sábado, 21 de maio de 2011

BLÁBLÁBLÁ E REALIDADE

Tem dado muito que falar o complicado acesso ao Convento de Cristo, desde que a principal estrada, a Av. Vieira Guimarães foi cortada por causa das obras. Quem vem de Lisboa, seja pela A 1/A 23, seja por qualquer outra, encontra uma espécie de novo labirinto de Creta para turistas desprevenidos. Para os que usam a via Ourém/ Tomar, o acolhimento em termos de sinalização é este. Eficaz? Bonito? Facilmente legível? Nem tanto. Para já não falar do quadro campestre, muito terceiro-mundista. Até parece que nem estamos na Europa. Ideal portanto para turistas apreciadores de exotismo. Para os outros, sobretudo se europeus do norte, habituados a contribuir, não sei não!

 A coisa até já nem tem grande impacto, uma vez que a provisória sinalização da Venda da Gaita (foto anterior) só não desvia da Estrada de Leiria os residentes na cidade ou na zona. Ainda assim, havemos de convir que semelhante cenário não é mesmo nada convidativo. Denota desmazelo, desinteresse, deixa andar, desprezo pelos moradores e pelos forasteiros. Não se poderiam retirar antes da festa? Para miséria já bastam o desemprego e o descalabro económico local. Mastros desalinhados, cruzes ao calhas e pendões esfarrapados não prestigiam nada nem ninguém. Apenas servem para testemunhar que se fala muito de turismo, mas quanto a obras é o que está à vista de todos.


Mais dois exemplos de incúria, ambos em pleno Núcleo Histórico, a mostrar que a autarquia tem pessoal a mais e trabalhadores a menos. Regulamentos a mais e obras a menos. Demasiado exigente com os cidadãos mas muito condescendente com o pessoal da autarquia. Alguns dos quais continuam a resingar por não poderem ser aumentados nem promovidos. Estavam habituados à ascensão automática por antiguidade e a fraca bagagem económica não lhes permite entender que são improdutivos, pelo que quando se refere que no país a produtividade é fraca, são sobretudo os 720 mil funcionários públicos (um em cada 14 habitantes) que estão em causa. É capaz de ser conveniente começarem a pensar no assunto com alguma atenção, que a tempestade não tarda aí... Sobretudo nas autarquias mais endividadas, que vão ser obrigadas a atirar alguma carga pela borda fora... 

HÁ SINAIS QUE NÃO ENGANAM...


É do domínio público que o PSD em geral não gosta mesmo nada do vereador Luís Ferreira. Aceitaram-no em coligação porque a isso obrigaram as circunstâncias, designadamente a premente necessidade para Miguel Relvas de manter uma base no distrito, para não ficar fora dos eleitos, numa conjuntura difícil, uma vez que anteriormente havia sido arredado da AR  por Manuela Ferreira Leite, em conjunto com o agora presidente do PSD.
Agora, porém, as circunstâncias mudaram e de que maneira, com Relvas à bica para funções importantes, caso o PSD venha a formar governo, o que é cada vez mais provável, tanto mais que no fundamental debate de ontem se PP Coelho não ganhou, Sócrates também não, apesar da sua  proverbial reputação de exímio actor sempre vencedor. Não é nada pouco para o líder social-democrata, que continuou genuíno como sempre, mas desta vez conseguiu inibir um adversário temível e passar a sua mensagem.
Voltando a Tomar, também é sabido que a insólita mancebia PSD/PS nunca funcionou, a não ser na distribuição de gamelas. E mesmo aí, já houve necessidade de retirar protagonismo ao vereador Ferreira, na sequência do "desastre Lobo Antunes". 
Surge agora um novo indício assaz inquietante para o eleito PS. Na ordem de trabalhos da mais recente reunião da autarquia, na passada quinta-feira, o responsável pelo pelouro da protecção civil já nem sequer teve direito ao seu título oficial de vereador. É tratado simplesmente por "Senhor Luís Ferreira". Simples lapso? Sem dúvida. Mas há lapsos muito significativos. Como o algodão que não engana. Terá havido uma falha não intencional. A verdade, porém, é que ninguém deu por isso, como se fosse a coisa mais natural deste mundo. Aguardemos as próximas peripécias, porque agora Miguel Relvas já não precisa da coligação para nada...

sexta-feira, 20 de maio de 2011

ATÉ ARREPIA...

