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sábado, 10 de abril de 2010

NÃO SE ILUDAM !


Foto Rádio Hertz, a quem agradecemos

Parece que os autarcas em geral, sobretudo os da circunstancial maioria, embandeiraram em arco com "retumbante sucesso" da decisão sobre a realização da festa em 2011 e da escolha do mordomo. Não se iludam ! Antes de mais, porque menos de duzentas pessoas, que ninguém escolheu, elegeu ou de qualquer outra forma seleccionou para tal tarefa, não representam, nem perto nem de longe, a opinião maioritária dos eleitores do concelho. Depois, porque não estando em causa a competência, humildade, dedicação, eficácia e honestidade de João Victal, foi na verdade ele e só ele o grande triunfador da noite. Quaisquer que fossem os autarcas ou os hipotéticos concorrentes, ganharia sempre muito folgadamente. Não só pelas qualidades já acima apontadas, às quais cabe juntar um profundo conhecimento da Festa Grande, um bairrismo a toda a prova e um entranhado respeito pela sua autenticidade, mas também porque, em linguagem tomarense, "não faz sombra a ninguém".
Por outras palavras, Victal é um modesto funcionário subalterno do município, remunerado a 500 euros por mês. Infelizmente para ele e para todos nós, genuínos defensores da cidade e do concelho. Nestas condições, têm os senhores autarcas a certeza de que o mordomo não usará o seu lugar como trampolim para outras funções, circunstância a que juntam a enorme vantagem de lhe poderem dar ordens, a que ele, como funcionário, terá de obtemperar. Será, por conseguinte, na prática, exactamente o oposto daquilo que deveria ser -um "imperador", encarregado de levar a bom porto o "Império do Espírito Santo".
Deliberadamente ou não, foi isso que a actual maioria procurou conseguir e conseguiu -controlar estreitamente o mordomo com o pretexto de manter a tradição. Daí o rumor (buzz, como se diz agora) posto a circular, segundo o qual haveria outro candidato, (cujo nome era acrescentado), que tentaria seguramente alterar o usual figurino na festa. Desde há mais de 15 dias que tal hipótese era pura fantasia, por desistência do potencial candidato, mas o movimento popularucho continuou até ao próprio dia da efectiva escolha por aclamação.
Quer isto dizer, e é pena, que os tomarenses sentem um estranho frio na espinha logo que ouvem falar em mudanças, como neste caso. É pena, porque, quer queiram, quer não, a Festa dos Tabuleiros terá de mudar, profundamente e quanto antes. Ontem já não era nada cedo.
Mudar não significa alterar as características dos tabuleiros, dos trajes, ou do desfile. Significa apenas que é urgente transformar um quadrienal sorvedouro de fundos públicos numa fonte anual de riqueza. Impossível ? Já lá dizia o outro que impossível não é uma palavra portuguesa. Como de resto provaram os navegadores de 500, com fundos idos daqui. E se Carregueiros faz a festa todos os anos, que nos impede de tentar fazer outro tanto ? Dá trabalho ? Pois dá ! Mas vale largamente a pena, se for conduzida com competência, eficácia, honestidade e dedicação. E, claro, com João Victal como encarregado do cortejo e alguém por ele designado como responsável pelas ruas ornamentadas.
Assim haja audácia suficiente para ultrapassar esta apagada e vil tristeza, em prol de um futuro mais promissor para todos nós !

