terça-feira, 19 de março de 2013

Tomar dantes e agora


Dantes, Tomar era uma cidade limpa e sossegada, onde dava gosto viver e até havia empregos. Agora é como se sabe. Já nem os pacíficos e indefesos defuntos podem continuar sossegados, pelo menos no que diz respeito aos seus restos mortais. Precisão, a quanto obrigas!

domingo, 17 de março de 2013

Não se entende...


Foto 1 - Aspecto actual do que resta do alambor templário do século XII. À esquerda, parte  do troço destruído antes da edificação dos actuais paredões.


Foto 2 - Troço do alambor templário entre o paredão da direita na foto 1 e uma das passagens pedonais provisórias para acesso ao Convento de Cristo.


Foto 3 - O mesmo alambor, entre o lado direito da foto anterior e a parede norte do Convento de Cristo.


Foto 4 - Vista de conjunto da zona referida nas fotos anteriores. O trecho de paredão visível ao fundo é o mesmo do lado direito da foto nº 1


Foto 5 - Trecho nascente do alambor templário, à esquerda da foto nº 1.


Foto 6 - Caixas de visita da rede de saneamento, na parte destruída do alambor templário, lado esquerdo da foto nº 1.


 Foto 7 - Cabine eléctrica no novo e supérfluo paredão de cimento, agora forrado a pedra.

 Foto 8 - Detalhe da foto anterior, vendo-se em baixo os vãos destinados à entrada das calhas técnicas e respectivos cabos.


Foto 9 - Praça da República, frente aos Paços do Concelho, esta manhã, com dois quiosques para venda e publicidade de uma marca de cerveja, por ocasião do Festival de Tunas Académicas do IPT.


Após mais de ano e meio de obras, lá se resolveram finalmente a escavar uma parte do alambor templário com mais de 800 anos, até à parede norte do Convento ( Fotos 1, 2 e 3). Fica assim à vista de todos aquilo que aqui se escreveu há mais de um ano: Destruíu-se deliberadamente um troço de mais de 15 metros quadrados, para implantar caixas de visita e edificar um paredão de cimento absolutamente desnecessário ( Fotos 4, 5 e 6). Bastava ter feito antes aquilo que agora executaram: libertar o alambor do posterior aterro que o cobriu.
Quando confrontado com o desastre, o anterior presidente da câmara disse que se tinham destruído apenas meia dúzia de pedras. Agora vê-se perfeitamente que o nosso estimado conterrâneo estava cheio de razão... 
Quanto aos supérfluos paredões, continuam no mesmo sítio. Não se entende.

A não ser que se procurasse, sobretudo e antes de mais, arranjar um local para edificar uma cabine da EDP, sem chocar demasiado os visitantes do monumento (Fotos 7 e 8). Dado que a referida empresa é agora totalmente privada, tendo como accionista mais importante a empresa chinesa Três gargantas, controlada pelo governo comunista chinês, custa a perceber como e porquê a câmara de Tomar resolveu conceder-lhe tal benesse. Haverá algum protocolo sobre tal matéria? Se há, ninguém o conhece. Poderá a magnífica oposição que temos fazer o que lhe compete, solicitando esclarecimentos ao presidente do executivo? Ou será pedir demasiado? Confesso que já não sei. Mal se escreve qualquer coisinha, há eleitos que se sentem logo atacados, ficando muito enchicharados. Não se entende.

A foto 9 mostra uma das causas evidentes da nossa ruína enquanto cidade sede de concelho, outrora florescente. Acossados por uma autarquia mesquinha, pelos seus técnicos gulosos e inquisidores, pagando preços nada competitivos e taxas ainda menos, mal servidos por políticos de opereta, investidores, comerciantes, industriais e simples cidadãos têm votado com os pés. Entre 2000 e 2011, o concelho perdeu cerca de 2500 habitantes, mais de 800 famílias, o que dá uma média de 80 famílias por ano. Por este caminho, até quando continuaremos a ser cidade e concelho?
Mas quê! Os senhores autarcas não se incomodam com semelhantes ninharias. Têm mais que fazer. Por isso, quando os sacrificados comerciantes da cidade antiga podiam fazer mais algum negócio, graças aos eventos organizados pela sociedade cidade civil, a câmara resolve autorizar a instalação de concorrentes que nem sequer pagam os seus impostos na cidade, como é o caso dos dois quiosques da foto 9. Apesar disso, os comerciantes prejudicados continuam mudos e quedos. Já perderam a esperança? Não se entende.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Finalmente uma explicação pelo exemplo...

Assim já se consegue perceber melhor porque motivo o Gaspar e o governo ainda não foram detidos, apesar de andarem há meses e meses a fecundar o juízo e o resto a todos os portugueses. É que, apesar de algumas evidências, não estão alcoolizados nem vão a conduzir. Quem conduz é a troika! Ora toma!

Correio da Manhã, 15/03/2013, página 15

quinta-feira, 14 de março de 2013

Ó PAELe!

