
Foto Nuno Botelho/Expresso
Mês de Julho, férias escolares, temperaturas acima dos 30 graus, o rumo principal é a praia. Estamos em plena trégua de Verão, no domínio político. Estamos, ou pelo menos é usual que estejamos. Desta vez, porém, parece que o pântano político nabantino resolveu (finalmente!!!) agitar-se. Contra a corrente, como é usual.
A dado passo das suas recentes declarações à Rádio Hertz, a propósito do encerramento do mercado, Corvêlo de Sousa avançou, à guiza de conclusão sectorial, uma frase algo enigmática -"Nesta altura até era bom não procurarmos a divergência." Intrigado, Tomar a dianteira foi à pesca de informações. Conseguimos saber, graças a rumores convergentes, que o actual presidente da edilidade, ao prestar as referidas declarações na passada quinta-feira, já estaria ao corrente das decisões tomadas na última reunião da Comissão Política do PSD/Tomar. Daí a frase com destinatários óbvios -os membros da citada comissão, bem como Miguel Relvas e António Paiva. Os primeiros, para serem clementes e prudentes, os outros para o ampararem nesta conjuntura delicada.
Apoquentado com pelo menos um afastamento significativo, o presidente José Delgado terá finalmente decidido, em conjunto com a sua equipa, convidar oportunamente Corvêlo de Sousa a colocar o seu lugar à disposição do PSD. Caso não obtempere rapidamente, ser-lhe-á retirada a confiança política, o que implicará a perda de condições para continuar a governar, se, como é lógico, tanto Carlos Carrão como Rosário Simões deixarem de votar favoravelmente os documentos por ele apresentados.
Caso Corvêlo de Sousa aceite ceder o seu lugar, conforme pretende a Comissão Política, Carlos Carrão será o futuro presidente até final do mandato, na melhor da hipóteses. Por seu lado, José Perfeito transitará de teórico chefe de gabinete do actual presidente a 3º vereador da relativa maioria laranja.
As coisas estão para já assim delineadas. Falta no entanto conhecer a posição de Miguel Relvas e de António Paiva, usuais treinadores da actual equipa autárquica. Aquele, presidente da Assembleia Municipal e, tudo indica, futuro ministro de Estado, lá para Outubro de 2011, caso o PSD vença as legislativas entretanto convocadas, tem um peso indiscutível na cidade e no concelho. O outro, o ex-presidente Paiva, aposentado e reconvertido no privado, quase de certeza futuro ministro (das obras públicas?) se Miguel Relvas ascender a 2ª figura do futuro governo, terá igualmente uma palavra a dizer no actual imbróglio tomarense. Segundo os mesmos rumores, essa posição será sempre convergente com a de Miguel Relvas.
Caso tudo corra de feição à Comissão Política, quando Relvas e Paiva já forem governo, Corvêlo também já terá ocupado um lugar de nomeação política, afastado daqui, bem entendido. Será então tempo de acabar com a circunstancial coligação, retirando aos dois vereadores do PS os pelouros e o tempo inteiro de que beneficiam. É, asseveram os mesmos rumores, a única maneira de acabar com a presente situação, na qual os socialistas vão cozinhando o PSD local em lume brando, nos mesmos moldes daquilo que tem vindo a fazer o PSD ao PS a nível governamental.
Tomar a dianteira sabe que pelo menos alguns membros da Comissão Política têm debatido e continuam a discutir a hipótese de eleições intercalares no concelho, sendo até agora maioritário que num país traumatizado pela crise e pelo desemprego, assim como numa terra visivelmente de rastos, a população dificilmente aceitaria mais uma eleição, pelo menos para já. Se a crise local continuar a agravar-se, como tudo indica...
Qual virá a ser a posição do duo Relvas/Paiva sobre esta matéria?