Acessos pedonais ao Convento - Património da humanidade

Foto 1Cão Tinhoso
Antes de mais, um agradecimento à nossa companheira de redacção Odete das Farturas. Às terças-feiras este espaço é dela, mas esta semana, dada a minha insistência, concordou em ceder-mo.
Ontem, aproveitei a ida ao Porto do sr. Sebastião, e lá fui com ele. Os tripeiros continuam iguais a si próprios: abertos, fraternos, francos, frontais, usando sem peias uma linguagem vernácula, sempre adaptada às circunstâncias. Quando nos viram gritaram logo -Ora sejam bem aparecidos os mouros da herdeira burra! Tudo fino? Correspondida a saudação, como não percebi aquela da herdeira burra, indaguei. A resposta saltou logo -Ai num sabiam?! É Tomar; herdeira de vastíssimo património, não o sabe governar. Toma e arrecada, pensei eu.
A conversa continuou e, quando íamos a despedir-nos, lançaram-nos -Tende boa viagem de regresso à terra do faz de conta. Só em Tomar é que se inauguram pontes que faz de conta que estão prontas! Rimo-nos e o sr. Sebastião murmurou para mim -Nestas ocasiões a gente faz de conta que está alegre e que gostou da piada.
Ainda outro desvio, antes de ir ao essencial. Ontem o blogue do Templário esteve praticamente inactivo. Quererá isso dizer que a quase totalidade dos seus intervenientes são gente de passagem, que se entretém a semear caca e depois desanda para outras paragens, quando o cheiro é demasiado intenso e persistente? Aqui fica a pergunta, com votos de Bom ano novo para a Isabel e o Zé, que naturalmente não têm culpa nenhuma e merecem respeito pela coragem.
Passando às mazelas: Eu já desconfiava. Agora, após a entrevista de Corvelo de Sousa ontem referida, poucas dúvidas me restam. Tanta insistência no percurso Cidade-Convento através da Mata, há-de ter a sua explicação. Fiz-me ao caminho e julgo ter encontrado uma resposta possível. Ao pretender encaminhar futuramente os turistas por parte da antiga estrada da Almedina, a autarquia pretende desviar as atenções do estado em que se encontram, há longuíssimos anos, a Calçada dos Cavaleiros e a Calçada de S. Tiago. Além de arrecadar fundos europeus e mostrar obra feita, como vem sendo hábito.
Para quem tenha algumas dúvidas, é só reparar nas duas fotografias anexas, que não necessitam de qualquer comentário. Apenas duas achegas: 1-Ambas as vias pedonais se situam a menos de 200 metros da sede da autarquia; 2 - No caso da Calçada de S. Tiago, (Foto 1), já há cerca de 400 anos, o rei Filipe III de Espanha, 2º de Portugal, mandou recomendar ao alcaide o arranjo da calçada, antes da visita que tencionava fazer... Nas margens do Nabão, há coisas que nunca mudam!