sábado, 4 de maio de 2013

20º Congresso da sopa: Siga o enterro!







                             


As fotos aí estão. Quem não for inteiramente desprovido, sacará as suas conclusões sem dificuldade. Ou não? Seja como for, a roda parada e o açude por acabar mostram à saciedade que temos um município cada vez mais semelhante a uma unidade militar insubordinada. O comandante interino não sabe dirigir os oficiais, estes não conseguem controlar os sargentos, os quais por sua vez não estão para se chatear com os soldados. Todos velhos tarimbeiros, que sabem mais que o tal comandante substituto. Adiante...
Quando me dirigia para o Mouchão para tirar as fotos, desabafei jocosamente para uns amigos "Lá vou ao enterro!" Uma jovem senhora que passava, ouviu e insurgiu-se logo -"Enterro? Mas o congresso é algum enterro?".
Fiz de conta que não ouvi. Quem não sabe é como quem não vê. Mesmo com o substancial patrocínio do Continente, tanto dinheiro mal gasto, para no fim doar menos de 10 mil euros ao CIRE. É uma boa promoção turística, dirão alguns. Com a roda parada, o açude por acabar e o Convento a 6 euros por cabeça, sem direito a visita guiada, não há promoção que nos valha. Como de resto está à vista de quem não seja politicamente cego.
Siga o enterro! Depois de Outubro logo veremos.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Almejar o céu e cair no inferno

É o costume. À medida que se aproxima a consulta eleitoral, florescem as informações, os boatos, os rumores. Um dos mais insistentes dá como garantida a candidatura de certo responsável local, umas vezes como 2º na lista PS, outras como 3º na do PSD. Tratando-se de alguém particularmente bem informado sobre a situação real da autarquia, pareceu importante manter uma conversa, no sentido de obter confirmação ou desmentido do diz-que-disse que por aí pulula.
Satisfazendo a curiosidade alheia, garantiu que está fora de causa vir a integrar qualquer lista, tendo  aproveitado para confirmar uma outra eventual candidatura feminina que por aí consta. Ao ouvir o comentário-provocação "Coitados dos candidatos, que nem sabem no que se estão a meter, pois ignoram qual a triste situação do município", reagiu prontamente: "Mas eu sei bem qual é a situação real e por isso é que não vou em qualquer lista. Nem pensar."
É meu entendimento que todos os candidatos já anunciados terão interesse em pensar maduramente nesta posição  pessoal, de alguém particularmente bem informado. Pode ser que depois consigam finalmente lobrigar que, para além das suas afigurações, há um perigo evidente: Almejam e muito fazem para aceder ao paraíso, mas tudo indica que os vencedores vão encontrar um inferno. Com tudo o que isso implica, incluindo dar para o torto. Depois não se queixem...

