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domingo, 24 de abril de 2011

ELEITOS, DÍVIDAS E ATITUDES

No próximo sábado -salvo qualquer imprevisto- terei o gosto de conversar, durante cerca de uma hora, com o vereador do PS Luís Ferreira. Poderia portanto guardar o que segue para essa ocasião. Entendo, contudo, que cada coisa no seu sítio. O debate de ideias aqui; a conversa amena no próximo sábado.
É sabido que não tenho o vereador da protecção civil na conta de lorpa. Pelo contrário. Estranho por isso o seu posicionamento em relação à dívida camarária. Como habitualmente, acaba de publicar dados referentes a 31 de Março, o que é louvável. Fica-se assim a saber que a autarquia já deve quase 35 milhões de euros = 7 milhões de contos; está a pagar aos fornecedores a 3 meses e meio, o que é indecente em tempo de grave crise; apenas dispõe de uma folga de menos de 2,5 milhões de euros = 500 mil contos, para novos empréstimos; a dívida global continua a aumentar regularmente e há encargos de monta a honrar. Só para a Bragaparques são 7 milhões de euros, que ninguém vislumbra de onde poderão surgir. Somando-lhe as obras do Convento, da Estrada de Coimbra e da Levada...é só fazer as contas, como disse o outro.
Face a tudo isto, em vez de decidir acabar com a coligação, entregando "a criança" aos progenitores, o vereador socialista dá a ideia de procurar dourar a pílula, considerando que os eleitores são cegos, para não dizer palonços. No seu blogue vamosporaqui.blogspot.com, a concluir os dados supra-enumerados, conclui com esta pérola: a dívida global da autarquia passou num mês de 32,97% para 33,5% do seu património. Sucede que, em termos contabilísticos de POCA, apresentar semelhante rácio é tentar tapar o sol com uma peneira, ou lançar areia para os olhos dos incautos. Na realidade, do propalado património camarário, num total anunciado de 110 milhões de euros (avaliado por quem?), apenas 3 bens poderão vir a interessar ao sector privado: a rede de água, a rede de esgotos e a recolha do lixo. Com uma condição draconiana, que consiste em acabar com os SMAS e com os SHL, herdando a autarquia todos, ou a maior parte dos funcionários, por razões óbvias, que por isso mesmo me dispenso de enunciar, para não ferir ninguém. O resto, sobretudo nas actuais condições de mercado, não vale um chícharo. Pelo contrário!  Há até bens, como o Bairro 1º de Maio,o campo de jogos, a Senhora dos Anjos, Santa Iria ou os pavilhões, por exemplo, que ninguém quer, mesmo de borla. Por conseguinte, tendo em conta outrossim que regra geral só paga com património quem é penhorado, não parece totalmente honesto nem sequer adequado publicar rácios com tanto de insólito como de inútil. Basta pensar no que seria o governo resolver publicar o rácio dívida pública/património do Estado, em vez de dívida pública/PIB. Havia de ser bonito, havia!
O que interessa certamente, tanto aos eleitores como aos credores, é conhecer a evolução das receitas da autarquia, nas suas duas grandes componentes -transferências e receitas directas. Porque é com receitas que se pagam as dívidas. Não com património praticamente inegociável. Mas isso, nem a autarquia nem o eleito socialista publicam. Sabe-se inclusivé que a câmara de Santarém recebeu em 2010 menos 1,4 milhões de euros de transferências, por causa dos PEC, tendo as suas receitas directas baixado 40% em relação a 2009, segundo declarações recentes do presidente Moita Flores. Quanto a Tomar, nicles! Um silêncio de chumbo. O costume. Os eleitores que vão pagando e que se calem!
Qual será a situação real? Em 2010, quanto recebeu a menos a autarquia tomarense, em termos de transferências? As receitas directas totais atingiram que montante? Quanto estava orçamentado? Qual a percentagem de redução em relação ao ano anterior? Com as despesas a aumentar, as receitas a descer drasticamente e praticamente sem acesso  ao crédito bancário, que de resto também não há, devido à crise, como tenciona a relativa maioria vir a honrar a assinatura do Município? Tencionam vir a declarar a insolvência? Se afirmativo, quando?
Já lá vai o tempo em que era possível ocupar os lugares sem desempenhar de forma cabal as inerentes funções, contando com a aquiescência do eleitorado, vítima da sua ignorância e da parca informação que havia. As coisas mudaram. Agora há que escolher. Ou coisam ou saem de cima quanto antes. Para não vos vir a acontecer algo parecido com aquilo que amanhã se comemora... 
Conforme demonstra a História, alapar-se aos lugares nunca foi boa política.