A cidade continua pacata, como se tudo corresse pelo melhor, no melhor dos mundos. Até as mães clientes assíduas da CÁRITAS aparecem com a descendência cheia de conforto em carinhos último modelo, de rodados duplos direccionais. Quando me lembro que há apenas 30 e poucos anos o meu filho só teve direito a uma modesta alcofa, constato a enorme mudança de hábitos ocorrida no país. Hábitos que agora vão ter de mudar novamente, pois não há recursos para os sustentar, qualquer que venha a ser o próximo primeiro-ministro e apesar das abundantes promessas do actual.
Entrementes, em Tomar, a desgraça acentua-se de dia para dia, perante a aparente indiferença da população. Na reunião de Câmara de ontem, que era pública, lá prosseguiu a usual abordagem dos mais diversos assuntos, com pelo um deles a ser retirado para mais adequada preparação. O costume...
Para os eleitores-contribuintes, sobretudo para aqueles que pagam mais para a autarquia do que dela recebem, aqui vão alguns elementos de reflexão: Trabalhos de arqueologia durante a empreitada em curso junto ao Convento de Cristo = 35 mil euros = 7 mil contos; Assessoria técnica à execução da empreitada do futuro elefante branco da Levada = 70 mil euros = 14 mil contos. -Há fundos europeus para o efeito, será a resposta dos senhores autarcas, como é habitual.
Mudemos então de matéria. Segurança privada dos parques de estacionamento cobertos da Zona desportiva e das traseiras da câmara = 289 mil euros + 66.470 euros de IVA = 355.470 = 71 mil e 94 contos. Também há fundos europeus disponíveis? As receitas apuradas chegam para liquidar tal montante? Com cerca de 500 funcionários, a autarquia não dispõe de recursos humanos para tal tarefa, pelo menos de forma parcial?
Já que se fala de avultadas despesas, quando terão os cidadãos direito a informação completa e verídica sobre os transportes urbanos - TUT? Ao que consta custam à autarquia à roda de 500 mil euros anuais = 100 mil contos + os bilhetes pagos pelos utilizadores. Com a autarquia cada vez mais endividada, onde tencionam os senhores eleitos da transitória maioria ir conseguir recursos para o referido financiamento, tendo em conta que todas a receitas municipais vão baixar de forma drástica nos tempos mais próximos, pelo menos até ao final do mandato? Quem vier a seguir que resolva o assunto?
Uma pessoa depara-se com estas despesas muito peculiares, como por exemplo os 7 mil contos para os arqueólogos e fica a cismar. Realmente, se quisermos ser imparciais, os europeus do norte têm toda a razão quando nos intimam a ter mais juízo. Constatar que estas coisas são bem mais baratas além-Pirinéus, apesar da nítida diferença de preços, até arrepia... É afinal como disse em tempos da TV o ex-presidente da CIP Pedro Ferraz da Costa? "O país é demasiado pequeno para se roubar tanto"?
Terá sido por causa de tais assuntos que desta vez o vereador Luís Ferreira "se esqueceu" de publicar a ordem de trabalhos da reunião autárquica no seu blogue? Seria mau sinal...

