terça-feira, 30 de julho de 2013

Estranho, muito estranho...

 Rádio Hertz on line, 29/07/2013, 15H16

Jornal i, 30/07/2013, página 8

Cada vez mais estranha e densa a atmosfera político-eleitoral tomarense. Leiam-se as duas notícias supra. A da Hertz é triunfalista, bastante detalhada e peremptória: "um projecto de grandes dimensões e que irá criar cerca de 200 postos de trabalho."
Muito mais comedido, o jornalista do i vê o mesmo tema de outro modo: "um centro de excelência", que poderá levar à criação de 200 postos de trabalho." Simples questão de formulação frásica? Ou haverá mais bicho na fruta?
À cautela, o referido diário acrescenta a chamada obrigação deontológica: "O i tentou obter mais pormenores desta parceria, mas sem sucesso até à hora do fecho desta edição." Porque terá sido?
Apenas mais um exemplo da lamentável política de segredo de uma autarquia que insiste em brincar às escondidas com os seus potenciais eleitores? Ou trata-se só de um "apanha-votos" para consumo local, a exemplo do célebre parque temático de há quatro anos?
Já que é questão de informação, há que aproveitar o ensejo. Aqui há meses solicitei, ao abrigo da lei do direito à informação, que me fosse facultada a consulta ao "processo ParqT". O senhor presidente da câmara teve então a amabilidade de me informar por escrito que tal não era possível, em virtude de o referido caso estar a ser investigado. 
Por portas travessas, lá consegui apurar que o dito assunto estava a se investigado pela Polícia Judiciária, na sequência de uma iniciativa dos IpT. Continuo à espera. O que me espanta e parece muito estranho é que os vereadores IpT nunca mais tenham interrogado a maioria relativa a tal respeito. Afinal a PJ continua a investigar? Já concluiu a investigação? Encontrou algum ilícito? Já enviou o relatório final? Não há sequer matéria para relatório?
Os contribuintes pagam, mas têm o direito de ser informados. Que a câmara PSD procure informar o menos possível nessa questão da ParqT, percebe-se. São inábeis políticos, porém não consta que sejam masoquistas. Mas as oposições, senhores? O que será que as inibe? Simples incompetência? Ou algo mais?

segunda-feira, 29 de julho de 2013

PSD - Tomar: Continuidade sem evolução



Apareceu finalmente de forma pública a lista laranja nabantina. Conforme era previsível, trata-se de gente jovem, séria, ambiciosa,  trabalhadora e por aí fora. O pior é o substrato político. E a gritante falta de ideias originais e fecundas. Carlos Carrão consegue o seu sonho, não de toda uma vida, mas de quando percebeu que nesta terra tudo é possível com o actual sistema eleitoral de listas aferrolhadas. Ascendeu à cabeça e tem algumas hipóteses de ganhar tangencialmente. Não por mérito próprio ou dos seus acompanhantes. Apenas por manifesta inépcia dos adversários, uns escravos de fantasias, outros de ideias fixas, outros ainda de afigurações de tipo megalómano.
Em segundo lugar vem o jovem causídico João Tenreiro, inicialmente adversário interno de Carrão, posto que apoiante de António Lourenço dos Santos, que as instâncias partidárias rejeitaram, vá-se lá saber porquê. Capelinhas, está bom de ver. Trata-se portanto de um prémio de consolação para Tenreiro. Assim uma espécie de porta-chaves a comemorar o facto de ter engolido o sapo e passado a apoiar o que antes criticara. Por ser um neófito em funções autárquicas, vai seguramente passar um mau bocado, pelo menos até se inteirar da vida camarária, com os seus múltiplos alçapões e outras tantas ratoeiras.
Maria Luísa Oliveira é outra principiante, que aparece em terceiro lugar unicamente devido à sua condição feminina. Tanto mais que a seguir temos o actual vice-presidente, José Perfeito, que no actual mandato passou de quarto a segundo, o que pode bem ser uma indicação do que virá a suceder uma vez mais, caso o PSD consiga vencer. Com efeito, não fora o problema Tenreiro e o contingente feminino obrigatório, o actual vice seria naturalmente o segundo da lista. Nestas condições, uma vez eleito, com maioria absoluta ou relativa, Carrão renovará a indicação de Perfeito como vice-presidente, assim transformando Tenreiro e Luísa Oliveira em dois jarrões chineses. Ou dois autarcas no regime de formação remunerada em exercício.
Maldade minha? Má vontade? Que não, que não! Apenas uma singela constatação interrogante: Que se pode esperar de dois autarcas experientes e bons conhecedores da casa, secundados por dois principiantes em política autárquica? Carrão e Perfeito já demonstraram não ter qualquer programa credível ou sequer vontade de o apresentar. Os outros dois têm? Vai daí, A ser assim, vamos ter mais quatro anos de continuidade sem evolução. Triste sina a nabantina!

