sábado, 13 de março de 2010

TRÊS ANÁLISES CONVERGENTES E DOIS RECADOS

Na sequência da nossa análise "Corvêlo de Sousa insiste no equívoco", lemos no blogue da Rádio Hertz que, na sua habitual intervenção das sextas-feiras, Pedro Marques o acusou de mentir. Parece-nos um exagero de linguagem. O actual alcaide tomarense não mente; apenas tem uma maneira peculiar de ver a situação sócio-económica concelhia, que realmente não nos parece nada adequada aos tempos que estamos a viver.
Partindo do princípio que os nossos autarcas da circunstancial maioria estão de tal forma ocupados com almoços, jantares, inaugurações, aniversários, excursões, assinaturas, telefonemas, idas aqui e além, estudo dos processos e outros trabalhos insanos, que nem tempo têm para ler a imprensa; tendo em conta igualmente que a autarquia não dispõe de um serviço de recortes para o presidente e os vereadores, resolvemos seleccionar três excertos de análises hoje publicadas no EXPRESSO, tendo em vista uma eventual mudança de atitude dos nossos eleitos no que concerne à economia local. Se conseguirmos que deixem de pensar e de dizer que estamos isolados aqui em Tomar a dianteira, já nos daremos por satisfeitos. O que julgamos indispensável interiorizar, para posterior base de raciocínio, vai a negrito. Os principais destinatários são, naturalmente, Corvêlo de Sousa, gestor da autarquia, quer queira quer não, e Carlos Carrão, o vereador da economia e finanças. Mas todos terão a lucrar em termos políticos, se lerem o que segue.

THE ECONOMIST -Quem paga a conta ?

"A guerra mais imediata, que já está a rebentar em muitos países europeus, é entre os contribuintes fiscais e os funcionários públicos, e entre o aumento dos impostos e o corte da despesa pública. Em termos políticos, os contendores estão equilibrados, opondo os poderosos sindicatos aos maiores contribuintes fiscais. ... ...Em termos económicos, no entanto, a maior parte dos ajustamentos deve assumir a forma de cortes na despesa.
... ... É verdade que podem ser necessários alguns aumentos de impostos, quanto mais não seja devido à necessidade política de persuadir o eleitorado de que os sacrifícos estão a ser partilhados. Mas os aumentos fiscais, como o registado no Japão em 1997, podem aniquilar uma recuperação. ... ...
Qualquer que seja o caminho que os governos escolham, será difícil. À medida que o crédito fácil for dando lugar à era da austeridade, a coesão social de muitos países será posta à prova, e nem todos os países resistirão. Durante os próximos anos, as carreiras de muitos políticos serão feitas e desfeitas nos mercados obrigacionistas."

O texto integral em inglês pode ser consultado em www.economist.com

DANIEL BESSA - O PEC NA AR

"Nasceu o PEC. Foi no Domingo passado. Nasceu escorreito. Sai aos seus. Vai agora ser discutido na Assembleia da República.
O PEC é um programa de saneamento das finanças públicas, a médio prazo, exigido por Bruxelas e seguido com a maior atenção pelos credores. Constitui um compromisso do Estado Português, assumido pelo governo. É natural que este queira apresentá-lo à Assembleia da República (depois de o ter apresentado aos partidos políticos e aos parceiros sociais), e não é difícil perceber por que razão gostaria de o ver aprovado pela oposição. Não vejo, no entanto, nem como isso pode acontecer, nem porque é que isso deve acontecer. Em primeiro lugar, porque a AR vota leis, moções de confiança e moções de censura; não vota os PEC, como não vota Programas de Governo. Em segundo lugar porque não há vias únicas para resolver problemas económicos e políticos.
Considero da maior importância a formação de uma maioria parlamentar comprometida com o objectivo de equilibrar as contas públicas; mas, para isso, não é necessário estar de acordo com o PEC no que tem de programa político concreto. A democracia ganharia muito, de resto, se em próximas eleições pudéssemos escolher entre vários PEC, leia-se programas de política, devidamente quantificados, em vez de nos ocuparmos de fantasias."

