinal lhe pertencia", titula O MIRANTE na primeira página. Refere-se ao local antes ocupado pela Messe de Oficiais, que fora cedido pelo município em 1921, com uma cláusula de reversão: Quando deixasse de ser ocupado pela messe de oficiais retornaria à posse da edilidade.
Convém esclarecer que não se trata de caso virgem. Ainda recentemente o executivo, dois anos após o encerramento compulsivo do mercado municipal pela ASAE, requereu a esta entidade autorização para entrar no edifício, com o fim de determinar as obras de requalificação a efectuar. Pelos vistos, apesar de dispor de juristas nos seus quadros e da avença mantida com o advogado síndico, os senhores autarcas desconheciam que, em conformidade com as leis em vigor, designadamente o direito de propriedade, sempre tiveram livre acesso aos pavilhões, que em virtude da interdição da ASAE apenas não podem funcionar como mercado, antes de nova inspecção.
É por estas e por outras, relatadas em textos anteriores, que quando me perguntam de onde sou, começo a ter tendência para dizer que "de próximo de Fátima". Só quando insistem é que ainda me falta a coragem para renegar esta minha amada terra, e lá digo, algo tolhido: Sou de Tomar, mas aquilo ultimamente está muito mal...



No CIDADE DE TOMAR, o mais importante não vem no semanário. Fortemente atingida pela crise, a empresa proprietária está em sérias dificuldades, agravadas pelas assinaturas em atraso e as dívidas dos anunciantes, bem como pela forte redução da publicidade, tudo devido à recessão. Daqui resulta haver salários em atraso há cinco meses, com alguns casos mais dramáticos de casais em que ambos trabalham na sociedade. Segundo as últimas informações, está prevista para a próxima semana uma reunião dos três administradores com todos os empregados, para lhes expor a ingrata conjuntura e as várias saídas possíveis, todas elas bastante gravosas. Tomar a dianteira pode avançar com segurança que até já se encara a hipótese de venda do jornal, bem como despedimentos a muito curto prazo.


Além dos habituais faits-divers, a especialidade da casa, O TEMPLÁRIO desta semana inaugura, graças ao seu director, uma era de interpretação das leis e outras normas em vigor. Na sequência do triste episódio protagonizado por Alexandre Lopes, o responsável do semanário acha que "Mal seria dos jornais se, cada vez que alguém é criticado num artigo de opinião, tivessem de, previamente,  ouvir o visado para este se defender. Nunca tal se viu na imprensa, só na cidade de Tomar. O respeito pelo contraditório aplica-se no jornalismo em geral, mas nos casos de artigos de opinião, se alguém se sentir ofendido, pode defender-se através do direito de resposta..." (Página 8) Lindo, não é? 
Temos assim que um director de jornal, licenciado em comunicação social e docente do ensino superior, parece ignorar o básico da sua arte. E ler pouca imprensa de qualidade.  Para ele, se bem entendi, "O respeito pelo contraditório aplica-se no jornalismo em geral, mas nos casos dos artigos de opinião", nem pensar. Donde resulta que qualquer fulano pode livremente caluniar, difamar, mentir, ofender, que a vítima do dislate só poderá defender-se depois do mal feito e consumado, porque lido por todos. Será isto respeitar a lei e os costumes?
Ademais, no final do mal amanhado texto da semana passada, pode ler-se que o mesmo fora antes censurado pelo jornal CIDADE DE TOMAR. Se o director do TEMPLÁRIO se tivesse dado antes ao trabalho de cumprir com o tal direito ao contraditório, teria bastado um telefonema para a redacção do jornal dirigido por António Madureira para constatar que se tratava de uma falsa acusação. Vir agora pretender que a dita calúnia  é da responsabilidade de Alexandre Lopes, tem algo de angélico, sabido como é que o director é sempre co-responsável por todo o conteúdo do jornal.
Ou muito me engano, ou tudo isto ainda terá de vir a ser objecto de debate em sede de poder judicial. Para tirar dúvidas, que as autárquicas são já o ano que vem e não é nada saudável confundir crítica política com má-língua, ou textos de opinião, com peças caluniosas e violadoras dos garantias básicas de qualquer cidadão, designadamente o respeito pela intimidade da vida privada, ou o direito ao bom nome e à reputação, todos deliberadamente violados pelo estrambótico texto alexandrino. Com a cumplicidade objectiva do director do periódico. Aguardemos.

Estátuas vivas?

