sábado, 20 de março de 2010

ALIMENTAR O ESPÍRITO E O CORPO



Neste sábado, chegaram a tomaradianteira vários comentários discordando do post intitulado A tragédia grega do União de Tomar. Alguns mostram autores singularmente irritados, não se percebe porquê, já que todas as opiniões, até as mais abstrusas, têm à priori igual valor. Há até alguns casos curiosos -reivindicam que aceitemos a sua opinião, notando-se bem que não aceitam as nossas. É a velha sentença: façam o que eu digo, não olhem para o que eu faço. Com cidadãos assim, não vamos a lado nenhum. A realidade é o que é. Não aquilo que cada um gostaria que fosse.
Em simultâneo com mais este salutar e pacífico debate, um dos nossos administradores foi convidado para o almoço comemorativo dos 75 anos de Cidade de Tomar, e aceitou com muito gosto. (Ver ementa supra) Não tanto por causa da comida. Sobretudo para honrar este exemplo da nova maneira de estar tomarense: respeitam-se as pessoas, mantêm-se e reforçam-se as amizades, o que não impede a útil contestação, quando honesta, das ideias e/ou actuações dos eleitos, dos jornais, das rádios, ou de qualquer outra instituição que esteja para servir lealmente os cidadãos.
Comeu-se bem, à mesma hora em que milhares de cidadãos participavam na utilíssima iniciativa "Vamos limpar Portugal". Certamente por mero acaso, aqui pela Nabância houve quem resolvesse conspurcar a velha Praça de D. Manuel I (Ver foto acima), iniciativa que deve merecer o perdão dos tomarenses. Os seus autores, que todos sabemos quem são, limitaram-se a repetir o que faziam em geral os portugueses excursionistas dos anos 50/60 do século passado. As então famosas excursões de farnel e garrafão, com muitos americanos de chapéu preto. Pois a malta das tunas desta vez acertou. Mandou montar a barraca da cerveja, o que evitou os ultrapassados (?) garrafões, mas distribuiram à volta da secular praça comida com fartura, as conhecidas "sandes de três arames". Com tanta fartura, não espanta que tenha havido sobras de monta. Um verdadeiro regalo para as pombinhas e os pombinhos da urbe...


