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segunda-feira, 21 de março de 2011

PAGA ZÉ POVO! E NÃO REFILES QUE ESTÁS BEM SERVIDO!

Hora de jantar. Telefonema amigo. Deputados vêm ao Convento. Querem saber qual a evolução do caso da limpeza da Janela do Capítulo. Da melhor vontade. Encontro às dez da manhã. Junto à Porta de S. Tiago. Preparação da coisa. 
Máquina fotográfica, algumas fotocópias de Tomar a dianteira. Nove e meia. Ala  que se está a fazer tarde. Primeiro dia oficial  de Primavera. Sol radioso. Céu azul. Tudo verdejante. Olaias floridas. Uma luz com não há outra na Europa. Dez menos um quarto. Agora é só esperar mais ou menos um quarto de hora. Os políticos só chegam atrasados aquando das campanhas eleitorais.
Onze menos um quarto. Manda o protocolo esperar só até meia hora. 45 minutos é para ministros. Uma hora para o Presidente da República, Presidente da Assembleia da República e Cardeal Patriarca. Dos deputados nem ditos nem mandados. Tinha-me esquecido de que, com esta história da rejeição do PEC IV, já anda tudo em campanha eleitoral. Outra vez. Fica para uma próxima oportunidade. Se ainda houver pachorra.
Entretanto, paga Zé povo! E não refiles que estás bem servido! Até porque de qualquer maneira não adianta nada! Não é certamente por acaso que andamos sempre atrasados em relação à Europa do norte.
De que força política são os deputados em causa?! Não interessa. São todos parlamentares e movimentam-se de acordo com os mesmos parâmetros comportamentais. Por isso temos uma democracia cada vez mais forte e participada. É o que nos vai valendo, para aguentar tanta austeridade...
E estou seguro de que têm uma excelente justificação para a falta de comparência a tempo e a horas. Ou até mesmo várias, que somos o país do desenrasca. E a A.R. não paga assim tão mal.


13 Horas. Entretanto, quem telefonou já repetiu o gesto. Desta vez para apresentar desculpas. Os parlamentares é que continuam para lamentar. Para eles e para os políticos locais agora no poder, este excerto:
A DECADÊNCIA


"Em tempos comentei aqui que o país enfrentava desde há alguns anos fracas colheitas de políticos. Há muito que não se consegue um vintage e muitos dos nossos políticos são o equivalente a vinho a martelo. Mas a situação tende a agravar-se. Como se o mundo da política tivesse sido atingido pela filoxera e uma boa parte dos políticos já nem sequer são fruto de uma má colheita. São obtidos com uva apanhada em vinhas abandonadas ou já vindimadas." www.ojumento,blogspot.com
A esta panorâmica geral convém acrescentar um cliché nabantino. Os eleitos instalados à mesa orçamental consideram-se ipso facto membros de uma tribo de seres superiores, sem substitutos à altura. Segundo eles, este é só conversa, aquele nunca fez nada pela terra, aqueloutro é um doutor da treta, e assim sucessivamente. Enquanto os tomarenses amantes da sua terra continuarem a dormir, todos estes abusos continuarão impunes. . .para vergonha nossa!