MIGUEL SOUSA TAVARES - PEC: Plano de Extermínio dos Contribuintes

"... ... Não falo dos justamente assistidos -dos que vivem com pensões de 300 euros ou do meio milhão de verdadeiros desempregados. Falo, para começar, dos imediatamente acima, mas moralmente bem abaixo: dos que vivem dos esquemas do subsídio de desemprego enquanto mantêm empregos paralelos ou vegetam no café à porta do Estádio da Luz a dizer mal de tudo; dos "biscateiros" que nunca passam factura nem pagam um tostão de impostos e se acham cidadãos exemplares; dos que cultivam as falsas baixas e arruínam o sistema de saúde público com doenças que não têm, exames de que não precisam e remédios que não pagam; dos que compram Mercedes com subsídios para plantar batatas ou produzir "arte" ou gravuras paleolíticas. E falo ainda dos mais acima na escala dos assistidos: dos que oferecem robalos em troca de telefonemas, andares recuados em troca de urbanizações e milhões em offshores em troca de subtis alterações às leis. Falo, enfim de todos os que vivem à conta e não sabem viver de outra maneira, dos tais 46% que se declaram soberbamente indisponíveis para aceitar sacrifícios -com a certeza adquirida de que os "outros" é que têm de o fazer. São esses que o PEC protege. ... ... ...
... ...E muito mais se pouparia ainda com algumas medidas de higiene financeira, tais como o fim das parcerias público-privadas, a redução aos casos estritamente necessários do recurso a consultadoria externa, a proibição expressa e consequente responsabilização cível e criminal de quem autorizasse a sistemática derrapagem de custos nas empreitadas e adjudicações ao Estado e o controlo apertado do endividamento das empresas públicas, com responsabilização salarial dos seus gestores. E isto, esperando que o endividamento zero das autarquias seja mesmo para cumprir. O congelamento inevitável dos salários da função pública (se é que o governo, depois da vitória dos professores, vai conseguir aguentar a rua e os sindicatos), e a sua progressiva e justa equiparação aos restantes trabalhadores quanto à idade da reforma, só podem ser politicamente sustentáveis se não continuarmos a ser diariamente confrontados com os maus exemplos que vêm de cima. ... ...
... ... Quando e se esta crise financeira do Estado for ultrapassada ou contida, manter-se-á o agravamento de impostos que agora dizem excepcional; a clientela larvar do Estado chegar-se-á outra vez à frente a reivindicar negócios, subsídios e apoios e tudo voltará à mesma, até nova crise. Aí, faz-se novo intervalo e aumenta-se mais ainda os impostos aos mesmos de sempre. Até ao dia em que eles estoirem e não haja ninguém para pagar a conta. Já faltou mais.

Os senhores autarcas, bem com os leitores em geral, farão o obséquio de efectuar as adaptações necessárias. Quando, por exemplo, um texto fala de impostos, convém acrescentar "taxas, licenças e preços da água", e assim sucessivamente...

