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segunda-feira, 7 de março de 2011

"AJUDA FINANCEIRA: PORTUGAL NUM CONTRA-RELÓGIO"

"Há as declarações oficiais. As do governo português afirmando que o programa de consolidação orçamental prossegue e que o país não necessita de ajuda internacional.
As da chancelerina Merkel, que garantiu na quarta-feira passada, 2 de Março, não exercer qualquer pressão sobre Lisboa, para que Portugal solicite a assistência financeira do FMI e da UE.
E depois temos a realidade dos mercados e das estatísticas económicas. Sob forte pressão por parte dos investidores, Portugal encontra-se agora numa situação mais precária do que nunca. Há mais de um mês que a dívida pública é negociada nos mercados acima dos 7%, para os empréstimos a dez anos. Um nível que todos os analistas consideram insustentável. E o país está ainda longe de suprir as suas necessidades de financiamento para 2011. Até ao fim deste ano ainda tem de conseguir empréstimos da ordem dos 16 mil milhões de euros, para poder honrar as necessidades de reembolso.
Estes problemas levaram a agência de notação financeira Standard & Poor's a manter o país sob vigilância negativa, na quarta-feira passada. A citada agência pensa que Portugal poderá ser "constrangido" a pedir ajuda externa, como já fizeram a Grécia e a Irlanda, via Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), adoptado em Maio de 2010 pelos Estados da zona euro. "Nos fundamentais, a situação é péssima. O crescimento económico, o sector bancário, o endividamento, e mesmo a configuração política, nada está bem", opina Gilles Moëc, analista económico no Deutsche Bank.
Na verdade, numa altura em que a retoma começa a notar-se na Europa, o PIB português mergulhou no vermelho no quarto trimestre de 2010 a -0,3%. Enquanto isto, o endividamento do sector privado já atinge 245% do PIB.
O governo socialista minoritário está numa luta infindável com a oposição no parlamento, sobre os detalhes do plano de austeridade. Os especialistas duvidam que consiga reduzir, conforme acordado, o défice orçamental abaixo dos 3% em 2012, contra 7,3% actualmente.
A Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o governo português estão aliás a negociar uma nova série de economias e de reformas. Bruxelas aguarda um anúncio público sobre o assunto antes da cimeira europeia de 11 de Março.
 A ideia é conseguir ganhar mais algum tempo, na esperança de evitar, ou pelo menos adiar, um pedido de ajuda. "Mas parece inevitável que Portugal acabe, mais cedo ou mais tarde, por pedir ajuda financeira. De livre vontade ou forçado pelas circunstâncias", opinou Gilles Moëc. Por enquanto, Lisboa continua a resistir. O governo não quer avançar enquanto as condições do FEEF não forem modificadas. Tem esperança, entre outras coisas, que as taxas de juro exigidas em troca dos empréstimos europeus -julgadas "punitivas" pela Irlanda- sejam reduzidas.
"Os nossos esforços têm de ser acompanhados por um esforço europeu. Esperamos decisões importantes em Março. Tenho esperança de que a Europa seja capaz de dar os passos decisivos indispensáveis", declarou o ministro das finanças Teixeira dos Santos.

Marie de Vergès, LE MONDE, 06/03/11, página 11 - Economia

Os sublinhados são do tradutor.

Nota final de Tomar a dianteira:
Continua a "Dona Branca". Pedir emprestado a uns para pagar a outros. Exactamente como vem sucedendo aqui em Tomar, naturalmente em escala muito mais reduzida. Mas a prática quotidiana é a mesma em ambos os casos. Em vez de medidas corajosas, simples passes de ilusionismo. Ou discursos bonitos de Sócrates e silêncios sepulcrais de Corvêlo. Até quando vão e vamos aguentar?