SINAIS ERRADOS E NEFASTOS

Agravam-se perigosamente as consequências da crise. Em Tomar são cada vez mais as falências e insolvências, os desempregados e os jovens à procura do primeiro emprego, os salários em atraso e as rendas por pagar. Há também famílias a entregarem os apartamentos comprados a crédito, por não poderem honrar os compromissos assumidos, cidadãos sem abrigo, outros a viverem em barracas. E até o já célebre "problema urgente, que já se arrasta há mais de 40 anos". Falo, claro está, do acampamento cigano do Flecheiro.
Dirão os políticos instalados no poder que não têm culpas no cartório, mas estarão uma vez mais a tentar intrujar quem os elegeu. Porque nalguns casos é evidente o seu desmazelo. Determinada entidade local tem salários em atraso "porque a autarquia não está a cumprir com aquilo a que se comprometeu", segundo uma informação de fonte fidedigna.
Neste clima social deletério, Tomar a dianteira sabe de fonte segura que a Junta de Freguesia de Santa Maria dos Olivais (PSD), resolveu organizar mais uma excursão gratuita para eleitores séniores, autarcas e respectivos familiares, daquelas tipo "tintol/comezaina/bailarico", com direito a discurso do sr. vereador Carrão, que costuma ir e vir no seu/nosso Opel Insígnia, para não se misturar com a maralha, para além do estritamente necessário. Gente fina é outra coisa!
Desta vez, segundo se conseguiu apurar, a passeata será até Bragança, estando prevista para os dias 10 e 11 de Junho. Custará aos contribuintes à roda de 4 mil euros, caso os participantes paguem as respectivas pernoitas. Caso contrário, upa! upa!, que o orçamento dá para tudo. Infelizmente, a crise chega a todo lado, pelo que tentar comprar votos fica cada vez mais caro ao erário público. E como, com grande pena de todos, os euros não esticam, os que se gastam em tintol e etc. fazem depois falta noutros sectores.
Para além de se tratar indubitavelmente de um sinal errado aos cidadãos, por outro lado instados a poupar e a pagar cada vez mais impostos, tais passeatas constituem uma forma de concorrência desleal às agências de viagens locais, cujos impostos e contribuições vão servir em parte para lhes roubarem os potenciais clientes. Será justo?

Continuando nesta questão da crise e dos dinheiros, pessoas minhas amigas opinaram que fiz mal em revelar os rendimentos anuais do meu agregado familiar. Segundo elas, estamos num país e numa terra de invejosos, que agora me vão passar a odiar ainda mais. São bem capazes de ter razão. Sucede, porém, que sempre procurei ser coerente. Ao longo da vida sempre tenho procurado, na medida do possível, dizer o que faço e fazer o que digo.
Neste caso, resolvi agir assim porque: 1 - Sendo um dado adquirido que ninguém vence eleições dizendo a verdade, eu, pelo contrário, não estou nada interessado em vencer o que quer que seja sem dizer dizer toda a verdade; 2 - Sempre fui e continuo a ser partidário da consulta livre, por qualquer cidadão e sem restrições, de todas as declarações de impostos e contribuições, como forma de pôr fim a dissimulações e falcatruas de toda a ordem; 3 - Há por umas ratazanas velhas, com recalcamentos e outros traumas, sempre desconfiados em relação aos seus concidadãos. Assim, já ficam a saber de antemão que, caso me venha a candidatar a qualquer lugar, hipótese ainda a ponderar em tempo oportuno, não será de certeza para meter a mão na gamela orçamental. Porque não tenho feitio, não estou habituado, nem preciso. Tanto para mim como para a minha família. Aqui fica o recado, para todos os fins julgados úteis.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

ANÁLISE DA IMPRENSA REGIONAL DESTA SEMANA

Magnífica foto do ginasta tomarense Nuno Merino, na primeira página do MIRANTE. Na página 10, outro excelente cliché dos tabuleiros a desfilar na inauguração da EXPO98, que continuamos a pagar. Na página 15, o mais recente rodriguinho tomarense. Segundo um artigo não assinado, com foto do Infante no seu usual ar meditabundo, "Moradores queriam um muro em pedra para a Mata dos Sete Montes. Nem mais! Um muro dos anos 40 do século passado, que sempre esteve rebocado e caiado/pintado de branco, deveria agora ficar com a pedra à vista, para dar um ar "very typical". Neste caso, agiu bem Corvêlo de Sousa, recusando tão estranha sugestão.