CORVÊLO DE SOUSA INSISTE NO EQUÍVOCO

Em mais um bom trabalho da Rádio Hertz, que assim prossegue a sua acção em prol do debate dos problemas locais, Corvêlo de Sousa assumiu posições que nos parece merecerem alguma análise.
No que concerne ao falhado investimento local de Francisco Ferrari, fica muito bem ao nosso presidente assumir todas as responsabilidades. Assim é que deveria suceder sempre, dado que é ele o responsável máximo a nível local. Infelizmente, logo a seguir enveredou por uma via que não se recomenda. Não só se esqueceu de referir um eventual inquérito, tendente a apurar quem reteve o pedido do sr. Ferrari durante meses, e com que intenções o fez, como usou de uma habilidade detestável -deu a entender que, provavelmente, o cidadão em causa não terá dito a verdade, ou pelo menos não terá dito toda a verdade. Está mal. Após assumir a responsabilidade por um determinado fracasso, um autarca nunca deveria, lateralmente, tentar "sacudir a água do capote". O povo começa a estar cansado de viver num país e numa terra onde os responsáveis são sempre os outros.
Abordando a questão da situação financeira da autarquia, Corvêlo de Sousa resolveu recorrer à comparação com um orçamento familiar. É um hábil ardil, que todavia não resiste a um exame mais atento. Desde logo, porque a definição de investimento, em linguagem económica, significa basicamente aplicação de capitais e outros recursos, tendo em vista a obtenção de retornos transaccionáveis. Acontece que, no caso do governo e do poder local, a fronteiras entre investimento/despesa/esbanjamento, são bastante gasosas. No caso tomarense, excluíndo a rede de saneamento, que permite arrecadar sumarentas taxas, tudo o resto é pura despesa sem qualquer retorno negociável. Há as contribuições e impostos ? É verdade, mas esses têm sempre de ser liquidados, com ou sem os tais "investimentos" tipo arranjo do Mouchão, Ponte Mouchão-Campo de Treinos, Paredão do Flecheiro, Pavilhões, Campos de Ténis, Parque Subterrâneo, Terreiro de Santa Maria...
E depois, uma família pode sempre vender o andar ou moradia, uma vez pagos, realizando assim, por vezes, confortáveis mais-valias, coisa que a autarquia, naturalmente não pode fazer, salvo excepções, de resto cada vez mais raras. Basta pensar no caso do Convento de Santa Iria, em que se anda há anos a contar com o ovo no oviduto da galinha, mas esta não há meio de se resolver...
Quanto à relação orçamento/serviço da dívida, convirá antes de mais ressalvar uma evidente gralha (fugiu-lhe a língua para a verdade ?): o total orçamentado é de 57 milhões, e não de 27 como está escrito. Depois, resulta claro que, em termos de raciocínio na área económica, o autarca tomarense está (sem disso se dar conta ?) numa posição comparável à dos veículos 4x4 nas picadas africanas, em época de chuvas: os sulcos deixados pelas anteriores viaturas são de tal modo profundos que não adianta tentar saír deles. Só deixando a picada e abrindo outra, o que é bastante laborioso...
A questão do serviço da dívida, que é de mais de 600 mil contos anuais, vai complicar-se cada vez mais, devido a uma conjugação de factores que a autarquia só poderia contrariar liquidando-a, o que está evidentemente fora de causa, por evidente falta de recursos. Esses factores são, entre outros, os seguintes: 1-Aumento progressivo das taxas de juro; 2-Retracção cada vez mais acentuada da actividade económica no concelho; 3-Debandada forçada da população residente, devido à falta de empregos e de postos de trabalho; 4-Diminuição progressiva da cobrança de receitas locais, devido aos factores anteriores; 5-Redução das transferências do poder central, resultantes dos apertos orçamentais (quem não cobra também não pode transferir) e da redução de eleitores inscritos no concelho, a partir de cujo total é calculado o montante anual a transferir.
A soma destes factores e dos elementos anteriores, exige que os eleitos locais tenham quanto antes a coragem de começar a pensar de outra maneira e a partir de bases novas, tendo em vista um novo enquadramento sócio-económico, capaz de gerar valor acrescentado endógeno. Receitas transaccionáveis, como vulgarmente se diz. Isto se realmente pretendem que a cidade e o concelho consigam saír do atoleiro onde se enterram pouco a pouco. Caso de trate apenas de garantir fins de mês tranquilos, saibam que a partir de determinada altura (já faltou mais...) nem isso está garantido. Nem mesmo para os senhores autarcas, alguns dos quais acabam de perder a chupeta da aposentação+um terço do ordenado, ou vice-versa... A justiça tarda, mas vem ! Quando a chuva é intensa e tocada a vento, até os transeuntes com bons chapéus de chuva acabam todos molhados. Não se esqueçam !

sexta-feira, 12 de março de 2010

O TRIUNFO DA CORRUPÇÃO

Vários conterrâneos nos têm acusado de pessimismo doentio e, naturalmente, de má-língua. Para eles, decidimos reproduzir a crónica de Vasco Pulido Valente, publicada hoje no PÚBLICO. Formado em Oxford, VPV é um estrangeirado, que além de pessimista militante tem pelo menos mais dois defeitos capitais: é frontal e escreve bem. Os nossos agradecimentos ao Público e ao Vasco.