A TRAGÉDIA GREGA DO UNIÃO DE TOMAR

Dá-se o caso de escrever também, e sobretudo, para memória futura, caso contrário é muito provável que não subscrevesse o que segue. O mesmo aconteceria se fosse eleito, militante partidário ou tivesse ambições políticas. Como não sou uma coisa nem tenho a outra, redijo com total liberdade e sentido de cidadania, que é como quem diz daquilo que julgo ser o bem comum. Como é sabido, o verdadeiro amigo não é aquele que nos diz aquilo que gostamos de ouvir, mas quem nos mostra as coisas como elas são, sobretudo quando desagradáveis.
Após este necessário intróito, os factos.
Em relativamente pouco tempo, o PS (agora parte integrante da circunstancial maioria que devia governar-nos), e os IpT, apresentaram propostas tendentes a solucionar a medonha situação do velho União de Tomar. A proposta dos socialistas foi vencida na Assembleia Municipal, facto que, sendo estranho, uma vez que em princípio os proponentes dispõem de maioria naquele órgão, demonstra que bastantes deputados municipais, forçados pela crise, começam a ser bem mais realistas. Quase de certeza, não por súbita tomada de consciência. Apenas porque já perceberam que, no actual estado de penúria, aquilo que for para o União não irá para eles. E vice-versa. É afinal o velho e insolúvel problema da cama demasiado grande, ou das mantas demasiado pequenas. Há sempre quem fique destapado, ou no mínimo com os pés de fora.
De qualquer forma, a proposta socialista era nitidamente eleitoralista, tal como acontece com a sua irmã mais recente, apresentada pelos IpT. Só que este última se compreende e se aceita melhor, dados os antecedentes desportivos e de gestão municipal de Pedro Marques. Ainda assim, tanto uma como outra mais não eram que cuidados paliativos para um doente terminal, ou se gostam mais de frases agrestes, para um cadáver adiado desde há anos.
Seja o que for que se diga, a verdade é que o desporto em geral, e o futebol em particular, são actividades parasitárias, que só sobrevivem sugando dinheiro aos sócios, aos espectadores, aos patrocinadores e ao orçamento do estado e/ou das autarquias. Têm excesso de apetite para a alimentação que conseguem arranjar. Daí a permanente crise, que afinal grassa por todo o lado. No tempo das vacas gordas, o elevado valor acrescentado produzido em muitas actividades, assim como a subsequente arrecadação de impostos e taxas sempre a aumentar, permitiam todas as benesses. Conjuntamente com os fundos de Bruxelas até tornaram possível essa autêntica desgraça nacional, que dá pelo nome de estádios do euro 2004.
Quanto ao União de Tomar, ao contrário do que por aí se diz, não representa dignamente a cidade e o concelho, nem nos prestigia, nem prestigia a comunidade tomarense, nem se prestigia a si próprio. Uma colectividade constantemente em défice e com graves problemas, que não dispõe de qualquer património negociável, que raramente cumpre a sua palavra, que não se porta bem com a administração fiscal desde há anos, não honra ninguém. E está longe de poder constituir um bom exemplo para os jovens, incluindo os seus próprios atletas, porque as pessoas em geral, e os jovens em particular, têm tendência a imitar aquilo que vêem fazer, sendo que as várias práticas unionistas (até a porfiada tentativa de sacar dinheiro aos cofres da autarquia) não se recomendam de forma alguma. Há, nitidamente, outras prioridades.
Pelo que, digo eu, o União já foi. Mais tarde ou mais cedo, mas já foi. Quanto mais tarde se verificar o óbito oficial, maiores serão as complicações imediatamente anteriores. É o que acontece com todos os organismos -nascem, desenvolvem-se, definham e morrem. De paragem cárdio-respiratória, costumam dizer alguns médicos na TV. No caso do clube tomarense, terá sido por falta de alimentação em quantidade (verbas, verbas, verbas) e em qualidade (dirigentes, dirigentes, dirigentes).
Os tempos estão cada vez mais difíceis e por alguma razão o astuto Marcelo Rebelo de Sousa, que tinha e tem à sua frente uma ampla avenida triunfal rumo à liderança do PSD, recusou peremptoriamente. Uma vez que, regra geral, os inteligentes "vêem" bem mais longe do que os espertos, talvez os tomarenses, incluindio os unionistas, não perdessem nada em meditar na atitude do conhecido comentador político.

António Rebelo

sexta-feira, 19 de março de 2010

DESLUMBRAMENTO E NOVO-RIQUISMO




Aqui temos quatro aspectos da obra emblemática do consulado de António Paiva -a Ponte do Flecheiro, cuja real pertinência e utilidade naquele local continuam por demonstrar. Porque é manifestamente incoerente uma política que fechou a Corredoura ao trânsito mas resolveu trazer mais veículos para a cidade, ao aceitar esta ponte naquele local.
Desta vez, porém, o nosso propósito é outro. Trata-se de demonstrar, exemplificando, em que consiste o deslumbramento perante os fundos de Lisboa ou de Bruxelas, bem como o subsequente novo-riquismo, que é sempre berrante, pelo que raramente passa despercebido. Na Ponte dita do Flecheiro, feita já em época de poupança de energia, de protecção do ambiente e de contenção das despesas públicas, há sete candeeiros de grande porte, bem como passeios de mais de dois metros de largo.Tal como sucede com estes passeios, dispensáveis por estarem tão próximos da ponte para peões, também os candeeiros...valha-nos Deus, se puder.
É que reparando bem, sem que se entenda porquê ou para quê, foram colocados em cavidades, de ambos os lados da nova obra de arte, nada mais mais, nada menos que 97 pequenos projectores, alguns dos quais já estão partidos. Para quê tanto alarde ? Para mostrar as nossa basófia ? Será aquilo alguma via triunfal, rumo ao palco que atribui os óscares da governação local?
Naturalmente que um projectista deve ser livre de criar o que entender, no entanto, um autarca que aceita semelhante projecto em tempos de poupança de energia e de recursos, devia ser acusado, julgado e condenado a pagar pelo menos os tais supérfluos projectores, que de resto nunca mais acenderam. Ele há cada maduro ! Já na Corredoura aconteceu o mesmo. Dinheiro mal governado, já se vê.