Destaque para o último parágrafo da notícia, com um evidente contra-senso, a evidenciar o uso cada vez mais problemático da língua pátria por parte dos jornalistas: "Corvêlo de Sousa também já foi abordado pela mesma razão, mas por causa da obra que está em curso nos Lagares d'El-rei, uma vez que as paredes dos vários blocos estão, neste momento, rebocadas. Uma imagem que parece agradar a quem passa, mas que não faz parte do projecto museológico." (o negrito é de Tomar a dianteira). E ainda bem que não faz, digo eu. Primeiro, porque aquelas construções não são blocos, mas lagares, pavilhões ou  barracões, se quisermos. Depois e sobretudo, porque as paredes neste momento não estão rebocadas mas picadas, o que quer dizer a aguardar novo reboco, para então ficarem outra vez rebocadas, como sempre estiveram. Pobre língua de Camões!
O que talvez não fosse má ideia era restabelecer as fachadas e as águas dos telhados, tal como já foram em tempos, antes de modificadas. Bastaria olhar com atenção para as fachadas agora despidas de reboco, onde são bem visíveis as várias alterações praticadas ao longo dos séculos, agindo depois em conformidade. Mas é muito pouco provável... Seria demasiado trabalhoso!
CIDADE DE TOMAR vai conseguindo manter-se relativamente igual a si próprio, embora seja indiscutível que já conheceu bem melhores dias. A presente conjuntura é de extremo aperto para todos e isso nota-se particularmente nos jornais locais e regionais. Lá vão procurando continuar a relatar as ocorrências locais, procurando tanto quanto possível não fazer ondas, para evitar que os poucos anunciantes fixos rumem em direcção a outros suportes. Sem a habitual resenha do programa radiofónico Praça Pública, os leitores que residam fora do concelho ficariam com a ideia de que por estas bandas não há problemas de índole política. Abundam, isso sim, comemorações, inaugurações, festas e outras funções, tal como nos bons tempos das vacas. Que se foram e tudo indica que não voltarão... Usando uma conhecida conhecida fórmula sarcástica, os jornais locais e regionais estão como o crocodilo russo da anedota -voam mas é mesmo muito baixinho; praticamente já nem conseguem descolar...
O RIBATEJO lá se resolveu finalmente a publicar alguma coisinha sobre  Tomar. E logo três eventos de uma assentada: o centenário do Café Paraíso, as recepcionistas da delegação local da Entidade de Turismo e a associação de politécnicos do centro, ao que parece com largas perspectivas no futuro. Cá estarei para ver.


Fiel à sua linha editorial, tal como o concorrente Cidade de Tomar, O TEMPLÁRIO conseguiu uma pequena proeza esta semana. É o único a noticiar -e logo em manchete- mais um desastre económico para o concelho, desta vez a anunciada insolvência do Matadouro do Ribatejo Norte, requerida por um credor e já aceite pelo tribunal de Tomar. Saliência também para três crónicas de qualidade, ou antes, duas crónicas e uma micro-crónica. Refiro-me  a "Carta aberta a Ernesto Jana", de Áppio Sottomayor, "O desentusiasmo", um enigmático texto com mensagem encriptada (com agora se diz...), subscrito por Carlos Carvalheiro, e a referida micro-crónica, "A capacidade do que é insignificante", de Luís M.Pedrosa Graça, a mostrar que nunca é conveniente confundir qualidade com quantidade, ou tamanho, neste caso.
Num outro registo mais técnico, mas de indiscutível grande interesse, uma peça assinada Pedro César, na página 24, de cujo título bárbaro reproduzo apenas a parte final: "com estas placas não vamos lá". Na minha tosca maneira de ver, as conclusões a que chega o autor estão correctas, mas o mesmo não posso dizer em relação aos pressupostos, que me parecem parciais, no duplo sentido do termo - orientados e incompletos. Cabe aos leitores julgar em definitivo.
Finalmente, na página 36, uma foto da festa dos tabuleiros de 1937 (?), a qual, ou muito me engano, ou ainda vai  originar debate vivo, lá mais para diante... Por agora convém deixá-los pousar.

PODE SER QUE MOSTRANDO EXEMPLOS...


De cada vez que ouso mencionar o facto de estarmos a mais de 2 mil quilómetros da Europa Central, na sua extrema periferia ocidental, ou apresento exemplos a título comparativo, seguem-se os ataques videirinhos. Sobranceiro, pretensioso, cagão, fanfarrão, maniento e outros mimos do género. Ainda assim, tendo em conta a afluência diária de leitores (605 na terça, 598 ontem), peço desculpa mas continuo na senda.
Já aqui referi que a autarquia tomarense, entre outras mazelas, tem demasiados chefes e poucos índios. Acrescento agora que, além de demasiado numerosos, os ditos quadros superiores nem sequer sabem com precisão quais os eixos ou qual o quadro geral da sua actuação ou, de modo mais simples, a sua missão.
Para que todos possam aferir como as coisas se passam lá para as bandas da Região Parisiense, segue-se a tradução contextualizada de um anúncio para recrutamento de chefe de divisão:

"Cidade de Poissy, distrito das Yvelines, (Sede administrativa em Versalhes), 36.200 habitantes, servida pelo Metro Expresso Regional, linha A, pelo caminho de ferro até à estação de Saint-Lazare-Paris, pelas auto-estradas A13, A14 e pela nacional 13, pretende contratar por transferência ou no exterior CHEFE DE DIVISÃO responsável pelo desenvolvimento urbano e pelo quadro de vida (Masculino ou feminino). Quadro dos Engenheiros territoriais.
Sob a autoridade do Director de Serviços e no seio de um comité de direcção, participa no processo decisional e na definição de uma linha estratégica para a cidade. Deverá dirigir e coordenar os serviços de equipamento, de gestão do solo, do urbanismo e do ambiente, implementando, regulando, controlando e avaliando continuamente os sucessivos planos de acção.
Nesse quadro, as missões articulam-se principalmente em dois eixos: # Participa na definição e na implementação das políticas municipais de gestão do solo, do quadro de vida, das deslocalizações, da concepção e da gestão do património, bem como na preparação das respectivas programações e no seu acompanhamento operacional. Impulsionará um projecto estruturante, marcando o rumo do desenvolvimento urbano e do quadro de vida, numa dinâmica de gestão de projectos elaborados e desenvolvidos no âmbito das problemáticas da gestão do solo e do ambiente, integrando uma dimensão no quadro do desenvolvimento a longo prazo. # Assegurará o relacionamento com o contexto institucional, económico e social, tudo em ligação estreita com o poder político. Dirigirá a divisão (220 funcionários), numa óptica de mobilização permanente e de optimização dos recursos humanos e financeiros.
De formação técnica superior, engenheiro de obras públicas ou equivalente, terá imperativamente uma experiência significativa numa autarquia (3 anos, no mínimo). Domina os métodos de programação, de planeamento e de condução de projectos, possuindo muito bons conhecimentos de procedimentos administrativos, financeiros e de concursos públicos de empreitadas. Dirigente confirmado, possui competências técnicas pluridisciplinares. Dotado da capacidade de gerar ideias operativas, tem o sentido das responsabilidades, do interesse público e boas qualidades de relacionamento interpessoal. A função implica uma grande disponibilidade fora das horas normais de trabalho.
O emprego proposto beneficia de um alojamento gratuito por utilidade de serviço (obrigatoriedade de residir na cidade de Poissy).
Recrutamento entre funcionários graduados da categoria A - Fileira Técnica - Engenheiros territoriais."


Agradecemos o envio de candidatura (carta de motivação e currículo), endereçada a Presidente da Câmara de Poissy... ou recrutement@villedepoissy.fr



quarta-feira, 18 de maio de 2011

EM CASA DE FERREIRO, ESPETO DE PAU...

(Clicar na ilustração para ampliar)
Respeitável concidadão Luís Ferreira:

