
Foto Rádio Hertz, a quem agradecemos
Parece que os autarcas em geral, sobretudo os da circunstancial maioria, embandeiraram em arco com "retumbante sucesso" da decisão sobre a realização da festa em 2011 e da escolha do mordomo. Não se iludam ! Antes de mais, porque menos de duzentas pessoas, que ninguém escolheu, elegeu ou de qualquer outra forma seleccionou para tal tarefa, não representam, nem perto nem de longe, a opinião maioritária dos eleitores do concelho. Depois, porque não estando em causa a competência, humildade, dedicação, eficácia e honestidade de João Victal, foi na verdade ele e só ele o grande triunfador da noite. Quaisquer que fossem os autarcas ou os hipotéticos concorrentes, ganharia sempre muito folgadamente. Não só pelas qualidades já acima apontadas, às quais cabe juntar um profundo conhecimento da Festa Grande, um bairrismo a toda a prova e um entranhado respeito pela sua autenticidade, mas também porque, em linguagem tomarense, "não faz sombra a ninguém".
Por outras palavras, Victal é um modesto funcionário subalterno do município, remunerado a 500 euros por mês. Infelizmente para ele e para todos nós, genuínos defensores da cidade e do concelho. Nestas condições, têm os senhores autarcas a certeza de que o mordomo não usará o seu lugar como trampolim para outras funções, circunstância a que juntam a enorme vantagem de lhe poderem dar ordens, a que ele, como funcionário, terá de obtemperar. Será, por conseguinte, na prática, exactamente o oposto daquilo que deveria ser -um "imperador", encarregado de levar a bom porto o "Império do Espírito Santo".
Deliberadamente ou não, foi isso que a actual maioria procurou conseguir e conseguiu -controlar estreitamente o mordomo com o pretexto de manter a tradição. Daí o rumor (buzz, como se diz agora) posto a circular, segundo o qual haveria outro candidato, (cujo nome era acrescentado), que tentaria seguramente alterar o usual figurino na festa. Desde há mais de 15 dias que tal hipótese era pura fantasia, por desistência do potencial candidato, mas o movimento popularucho continuou até ao próprio dia da efectiva escolha por aclamação.
Quer isto dizer, e é pena, que os tomarenses sentem um estranho frio na espinha logo que ouvem falar em mudanças, como neste caso. É pena, porque, quer queiram, quer não, a Festa dos Tabuleiros terá de mudar, profundamente e quanto antes. Ontem já não era nada cedo.
Mudar não significa alterar as características dos tabuleiros, dos trajes, ou do desfile. Significa apenas que é urgente transformar um quadrienal sorvedouro de fundos públicos numa fonte anual de riqueza. Impossível ? Já lá dizia o outro que impossível não é uma palavra portuguesa. Como de resto provaram os navegadores de 500, com fundos idos daqui. E se Carregueiros faz a festa todos os anos, que nos impede de tentar fazer outro tanto ? Dá trabalho ? Pois dá ! Mas vale largamente a pena, se for conduzida com competência, eficácia, honestidade e dedicação. E, claro, com João Victal como encarregado do cortejo e alguém por ele designado como responsável pelas ruas ornamentadas.
Assim haja audácia suficiente para ultrapassar esta apagada e vil tristeza, em prol de um futuro mais promissor para todos nós !

EXPRESSO - Suplemento Economia, 10/04/10, página 10
Aqueles que, após a leitura do escrito anterior, murmuraram que se trata de pura fantasia demagógica, farão o favor de ler com atenção esta segunda ilustração. Como podem ver, as autarquias mais dinâmicas e voltadas para o futuro já deixaram de estar à espera das transferências e outras benesses do governo (a nomeação de Miguel Relvas para secretário-geral do PSD e seu porta-voz, é vantajosa para Tomar, disse ontem um responsável local laranja...). Procuram, por todos os meios legais ao seu alcance, incentivar a criação de riqueza, condição sine qua non para incrementar o desenvolvimento local em todos os sectores. Não intuir isto é ser na verdade analfabeto político e económico.
Tomemos, uma vez mais, o caso de João Victal. Pago a 500 euros por mês, com todas as qualidades já demonstradas na prática, como se sentirá perante os seus superiores (tanto os nomeados, como os eleitos) que auferem 6 ou 7 vezes mais do que ele e raramente encestam, no campeonato autárquico de basquetebol ? Se, um dia, apesar do seu evidente tomarensismo, se cansar de tanta injustiça e resolver procurar outra vida, que faremos ? Iremos procurar outro honesto cidadão, para explorarmos as suas qualidades ? Continuaremos na curiosa política em que uns comem os figos e aos outros rebentam-lhes os beiços ?
Convinha ir pensando em tudo isto. Enquanto ainda não é demasiado tarde...

Entretanto, com o agravar da crise a nível local, o que se impõe é que cada eleitor responsável tenha a coragem de mostrar aos funcionários e/ou aos eleitos que ostensivamente erraram a sua vocação, este dístico que reproduzimos da página 27 da edição de Abril da Agenda Cultural da autarquia nabantina. Trata-se, sem a mínima dúvida, de uma exortação com toda a pertinência. Oxalá os visados a consigam entender e procedam em conformidade. Amen.