"Um estudo de Luís de Sousa, sociólogo do ICS, mostra que 63% dos portugueses toleram (ou, mais precisamente, aprovam) a corrupção, desde que ela produza "efeitos benéficos" para a generalidade da população. Isto não é um sentimento transitório, provocado por trapalhadas recentes; é uma cultura. A cultura dessa grande guerra que desde que nasceu qualquer de nós tem com o Estado opressor e remoto e com Governos que nunca respondem pelo que fazem ou deixam de fazer. O português médio execra a autoridade, seja sob que forma for, e vive no seu país como se vivesse sob ocupação estrangeira. O servilismo e a falta de carácter, que tanta gente pelos tempos fora lamentou, escondem a vontade de salvar a pele e a aspiração, muito natural, de enganar quem manda.
Não há regras para ninguém, porque ninguém cumpre as que por acaso há. Quem pode levar a sério uma escola em que o próprio ministério fabrica os resultados, proíbe legalmente a reprovação e aceita a violência ? Quem pode levar a sério um regime que se diz democrático e selecciona o funcionalismo pela fidelidade partidária ? Quem pode considerar um ponto de honra pagar impostos, quando a fraude e a injustiça fiscal são socialmente sinais de privilégio e de esperteza ? Quem vai pedir um recibo ao canalizador ou ao electricista ou a factura no restaurante, quando sabe o que paga e o que o Estado gasta sem utilidade e sem sentido ? E quem vai obedecer às determinações da câmara do seu sítio, quando a camara é uma agência de negócios de favor e uma bolsa de favores sem explicação e sem desculpa ?
Não admira que o "povo dos pequenos" conspire constantemente contra a lei e até contra a decência. Que falte ao trabalho ao menor pretexto; que trabalhe mal, se trabalhar bem lhe custa; que peça aqui ou empurre ali, para se beneficiar ou aliviar; que torne as ruas uma lixeira pública; que guie, na cidade ou na estrada, como se estivesse sozinho; que minta a torto e a direito sobre o que lhe apetece e lhe convém; que não passe, enfim, de um miserável cidadão, indiferente à política e ao país. Não lhe ensinaram outra coisa. Os chefes são como ele. O Estado é como ele. Como exigir que ele se porte como Portugal inteiro não se porta ? Claro que ele aprova a corrupção e consegue ver nela virtudes redentoras. Não é agora altura de mudar de costumes."

Vasco Pulido Valente

Comentários nossos ? Para quê ? Não basta o que basta ?

UM RETRATO DA NOSSA DESGRAÇA

O semanário O RIBATEJO publicou, na sua edição de hoje, página 36, este quadro com a relação das pessoas à procura de emprego nos 21 concelhos do distrito, que reproduzimos com a devida vénia e os nossos agradecimentos.

