sábado, 3 de novembro de 2012

Líder precisa-se!

Sob o título "Falta um salvador", Vasco Pulido Valente aborda na sua crónica de hoje no PÚBLICO a trama política dominante na capital. Na sua opinião, a nata pensante lisboeta busca afanosamente um líder político, susceptível de desencadear  uma experiência semelhante à italiana: Um governo de salvação nacional, liderado por um primeiro-ministro consensual, capaz de conseguir maiorias na Assembleia da República com a sua actual composição, à imagem do italiano Mário Monti.
O conhecido comentador acrescenta que, enquanto Mário Soares parece acalentar alguma esperança, há entre os alfacinhas preferência por Ramalho Eanes e o desejo difuso de que ninguém se lembre de Jorge Sampaio. Em qualquer caso todos ex-presidentes, com mundo e carreira feita, mas sem bagagem económica, ao contrário de Monti.
Há três semanas, o ex-vereador socialista António Alexandre defendeu, num texto no CIDADE DE TOMAR, uma posição semelhante à que agora, segundo VPV, provoca debate em Lisboa. Na sua opinião, Tomar tem necessidade de um líder que nunca houve, como única via para recuperar a importância perdida. Tratou-se portanto de uma manifestação clara de apurado olfacto político, dote infelizmente bem raro por estas bandas e cuja carência bastantes estragos tem provocado.
Numa altura em que o PS local acaba de anunciar que escolherá o seu cabeça de lista numa reunião a ter lugar no dia 24 de Novembro, talvez não seja despiciendo anotar que, tal como  a Itália, também Tomar teria muito a ganhar com um líder tipo Mário Monti: Com experiência internacional, com Mundo, com bagagem económica, com capacidade para gerar consensos, com envergadura cultural, sem filiação partidária e sem necessidade de fazer carreira ou conseguir benesses.
Fica o apontamento, para o caso de naufragarmos nos próximos tempos, que o mar vai estar bem agitado nos próximos anos e não tem pé marítimo quem quer, mas só quem pode.

Estacionados no tempo

Tomar, Novembro 2012

Um bulício urbano de se lhe tirar o chapéu...

Recusa obstinada

"Limpem os mostradores dos vossos relógios; estão atrasados em relação ao nosso tempo."

                                                                                                      Alexandre Soljénitsyne

"Há mais de três décadas que Tomar e os tomarenses se instalaram na recusa, que o mesmo é dizer na negação da realidade, logo por eles qualificada de pensamento único. Há três décadas que edificam uma bolha política e intelectual para se colocarem fora do mundo actual. Que recusam adaptar-se às grandes transformações do capitalismo e do sistema geopolítico, dominado pela mundialização e pela crescente potência dos países emergentes. Que concluíram um acordo tácito para evitar não só atacar os problemas daí resultantes, mas até de reconhecer a sua existência ou   debatê-los, refugiando-se na utopia ou numa história mitificada. Que cultivam ideias falsas para justificar o statu quo e iludir as reformas que todos sabem indispensáveis, mas cuja responsabilidade ninguém quer assumir."

Acabo de citar o economista francês Nicolas Baverez na sua obra mais recente "Réveillez-vous", publicada há três semanas nas Editions Fayard, Paris, página 11. Limitei-me a substituir "França e os franceses" por "Tomar e os tomarenses". Mas podia usar também "Portugal e os portugueses", ou até "a Europa e os europeus do sul". Quer isto dizer que estamos perfeitamente alinhados com o que de mais retrógrado existe por esse país e por essa Europa fora. O que até nem seria grave, como nunca foi até agora, se não se desse o caso de doravante os habituais financiadores do regabofe lusitano e tomarense exigirem garantias reais devidamente fiscalizadas para nos continuarem a aturar. Os instalados farão o favor de se ir habituando à ideia, que a crise continua, infelizmente cada vez mais forte, a exigir quanto antes amputações e despromoções, muito dolorosas mas condição sine qua non para manter o animal vivo. Faço-me entender?



sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Acordem !!! 