UNS POUPAM, OUTROS ESBANJAM

autarquia, pessoal, promoções e contratações autarquia, pessoal, promoções e contratações
Tomar a dianteira teve acesso a duas propostas, subscritas pela vereadora Rosário Simões, com contornos surpreendentes (e totalmente inesperados) no actual contexto. Uma refere-se a avaliação e subsequente promoção de funcionários. São 23 considerandos (!!!), quase todos do tipo "no âmbito da Lei nº..., tendo em conta o disposto em...., bem como o nº do artigo ... do decreto...." A outra visa fixar, para o corrente ano, os quantitativos globais para novas admissões (800 mil euros = 160 mil contos), promoções (421 mil euros = 84 mil e duzentos contos) e prémios de desempenho (10 mil euros = 2 mil contos). Um total de mais 1 milhão e 51 mil euros.
Para os contribuintes cumpridores, tais documentos só podem provocar arrepios e suores frios, pois sabem muito bem que, no fim de contas, são eles que têm de pagar, quer queiram quer não. Na presente envolvência sócio-económica, avançar com tal tipo de propostas, em manifesta contradição com o PEC e com as recentes declarações do ministro das finanças, representa, no mínimo, um alheamento pouco comum da realidade local. Não se entende de modo algum que uma artarquia atascada em dívidas, que no mandato anterior até julgou necessário escamotear alguns milhões de débitos, aquando da visita dos inspectores do IGAL, apareça agora a fazer novas contratações e a facultar promoções, quando na realidade não tem fundos disponíves nem para mandar rezar uma missa por alma dos autarcas falecidos.
Prova do que acabamos de afirmar é a atitude da vizinha câmara de Ourém, cuja vereadora da administração e finanças acaba de anunciar uma redução de 30% nas despesas, vincando que "O que nós queremos tão só é equilibrar o orçamento, porque efectivamente uma casa que gaste muito mais que o que recebe, está condenada."
Dado que o concelho de Ourém tem mais eleitores e muito mais pujança empresarial do que Tomar, ocorrem-nos duas perguntas indispensáveis: 1-A autarquia tomarense resolveu adoptar o modelo de gestão de Alberto João Jardim, na Madeira ? 2-Corvêlo de Sousa resolveu assumir a conhecida atitude dos comandantes da marinha, invertendo os termos ao quebrado ? ( Se eu me afundar, o barco afunda-se comigo).
Deve ser grande o desconforto na circunstancial maioria, para que um dos seus membros tenha necessidade de avançar com propostas que poderão ser tudo, prudentes, razoáveis ou oportunas, não são de certeza. Têm a palavra os eleitores, que dentro de 6 meses a um ano serão obrigados a apertar ainda mais o cinto, pois a Moodys (uma das três grandes agências internacionais de notação financeira) já anunciou que o PEC não basta para evitar o agravamento da nota portuguesa, o que implicará aumento dos juros da dívida pública. Nestas condições, onde pensa a autarquia tomarense ir sacar verbas para assumir as novas despesas agora anunciadas? Mistério...

quinta-feira, 18 de março de 2010

ANÁLISE DA IMPRENSA REGIONAL DESTA SEMANA

COLABORAÇÃO DA PAPELARIA CLIPNETO LDA.