Os cidadãos usuais espectadores de televisão, ouvintes da rádio e/ou leitores de jornais e revistas, sabem concerteza, por lhes ser dito com alguma frequência, que os números, as percentagens, as estatísticas, não enganam. Todavia, aqueles que em devido tempo andaram a romper os fundilhos das calças nos bancos e cadeiras das escolas superiores de economia, sabem igualmente que números, percentagens ou outros elementos estatísticos, desde que devidamente trabalhados por gente do ofício, "dizem" quase tudo o que o seu utilizador pretender que digam.
No caso presente, assim à primeira vista, o desemprego no distrito até nem é nada de alarmante. Estará mais ou menos na média do país. Porém, quando comparado com os distritos costeiros, o caso muda de figura.
O mesmo acontece com os concelhos do distrito. Assim ad-hoc, ordenados simplesmente por ordem alfabética, torna-se uma tarefa muito laboriosa perceber qual ou quais são os mais atingidos pela falta de postos de trabalho. Contudo, uma vez ordenados por ordem decrescente do total de cidadãos à procura de emprego, numa coluna; e depois, noutra coluna, por ordem decrescente do número do total de eleitores inscritos, o panorama social torna-se muito mais interessante e de "leitura" bastante mais fácil.
Foi, por isso, o que resolvemos fazer, tendo igualmente em conta que os portugueses em geral gostam muito de "rankings" e outras tabelas classificativas. Se calhar por estarem convencidos de que a vida também é uma espécie de desporto...

O caso do concelho de Santarém deve ser examinado com toda a cautela, devido a duas excepções: 1) -É capital de distrito, com tudo o que daí resulta; 2) -Tem mais de 50 mil eleitores, o que o coloca, por assim dizer, noutra categoria. O concelho seguinte, o de Ourém, não chega sequer aos 45 mil eleitores.
Por conseguinte, o mais indicado será compará-lo com as outras capitais de distrito.

quinta-feira, 11 de março de 2010

ANÁLISE DA IMPRENSA DESTA SEMANA

Colaboração da Papelaria CLIPNETO LDA.

Vamos lá então iniciar a análise desta semana pelo CIDADE DE TOMAR. Conforme se dizia antigamente na tropa (quando o serviço militar era obrigatório), "a antiguidade é um posto", e o semanário sob a direcção de António Madureira é, de longe, o decano da imprensa regional. Na edição aqui à nossa frente, a manchete vai para uma situação assaz rara: "Executivo da câmara analisou questões de segurança". Apenas duas observações, para não beliscar demasiado. Executivo da câmara é um pleonasmo, visto que a câmara é justamente o executivo do município. Quanto à situação, permitam-nos uma dedução -Por este caminho, um dia destes vamos ter a PSP e a GNR reunidas, para apreciar o Plano Director Municipal, ou coisa parecida...
Já nas páginas interiores, destaque para "Alguns enigmas tomarenses" (pág. 5), a que aqui no blogue gostamos mais de chamar mazelas tomarenses ou argoladas da câmara PSD. Cada um com o seu estilo, como convém... Mais adiante uma prosa de Vítor Silva sobre o projectado funicular. O título continua a intrigar-nos: "Por este convento acima", a modos que não nos soa lá muito bem. Em contrapartida, a fotografia aérea que ilustra o texto (tirada do googlemaps) parece-nos extremamente clara. Basta reparar, de modo comparativo, nas distâncias câmara/castelo e Vale da Anunciada Nova/Fachada norte do Convento, itinerário proposto para o referido funicular. Alguém tem dúvidas sobre as vantagens do primeiro ?
Ainda em CIDADE DE TOMAR, na página 11, um artigo assinado pelo vereador Carlos Carrão, com o sugestivo título "O estado do País versus o País do Estado". Como o título indica, com a cidade em mísero estado e a população a debandar e/ou a deitar contas à vida, um membro da circunstancial maioria, que exerce a tempo inteiro, resolve dedicar-se à análise da situação político-económica do país. Se calhar, estará convencido que é para tais devaneios que os contribuintes tomarenses lhe pagam... O que nos pode salvar, na circunstância, é este anúncio da página 22: CORTO cabelo a 3 euros e faço barba a 2 euros, na Rua... ..., Contactar 913... ... Aqui fica a referência para todos aqueles políticos locais a quem desejaríamos dizer "vão cortar o cabelo" ou, "vão mas é fazer a barba ao careca de cabeça rachada". Assim sempre lhes ficará mais barato... Mas não se esqueçam que tal mensagem é igualmente um testemunho cruel da crise e do estado a que isto já chegou em terras nabantinas.