A imprensa regional noticiou há duas ou três semanas que os comboios internacionais Lusitânia Expresso e Sud  Express deixavam de parar em Fátima-Chão de Maçãs-Vale dos Ovos e passavam a parar em Caxarias. Tanto bastou para desencadear mais uma mini-tempestade nabantina. O presidente da Sabacheira cumpriu a sua obrigação, protestando; a câmara debateu o assunto e o presidente Carrão foi recebido pela direcção da CP. Cereja em cima do bolo, os comentadores semanais da Rádio Hertz abordaram a questão, conforme pode ser lido aqui.
Tanto barulho para nada! Antes de mais, convém precisar que apenas o Sud Express deixou de parar em Fátima, uma vez que o Lusitânia nunca lá parou, pela simples razão que circulava por Abrantes. Só a partir da recente remodelação do serviço, que passou a ser operado pela RENFE, (caminhos de ferro espanhóis), os dois expressos passaram a circular acoplados, separando-se em Medina del Campo, com o Lusitânia a seguir para Madrid e o Sud para Paris. A esta primeira inverdade segue-se outra ainda mais grave: ao invés do que acontecia nos anos 50 e 60 do século passado, quando até havia na estação de Fátima autocarros de ligação dos comboios ao Santuário, actualmente a estação de Vale dos Ovos é praticamente irrelevante para o turismo nacional e internacional, devido à generalização do automóvel e do avião.
Há apenas uma excepção, sem grande peso de resto -os utilizadores do Inter Rail, também conhecidos entre nós por mochileiros, caracóis ou turistas de pé descalço. Que um anterior presidente da câmara nabantina pretendia afastar de Tomar, para dar lugar ao turismo de luxo. Feitios!
Acontece contudo que os mochileiros têm em geral pouco dinheiro mas não são desprovidos a nível cabeçal. De forma que em geral viajam devidamente instruídos por publicações especializadas. Eis a principal para os francófonos:



Resulta da ilustração que se trata da edição para 2008, logicamente elaborada e impressa em 2007, com dados recolhidos nesse mesmo ano ou em 2006. Em qualquer caso, há mais de 5 anos. E que diz o guia, na página 336? Isto: "Fátima - Cuidado, a estação ferroviária fica a 17 quilómetros (em Caxarias, na direcção de Ourém), há alguns autocarros, em horários nada práticos, que ligam depois à estação rodoviária da Cova da Iria, em Fátima..."
Temos assim que há mais de cinco anos já os turistas estrangeiros com guias escritos sabiam que a paragem do Sud Express era em Caxarias. E só agora é que os tomarenses resolveram protestar? Não me façam rir! 
Acordem!!! O Mundo não pára e ninguém fica à nossa espera.

É sempre bom ir comparando

Como vão os nossos irmãos na desgraça?

"A Grécia apresenta novas medidas de austeridade e mais reformas estruturais

A idade da reforma vai passar de 65 para 67 anos. Salários e pensões vão baixar"

"O governo grego está na recta final para apresentar  novas medidas de austeridade, tendo em vista reduzir o défice das contas públicas. Após meses de negociações entre os membros da coligação governamental e com a troika, o ministro das finanças vai apresentar quarta-feira, 31 de Outubro, no parlamento um projecto de orçamento rectificado, o qual prevê nove mil milhões de euros de economias, em vez dos 7,8 previstos no projecto precedente, entregue no dia 1 de Outubro.
A  segunda etapa da austeridade deverá começar na segunda-feira, 5 de Novembro, com a apresentação de novas medidas estruturais pedidas pela troika, como condição para desbloquear as próximas ajudas da União Europeia e do FMI. Os sindicatos convocaram já uma manifestação para quarta-feira, dia em que também está prevista uma reunião telefónica dos ministros das finanças da zona euro.
As novas medidas prevêem mais reduções de salários, pensões e despesas com a saúde, diminuição dos subsídios de despedimento, recuo da idade da reforma de 65 para 67 anos,  baixa dos abonos de família, supressão do aumento automático de salário logo que o empregado se casa e colocação de funcionários na situação de desemprego técnico.
Está igualmente previsto um novo aumento de impostos. O governo tenciona eliminar a maior parte das isenções, bem como o patamar de não-imposição, actualmente nos 5 mil euros anuais, para os comerciantes e empresários em nome individual. Actualmente, 56% dos empresários gregos declaram menos de 5 mil euros anuais, pelo que estão isentos de imposto.
As medidas de flexibilização do mercado laboral provocaram uma renhida luta entre a troika e o 3º partido da coligação governamental -a Esquerda Democrática- que ameaçou já não votar favoravelmente tais disposições. A troika, por sua vez, insiste na necessidade de baixar o custo do trabalho, como condição para melhorar a competitividade do país, mas numerosos economistas mostram-se cépticos em relação à sua eficácia. "O exemplo da Grécia e da Espanha mostra que a desvalorização interna não funciona", afirmou na passada segunda-feira o economista Elie Cohen, durante uma conferência no Instituto Francês de Atenas. "Baixam-se os salários para ganhar competitividade. Os salários baixam mas os preços não. Não há qualquer ganho de competitividade, Apenas uma redução da actividade económica."
A Nova Democracia e o Partido Socialista dispõem em conjunto de uma maioria parlamentar suficiente para aprovar as novas medidas de austeridade. Mas a oposição da Esquerda Democrática provocaria um enfraquecimento da coligação governamental. Daria aos gregos a ideia que os novos sacrifícios são votados apenas pelos partidos que se sucederam no poder desde 1974, que são considerados responsáveis pela deriva económica do país.
Para evitar novas derrapagens orçamentais, o governo anunciou no passado dia 29 de Outubro a implementação de um mecanismo de controle das despesas do poder central. Eventuais ultrapassagens dos ministérios passarão a ser vigiadas pelo ministro das finanças. "Trata-se de um mecanismo estritamente grego, sem qualquer intervenção dos credores da Grécia", assegurou o primeiro-ministro."