Bem hajas pela tua resposta enérgica. É sempre bom saber que não se anda a escrever  para o boneco. E um prazer receber correspondência de um ilustre amigo e conterrâneo. Para mais, a tua epístola tem duas qualidades: está assinada, franqueza que se louva por ser cada vez mais rara por estes lados, e usa um português estruturalmente escorreito, o que  também já vai sendo cada vez menos comum, apesar do evidente esforço das Novas Oportunidades. Uma espécie de fast food de habilitações, na opinião do teu culto camarada MM Carrilho, como eu de formação gaulesa. Quanto ao resto do conteúdo, fiquei desiludido. Vê-se que nunca terás sido bem treinado como atirador, pelo que, apontando de forma deficiente, acertas sempre muito longe do alvo.
Resolvi reproduzir acima a tua missiva, visto que não está visível no teu blogue, a não ser através do link por ti incluído no comentário que tiveste a bondade de me endereçar e que agradeço. Igualmente como forma de respeitar os leitores, tal como, se alguma vez vier a ser caso disso, tenciono respeitar os eleitores.
Ponto por ponto, eis o que me parece ser indispensável dizer-te:
1 - "...afronta despudorada, descabida e falsa..."?! Onde, quando, em que texto, em que parágrafo, em que frase? Aguardo a amabilidade de uma justificação fundamentada.
2 - "Corda para mais três ou quatro post's contra..." Estás equivocado Luís. Vai esta resposta e já não é nada mau.
3 - Danado eu? Não sou nenhum animal irracional, nem estou na triste situação das personagens do ensaio "Os danados da terra", de Franz Fanon.
4 - "Ferido com os dirigentes socialistas locais, que preferiram..." Mais um tiro ao lado, caro amigo. Quando decidi disputar a eleição interna a que te referes, já sabia muito bem ao que ia e qual seria o resultado. Tratou-se apenas de confirmar na prática o que antes me fora dito por camaradas teus da CP. Que era uma comédia, com resultado final conhecido de antemão.
5 - Zangado com Sócrates, estou realmente, mas não por causa do corte na minha pensão. Com um rendimento familiar anual ligeiramente superior a 90 mil euros, é coisa que pouco me apoquenta. O que acho obsceno é continuar a insistir na comédia política, quando toda a gente, ou pelo menos uma larga maioria, já entendeu que não passa de um malabarista da comunicação, capaz de fazer o que seja para se manter no poder. Basta pensar que  numa semana declarou não estar disposto a governar com o FMI, para nas semanas seguintes assinar o protocolo da troika, como se nada tivesse dito antes. E até ousou chamar a atenção de Cavaco, dizendo que se ganhar as eleições quer ser governo...para governar com o FMI!
6 - Julgo que devias manter algum recato no que se refere aos eleitos do PSD, com os quais acordaste um protocolo vago, mas bem sumarento em termos de benefícíos em géneros. Não sei se me faço entender. Vir agora afirmar, com o convénio ainda em vigor, que "As nulidades que nos têm guiado, Relvas & Companhia, são o manancial de crédito para a governação alternativa a Sócrates. Está mesmo a ver-se. Ó se está!", poderá ser o que quiseres. De cavalheiro não é de certeza. E leva os aturdidos leitores, assim como eu, a questionar-se: Mas então porque é que aceitou misturar-se com eles na carripana do poder local? E porque não denunciou ainda o estranho caso de mancebia política? Se são assim tão maus...
7 - Sobre a visão que tens da actuação dos eleitos socialistas no executivo, receio bem que estejas a enveredar pelo modelo do teu secretário geral, o qual consiste em elaborar mentalmente uma realidade virtual em consonância com as suas conveniências do momento. Não seria melhor ires lendo e ouvindo, antes de emitires opinião? Ou também estás convencido, como em geral o actual governo PS, que uma mentira repetida muitas vezes, acaba por ser verdade?
8 - Ia a esquecer uma questão fulcral. Explicar "em que é que o PS é responsável no disparate geral que é a gestão da autarquia de Tomar". Pois meu caro Luís, não o PS, mas os que o representaram nas negociações prévias e na assinatura do tal documento vago, são os responsáveis pela triste situação actual, visto que: A) - Viabilizaram um governança tosca e invertebrada, contra uns pratecos de lentilhas, por enquanto ainda não retirados; B) - Possibilitaram a aprovação do orçamento para 2010 e 2011; C) - Consentiram na adjudicação do Elefante Branco da Levada; D) - Não se opuseram às inoportunas obras da Envolvente ao Convento de Cristo; E) -Têm-se mostrado incapazes de forçar uma solução digna para o Mercado Municipal; F) - Ainda não perceberam que é indispensável instalar quanto antes o ar condicionado na tenda provisória, sob pena de no Verão ninguém lá poder parar com calor; G) - Nunca conseguiram dialogar com os dois eleitos do IpT, apesar de com eles estarem em maioria (4 contra 3 do PSD); H) - Jogam de forma permanente em dois tabuleiros -o do poder e o da oposição, de tal forma que poucos já acreditam naquilo que dizem, uma vez que raramente corresponde com o que fazem.
Chega ou são precisos mais detalhes?
Fazes favor de tomar nota que eu não te acuso de mentires. Não senhor! Limitas-te a seguir a norma Sócrates. Dizes a tua verdade, que infelizmente não tem senão uma vaga relação com a realidade envolvente. Quando tem!

Cumprimento-te sem rancor,

António Rebelo, um cão que sempre recusou andar à trela. Mesmo para garantir a ração diária.