No semanário dirigido por José Gaio, destaque para a reabertura da Discoteca ZONE e para a reforma do ex-presidente e ex-gestor do QREN-Centro, António Paiva. 3015 euros mensais, na qualidade de professor coordenador do IPT, aos cinquenta e poucos anos...
Nas páginas interiores, muitas fotografias das festas femininas, a colaboração de Áppio Sottomayor e uma entrevista interessante a um...apanhador de lampreias à mão.
Na habitual secção "Pelourinho", algumas citações, várias fotografias curiosas e este título fotocopiado do "Correio da Manhã": "Tenho 18 anos e perco a erecção !", ter-se-á queixado um jovem tomarense. E depois ainda se admiram que a cidade, agora com 850 anos, também esteja cada vez mais murcha ? Para a idade que tem, vá lá, vá lá !!! E o fundador ali está, frente aos Paços do Concelho, sempre a demonstrar que o mal não é geral.

O MIRANTE, que já foi um bom semanário regional, e ainda conserva dessa época algumas secções (E-Mails do outro mundo, Cavaleiro Andante, O Mirante cor-de-rosa e Última página, por exemplo) que vale sempre a pena ler, quando se gosta de qualidade, parece ultimamente algo fatigado. Nesta edição, publica na primeira página uma fotografia de Corvêlo de Sousa ao lado de um tabuleiro e, na última, o mesmo Corvêlo de Sousa a aplaudir. No primeiro caso, trata-se de ilustrar a local "Tabuleiros preparam candidatura a Património Mundial". Dado que a cidade felizmente não padece de qualquer doença grave, a necessitar terapêutica urgente, não há desemprego, não há pobreza, não há exclusão social, não há empresas e comerciantes em dificuldade, não há fome, não há sede de justiça social, percebe-se que a actual maioria de ocasião tenha decidido gastar mais umas dezenas de milhares de euros para conseguir mais uma inscrição na lista da UNESCO. Tanto mais que a do Convento de Cristo, já lá vão 27 anos, tem dado cá um incremento à cidade que até já há quem comece a pensar em enxotar os turistas. Pelo menos assim à primeira vista, é o caso da actual maioria, no que toca por exemplo ao arranjo das ruas e outras vias de comunicação. Por exemplo aqueles buracos junto ao Soldado desconhecido também já mereciam uma candidatura a património mundial, sobretudo por se situarem numa terra que é, quase toda ela, um autêntico buraco.
Quanto à foto da última página, o nosso presidente aparece, imagine-se, a bater palmas durante o almoço comemorativo do 31º aniversário do "Centro de Cultura e Recreio da Charneca da Peralva". Repasto eventualmente custeado com os subsídios camarários da praxe. Mas nesta terra dos Templários e de Cristo, já pouco ou nada nos admira. Pois se agora até decidiram uma série de intervenções de carácter histórico, em vez de se virarem para o presente e para o futuro, deverá ser por estarem convencidos de que Camões errou, ao escrever "Mudam-se os tempos/Mudam-se as vontades/Todo o mundo é feito de mudança/Tomando sempre novas qualidades".
E os contribuintes é que pagam. Duplamente. Do bolso e na pele. Resta saber até quando vão aguentar, mudos e quedos. Embora o vereador Luís Ferreira tenha alguma razão ao afirmar que "há os que fazem e os que dizem mal", pensamos que as duas coordenadas copulativas estão incompletas. No nosso ponto de vista, devidamente escritas seriam assim: "Há os que fazem cagadas por todo o lado e os que dizem mal, mas deviam dizer muito pior." Assim é que é !