Alain Salles, Atenas, Le Monde, 31/10/2012, página 11

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

É sempre bom ir comparando

Numa altura em que a coligação governamental procura convencer o líder socialista a integrar-se na discussão de uma profunda reforma do governo, parece-me oportuno traduzir uma notícia do Le Monde sobre a situação na Holanda.

"Na Holanda, sociais-democratas e liberais chegam a acordo sobre um programa de governo

O actual primeiro-ministro demissionário, o liberal Mark Rutte, formará governo com a esquerda"

"O partido liberal e o partido social-democrata apresentaram na passada segunda-feira, 29 de Outubro, um acordo que vai permitir à Holanda dispor de novo governo dentro de alguns dias. Esse governo será dirigido pelo actual primeiro-ministro demissionário, o liberal Mark Rutte, mas Diederik Samsom, líder dos sociais-democratas, não fará parte dele. Preferiu ir dirigir o grupo parlamentar da sua formação, deixando o lugar de vice-primeiro-ministro e ministro dos assuntos sociais para Lodewijk Asscher, conhecido por ter "o coração à esquerda, mas a razão à direita".
O acordo agora concluído entre os dois partidos que venceram as eleições de 12 de Setembro tem por título "Lançar pontes". Atitude indispensável entre uma esquerda que durante a campanha eleitoral acusou Rutte de estar obcecado pelo rigor orçamental e uma direita que considerou o programa de Samsom "perigoso" para o futuro do país.
Após o que, afinal, bastaram seis semanas, prazo excepcionalmente curto na Holanda, para forjar um programa susceptível, segundo os seus autores, de devolver aos Países Baixos "o seu optimismo e a sua força", após dez anos de instabilidade, marcados por cinco eleições legislativas.
Aquando da sua apresentação comum, os dois líderes partidários sublinharam que o projecto vai implicar esforços da parte de cada um dos holandeses, na ordem de "mil euros por ano", no quadro de um novo esforço orçamental de 16 mil milhões de euros.
Num clima de compromisso, a esquerda admitiu a redução para um ano do subsídio de desemprego e o aumento da idade da reforma para 66 anos em 2018 e 67 em 2021. Por sua vez,  a direita liberal cedeu num dos seus usuais tabus, as deduções fiscais para os créditos imobiliários, tendo admitido também o princípio de uma participação nas despesas de saúde, em função do rendimento de cada utente.
Os grandes capítulos do novo acordo mostram afinal um sábio compromisso entre opiniões geralmente divergentes. Sobre a imigração, os liberais impuseram que a estada ilegal seja punida penalmente e que os estrangeiros que não falem flamengo -ou usem o véu integral- sejam privados de ajudas sociais. Quanto aos sociais-democratas, conseguiram que os jovens que aguardam decisão sobre pedidos de asilo político tenham direito a um título de residência, caso residam há pelo menos cinco anos no país.
Em geral objecto de divergências, a Europa é doravante considerada  "de grande importância" para o país, pois "quando a Europa vai bem, a Holanda também vai bem", lê-se no texto do acordo. Apesar disso, a ajuda aos países em crise deve ser estritamente condicionada, estando fora de questão encarar sequer um aumento do orçamento comunitário, ou tentar manter os níveis actuais da Política Agrícola Comum, ou dos Fundos de Coesão."

