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sábado, 30 de abril de 2011

COM QUE ENTÃO ERA SÓ MÁ-LÍNGUA!!!

Jornal i, primeira página, 30/04/2011
Jornal i, páginas 26 /27, 30/04/2011

Desde 2009 que Tomar a dianteira vem alertando para o comportamento errático da actual maioria relativa, no que se refere nomeadamente à gestão orçamental. Em vez de facultarem informações atempadas, verdadeiras e completas aos eleitores, os senhores autarcas têm-se refugiado no sigilo e nas meias tintas, cochichando por aqui e por ali que "Aquilo é só conversa" "A habitual má-língua", "Não sabem o que dizem" "Iluminados profetas da desgraça" e outras do mesmo estilo. Tudo isto enquanto continuavam a adjudicar obras grandiosas, algumas de utilidade muito duvidosa, que agora não têm dinheiro para pagar. Assim sendo, só os eleitores mais distraídos poderão ficar surpreendidos por ser o próprio secretário de estado da administração autárquica a admitir que a situação é grave e que a falência de alguns municípios é iminente. Na verdade, em terras de gente conservadora, retrógrada e semi-analfabeta (para ser benevolente), é sempre mau ter razão antes do tempo. Ainda assim, Tomar a dianteira não vai deixar de dizer o que tem de ser dito, quer agrade, quer incomode. 
A título complementar, esclarece-se que só no distrito de Santarém há já cinco municípios com a corda ao pescoço, com fortes hipóteses de falência antes do final deste mandato, em 2013, ou até já em 2011. São eles, por ordem alfabética, Alcanena (4 PS, 2 Ind., 1 PSD), Ourém (4 PS, 3 PSD), Santarém (7 PSD, 2 PS), Tomar (3 PSD, 2 PS, 2 Ind.) e Torres Novas (5 PS, 1 PSD, 1 CDU). De todas estas autarquias, só na de Tomar é que há um vereador com um Opel Insígnia novo e para todo o serviço, que o executivo está a pagar em regime de leasing, certamente por não o poder liquidar a pronto. E cinco membros do executivo a tempo inteiro. E mais de 200 telemóveis distribuídos pela autarquia a eleitos e funcionários, entre os quais quatro a de mais de 800 euros cada um. Ele há coisas! 
Questionado sobre este assunto, um autarca da actual coligação admitiu a falta de liquidez e o risco de falência do município tomarense, acrescentando que, de qualquer forma, "Corvêlo de Sousa vai continuar a manter-se impávido e sereno, aparentemente deleitado a assistir ao descalabro, tal como Nero contemplando o incêndio de Roma. Não por mal. Apenas por estar convencido que a sua prestação como autarca é algo de qualidade excepcional."
Há eleitos assim. E quem neles votou, agora não tem de que se queixar. Resta-lhes aguardar pelas próximas autárquicas e então escolher melhor. Se houver por onde.