A GUERRA DA ÁGUA - 2 - ACASOS E COINCIDÊNCIAS

Pedimos imensa desculpa, mas varreu-se-nos, pronto ! São coisas que acontecem. Quando ontem anunciámos uma bomba, esquecemo-nos de acrescentar que era daquelas mais evoluídas, que as forças da NATO estão a usar no Afeganistão. Chega ao solo, não rebenta, as pessoas vão ver o que se passa e nessa altura PUM!!!
Então aqui vai. Certamente por mero acaso, simples coincidência, portanto, O RIBATEJO deu enorme destaque ao comparativo das tarifas de fornecimento de água NA REGIÃO (e não no distrito, como erradamente escrevemos) e à situação muito favorável dos consumidores do Cartaxo, porque é o consórcio AQUÁLIA/LENA CONSTRUÇÕES/Câmara do Cartaxo que passa a fornecer os cartaxenses. Não estão a vislumbrar a relação entre uma coisa e a outra ? Está tão à vista de todos que ninguém vê: É que a LENA CONSTRUÇÕES, certamente por mero acaso, simples coincidência, portanto, é também proprietária d'O RIBATEJO.
Estamos assim perante uma situação comparável ao que seria o PÚBLICO, propriedade da SONAE, de Belmiro de Azevedo, fazer uma extensa reportagem, com manchete colorida a dois terços da primeira página, a afirmar que a MODELO/CONTINENTE é a cadeia de distribuição que mais barato vende em todo o país. Dado que, por mero acaso, simples coincidência, portanto, o citado grupo distribuidor também é propriedade da SONAE, haveria logo bronca e das grandes. Os outros grandes grupos queixar-se-iam imediatamente à ERC, e teriam toda a razão.
Outro tanto ocorreria se o EXPRESSO ocupasse dois terços da primeira página, mais duas páginas interiores, a informar os leitores de que a SIC dá as notícias mais verdadeiras e tem a maior audiência do país. Visto que tanto o EXPRESSO como a SIC pertencem à IMPRESA, controlada por Francisco Pinto Balsemão, seria o bom e o bonito.
Claro que Belmiro de Azevedo e Francisco Balsemão são grandes empresários, civilizados e com maneiras, sendo que Balsemão até continua a ser detentor de uma carteira profissional de jornalista. Por isso nunca fariam, ou deixariam fazer aquilo que O RIBATEJO, certamente por mero acaso, simples coincidência, portanto, publicou a semana passada.
Mas os acasos e/ou coincidências não se ficam pelo extenso trabalho jornalístico já referido. Certamente pelos mesmos motivos, as duas câmaras com os tarifários mais exagerados (uma na realidade, outra graças à nítida maquilhagem dos preços tomarenses), Alenquer e Abrantes, são ambas de maioria PS, enquanto Tomar é assim-assim. E o Cartaxo ? Pois, o Cartaxo também é PS, mas teve a coragem de tomar a decisão certa - certamente por mero acaso associou-se à LENA CONSTRUÇÕES, que assim passa a concorrente da VEOLIA no distrito.
Nestas condições, não custa compreender que, após tal condicionamento, Abrantes vai ser o próximo alvo de assédio, no sentido da privatização total ou parcial dos respectivos SMAS, em muito melhores condições do que as existentes em Alenquer. Da mesma forma, começa a fazer todo o sentido a estranha política dos SMAS, que desde há anos vêm sacrificando os consumidores, com tarifas cada vez mais gravosas, tendo em conta as taxas votadas e impostas pelo executivo e pela AM, sob domínio do PSD tal com os SMAS. Mas que, curiosamente, e certamente por mera coincidência, não aplicam as medidas decididas pela autarquia logo que implicam diminuição de receitas. E daí, indagarão os habituais cínicos de serviço ? E daí, certamente por mero acaso, simples coincidência, portanto, estão reunidas todas a condições objectivas para o início das negociações tendo em vista a privatização total ou parcial dos SMAS, igualmente por mero acaso, ou simples coincidência, entre a autarquia e a LENA CONSTRUÇÕES. É que, também por mero acaso, ou simples coincidência, o anterior presidente da câmara e depois gestor do QREN/Centro foi trabalhar para a Sociedade de Construções Aquino & Rodrigues (parece que a designação entretanto foi alterada), a qual também faz agora parte do grupo LENA CONSTRUÇÕES. Perceberam agora, caros leitores ? Ou será preciso fazer um desenho ?
Afirmou Salazar, pouco suspeito de esquerdismo e ainda menos de marxismo, que em política, tudo o que parece é. Nesta autêntica guerra da água, decididamente há demasiados acasos e estranhas coincidências... Se fosse em Lisboa, ou num jornal de âmbito nacional, haveria bronca pela certa. Tratando-se de um modesto semanário publicado "no resto que é paisagem", tudo bem. Ou não ? Afinal só o Sócrates é que é um grande malandro, que procura influenciar a imprensa e a informação em geral ? Ou há mais, muitos mais ?
Ficamos a aguardar os eventuais desmentidos, que serão devidamente guardados, para memória futura. Para 2013, por exemplo...

