quarta-feira, 3 de março de 2010

DOENÇAS GRAVES, CURAS DEMORADAS

Foto 1
Foto 2
Foto 3
Foto 4

Numa atitude corajosa, muito comentada e louvada na altura, o arquitecto Lebre, enquanto cidadão tomarense, foi a uma reunião do executivo camarário e lamentou o estado a que isto chegou, protestou contra certas enormidades (como por exemplo as lajes em granito...) e reclamou contra a evidente morosidade das obras, que a todos incomodavam. Assim publicamente enxovalhado, o executivo de então, que é quase o mesmo de agora, lá acelerou a conclusão dos trabalhos em curso e ordenou que passassem a ser usadas lajes de calcáreo. Infelizmente para todos os cidadãos, outras asneiras continuaram a ser praticadas.
A foto 4 mostra que nem todos os sumidouros foram colocados nos eixos das quelhas, o que é muito estranho, tendo em conta a lei da gravidade, que faz com que a água corra sempre para o lado mais baixo. Mais bizarro ainda, alguns sumidouros nem sequer parecem ligados ao colector (Foto 1).
Outro aspecto curioso é que as passadeiras, sendo centrais, por vezes não ocupam o eixo da via (foto 3). Só falta apurar porquê. Outro tanto sucede com a velha sarjeta frente ao Cine-Teatro. Por razões que falta apurar, está entupida há mais de dez anos (!!!) (foto 2), apesar de entretanto já ali terem feito obras há pouco tempo. Dado que o sumidouro da foto 1 também não cumpre a sua função, quando chove bastante, resta aos cidadãos trazerem de casa toalha e sabonete, pois a água é abundante e muito mais barata que a dos SMAS. É gratuita. Só tem um inconveniente: por enquanto ainda não é aquecida. Mas com o tempo... Entretanto é aconselhável comprar uns botins de borracha...e apresentar a factura numa das reuniões do executivo autárquico. Pode ser que assim as coisas melhorem e os eleitos deixem de dizer que é tudo má-língua.

terça-feira, 2 de março de 2010

AQUI COMEÇOU O DESVARIO...




Três aspectos da Corredoura, onde realmente teve início o desvario que ainda perdura -a paixão pelas obras deficientemente projectadas e de duvidosa utilidade, unicamente para sacar os ambicionados fundos europeus. Por razões óbvias, para quem não ande a dormir...
Já que falamos da Corredoura, um esclarecimento necessário. Ao contrário daquilo que pensam muitos tomarenses, a popular e antiga designação da actual Rua Serpa Pinto nada tem que ver com os heróicos cavaleiros a correrem por ali abaixo. Quem duvidar fará o favor de tentar descer a cavalo a parte de cima da Calçada de S. Tiago, cujo traçado e estado de conservação são sensivelmente os mesmos do século XVI... Se cairem da montada não nos venham pedir responsabilidades.
Corredouras eram simplesmente as vias mais largas da Vila Baixa, pelo meio das quais corriam as águas das chuvas e, nalguns casos, pequenos ribeiros, como o dos Sete Montes pelo meio da então Rua da Graça, ou o de Santa Bárbara pela Rua dos Arcos. Nada de heróis portanto. Por ignorarem esta realidade, os técnicos municipais nunca conseguiram resolver de forma satisfatória o problema do escoamento das águas pluviais da encosta do castelo, que continuam nos nossos dias a alagar parte da Calçada de S. Tiago e a inundar o troço da Rua da Costa à ilharga dos Paços do Concelho. É a vingança da natureza, contra os que lhe vedaram a antiga corredoura ou corredoira.
Esclarecida a questão, voltamos às obras. Na altura, o então presidente revelou coragem ao fechar a rua ao trânsito, e capacidade de liderança quando decidiu alterar o seu perfil tradicional. Infelizmente, cedo se verificou que o improviso originou vários erros. Eis alguns. A ideia de colocar a quelha dos sumidouros ao meio da via foi uma asneira das grossas. Quando as bátegas são mais fortes, a rua torna-se impraticável para peões, o que não aconteceria se os sumidouros estivessem junto às paredes, o que deixaria o centro da calçada mais alto e mais seco para os peões.
Outra manifesta aselhice são as lajes mal assentes e sem juntas de dilatação, que agora cedem e se fragmentam sob os rodados dos veículos de distribuição. O mesmo acontece com os caríssimos bancos, alguns dos quais têm andado de Herodes para Pilatos, ao sabor dos pedidos dos senhores comerciantes da área, que parece nem sempre saberem o que querem. E depois há aquele testemunho indesmentível do novo-riquismo provinciano, excitado pelos dinheiros fáceis de Bruxelas -os inúteis e onerosos projectores de solo, do lado esquerdo de quem sobe. Julgamos que nunca ninguém percebeu qual a sua utilidade, mas todos se calaram para não passarem por labregos. Devem ter pensado que nas grandes cidades europeias era assim...
Dado que os ditos apenas acenderam meia dúzia de vezes e manifestamente não fazem lá falta nenhuma, visto que a rua dispõe de candeeiros, por acaso até bonitos, julgamos que seria bom retirar os ditos projectores de chão e instalá-los no Salão Nobre os Paços do Concelho. Acesos durante as reuniões do executivo e/ou a sessões da assembleia municipal, podia ser que facultassem aos senhores eleitos umas luzes de política de desenvolvimento sustentado, de programas, de projectos, de ideias fecundas, de humildade democrática, de diálogo com a população, e por aí. Tudo coisas que têm andado e continuam a andar arredias destas paragens nabantinas. Infelizmente.