Outra vez CIDADE DE TOMAR a abrir ? Pois ! Porque o decano da imprensa local está de parabéns. Completa 75 anos ao serviço da informação. Sem defeitos ? É claro que não. Como qualquer outro projecto, tem altos e baixos, admiradores e adversários. No conjunto, porém, sobressai a sua constante afirmação na defesa da cidade e do concelho. Que possa e saiba continuar por muitos e bons anos, naturalmente em constante adaptação à sociedade envolvente, são os nossos votos. O futuro não se antevê nada fácil para a imprensa, sobretudo a de proximidade, como é o caso. A informação electrónica é mais rápida, mais qualificada e mais barata. Daí a constante perda de leitores e/ou assinantes. Melhorar e alargar conteúdos, eis uma das apostas possíveis para os órgãos regionais. Com trabalho, vontade, persistência e dedicação, as coisas tornam-se menos agrestes...

Bastante variada a primeira página d'O TEMPLÁRIO: SEF detém doze trabalhadores ilegais no Matadouro de Tomar, Manuel José salva Mamud da cegueira, Vaga de assaltos no conceho de Tomar, Comerciantes queixam-se da Inspecção do Trabalho e Fatias de Cá representa 200 vezes a mesma peça. De tudo isto ressaltaria, para um cidadão recém-desembarcado na urbe, que por aqui parece não haver vida política, crise, desemprego ou qualquer outro problema de fundo. Apenas a banal monótona e usual crónica do vento que passa. Afinal se os próprios deputados e outros eleitos, em vez de se preocuparem com os graves problemas da zona e do país, e de debaterem possíveis soluções, se entretêm sistematicamente com tricas partidárias e na busca da melhor forma de ludibriar os eleitores; se a informação de âmbito nacional, em vez de denunciar tal estranho estado de coisas, vai jogando o jogo de forma subtil, dando sempre o corpo à curva, que podem fazer os jornalistas da imprensa regional ? Maria vai com as outras ainda continua a ser a melhor maneira de evitar sarilhos. Vamos indo...

Pela segunda semana consecutiva, Corvêlo de Sousa tem direito a fotografia a cores de grande dimensão, na primeira página d'O MIRANTE. Só os responsáveis pelo alinhamento das notícias do referido semanário poderão explicar este pouco usual destaque. Tanto mais que, em ambos os casos, assim à primeira vista, os temas não justificam de modo algum tal relevância. No nosso entender, claro. Assim, na semana passada noticiava-se a celebração dos 850 da fundação de Tomar. Esta semana, temos o nosso alcaide discursando no lançamento do livro-fotobiografia de Rui Salvador, nos 25 anos da sua alternativa, intitulado "O cavaleiro dios ferros impossíveis", editado pela Câmara de Tomar.
Consciente de que convém sempre respeitar o princípio do contraditório, Tomar a dianteira procurou contactar algum dos animais já lidados pelo cavaleiro em questão, no sentido de apurar designadamente a sua opinião sobre as corridas e os tais "ferros impossíveis", mas a nossa busca foi, infelizmente, infrutífera. Ficará para outra ocasião.
"Câmara de Tomar descarta funicular entre a cidade e o Convento de Cristo", titula o mesmo semanário ao alto da página 17. É uma notícia que vale a pena ler e ponderar, pois nela aparecem declarações de Corvêlo de Sousa, assaz assertivas, como habitualmente: "Ficaríamos numa situação insustentável se a cada ideia exposta por um cidadão a câmara tivesse que a analizar e dizer se concorda ou não com a proposta". Ao que o autor da notícia adita: "Acrescentando que é frequentemente interpelado com novas ideias, o autarca relembra que, neste momento, há um conjunto de intervenções em curso, candidatas a fundos comunitários e consideradas "fundamentais" para o desenvolvimento turístico da cidade." Perante isto, fomos ao dicionário, em busca do significado ou significados de "fundamentais", não fosse dar-se o caso de ter havido ultimamente alguma mudança de vulto nessa área, por mor do acordo ortográfico, por exemplo. E lemos isto: "Fundamental, que serve de fundamento ou de alicerce; básico; essencial; necessário; principal." O leitor tenha a bondade de ser franco -Conhece algum projecto da autarquia que obedeça a estas características ? Nós também não.
Em conclusão, temos neste caso, um empate a zero: O funicular não é mesmo o melhor meio de ligação Cidade-Castelo, como já aqui se demonstrou, mas os projectos camarários também não são, de maneira nenhuma, fundamentais. Nem para lá se encaminham. Não passam de sorvedoiros de fundos comunitários e de futuros elefantes brancos a sustentar pelos contribuintes tomarenses. Infelizmente.