Com o já famoso Festival Bons Sons a iniciar mais uma edição, para a qual, segundo informação colhida no local, já foram vendidos 45 mil bilhetes, o que só pode resultar da  inquestionável categoria daquela realização numa simples aldeia do concelho, o próximo evento cultural de relevo será o citadino  Festival de Estátuas Vivas, no próximo mês.
Organizado pela Câmara Municipal, o acontecimento beneficia de um orçamento avantajado -80 mil euros do QREN e 20 mil da autarquia. Quer-me parecer que é muito dinheiro, 20 mil contos para um espectáculo sem retorno directo, uma vez que não há entradas pagas. Posso porém estar a ver mal, influenciado pelo meu espírito tacanho, de quem ao longo da vida sempre procurou governar-se sem recurso ao crédito nem aos subsídios. Adiante...
Onde tenciona o executivo ir arranjar os 20 mil euros = 4 mil contos para a dita festança, é para mim um mistério, sabido como é que não há orçamento aprovado, nem perspectivas de vir a haver. Mas pronto, siga a dança, pagando os do costume. Através do orçamento nacional ou das verbas europeias. O problema vai ser no próximo ano -e logo quando estão previstas eleições autárquicas: ao que consta, a participação do QREN foi concedida apenas para três anos, pelo que... E então agora, com cada vez mais apertos e com as verbas europeias a serem reorientadas para actividades empresariais geradoras de valor acrescentado directo, não sei como vai ser. Mas estou convencido de que a vereadora Rosário Simões, que dirige a coisa, terá de certeza uma solução na manga. Só falta saber qual. Aguardemos.
Em todo o caso, é para mim penoso constatar que, cidadãos outrora arautos de uma sociedade mais livre, mais justa e mais fraterna, estejam agora reduzidos a contestar a política governamental imposta pela troika, abstendo-se cuidadosamente de enunciar alternativas. Preferem ir enumerando as tristes consequências da austeridade. 
Só o adorável Tozé Seguro, paradoxalmente cada vez mais inseguro, é que arrisca avançar com um simulacro de alternativa, consubstanciado na já célebre fórmula marqueteira "Há outro caminho!" Pois há. O problema é que não temos recursos para ir por aí, uma vez que passa por aumentar a despesa do Estado, com incentivos para aqui e mais para acolá. Decerto sabedor disso, o aparelho PS resolveu pôr alguma água na fervura, esclarecendo que no fundo se trataria do mesmo caminho imposto pela troika, mas percorrido mais devagar. O que implicaria mais juros e mais capital circulante = mais negociações e mais custos.
Em resumo, o problema continua a ser de mentalidades. Enquanto na Europa do Norte há acordo societal para desencadear o crescimento graças à redução dos custos de produção (como ousou fazer o governo alemão do SPD em 2001), aqui pelo sul continuamos a acreditar que sem uns volumosos incentivos estatais, nada feito. E como não há dinheiro em caixa para isso, a oposição vai continuando a reclamar medidas de crescimento. Como festivais de estátuas vivas, por exemplo; ou elefantes brancos tipo Levada, que nem dentro de dez anos estará concluído. Somos assim e pronto. Música!

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Mais uma empreitada para inglês ver e para estragar dinheiro

Foto 1- Estado actual da ligação da Estrada do Convento à rampa de acesso ao ex-Hospital Militar. Ao fundo vê-se a Porta de S. Tiago.

 Foto 2 - Estado actual da futura cafetaria do parque de estacionamento da Cerrada dos Cães.

Foto 3 - Outro aspecto das obras da futura cafetaria, vendo-se uma das entradas das previstas instalações sanitárias.

Foto 4 - A esquerda o paredão já cortado na altura e duas caixas de visita. À direita o alambor primitivo, tal com foi encontrado e gravemente danificado. A foto é desta manhã. Ignora-se qual virá a ser a solução encontrada para salvaguardar a herança templária.

Foto 5 - Aspecto do talude a consolidar, para instalação do parque para autocarros. O empreiteiro desta 2ª fase depois de ter examinado o projecto inicial, exigiu que o mesmo fosse revisto, recusando-se a iniciar os trabalhos antes disso acontecer...