O triste fado nabantino


Ou melhor dizendo, o triste fado dos nabantinos que têm a desdita de por aqui continuar a viver. Sofrem no dia a dia e um pouco por todo o lado os efeitos da patologia local -a óbvia falta de qualidade. E, como se tal não fora já penitência suficiente, ainda são gozados nos concelhos vizinhos, cujos munícipes cantam agora de galo.
Já aqui foi escrito, mas insiste-se e insistir-se-à, até que a mão me doa: dos políticos à comida e da sinalização ao mercado, a qualidade em Tomar é algo tão raro e precioso como a chuva no deserto. Com a agravante de os tomarenses acharem que está tudo bem. De tal forma que, seja qual seja o resultado das autárquicas de Outubro próximo, neste momento tudo indica que iremos continuar a ter os mesmos políticos das últimas duas décadas, com os magníficos resultados que se antevêem.
Indo directamente a mais um caso concreto. Deslumbrados com um orçamento tão apetitoso e posteriormente com os fundos europeus, aprendizes políticos compraram e mandaram "requalificar" o velho Cine-Teatro Paraíso, mais tarde Cine-Teatro de Tomar. Temos assim, desde há alguns anos, mais uma situação caricata: Em plena crise, uma sala de espectáculos custeada pelo orçamento de Estado, tal como nos ex-países do Leste Europeu. E logo aí avulta a usual falta de qualidade, o deixa andar, o que se lixe, próqueé bacalhau basta. O timbre dos bilhetes deveria ser, para respeitar as normas oficiais, exactamente o oposto. Primeiro e em tipo maior "Município de Tomar", só depois "Cine-Teatro Paraíso"
Não tem importância, dirá o leitor. Pois não. Mas, como "cesteiro que faz um cesto, faz um cento", é por esta e por outras que a má qualidade alastra em Tomar como mancha de óleo em tecido seco. Quer mais dois exemplos flagrantes e interligados? Eles aqui vão. Uma vez comprado e "requalificado" o velho imóvel, onde "havia muito dinheiro a ganhar", segundo constou na época, tanto entre as empresas de construção cível, como entre alguns eleitos e funcionários, surgiram dois problemas maiores, ainda por solucionar. Um diz respeito à citada requalificação que, convenhamos, custou caro e ficou uma bela merda. Na plateia há cabos eléctricos em pleno pavimento, por não terem sido colocadas atempadamente as indispensáveis calhas técnicas subterrâneas. No WC masculino a pouca vergonha ultrapassou mesmo os limites da decência: algumas tampas das caixas sifónicas estão mais de um centímetro acima dos mosaicos do chão. Lindo de se ver! E a fiscalização autárquica nunca deu por nada. Porque será?
Numa sala mal acabada e com má acústica, a programação assegurada pela autarquia não tem tido melhor sorte. O que mais por aí aparece são filmes comercialões, sem ponta por onde se lhes pegue. A tal ponto que alguns tomarenses cinéfilos resolveram fundar um cine-clube, como forma de conseguirem trazer às margens do Nabão algum cinema que valha a pena ver, o que felizmente têm vindo a conseguir. É claro que, aconselhado pelo amigo João Pires, tenho aproveitado. Pois para desdita minha, também nas referidas sessões a qualidade tem andado algo ausente. É o caso da falta de respeito pela hora marcada para o começo da sessão e, sobretudo, o problema dos intervalos, um em cada sessão.
Ao que julgo sem equipamento sonoro adequado para indicar o recomeço da sessão, ao contrário daquilo que sempre aconteceu no tempo do saudoso Jaime de Oliveira, das vezes que lá fui, quando regressei ao meu lugar já o filme decorria. Pior ainda, na sessão de ontem cheguei à lamentável conclusão de que nem sequer dão tempo suficiente para se ir à casa de banho. Está mal! Mas é o triste fado nabantino e os tomarenses parecem gostar assim. Há que aguentar, e cara alegre! Mas sempre protestando!

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Na imprensa de hoje

Correio da manhã, página 13:

O MIRANTE COR DE ROSA, página 34
                                       
É mentira, claro!  Mas o Carlos até gostava que fosse verdade. Como eu o compreendo!

Sopa rica, rica sopa...