DISCÓRDIA NA SANTA MISERICÓRDIA


Várias fontes alertaram tomaradianteira para o alegado agravamento da discórdia no seio daquela instituição tomarense de solidariedade social. Conforme é do conhecimento de todos, cada Misericórdia, oficialmente designada por "Santa Casa da Misericórdia", é uma instituição multi-secular, católica, apostólica e romana, sob a forma de irmandade. É gerida por um provedor, eleito de entre os irmãos. O provedor é assistido por uma mesa, composta por determinado número de mesários, em função do total de irmãos. A Misericórdia de Tomar tem como provedor o irmão Fernando Lopes de Jesus, natural de Torres Novas, mas há muito residente em Tomar, ex-proprietário e ex-gestor da Auto Mecânica Tomarense, empresa do ramo automóvel que declarou falência (insolvência, como agora se diz) ao cabo de mais de 40 anos de actividade. Efeitos da crise...
O cidadão Fernando de Jesus integra igualmente, desde há vários mandatos, a Assembleia Municipal de Tomar, para a qual tem sido eleito nas listas do PSD. Neste mandato, faz parte da mesa, em conjunto com Miguel Relvas (que preside) e José Fortunato Pereira, do PS, eleito nos termos do acordo post-eleitoral PSD/PS. O actual provedor foi também vereador da autarquia tomarense na câmara AD liderada por Amândio Murta.
Já na sua qualidade de dirigente máximo da Misericórdia de Tomar, Fernando de Jesus submeteu à aprovação dos mesários uma proposta, que foi aprovada, nos termos da qual o
provedor passou a receber um vencimento mensal de 1.500 euros + ajudas de custo + despesas de representação. Esta nova situação, em total contradição com a prática seguida até então, em que a liderança da irmandade era exercida a título gracioso, causou alguma indignação. Houve mesmo sinais exteriores de discórdia, naturalmente sob anonimato, à boa maneira tomarense.
Posteriormente, a mesa, da qual faz parte entre outros o actual presidente da Câmara, (conforme consta da lápide comemorativa colocada do lado esquerdo da porta de entrada do Hospital Velho), recusou a admissão como irmãos do Padre Borga, ex-vigário geral de Tomar, e do tomarense Luís Pedrosa Graça, que por sinal integra a mesa de uma outra Misericórdia da região da Grande Lisboa. Registou-se novamente alguma discórdia, sob a forma de protestos orais fora da instituição.
Mais recentemente, causou justificada estranheza o facto de não ter havido vagas para internar dois conhecidos irmãos daquela Santa Casa, cujas famílias foram forçadas a recorrer a uma outra instituição especializada da região. Um é mesmo membro da mesa; o outro foi provedor. Insólito, na verdade, pois se a Misedricórdia não acolhe os seus próprios irmãos, há algo que não está bem.
Contestatários ouvidos por tomaradianteira, que solicitaram o anonimato, manifestaram a sua indignação face ao que consideram ser métodos indignos de uma instituição cristã, tutelada pelo bispo da diocese, mas naturalmente submetida às leis do país, que são iguais para todos. Alegam que os empregados daquela Santa Casa são recrutados de forma muito peculiar, na base do compadrio e da subserviência, o que permite ao actual provedor ir-se perpetuando no lugar, uma vez que beneficia dos seus votos, naturalmente condicionados.
Segundo as mesmas fontes, a mais recente turpitude do provedor, acolitado pela mesa, foi a venda de vários bens que integravam o património da Santa Casa, baseando-se numa decisão específica, votada há doze anos, que garantem ter tido na altura um fim bem determinado, em todo o caso muito diferente daquele que agora lhe está a ser atribuído. Ao ser-lhes perguntado porque não contestavam essas decisões junto do poder judicial, alegaram que a Santa Casa é tutelada pelo Bispo de Santarém, pelo que... Ao que percebemos, têm receio de cometer um pecado mortal, que os levaria para o inferno quando morrerem.
Consultado por este blogue, um sacerdote amigo declarou-nos, também sob reserva de anonimato, que pugnar pela transparência, pela justiça e pela honestidade nunca pode ser pecado, mortal ou não, e que, pelo menos para já, o inferno é cá em baixo. Ficamos a aguardar os próximos capítulos de mais esta saga tomarense...