A recente reabertura ao trânsito da Estrada do Convento, após quase ano e meio de interrupção, levou várias pessoas a deduzir que o essencial da obra estava concluído. Nada disso porém, como bem mostram as fotos supra. Por enquanto não há casas de banho, nem estacionamento para autocarros, nem cafetaria. Apenas um remedeio, a testemunhar que foi pior a emenda que o soneto.
Antes do início da empreitada, ligeiros e autocarros circulavam nos dois sentidos sem qualquer problema. Agora os autocarros apenas podem subir. Antes do início da empreitada, havia casas de banho na Cerrada dos Cães, agora ainda não há. Antes do início da empreitada, estacionava-se à borla, doravante o estacionamento será tarifado a 80 cêntimos/hora, anunciou o presidente Carrão, acrescentando que é "para acelerar a rotação". Rotação para onde?
Perante isto, cabe perguntar: Afinal estas obras vieram melhorar o quê? Pergunta tanto mais pertinente quanto é certo que já temos um longo rosário de onerosas asneiras, que levam alguns visitantes a fazer chacota. Eis alguns exemplos: A barraquinha inútil do Mouchão; o abandalhamento do Mouchão; a destruição do sistema de rega alimentado pela roda, que era gratuito e não poluente; a substituição da tradicional ponte de madeira Mouchão-Estádio por uma metálica e inestética ponte marreca, inutilmente sobre-elevada; a destruição das casas de banho do Mouchão; a destruição das bancadas, da relva natural e dos balneários do então estádio, agora simples campo de treinos de 5ª categoria, com bancada provisória e balneários pré-fabricados; a empreitada do pavilhão municipal multi-usos, que no fim de contas para pouco serve, devido a erros de projecto; as obras sem projecto inicial do Elefante branco da Levada; a 3ª edição das obras da rotunda da Ponte Nova; a edificação do paredão-mijatório, cuja utilidade ainda ninguém conseguiu explicar, apesar da promessa autárquica de que viriam dois arquitectos para esse efeito. Os senhores do executivo que me desculpem, mas sempre ouvi dizer que o que é demais, parece mal.
Ainda por cima, depois de há cerca de duas semanas ter sido noticiado o roubo de parte da rede de iluminação do Castelo dos Templários, soube-se agora, graças a declarações da senhora directora do monumento, que a 2ª fase da obras de Requalificação da envolvente ao Convento de Cristo, actualmente em curso, contempla uma nova iluminação. Há cada coincidência! Querem ver que os gatunos do cobre também já dispõem de eficazes serviços de informação?!?! Era só o que nos faltava!!!

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Agora?!

Noticia o site O TEMPLÁRIO  que a câmara decidiu dar por finda a concessão da Estalagem de Santa Iria, situada no Parque Municipal do Mouchão. A meu ver, trata-se de uma decisão em relação à qual é possível tecer duas perguntas assaz diversas: 1 - Só agora?! 2 - Agora?!

1 - Só agora?!

Poderá causar azia nalguns estômagos mais sensíveis, mas a verdade é que a concessão da Estalagem de Santa Iria constitui mais um exemplo do conhecido deixa-andar camarário. Tanto quanto se sabe, desde a altura em que se procedeu à requalificação do Mouchão e da respectiva ponte, ainda com Paiva na presidência, que a concessionária deixou de pagar à autarquia, na sequência de um pedido nesse sentido, fundamentado no facto de a ponte não permitir o trânsito de veículos. Situação estranha, uma vez que o acordo de cedência inclui as instalações, a decoração, o mobiliário e todo o restante equipamento. Nem há mesmo a certeza sobre quem paga a água e a luz. A concessionária? A autarquia? A palavra aos membros do executivo...
Há também fundado receio de que o acordo de concessão actualmente em vigor não acautele devidamente os interesses do município, devido à sua deficiente formulação jurídica. 
Perante estas dúvidas e restante problemática, impõe-se a pergunta -Só agora?! 

2 - Agora?!

Numa outra vertente, resolver dar por terminada uma concessão, a pouco mais de um ano do final do mandato, pode ser interpretado de diversas maneiras. Pode tratar-se apenas de tentar mostrar trabalho, de evitar previsíveis imbróglios futuros, de acautelar os interesses da concessionária ou de sacanear por antecipação o futuro executivo. Qualquer que seja a hipótese a reter, é óbvio que tal decisão aparece no actual contexto como extemporânea, uma vez que, com a usual celeridade da autarquia, no caso mais favorável teremos novo acordo de concessão lá para meados do próximo ano. A quatro meses do final do mandato. Será isso justo? Uma vez mais, a palavra aos membros do executivo. No qual, convém lembrar, a oposição é maioritária. Não parece, mas é!

Actualização em 15/08/2012

Não falhar a leitura do excelente, muito útil e oportuno comentário do vereador Luís Ferreira. Numa linguagem simples e objectiva desfere aquela que será porventura das maiores, mais eficazes e mais diplomáticas "machadadas" no actual executivo. Que bem merece, de resto!