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domingo, 9 de janeiro de 2011

INICIATIVA CONJUNTA RÁDIO HERTZ/TOMAR A DIANTEIRA - PROGRAMA SEMANAL "À MESA DO CAFÉ"

No post anterior tratou-se dos aspectos prévios. Vamos agora às questões nacionais, abordadas durante o programa "À mesa do café", tendo como convidado, na versão inaugural, Miguel Relvas.
Instado, sem insistência, a pronunciar-se sobre a articulação entre o seu cargo local, as suas funções a nível nacional, as suas relações com o Brasil e eventuais ligações a organismos menos conhecidos, do tipo maçonaria, Miguel Relvas avançou, aparentemente sem reserva mental. E podia ter contornado um ou outro aspecto, uma vez que lhe tinha sido referido tratar-se de assuntos do foro privado, nada o obrigando portanto a responder. Reconheceu ser cada vez mais difícil compaginar as actividades tomarenses com as lisboetas. Noutros passos viria a dizer não voltar a candidatar-se a nível local, nem estar interessado em vir a ser presidente da câmara.
Sobre as suas relações com o Brasil, repetiu o já do domínio público. Gosta muito do país, adora o Rio de Janeiro, cidade de que é cidadão honorário, e tem negócios pessoais, não partidários portanto, naquele imenso paraíso da América do Sul. Acerca das suas eventuais ligações a agremiações do tipo maçónico, limitou-se a referir que tem muito boas relações com algumas pessoas da Opus Dei. E referiu, noutro passo e noutro contexto específico, a sua simpatia e admiração pelo padre Mário, o actual vigário-geral de Tomar.
Em relação à actual situação nacional, europeia e mundial, mostrou-se informado, adiantando uma análise sucinta praticamente sem mácula. Sem usar a expressão, mencionou o período dos "trinta gloriosos", entre 1945 e 1975, com supremacia política e tecnológica da Europa, matérias primas acessíveis, imenso para fazer, mão de obra qualificada e disponível, daqui resultando elevadas taxas de valor acrescentado, a possílitar o constante aperfeiçoamento do estado social. Acompanhando este, o crescimento do PIB, a subida das bolsas, o aumento dos impostos, a multiplicação das regalias sociais e das infra-estruturas. Seguiu-se o primeiro choque petrolífero, a globalização e os países emergentes. Ao ver-se com falta de fôlego, a superestrutura económica tendeu a privilegiar o crescimento do consumo, tendo por base a maior liberalização do crédito. Passou-se a emprestar aceitando como garantia não o valor daquilo que o cliente já tinha, mas o daquilo que ia comprar. Daí à titularização de créditos incobráveis e à financeirização de tais títulos, foi um curto lapso. Seguiu-se o inevitável desastre, quando o valor estimado dos bens comprados a crédito deixou de cobrir os montantes em dívida, levando os mutuantes a abandoná-los e deixando assim de responder pelos débitos contraídos.
Detendo-se um pouco mais sobre o caso português, avançando detalhes de âmbito mais especializado, Relvas referiu que agora Portugal tem forçosamente de mudar, de adaptar-se a um novo paradigma. O estado não cria riqueza, pelo que terá de emagrecer bastante , passando a consumir menos, libertando assim recursos para a iniciativa privada poder desenvolver-se, pois é aí que há produção de riqueza. Segundo disse, estamos no final do ciclo das obras públicas. Segue-se o ciclo da iniciativa privada e das exportações.
Quanto a factos mais "terra a terra", lamentou a evidente perda de tempo com aquelas questões laterais nas campanhas de Cavaco Silva e de Manuel Alegre. "Todos sabemos que tanto Cavaco como Alegre são pessoas honestas; para quê insistir em coisas sem interesse?" Não confirmou nem desmentiu que será um dia ministro de Estado, "mas da Educação não, porque ainda diriam que acabei de me formar já tarde!", colocando-se à disposição do partido e do seu amigo PP Coelho, por quem expressou grande admiração.
Noutro passo, opinou que o PSD não está interessado em ser governo apenas para constituir uma alternância. Antes deseja ser uma solução diferente, com outra fundamentação, outra linha de rumo, susceptível de arrancar o país do actual marasmo.
Já quase no final, pesando os termos conforme referiu, disse que perante as garantias de Sócrates de que está a fazer o necessário para evitar a vinda do FMI, "temos de ter confiança no governo. Se o FMI entrar..."