Mazelas Tomarenses

 O progresso e a esperteza saloia

Foto 1
A política tem destas coisas. Delineada no reinado paivino, a empreitada da Envolvente ao Convento de Cristo, que nada justificava além da ganância perante os fundos de Bruxelas, foi candidatada com um projecto feito à pressa e por aprendizes. Do que resultaram erros crassos, como o rebaixamento do parque de estacionamento da Cerrada dos Cães, que veio a provocar a queda das pinheiras cinquentenárias, excepto uma.
Nesta segunda fase, tratava-se de implantar um parque de estacionamento para nove autocarros de turismo, junto à fachada norte do Convento de Cristo e ao arrepio das recomendações europeias no sentido de afastar dos monumentos os veículos diesel, devido às emissões excessivas de CO2. Segundo me foi dito por fonte sabedora, inicialmente os ditos autocarros estacionariam "em espinha" no novo parque. Devido a mais um erro de concepção, após onerosas expropriações e custosas obras de sustentação do talude situado a norte concluiu-se, que afinal o espaço previsto era insuficiente. Os autocarros não cabiam em "espinha", pois têm geralmente onze metros de longo e o novo parque nem isso tem de largura, uma vez implantados os passeios.
Entrou então em cena o habitual desenrascanço, também conhecido por esperteza saloia. Em vez de emendarem as coisas, não senhor. Já que não podem estacionar "em espinha", estacionarão longitudinalmente, ou seja, ao longo do passeio da direita. Donde aquela reentrância tão estética e prática para os motoristas, logo ali na curva da entrada (foto 2). Azar dos azares, segundo informação de António Freitas, um dos raros periodistas locais a lutar pela sua terra e a interessar-se por estas minudências, os novos autocarros de turismo (ver foto 1) são de três eixos, para maior estabilidade e conforto das pernas, tendo 15 metros de comprimento. Vai daí, não estou a ver como vão conseguir fazer aquela curva à primeira tentativa. E daí a irem dizer mal de Tomar...

Foto 2

domingo, 28 de julho de 2013

HOMENS e minhocas...

Aqui está um caso de flagrante diferença, a pouco mais de 40 quilómetros de distância. Em Leiria há homens políticos. Em Tomar há apenas minhocas políticas. E não só. Por isso Leiria continua a crescer. Já ultrapassou os 100 mil habitantes. Por isso Tomar continua a mirrar. Já desceu abaixo dos 40 mil habitantes. Aproveite igualmente para comparar o jornal leiriense com os nabantinos. São muito parecidos, não são? Até têm primeira página e tudo!


sábado, 27 de julho de 2013

Por este caminho temos futuro?


Pago 35 euros por cada recibo de água + taxas diversas. Nos concelhos vizinhos, segundo consultas feitas, pagaria menos de 30 euros. Entreguei recentemente um projecto de obras, para apreciação e posterior obtenção da indispensável licença camarária. Paguei 476 euros. Num concelho vizinho, cujo funcionário pediu o anonimato total, como condição para comparar, teria pago apenas 228 euros.
Precisei há dias de uma ambulância, para transportar a mãe do meu filho, gravemente enferma, a Coimbra. Tive de recorrer aos bombeiros de Constância. Os de Tomar não têm ambulâncias em condições de fazer o trajecto com absoluta segurança, segundo me foi dito.
Se fosse um subsídio para uma actividade cultural, desportiva ou mais ou menos, uma cedência do autocarro "à borliú", a utilização gratuita de um pavilhão ou uma passeata comezaina-tintol-bailarico-lanche ajantarado, a 10 euros por cabeça, era trigo limpo. Ambulâncias é que não pode ser. Os enfermos que vão à pata, que andar faz bem à saúde!
Com estas opções e por este caminho temos futuro? 
Cada qual que responda como entender no próximo 29 de Setembro. 
A minha posição já é conhecida. Não jogo mais enquanto não mudarem o baralho, cujas cartas estão viciadas.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Funcionários públicos