NOVIDADE GASTRONÓMICA NABANTINA ?

Não será propriamente um petisco dietético. Novidade é, quase de certeza. Já corremos muito mundo e nunca vimos anunciado algo assim. "Azeitonas Fritas" pode comparar-se com chuva no molhado, uma vez que é gordura, frita noutra gordura. Se o estabelecimento a anuncia será concerteza porque tal especialidade tem apreciadores. Só falta saber se em simultâneo vão tomando daqueles produtos contra a obesidade. Ou fazendo exercícios para manter a linha...
Onde se situa o estabelecimento ? Por agora apenas podemos informar que é nabantino. Mas se insistirem muito... e não forem obesos (por enquanto)...

MAIS UM GUARDANAPO PARA OS SMAS SE LIMPAREM


É verdade caros irmãos na desgraça. Estamos a ser explorados até ao tutano. Para financiar a renovação da rede ? Para sustentar os funcionários ? Para pagar os custos da má organização ? Vá-se lá saber. Os nossos autarcas têm pelo menos uma virtude: em relação a qualquer problema colocado pelos munícipes, só quando de todo não podem continuar calados é que se resolvem a debitar uma desculpa mal alinhavada. Do tipo "vamos examinar o problema logo que possível; a questão não é assim tão simples; há várias componentes em jogo..."
O exemplo comparativo que apresentamos acima parece-nos sem qualquer ambiguidade. Em Tomar (SMAS dirigidos pela autarquia), por um consumo de 4 metros cúbicos mensais pagava-se em 2009 15,33 €. Em Fátima (Ourém - Serviço de águas privatizado pelo PSD por concurso público), por um consumo mensal de 19 metros cúbicos, paga-se em 2010 17,67 €.
E depois admiram-se que cada vez mais consumidores resolvam pôr-se na alheta. Até se pode dizer que os SMAS Tomar facturam bem, mas só até que tenham a quem. Que é como quem diz até que os tomarenses vão pagando e calando.

APÓS A FESTA DOS 850

Foto Rádio Hertz, com os nossos agradecimentos

Para usar uma expressão corriqueira, que serve para tudo, "correu bem" a festa dos 850 anos de Tomar. Até houve algum público, o que é raro, mas como não choveu...
Um sucesso, por conseguinte, para a autarquia e, sobretudo, para o vereador da cultura, o verdadeiro "motor" da coisa ? Aparentemente sim; na realidade nem lá perto. Basta pensar no após-festa. Que nos ficou de útil ? Umas imagens na retina ? Que préstimo têm ? Que ensinamentos delas podemos tirar ? Pelo menos este -foi com toda a evidência dinheiro gasto em vão. Cruzes, bandeirolas, cartuchos "king-size", cartazes, programas, morteiros (vá lá, sempre conseguimos escapar aos 800 foguetes, pelo menos na cidade), fogo de artício, numa despesa que rondará, se contabilizada sem maquilhagem, os 50 mil euros, pelo menos; tudo isso para quê ? A insensiblidade social dos senhores autarcas já é tanta que nem se deram conta do exagero ? Não viram que fazer, em tempo de crise, uma comemoração assim, com morteiros, fogo de artifício e comezaina, tudo pago pelos contribuintes, é uma verdadeira ofensa aos pobres, aos desempregados, ao bom-senso e à decência dos costumes ?
Se calhar cuidam que as coisas ainda não mudaram desde o tempo dos romanos, cuja política básica assentava no binómio pão+circo. Mas isso foi há dois mil anos. Entretanto os cidadãos já tiveram tempo de perceber que são eles os produtores e os pagantes, enquanto outros lhes vão dando espectáculo para entreter, em vez de lhes resolverem os mesquinhos problemas quotidianos.
Por exemplo esses tais 50 mil euros desta comemoração teriam concerteza permitido tapar com uma camada de asfalto os buracos à volta da Várzea Grande e na Rua Manuel de Matos, entre outros. Ou para concluir as obras no Largo do Pelourinho. Mas não era tão espectacular, lá isso não ! O problema é que, para governar a vida, os cidadãos precisam de vias de comunicação em bom estado. Poucos são os que se vão governando com comemorações e outras festas, que para mais dão um sinal totalmente errado: Que se pode viver durante muito tempo a crédito, como é o caso do nosso município. Esperem pelo retorno do boomerang...