quarta-feira, 10 de março de 2010

A GUERRA DA ÁGUA - 1 - OS FACTOS

Fotocópia nº1

Fotocópia nº 2

Fotocópia nº 3

Fotocópia nº 4

Conforme documentado acima, o semanário O RIBATEJO publicou na sua edição de 05 de Março um trabalho comparativo sobre os preços da água da rede no distrito de Santarém. Esse trabalho jornalístico ocupa dois terços da primeira página a cores (fotocópia nº 1), bem como as páginas 6 e e sete. Nessas páginas é dito que a água distribuída no concelho do Cartaxo é a mais barata do distrito e a do concelho de Abrantes é a mais cara. (Fotocópia nº 1).
Examinado o quadro que é publicado (fotocópia nº 4), constata-se que a afirmação anterior carece de fundamento no que se refere a Abrantes, pois o único montante um pouco superior ao de Tomar é o último. Perante tal evidente anomalia e face os preços de Alenquer, de longe os mais elevados, resolvemos examinar as coisas com atenção e chegámos às seguintes conclusões factuais: 1 -O referido trabalho jornalístico ocupa um espaço e teve um destaque pouco habituais para este tipo de temas; 2 -Sobressai que se procura vincar a bondade dos preços e outros aspectos do contrato celebrado entre o Município do Cartaxo e o Consórcio Aquália/Lena; 3 -Informa-se que os dados comparativos publicados foram fornecidos pela Câmara do Cartaxo e pela Empresa Águas do Ribatejo; 4 -Os dados referentes aos SMAS TOMAR são totalmente falsos, por defeito. Podemos garantir que os preços verdadeiros e actuais serão respectivamente de 15,25€, em vez dos 10,65€ do citado jornal, 24,20€, em vez dos 16,52€ e, por conseguinte, bastante mais no escalão dos 15 metros cúbicos, dado que 11 metros já custam 24,20€. 5 -Devidamente corrigidas as tarifas tomarenses (partindo do princípio que as outras estarão correctas), passamos a ser os consumidores mais explorados do distrito de Santarém, e até dos mais explorados do país; 6 -Este triste privilégio tem naturalmente várias causas remotas, mas pelo menos uma próxima: Pagamos uma taxa de tratamento de esgotos (Saneamento), que mais ninguém paga, pelo menos nos concelhos vizinhos (ver fotocópias no post anterior - ENQUANTO NOS DOER...)
O quanto a nós insólito relevo dado à questão da distribuição da água, o manifesto apoio implícito ao acordo concluído no Cartaxo, cujas vantagens são bem realçadas pelo jornalista, a subentendida acusação aos SMAS abrantinos de que fornecem a água mais cara e a objectiva falsificação dos dados referentes a Tomar, tudo isto configura, quanto a nós, uma verdadeira bomba na Guerra da Água, que está em curso nos gabinetes, um pouco por toda a Europa, naturalmente da forma mais discreta possível. Na próxima peça explicaremos porquê, e quais as consequências que se pretendem...