Jean-Pierre Stroobants em Haia, Le Monde, 31/10/2012, página 5

CHIPRE E A IMPRENSA DE HOJE

Um trouxa, um palonço, um incapaz, o primeiro-ministro da República de Chipre. Vejam lá e vejam bem! Com sérias dificuldades de tesouraria, resolveu solicitar uma ajuda externa! E logo à troika. Os mesmos que vêm a Portugal, mandar preparar os cozinhados indigestos que o Gaspar nos tem vindo a servir. Ignorante, o governante cipriota. Se tem feito um telefonema ao Tó Zé Seguro, o lider PS dizia-lhe logo "Há outro caminho, basta fazer assim e mais assado." Ou estou a ver mal? Se calhar não.
E porque haveria o primeiro-ministro cipriota de pedir ajuda ao Seguro, perguntará quem lê. Pois quanto mais não seja porque, tratando-se do secretário do comité central do Partido Comunista de Chipre, nada melhor que telefonar a um homólogo. E como nem o Jerónimo nem o Louçã apresentaram ainda qualquer caminho alternativo, há que procurar fazer os chouriços políticos com a carne disponível.
Isto cogitava eu pela manhã. Depois veio-me à ideia que se o escrevesse seria logo apodado de anticomunista primário. O costume. Como se a verdade deixasse de o ser só por não agradar a alguns.
Entretanto percorri a imprensa saída hoje, da qual resolvi destacar alguns excertos.

 Amilcar Coelho, presidente da UGT/Leiria, Jornal de Leiria, 01/11/2012, página 9

Além de presidente regional da UGT, Amilcar Coelho é doutorado em Filosofia e professor universitário. Quando os próprios universitários advogam uma mudança substancial no ensino a ministrar, algo vai mal neste reino lusitano. José Hermano Saraiva, apesar de homem de direita, sempre lamentou que o nosso ensino se obstine a, quando muito, ensinar a dizer, numa época em que é cada vez mais essencial ensinar a fazer... Savoir-dire n'est qu'un détail du savoir-faire.

Jornal i, 01/11/2012, página 9

 A Renault, uma empresa privada de capitais públicos, é o segundo maior construtor europeu de automóveis, atrás da Wokswagen. Foi nacionalizada logo a seguir à segunda guerra mundial. É hábito dizer-se em França que quando a Renault espirra, a França constipa-se. Os que em Portugal, influenciados pela ideologia CGTP, depositaram grandes esperanças na vitória de Hollande e do PS, bem podem ir procurando outro patrono. Se até a Renault já rejeita aquilo que por cá se apelida de "direitos adquiridos"...

Jornal de Leiria, 01/11/2012

Estão na berra os congressos aqui em Tomar. Ainda recentemente houve dois -um no Hotel dos Templários, outro no Convento de Cristo- e já se anuncia outro para meados destes mês, sobre "Turismo cultural no espaço lusófono". Designação feliz, posto que, integrando o espaço do turismo cultural, o turismo de congressos é dos subsectores mais promissores. Que o digam os promotores de congressos médicos. Só se lamenta que, como quase sempre acontece, estejamos muito atrasados também nessa área. Apenas um exemplo, sob forma de duas perguntas: 1 - De acordo com dados oficiais fidedignos, o ano passado 40 milhões de chineses viajaram pelo estrangeiro. Quantos visitaram Portugal? 2 - Além dos cursos de mandarim no IP de Leiria, que mais está a ser feito para nos prepararmos para a inevitável avalanche?
A reprodução supra mostra que em Leiria não se ficam pela rama, pelo blábláblá. Vão logo ao tutano. Ouvem os profissionais. E debatem assuntos previamente delimitados e geograficamente significativos.

Jornal de Leiria, 01/11/2012, página 26

Esta chamada de atenção de Márcio Lopes parece-me um excelente modo de alertar os nossos eleitos locais, que em geral  permanecem convencidos de que tudo ainda há-de voltar a ser o que já foi. Assim a modos que o presente e o futuro como simples repetição do passado. O melhor é esperarem sentados, enquanto houver assentos disponíveis. Não tarda, vamos ter um autêntico império dos sentados.