segunda-feira, 1 de março de 2010

EM CHEIO NO CORAÇÃO DA REALIDADE

Vale mais prevenir que remediar, usa dizer-se por aí. Numa terra em que a esmagadora maioria da população é desprovida de qualquer sentido de humor, preferindo arrastar-se pelas ruas com cara de enterro, ou com ar de alguém a quem todos devem e ninguém paga, toda a cautela é pouca. Daí este intróito.
Temos naturalmente estima, consideração e respeito por todos os que, como nós, procuram informar o melhor possível "dentro de lo que cabe", segundo a expressão castelhana. Sabemos muito bem que errar é próprio de quem faz, acontecendo a todos, com maior ou menor frequência. Nem os profissionais das chamadas catedrais da informação escapam, quanto mais agora nós, pobres provincianos tomarenses, longe da Europa, longe de Lisboa, longe da sorte.
O que segue é pois exclusivamente para provocar uns sorrisos saudáveis, não tendo qualquer intuito de agredir ou apoucar os caros colegas da Hertz, cujo trabalho admiramos, conquanto nem sempre estejamos totalmente de acordo.
Pois desta vez, por mero acaso ou intencionalmente, ao primeiro tiro, os hertzianos conseguiram atingir a realidade local em pleno coração. Na verdade, aquilo que temos tido desde antes da campanha eleitoral é um conjunto de dois partidos tipo irmãos siameses. Um não tem programa, o outro tão pouco. Um não tem rumo, o outro também não. Um não tem ideias, o outro igualmente. Ainda por cima, juntando a fome com a vontade de comer, coligaram-se sem acordo devidamente estruturado. Limitaram-se a dividir empregos, vulgo "tachos". É por isso particularmente correcta e incisiva a designação "Partido Socialista Democrático de Tomar", pois é disso que se trata. Quer a coligação se venha a esbandalhar a curto prazo, ou mais tarde; quer venha a durar todo o mandato, é bem certo que os eleitores nabantinos não terão alternativa. Os dois partidos do chamado arco do poder já lá estão, por enquanto não convencem e são, em termos de acção, boné branco e branco boné. Assim uma espécie de Dupont e Dupond
Quanto aos IpT, manda a verdade dizer que o eleitorado já "disse", por duas vezes, que não está interessado em ter novamente Pedro Marques como alcaide de Tomar. E contra factos, os argumentos não colhem, pois nem adiantará debater se os cidadãos terão ou não razão. Os factos são o que são. Em duas consultas genuinamente livres, o antigo independente pelo PS nunca esteve sequer próximo da vitória, apesar de neste último escrutínio ter beneficiado de uma campanha publicitária muito acima do que é usual por estas bandas. Tem o direito de continuar a concorrer ? É claro que tem. Tal como qualquer cidadão tem o direito de sonhar com a lotaria, o totoloto ou o euromilhões. Os tomarenses é que não parece que tenham qualquer esperança vinda dali.
Dado que os outros agrupamentos, por mais necessários, sérios e activos que sejam, não têm qualquer hipótese de vencer, coisa que os eleitores sabem perfeitamente, estamos realmente num beco. A exigir quanto antes uma efectiva recomposição da paisagem política local. Sem o que, qualquer que venha a ser o contexto nacional e internacional, estamos condenados à insignificância.
Parafraseando um conhecido soberano, os tomarenses são um grande povo. Sob a égide dos templários e dos cavaleiros de Cristo, conseguiram reunir os meios de financiamento que possibilitaram a extraordinária aventura dos descobrimentos. Mas depois cansaram-se e nunca mais fizeram nada de jeito. Será desta ? Começa a haver alguns indícios.

RIMAR PARA (NÃO) COMEMORAR

Bandeirolas, miséria e ciganos ao entrar
Uma paisagem linda e o sol a brilhar
Monumentos de encantar
Uma festa de pasmar
Autarquia a comemorar
Morteiros a rebentar
Contribuintes a pagar
Técnicos a complicar
Funcionários a abusar
Investidores a desandar
Empresas a encerrar
Desemprego a aumentar
Jovens a debandar
Crianças a rarear
Turmas a escassear
Decadência a acelerar
A urbe a definhar
Cidadãos a aguardar
Alguns políticos a mamar
Coligação a abanar
Partidos a engonhar
IPT a improvisar
IpT a contemplar
Autarcas a empatar
Eleitos a endrominar
Eleitores a dormitar
Jornalistas a empastelar
Tradicionalistas a delirar
Aventais a governar
O alcaide a protelar
Não há que enganar:
Estamos em Tomar !
Que outra gente ia aguentar ?

"Cidade Templária -A herança dos séculos": Cidade templária, é verdade, mas não é toda a verdade. Porque há outras cidades templárias no país. A herança do séculos é um manifesto lapso de linguagem. Os séculos nunca deixaram qualquer herança. Os homens com H é que nos legaram obras importantes.