Já aqui foi referido anteriormente, mas torna-se necessário aprofundar o assunto. Refiro-me à dívida global da autarquia e respectiva evolução. Após alguns meses de pública discordância, (coisa normal e até saudável em democracia, quando em parâmetros civilizados, como foi o caso), Luís Ferreira acabou por ter de reconhecer que afinal a situação camarária é cada vez mais preocupante. Na sua usual intervenção das quartas-feiras, na Rádio Hertz, disse que neste momento o município tomarense deve algo como 35 milhões de euros = 7 milhões de contos = 179 contos e quinhentos por cada eleitor inscrito. Acrescentou até que a situação se agrava em cerca de 800 mil euros = 160 mil contos, por cada mês que passa.
A evolução previsível da economia concelhia poderá ser tudo menos positiva. Ainda assim, consideremos que tudo continuará a processar-se como até aqui. Faltando 32 meses para o final deste mandato, teremos por conseguinte, no mínimo dos mínimos, 32 x 800 mil euros = 25 milhões e 600 mil euros. Somando aos actuais 35 milhões de euros, estará o concelho confrontado com uma dívida global mínima de 60 milhões e 600 mil euros = 12 milhões 120 mil contos = 312 contos 985 por cada eleitor inscrito no concelho.
Visto que, ainda por cima, é quase certo que pelo menos os funcionários no activo e os aposentados vão perder o 13º e o 14º meses, o que representará uma perda anual de rendimento da ordem dos 17%, com as concomitantes consequências na economia local e na arrecadação de impostos e taxas, os citados 60 milhões até podem muito bem ser uma previsão excessivamente optimista. Isto porque a burocracia municipal é gulosa e totalmente incapaz de vir a fazer dieta, enquanto que os consumíveis e outras despesas certas e permanentes vão ser arrastadas pelo aumento da inflação e das taxas de juro, sendo certo até já se falou numa recente sessão do executivo num spread da ordem dos 7%, ao qual convém acrescentar os inevitáveis 200 pontos base, ou mais = 9% ao ano, no mínimo. Para um empréstimo de 8 milhões de euros, conseguirá o município arcar com semelhante encargo?
Não é para pagar? Fácil de dizer, mas difícil de levar à prática. São créditos titulados, há bens e verbas para penhorar e, em caso de défaut, nos 10 ou 15 anos seguintes nenhum banco ou investidor emprestará um cêntimo sequer ao município. Como este já demonstrou à saciedade não conseguir sustentar sequer a sua burocracia sem recorrer ao crédito, tendo em conta que a envolvência económica tenderá a piorar, forçoso é reconhecer, sem qualquer exagero, estarmos perante um horizonte trágico.
À boa maneira tomarense, os eleitores, particularmente os funcionários municipais, continuam a viver normalmente, como se não fosse nada com eles. Tenho por isso a obrigação cívica de os avisar que fazem mal. Mesmo considerando que "respeitinho é muito bonito", como nos foi inculcado durante o regime autoritário, talvez não fosse pior ir pensando que as verbas gastas com as despesas evitáveis da autarquia (outsourcing, TUT, leasing de automóveis, segurança nos parques e no mercado, boletim, passeatas, ajudas de custo, despesas de representação, 5 vereadores a tempo inteiro, rendas e taxas não recebidas, obras faraónicas, etc, etc, etc. podem muito bem vir a fazer falta para assegurar o pagamento atempado dos vencimentos...
A câmara de Santarém, com mais 16 mil eleitores inscritos do que Tomar, tem uma dívida global (quase toda herdada) de 84,6 milhões de euros, o que levou Moita Flores a declarar publicamente que vai renunciar no início do próximo ano, estando disponível para concorrer a outra autarquia. Porque será?
Anteriormente já havia afirmado não ser possível gerir capazmente um município que tem um funcionário por cada 64 eleitores. Em Tomar a mesma relação é de um funcionário para 77eleitores, apesar de a cidade e o concelho estarem no estado em que estão. E mais não digo, por agora...