Costumo comprar sopas no hipermercado. São baratas, boas, basta aquecer no micro ondas e não sujam loiça. A variedade não é por aí além, mas mesmo assim dá para comer diferente todos os dias da semana. Uma delas tem até dois tipos à escolha do cliente - Sopa de Legumes e Sopa Rica de Legumes. Esta com a particularidade de incluir massa em forma de cotovelos. 
Escrevo isto porque vai ter lugar no próximo sábado, no Mouchão Parque, a 20ª edição do Congresso da Sopa, inventado por Manuel Guimarães com intuito pedagógico, mas entretanto desvirtuado pelos eleitos locais, como acontece com frequência. Passou a ser sobretudo mais um pretexto para a encapotada compra de votos. Exagero?! Olhe que não! Olhe que não! Como se passa a tentar demonstrar.
A edição anterior custou ao erário municipal -alimentado pelos impostos de todos nós, incluindo as alcavalas no recibo da água- cerca de 50 mil euros no total. (Aluguer da tenda, pagamento aos restaurantes participantes, publicidade e promoção, malgas, transportes, mão de obra...). Já a receita não chegou a vinte mil euros, nem coisa parecida. Partindo da hipótese muito plausível de que desta vez os números serão semelhantes, haverá a seguir uma trapalhada assaz patusca. À tomarense.
Dado que entretanto o executivo já deliberou, POR UNANIMIDADE, doar ao CIRE a totalidade da receita, esta meritória associação de solidariedade social irá receber da autarquia algo próximo dos 15 mil euros, na melhor da hipóteses. Pergunto eu, com fingida ingenuidade: Não seria mais proveitoso, mais rápido, mais honesto, mais transparente e menos trabalhoso, doar ao CIRE os 50 mil euros que custa o evento, mandando desta vez o congresso à ortigas, devido à crise?
Insistindo em mal alinhavados golpes de bastidores com o fito na sumarenta reeleição, os senhores autarcas fazem com que haja cada vez mais cidadãos a perceber que, ali para os Paços do Concelho, se continua a distribuir sopa rica a crédito, simplesmente porque quase todos os eleitos são afinal, em termos comportamentais, sopa da mesma panela. Salvam-se dois ou três. Rica sopa, não haja dúvidas! Ficava-nos muito mais barato, enquanto contribuintes involuntários, comer carne todos os dias. Se houvesse tal possibilidade. Mas quê!!! Os partidos políticos fecharam a sete chaves a cozinha eleitoral...

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Cambada de incapazes!!!


Foto 1 - Contenção de talude com pedra ensacada, para instalação de parque de estacionamento para 10 autocarros, junto à fachada norte do Convento de Cristo. Vista no sentido poente > nascente.


Foto 2 - O mesmo parque no sentido nascente > poente.


Foto 3 - Indicações afixadas na Porta de S. Tiago, usual acesso pedonal ao Convento de Cristo. Quem não conseguir perceber português ou inglês, está tramado. Mas também, quem é que o mandou vir a Tomar?!? Observe-se em baixo a quantidade de entidades que tem algo a ver com o Convento, mas pouco ou nada com Tomar, uma vez que  do Município de Tomar não há notícia. Paga a obra, mas não consta.



Foto 4 - Placa que conviria afixar nos limites urbanos de Tomar, sobretudo neste ano eleitoral. Para que quem nos visita não ignore ou esqueça que se encontra numa zona de intensa caça ao voto, palavriado barato e mais nada.

