terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Até quando calhar, se calhar

Após 3020 textos originais e 408.297 visualizações de páginas, Tomar a dianteira fica em pousio por tempo indeterminado. Qualquer explicação detalhada sobre esta decisão seria forçosamente desagradável, pelo que se optou por não justificar.
Se por acaso não houver novo contacto com os leitores antes das próximas autárquicas, aqui fica desde já a nossa orientação: com os candidatos anunciados, só há uma opção limpa: ABSTENÇÃO. Por não haver escolha.

Ânimo, saúde e alegria para todos, são os votos de Tomar a dianteira.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Descrédito político e baixos salários

O evidente e cada vez mais acentuado descrédito da classe política resulta, penso eu, de dois factores principais: a óbvia inépcia de muitos eleitos, como é o caso dos nossos sete magníficos, há muito a nadar em potes de iogurte, e o irrealismo de muitas das acusações que a oposição cavernícula faz ao governo. Destas, uma das mais insistentes sustenta que, a mando da troika, PSD e CDS tudo fazem para implementar uma política de baixos salários, com o pretexto de aumentar a nossa competitividade. Vai-se a ver e as coisas não são bem como conviria a essa esquerda que fossem:


Primeira constatação, considerando baixos salários os inferiores a dois terços do salário horário nacional médio, a percentagem geral na UE é de 17%. Quanto a Portugal (à direita) temos 22,1% de mulheres e 10,2% de homens, a auferir baixos salários. Sensivelmente as mesmas percentagens que em Espanha ou no Luxemburgo. Melhor do que na Áustria, no que concerne à mulheres.


Tendo por base a remuneração horária mínima, Portugal aparece em 16º lugar, com 3,4 euros/hora, tendo atrás de si  nove outros países, por acaso todos com uma herança de mais de meio século de socialismo científico.


Aqui temos a confirmação. Os ex-países socialistas são, conjuntamente com Alemanha, Holanda, Inglaterra, Irlanda,  Malta e Chipre, aqueles em que há maior percentagem de baixos salários. E assim cai por terra mais uma daquelas acusações de carregar pela boca. Conclusão: O governo é mauzito, porque está a ir-me ao bolso e de que maneira. Mas com as oposições que temos também não vamos a lado algum. É triste, é duro, mas é assim.

Barómetro europeu, com dados do Eurostat, Le Monde, Géo & Politique, 18/02/2013, página 7

Socialistas?!

Está marcada para a próxima quarta-feira mais uma missa laica do PS local, desta vez com José Junqueiro como celebrante-visitante. Mesmo sabendo que há apoiantes para tudo, confesso ainda não ter entendido bem qual a utilidade de tal tipo de eventos, em que um maioral vem dissertar sobre assuntos que em geral pouco ou nada têm a ver com Tomar, localidade que alguns prelectores nem saberiam onde fica no mapa, não fora a necessidade de vir amparar candidatos. Mas enfim, conquanto de pertinência muito questionável, tal tipo de missa também não faz mal a ninguém. Apenas pode contribuir para alimentar ilusões.
Pior, muito pior me parece a mais recente iniciativa do vereador Luís Ferreira aqui. Reproduzir tal tipo de prosa, que tem tanto de asqueroso como de despropositado, ultrapassa tudo aquilo de que eu julgava capaz este meu conterrâneo, que se proclama "homem livre e de bons costumes". Será de homem realmente livre e de costumes aceitáveis difundir uma prosa nauseabunda, que cheira a inquisição medieva e enxovalha um cidadão que se limitou a dizer publicamente aquilo que pensa? Mesmo para quem, como eu, não costuma ir à missa todos os domingos, um desabafo se impõe -Deus nos livre de socialistas assim!!!