Soube-se ontem, mas já era previsível, que o Tribunal de Contas "chumbou" o empréstimo de 3,5 milhões de euros ao Município de Tomar, entretanto concedido pelo governo, mas aguardando visto prévio favorável daquele órgão de fiscalização. Imediatamente o senhor presidente da edilidade veio para a comunicação social lamentar o sucedido e garantir que o executivo ia apresentar recurso, alegando que tal decisão prejudica gravemente a economia local = fornecedores da autarquia. É preciso ter lata!
Enquanto presidente da câmara, Carrão não conseguiu negociar capazmente com a oposição e com os presidentes de junta, de tal forma que, na Assembleia Municipal, a proposta apenas logrou 13 dos indispensáveis 19 votos = maioria absoluta requerida para a aprovação do empréstimo pelo TC. É a lei e Carrão não pode fingir ignorância, posto que "ninguém pode invocar a ignorância da Lei para daí retirar benefício". Apesar deste óbvio revés, o edil PSD -acostumado a uma prática que não tem primado pelo estrito respeito do ordenamento jurídico em vigor- declarou que iria mesmo assim solicitar o empréstimo, alegando ter um parecer nesse sentido. Ou seja, praticou descaradamente o dois em um. Prevaricou não respeitando a decisão vinculativa da Assembleia Municipal e reincidiu mentido, pois afinal não existia qualquer parecer.
Sou um tomarense degenerado. Ao contrário da maioria dos meus queridos conterrâneos, que sabem tudo de tudo, confesso a minha ignorância na área jurídica e em muitas outras. O que me tem permitido ir aprendendo qualquer coisinha. No caso presente, por exemplo, quer-me parecer que os magistrados do Tribunal de Contas nunca emitem despachos/pareceres "estilo Isaltino". Daqueles que apenas servem para ir protelando a execução de decisões anteriores. Nesta conformidade, julgo que nem a "língua de pau" usada por Carlos Carrão vai facilitar a ultrapassagem do citado parecer negativo. Porque, a bem dizer, a douta decisão do TC não prejudica a economia local. Apenas impede a câmara de insistir em gastar sem ter dinheiro para pagar, sempre fiada no que virá, seja sacado, transferido ou emprestado.
Caso estivesse habituado a viver numa sociedade europeia estilo Europa do Norte, o presidente tomarense já teria adoptado uma saudável atitude cidadã. Em vez de deliberadamente procurar ignorar a Lei, ultrapassando-a como fez,  teria ido logo para a negociação com a oposição no seu conjunto, até obter a garantia dos almejados e necessários 19 votos. Tendo-se comportado como eleito de uma terra e de um país com uma maioria de bananas, conanas e sacanas, resta-lhe agora arrepiar caminho, negociar e informar o Tribunal de contas só depois de eventualmente ter em seu poder a acta autenticada da sessão da AM onde tenha conseguido a supracitada maioria absoluta. Pedindo desculpa por inadvertidamente ter faltado à verdade na questão do parecer que alegou.
Caso assim não proceda, havendo para mais outros processos em curso, bem se pode ir já preparando para outra vida, que o bem-bom não dura sempre. E Outubro é já ali adiante.

domingo, 10 de março de 2013

Assim vamos indo - Reportagem no Convento

Já dizia o nosso conterrâneo Manel da Avó que "Um homem não é de pau". Apesar de estar em pousio, Tomar a dianteira ainda não bateu a bota. E quem consegue manter-se mudo e quedo perante tanta asneira? Vai daí, publica-se uma curta reportagem sobre as infindáveis e infelizes obras da Envolvente ao Convento de Cristo. Como se  verá adiante, mal empregado dinheiro!
E o Seguro ainda tem a distinta lata de vir propor que seja a Europa do Norte a custear o nosso desemprego...

1 - Requinte...


                        

Lindo! Numa zona muito frequentada por turistas nacionais e estrangeiros, este refeitório para os trabalhadores das obras junto ao Convento é uma verdadeira maravilha. Cumpre decerto as normas europeias, com tal requinte que até fornece equipamento para deitar a escada a alguma comida...

2 - Começar pelo fim...







O secretário do senhor de Lapalisse disse-o há séculos: "É sempre conveniente começar pelo princípio, continuar pelo meio e acabar no fim". Parece evidente e por isso simples, mas não é. Pelo menos em Tomar. Aqui, as obras começam sempre pelo fim. O ParqT já está a funcionar há tempos, apesar de nunca ter sido licenciado validamente ou sequer obtido o obrigatório visto prévio do Tribunal de Contas. Na Ponte do Flecheiro, só depois de concluída a empreitada concluíram que faltava um acesso pedonal ao Mercado. Acrescentaram então  a escada. Na Levada, já as obras iam avançadas quando resolveram fazer escavações arqueológicas...e encontraram restos de um lagar quinhentista. Agora, as obras continuam, apesar de ainda não haver um projecto detalhado de interiores e o resto... No turismo municipal, junto à Mata, as obras acabaram há mais de seis meses, mas agora não há verba para comprar o novo equipamento. O outro foi à vida...
E finalmente -Por agora!!!- nas obras da envolvente ao Convento, apesar de repetidamente avisados, os senhores camaristas e respectivos acólitos insistiram nos paredões para segurar o talude e na desculpa de que "é só má-língua". O resultado aí está, à vista de todos. Como sempre aqui se escreveu, o velho alambor da torre gémea da de Dª Catarina vai até à fachada norte do ex-Hospital Militar, pelo que os novos paredões são totalmente inúteis. Terão de ser removidos numa futura empreitada, que inclua igualmente a retirada de todo o entulho posterior e a reconstituição dos sectores entretanto danificados ou destruídos do dito alambor templário. 
Isto é que vai uma crise!!! Apre! 
Despejado o saco, já me sinto mais aliviado!