As fotos mostram onde se chegou já, em termos de falta de autorespeito, no que concerne à lamentável sinalização da Sinagoga. É claro que certas almas caridosas vão alegar imediatamente que uma coisa não tem nada a ver com a outra. A Sinagoga é a Sinagoga, o Convento é o Convento. Cada caso é um caso. Seja. Mas convém não esquecer que essas mesmas almas também garantiram durante meses que, uma vez concluídas, as obras de requalificação ligadas à Ponte do Flecheiro iam ficar muito bonitas. Azar dos azares, nem cuco nem mocho. Nem ficaram bonitas, nem estão prontas e o bar mais importante da zona, o RioBAR, já fechou. Para uma iniciativa que pretendia fazer da zona as docas de Tomar...
Ficamos, portanto, assim: A Sinagoga não é o Convento, mas pelo andar da carruagem tem-se logo uma ideia sobre os passageiros. Em linguagem mais clara: A sinalização pindérica, visível nas fotografias, não passa de um indício. Mas é um indício muito importante, tal como a incrível entrada actual para o Convento, onde não cabem obesos nem cadeiras de rodas. Ambos indiciam a tal confrangedora carência de recursos humanos realmente qualificados. E a época já não está para mais improvisos. Enquanto nós continuamos a marcar passo, os outros vão avançando. E fazem eles bem! (Convirá não esquecer que o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, julgou conveniente fazer-se representar, numa cerimónia onde estavam os outros três autarcas, o presidente do IGESPAR e o Ministro da Cultura. Porque terá sido? Na política nada acontece por acaso e, lá dizia o outro, "o que parece..."
Para aqueles cidadãos que habitam Tomar ou seguem de longe os problemas concelhios, mas têm tendência para se sentirem incomodados com as críticas francas que aqui vamos fazendo, aqui vai um documento insuspeito. Tem a sua origem no Eurostat, o serviço estatístico da União Europeia, e foi publicado no diário espanhol EL PAÍS. Nele podemos ver que o futuro dos pensionistas, aposentados e reformados não é nada brilhante em Portugal. Em termos de despesas percentualmente ao PIB (Produto Interno Bruto), em pior situação do que nós só a Itália, a Áustria e a França (ver ângulo inferior esquerdo do quadro). Que significa isto? Que dada a nossa tradicional fraqueza em relação àqueles três países, não tardará muito que ou se aumentam os impostos (directos ou indirectos, ou ambos), ou poderá não haver disponibilidade para honrar tanto compromisso. Que podemos fazer? Pouca coisa. Apenas poupar mais e gastar menos. Se tal for possível, bem entendido.
Aqui temos a "máquina política tomarense" em plena actividade, tal como vem fazendo desde há anos para cá. Perante isto, só podemos dizer: Força! Continuem! Continuem! Quando isto abater vai fazer bastante ruído. Pode ser que assim acordem finalmente os tomarenses amigos da sua terra. O desenho foi tirado do EL PAÍS de ontem.