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Uma funesta sucessão

Quem conviva diariamente com tomarenses, não pode deixar de reparar num sensível aumento de angústia, motivado pela ausência de esperança no que se refere à política. Raro é o nabantino que, durante uma larga troca de propósitos, não acaba por queixar-se da clara ausência de escolha em Outubro. Importa por isso perceber qual ou quais as causas de tal situação.
Ainda que o PSD Tomar seja agora a única formação presente no executivo que ainda não apresentou oficialmente o seu cabeça de lista, a verdade é que já há mais de seis meses observadores bem informados garantiam que seria Carlos Carrão, em vez do escolhido pela Comissão Política local. 
Para desautorizar a estrutura tomarense, a instância nacional laranja invocou uma norma que, bem vistas as coisas, nem sequer se aplica. Segundo essa norma, o partido deverá candidatar de novo o presidente de câmara, casa este não esteja legalmente impedido. Sucede que em Tomar Carlos Carrão nunca foi nem é presidente de câmara, mas apenas substituto do dito até ao fim do mandato. O que faz toda a diferença. Um presidente já encabeçou uma lista e já venceu pelo menos uma eleição, pelo que se sabe aproximadamente qual o seu peso eleitoral. Em relação a Carrão, nada disso sucedeu ainda, ignorando-se portanto o que possa valer em termos de votação. E se em 2009, com um candidato de outro patamar político, social e cultural, os social-democratas perderam a maioria absoluta, tendo sido praticamente forçados a coligar-se, desta feita, com a estrutura local dividida, não será preciso fazer um desenho para imaginar o que poderá acontecer-lhes na próxima consulta eleitoral.
Em todo o caso, as outras duas formações da trempe executiva não parece que tenham dúvidas. O PS e os IpT já apresentaram os seus cabeças de lista, que tanto num caso como no outro parecem indicar que consideram ser Carlos Carrão o candidato mais fácil de vencer. Se assim não fosse, decerto que o PS não avançaria com Anabela Freitas, fortemente conotada com Sócrates e, a nível local, com quem bem sabemos, enquanto Pedro Marques não teria ousado servir aos eleitores o mesmo prato, requentado pela terceira vez.
Agora que nesta primeira fase les jeux sont faits, o PSD é o único a poder ainda emendar o erro sem dar muito nas vistas, uma vez que as estruturas competentes não apresentaram formalmente qualquer candidato. Os outros dois agrupamentos estão já amarrados e até confrontados com uma situação curiosa. Ambos estão a ter dificuldades para completar as listas respectivas, nuns casos porque os sondados têm medo de perder, noutros porque têm medo de vencer. O que, convenhamos, se percebe perfeitamente. Nas actuais circunstâncias, sem ideias e sem programa, quem quer correr o risco de perder e ficar mal visto, ou de ganhar e ter de desistir, por não aguentar a pressão popular? Os tempos em que era possível limitar-se a despachar os assuntos correntes já foram. Agora há que apresentar projectos e depois trabalhar a sério. Quer queiram, quer não, os actuais sete magníficos são os últimos abencerragens. Felizmente!

Istéqué progresso!


Ora aqui temos um claro exemplo de progresso. Há oitocentos anos, os pobres coitados dos templários, para evitar a derrocada da torre gémea da agora chamada de Dª Catarina, deixaram-lhe uma saliência em terra batida, em talude, depois protegida por uma simples camada de calcário, ora aconchegado com massa de saibro e cal, ora a seco. É o que se vê ao centro -o pomposamente designado alambor. (Que os tomarenses são pretensiosos até no vocabulário. Entre sapata e alambor, que são sinónimos, preferem sempre o que consideram mais culto, porque menos explícito. Adiante.)
Mais de oito séculos volvidos, para a mesma função -evitar o desabamento do talude- usaram centenas de quilos de heliaço armado, mais umas toneladas de betão, a que se seguirá o revestimento do paredão (os senhores técnicos vão falar de paramentação, como se aquilo fosse um ministro do culto), com mosaicos de calcário de face rústica. Conforme já foi feito nos outros troços do paredão.
Tudo trabalho escusado, pois teria bastado voltar a pôr à vista a primitiva sapata, até à parede que se vê em cima. Estaria o problema resolvido na quase totalidade, de modo muito mais económico e mais consentâneo com o local. Mas quê!? Já para evitar o desaparecimento do que resta do alambor, foi uma trabalheira dos diabos, que até meteu a visita do SEC Viegas, por obra e graça do Espírito Santo...de orelha, em tempo oportuno. Agora resta deixar concluir a aberração, para depois, algures no futuro, se possível, repor o aspecto primitivo, ou seja: destruir os incôngruos e inúteis paredões, que ali estão sobretudo porque as campanhas eleitorais custam cada vez mais caro e a corrupção está pelas ruas da amargura. O que implica obras cada vez mais dispendiosas, independentemente da sua utilidade, beleza, adequação ou oportunidade. O fundamental é sacar...os fundos europeus e dos contribuintes. Bom proveito, mas cuidado com as indigestões tardias! Que neste país, tanto na natureza como na política, "nada se cria, nada se perde, tudo se transforma."