quarta-feira, 17 de março de 2010

A AVENTURA CONTINUA...

Segundo noticia o blogue da Rádio Hertz, a ASAE encerrou compulsivamente o mercado de Abrantes, sem qualquer aviso prévio. Pelo andar da carruagem, não tarda que possa acontecer o mesmo em Tomar. Em ambos os casos, estamos perante resultados do permanente improviso dos governantes locais, para quem, na ausência de planos sérios e fecundos, ou outros, cada passo rumo ao futuro é uma autêntica aventura, com tudo o que isso implica.
No caso tomarense, é agora ponto assente, e aceite pela opinião pública local, que nenhuma das forças representadas no executivo dispunha, ou dispõe neste momento, de qualquer projecto para o conjunto cidade/concelho. Exactamente o contrário daquilo que apregoaram antes e durante a campanha eleitoral. Donde, todos os perigos que corremos: o mercado pode fechar a qualquer momento, o parque de campismo remedeia mas está nitidamente desactualizado, o turismo municipal apenas existe porque estão lá funcionários a quem há que pagar no final de cada mês, o executivo não responde atempadamente nem aos potenciais investidores nem às solicitações dos munícipes. Tudo indica que o "caso Ferrari" não é filho único nem aconteceu por mero acaso, podendo eventualmente ter algo a ver com a tendência dos trabalhadores para votarem à esquerda...
Entretanto, resta-nos ir aguardando melhores dias. Não em termos económicos. Apenas na área da política local, onde cada vez se nota mais a falta que faz um elenco camarário capaz de destrinçar o essencial do acessório, o táctico do estratégico, os assuntos correntes da implementação de projectos previamente debatidos e sufragados.
Enquanto tal não acontece, enumeremos as balelas até agora fornecidas pela actual maioria de circunstância ao rebanho eleitoral, como se de palha se tratasse: Parque temático, Parque da Cidade, Museus da Levada, Parque de Campismo da Machuca, Mercado Grossista de Marmelais de Cima, Hotel de Charme no Convento de Santa Iria, Urbanização e Golfe dos Pegões, Urbanização e Golfe da Quinta da Granja, Urbanização e Golfe de Cardais, Hotel Residencial na Corredoura, Hotel de Charme no "Prédio da Mouzinhas", no Largo do Pelourinho, Rota dos Mosteiros Património da Humanidade. De tudo isto já viram os eleitores alguma coisa, para além do foguetório inicial ? E acham, apesar do acima referido, que a actual maioria deve continuar a governar ?
Pela nossa parte, cada vez estamos mais convencidos de que a ignorância é atrevida. Mas os ignorantes não são nem os jornalistas, nem os comentadores, nem a generalidade dos eleitores. Em todo o caso, não são seguramente trafulhas, na verdadeira acepção da palavra.

PS -Nas suas recentes declarações, algo insólitas, à Rádio Hertz, Luís Vicente, "patrão" dos SMAS, deu grande relevo ao facto de haver municípios a subsidiar a água da rede, o que não é o caso de Tomar. Pela nossa parte, achamos que seria mais útil tal subsídio do que gastar verbas importantes com bandeirolas, foguetes, morteiros...e Fáfá de Belém. Ainda que um banho com Fáfá possa ser muito melhor do que com simples água da rede, por muito boa que seja, como garante o amigo Vicente. São gostos, pronto ! E gostos não se discutem !