Alguns leitores deste blogue ficam muito enxixarados quando aqui prevejo que vai haver despedimentos importantes de "servidores do Estado". Deduzem -erradamente, mas deduzem- que sou contra os funcionários. É mais ou menos como sustentar que sou contra a chuva se escrever que no próximo inverno vão ocorrer algumas inundações.
Na verdade, nada tenho contra os trabalhadores e como é sabido até fui funcionário público durante quase 40 anos. Com uma importante particularidade porém -andava a toque de compaínha, ao ritmo 50-10-50-10. E tinha falta a justificar se chegava 10 minutos mais tarde. Para que conste...
Quanto aos funcionários camarários em geral, não duvido nem por um segundo que são leais e profícuos servidores da autarquia e, através dela, de toda a comunidade tomarense. O que não significa que sejam mártires do trabalho, como as atitudes de alguns pretendem dar a entender. Não sendo possível andar a espreitar o que se passa nos cada vez mais serviços camarários dispersos pela urbe, só posso escrever como conhecimento visual daquilo que acontece cá fora.
Esta manhã, antes das nove, fui ao mercado semanal. À entrada da ponte nova, de um lado dois funcionários da varredura discutiam animadamente. Um terceiro observava interessado do lado oposto. Regressei a casa e fui ao pão. À sombra da igreja de S. João, um outro funcionário da varredura conversava animadamente com um cidadão. 
Vindo da padaria, dirigi-me para a Rua do Pé da Costa de Baixo. Nas traseiras dos Paços do Concelho, lá estava outro funcionário da limpeza urbana a observar atentamente um jornal. Finalmente, já na Rua do Pé da Costa de Baixo, tive então o gosto de ver um outro "varredor" a arrancar ervas de um muro leproso. Pareceu-me novo nestas andanças. Ainda não terá adquirido os hábitos da casa. Nem tudo está ainda perdido. Mas já faltou mais. Por isso, deixem-se de queixas e de tretas. Por este caminho não vamos longe. 
Lavoisier escreveu que "as mesmas causas, nas mesmas condições exteriores, produzem sempre os mesmos efeitos". Confirmando este axioma, Einstein viu as coisas de outro modo: "Loucura é fazer a mesma coisa e esperar resultados diferentes." Exactamente a triste situação dos candidatos autárquicos tomarenses, cuja principal qualidade é a teimosia.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Doenças graves

Informei os leitores em tempo oportuno que iria suspender os escritos neste suporte, devido a problemas graves de saúde na família. E assim tem sido, ou quase. Apenas procuro publicar os incidentes mais urgentes, preocupado e assoberbado que ando com a doença da minha senhora (acho o vocábulo "esposa" inadequado por demasiado piroso). Para mal dos meus pecados (que são muitos, bem sei), outra doença me atazana o espírito, por ser de certo modo ainda mais grave que a antes mencionada. Falo da decadência aguda da comunidade tomarense.
E refiro de certo modo mais grave porque, enquanto no caso da mãe do meu filho, tudo está a ser feito para  ultrapassar a maleita, havendo até já um projecto para a levar ao estrangeiro, se tal vier a ser necessário, no caso da cidade e do concelho -NADA! A autarquia e os autarcas nabões continuam alegremente a nadar.
O senhor Carlos Carrão, que é o mais humilde dos três da troica do poder, tem pelo menos o mérito de nada prometer, além das usuais festarolas bem regadas e de uma nova etapa, ninguém sabe com quem, para onde, porquê ou para quê. Na verdade apenas procura manter o seu ganha-pão actual, que lhe é indispensável para poder continuar a assegurar a educação dos filhos. Quanto à sua actuação política, basta lembrar que o executivo decidiu contratar mais funcionários efectivos, numa altura em que por esse país e por essa Europa fora se fala sobretudo em despedir "servidores" do Estado, tornados redundantes pelos servidores informáticos.
A senhora licenciada Anabela Freitas -uma simpatia, que todavia não responde às ofertas de ajuda- dá mostras de grande entusiasmo na divulgação da cartilha socratino-segurista, prometendo tudo a todos, a começar pela MUDANÇA, que por enquanto ninguém sabe em que consiste. Exactamente como o seu secretário-geral, que apregoa medidas como por exemplo a renegociação do memorando de entendimento ou os eurobonds, sem previamente ter consultado os nossos credores, que obviamente não estão para aí virados. O senhor licenciado Seguro anda portanto a difundir balelas oportunistas e a senhora licenciada Anabela idem.
Não estando em causa a pessoa, ainda que o seu feitio tenha umas arestas que se fossem limadas só o beneficiariam, o licenciado Pedro Marques e a sua formação IpT constituem uma verdadeira chaga no cada vez mais mirrado corpo nabantino, ao implicar quase obrigatoriamente um poder a três, fórmula que não será a  melhor para encetar novos e indispensáveis caminhos por estas bandas. Como é sabido, capitaliza sobretudo votos que seriam do PS, partido com o qual de facto não quer negociar. Beneficia assim um PSD exausto e seco de ideias, que nos arrasta para a irrelevância regional.
Restam os outros três intervenientes, com destaque para o engenheiro Bruno Graça, que tem prestígio e obra feita, mas está outra vez numa formação cujo futuro já foi. Como sucedeu com as defuntas UDP, FEC/ML e  OCMLP. É pena.
Bem sei que há as tertúlias, ao que parece muito frequentadas e animadas. Porém, mesmo tendo em conta que em política o que parece é, na verdade o tempo das tertúlias, das doutrinas tentadoras e da esquerda em geral já passou. Agora chegou a era do res non verba. Nós é que continuamos bastante atrasados nas ideias dominantes em relação à Europa e ao Mundo. A nossa doença do costume. Insistimos de forma obstinada na falsa ideia de que os outros vão esperar por nós...