Só para francófonos...





Só para francófonos que saibam e gostem de ler francês. (Posso desenrascar um, emprestando-lhe o meu exemplar. Interessa FERROMA?). Os outros farão o favor de ler a obra sobre o mesmo tema, mas em português, de José Luís Peixoto. Não se assustem que é só um volume de 237 páginas, acima ilustrado com e sem "jaqueta" para leitura intensa.
O assunto? Um jornal de viagem de dois fabianos gauleses de meia idade. Um armado em turista, outro a fingir de agente de viagens, porque na sua qualidade de jornalista não poderia  ter obtido o indispensável visto. O título? "Aletria fria em Pyongyang". Dois curtos excertos: "Folheei três ou quatro destes livrinhos azuis, à venda por todo o lado a um euro cada. Eis alguns princípios dessa filosofia que é indispensável repetir para se convencer: "O homem é o ser mais poderoso do mundo e o único capaz de o transformar. As massas constroem a história da sociedade. A história da Humanidade é a historia da luta de massas. A prioridade é a transformação ideológica." (Página 146)
"Até agora, o pai, o filho e amanhã o neto têm trabalhado bastante bem, mesmo se o big bazar deles vacila, abana e mostra estragos por todo o lado. Capítulo após capítulo, escribas de nuca  rapada continuam a fornecer este pseudo-pensamento que pretende reger todos os domínios: revolução, como já foi referido, economia, educação, estratégia, engenharia, ciências, cinema, ópera, música, dança e mesmo a maquilhagem. E gostam de reiterar: "ninguém é tão sincero ou ama a vida tão ardentemente como um comunista. As suas emoções são mais humanas e mais profundas que as dos outros, E assim, em todo o lado onde aumenta o número de comunistas de um novo tipo, a vida é sempre vigorosa, vibrante, de um imenso optimismo revolucionário e rico..." (Página 150)
Julgo que doravante ninguém vai ousar acusar-me de não ler bons livros...

Jean-Luc Coatalem, Nouilles froides à Pyongyang, Grasset, 237 páginas, Paris, Dezembro de 2012, 17€60 (disponível a 15 euros + portes em amazon-fr)

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Até que enfim!


Custou mas foi! Após meses e meses de espera, os calceteiros da autarquia lá acabaram por vir fazer aquilo que se impunha. Resta o outro problema -o dos pastéis de cão e afins. Tendo em conta o que somos e como somos, é pouco provável que os serviços de limpeza da câmara alguma vez consigam vir a resolver essa chaga. No estrangeiro há brigadas específicas para  a dita tarefa; mas isso é além fronteiras. Por estas bandas ninguém ousaria candidatar-se a um emprego de apanha-merda, mesmo que fosse bastante bem pago. Os portugueses têm a sua dignidade! Viver à custa do próximo por intermédio do orçamento de Estado, tudo bem. Agora trabalhos sujos nunca! Como apregoa uma conhecida central sindical: "Queremos emprego com direitos!" Incluindo, pelos vistos, o de não se baixar nem lidar com matérias fecais caninas e felinas.
Uma vez que, por outro lado, os donos dos cães e dos gatos também não vão deixar de ser porcos e mal comportados assim do pé para a mão, só os moradores incomodados com a situação recorrente podem implementar uma solução em três tempos: 1 - Reunir-se e debater o assunto mal cheiroso e perigoso para os sapatos; 2 - Instituir discretos postos de vigilância; 3 - Recolher os dejectos e ir depositá-los na soleira da porta de cada um dos infractores. Em princípio deverá ser remédio santo. Vamos a isso?