Cambada de incapazes!!! Até dá ganas de ser extremista e mal educado. Aliás, o ideal seria mesmo "Bande de cons!!!" Infelizmente não há tradução satisfatória para tal galicismo "argótico", apesar do seu evidente e vastíssimo campo de aplicação,nesta abençoada nesga peninsular. Fiquemo-nos então por cambada de incapazes, já que pacóvios seria algo ofensivo.
Gastam milhares e provocam um estardalhaço escusado vai para dois anos, tudo junto ao Convento e para levar a cabo onerosas obras inúteis. Estão agora a tentar concluir um parque de estacionamento (Fotos 1 e 2) para 10(!!!) autocarros, que é praticamente um nado-morto, uma vez que as actuais normas europeias, de aplicação obrigatória, especificam que o trânsito e o estacionamento, sobretudo de veículos movidos a gasóleo, devem ser afastados dos aglomerados urbanos e dos monumentos. Porque emitem partículas provadamente cancerígenas.
Mas mesmo ao lado, o Convento de Cristo, Património da Humanidade desde 1983, graças aos esforços da Câmara de Tomar, está praticamente entregue a funcionários com mentalidade do tipo soviético: primeiro nós, que somos trabalhadores, os outros que se lixem! Legalmente, quem devia dirigir o monumento são uns senhores que assinam o ponto no Palácio Nacional da Ajuda. Na realidade, como Lisboa é longe e a Ajuda ainda mais, quem manda são os subalternos locais, liderados por uma senhora que, aproveitando a política do deixa andar e venha a nós, instalou-se e ali habita, ao que consta até com criadas pagas pelo orçamento de Estado. Feitios, diria o Solnado.
O pior é que do referido "deixa andar e venha a nós" resulta uma vergonhosa realidade: O Convento está encerrado várias vezes por ano, ninguém sabe explicar porquê. Mas lá está a indicação na porta de S. Tiago (Foto 3): No primeiro dia de cada ano, no Domingo de Páscoa, no 1º de Maio e no dia de Natal, logo quando há mais visitantes, não há visitas para ninguém. Naturalmente para respeitar o direito ao descanso de quem lá trabalha. Os outros que se lixem e vão chatear para outro lado.
Temos assim que no Dia do Trabalhador o Continente está aberto mas o Convento não. Como devem ficar contentes e cheios de saudade os numerosos turistas que, tendo pago e percorrido centenas de quilómetros, chegam cá e batem com o nariz na porta!
E os tais incapazes sabem disto e calam-se, quando não assobiam para o lado. Tanto os cidadãos, como os eleitos, como os funcionários! Vivemos assim numa sociedade de tipo comunista. Quem não é eleito, funcionário ou quadro do partido, está lixado com um F grande e sem vaselina. Por outras palavras, eleitos e funcionários só têm direitos, pelo que recebem as mensalidades e usam os bens públicos, mas estão-se nas tintas para as necessidades alheias. Sabe-se a que conduziu semelhante mentalidade nos chamados Países de Leste. Por estas bandas também já faltou mais...

Que raio de informação!

Será mesmo o descalabro final?! Quase tudo indica que sim, nesta triste e desgraçada terra à beira-Nabão plantada. Pelo menos em matéria de informação, sem a qual, como é sabido, não pode haver democracia. Sucede que a imprensa local, carcomida pela crise e pelo resto, anda praticamente pelas ruas da amargura. A bem dizer, só noticia aquilo que aos instalados convém, e que eles próprios tratam de mandar difundir.
Mesmo na informação digital, mais moderna rápida e barata, a situação não aparenta ser melhor. Na sequência de uma faísca que destruiu os retransmissores das duas rádios locais, há um mês que um portal local vem solicitando donativos, prometendo publicar diariamente os já recebidos, se for caso disso. Dado que ainda nada publicou, será que ainda ninguém deu nada? Seremos assim tão somíticos? O auditório será afinal muito mais reduzido do que geralmente se apregoa?
Um outro portal, que se proclama "blogue de informação", também denota algumas dificuldades perante a realidade. Nestes últimos tempos, já por duas vezes que ofende a verdade. Numa, que aconteceu em Londres, falou de acidente, quando por aí se cochicha que foi suicídio. Noutra, mais recente, menciona que um advogado da praça, com escritório junto ao Palácio da Justiça, tentou suicidar-se, quando afinal foi vítima de tentativa de assassinato. Que raio de informação temos afinal?!? Dantes era a hedionda censura que justificava coisas assim. Agora é o quê?
Deixem-se mas é de brincar com coisas sérias, a começar pelos senhores políticos e jornalistas. Já o velho cabo de corneteiros do 15, na primeira metade do século passado, não se cansava de repetir, ali no pinhal de Santa Bárbara: "-Quem sabe, toca! Quem não sabe, passa a corneta a outro! Não há cornetas que cheguem pra todos!" Mais de meio século volvido, só se pode acrescentar que estava e está cheio de razão. Pena é que os interessados finjam não perceber, porque assim lhes dá mais jeito, para alguns só até Outubro...