EXPRESSO - Suplemento Economia, 10/04/10, página 10

Aqueles que, após a leitura do escrito anterior, murmuraram que se trata de pura fantasia demagógica, farão o favor de ler com atenção esta segunda ilustração. Como podem ver, as autarquias mais dinâmicas e voltadas para o futuro já deixaram de estar à espera das transferências e outras benesses do governo (a nomeação de Miguel Relvas para secretário-geral do PSD e seu porta-voz, é vantajosa para Tomar, disse ontem um responsável local laranja...). Procuram, por todos os meios legais ao seu alcance, incentivar a criação de riqueza, condição sine qua non para incrementar o desenvolvimento local em todos os sectores. Não intuir isto é ser na verdade analfabeto político e económico.
Tomemos, uma vez mais, o caso de João Victal. Pago a 500 euros por mês, com todas as qualidades já demonstradas na prática, como se sentirá perante os seus superiores (tanto os nomeados, como os eleitos) que auferem 6 ou 7 vezes mais do que ele e raramente encestam, no campeonato autárquico de basquetebol ? Se, um dia, apesar do seu evidente tomarensismo, se cansar de tanta injustiça e resolver procurar outra vida, que faremos ? Iremos procurar outro honesto cidadão, para explorarmos as suas qualidades ? Continuaremos na curiosa política em que uns comem os figos e aos outros rebentam-lhes os beiços ?
Convinha ir pensando em tudo isto. Enquanto ainda não é demasiado tarde...


Entretanto, com o agravar da crise a nível local, o que se impõe é que cada eleitor responsável tenha a coragem de mostrar aos funcionários e/ou aos eleitos que ostensivamente erraram a sua vocação, este dístico que reproduzimos da página 27 da edição de Abril da Agenda Cultural da autarquia nabantina. Trata-se, sem a mínima dúvida, de uma exortação com toda a pertinência. Oxalá os visados a consigam entender e procedam em conformidade. Amen.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A NOSSA OPINIÃO SOBRE A FESTA GRANDE


Temos por norma de boa conduta responder atempadamente às perguntas que nos fazem. No caso presente, além de cumprirmos tal norma, temos também o grato prazer de responder a um importante eleito local, que Tomar a dianteira conseguiu identificar (apesar do anonimato) como o amigo Hugo Cristóvão, lider do PS local e da bancada socialista na AM (ou alguém usando o seu estilo).
Quer os tomarenses estejam de acordo ou não, e a esmagadora maioria parece não estar, "O mundo pula e avança/como bola colorida/ entre as mãos de uma criança", escreveu Gedeão. Temos portanto que a coisas mudam constantemente e a um ritmo cada vez mais difícil de acompanhar, mesmo pelos adeptos da mudança. Dos conservadores empedernidos nem vale a pena falar.
Nestas circunstâncias, antes de começar a cumprir o ritual nabantino de "deliberar" se haverá ou não festa dos tabuleiros em 2011, para a seguir "escolher" o mordomo, deveria ter-se procedido a um debate sereno e profundo. No nosso pobre entendimento, o único ponto de tal troca de ideias deveria ser "Que objectivos pretendemos alcançar com a realização da nossa festa grande?" Tal não foi feito em tempo útil, pelo que vamos, mais uma vez, navegar em equívocos, a começar pelo ajuntamento popular, paradoxalmente convocado pelo presidente da câmara, como é habitual. Dizemos paradoxalmente, porquanto Corvêlo de Sousa exerce o seu cargo por evidente delegação do eleitorado tomarense, na qualidade de gestor executivo. Assim sendo, que o leva a solicitar a presença dos eleitores, para decidir se há ou não festa e, havendo, quem será o mordomo ? Nesta mesma vertente da legalidade democrática, além do executivo, não tem o município um parlamento municipal, com representantes eleitos pelo povo ? Se têm de recorrer ao ajuntamento popular para resolver um assunto, por mais importante que seja, servem para quê? Só para ornamentar ? Unicamente para cumprir a lei ? Já imaginaram a Assembleia da República a convocar um ajuntamento popular em Lisboa, para decidir, por exemplo, se haverá comemorações do 10 de Junho, e havendo, onde terão lugar ? Ou a câmara de Lisboa, para apurar se haverá marchas populares e, havendo, quem serão os mordomos ?
Logo aqui existe, por conseguinte, um evidente mal entendido. No tempo do regime anterior, ainda se aceitava, porque as coisas eram como eram; agora, com delegação democrática livre e genuína de todos os cidadãos, é algo de patusco. (Para ser comedido na linguagem, pois o que interessa é juntar e não dividir).
Passando ao ajuntamento em si, é sabido que se trata de um acto teatral, com a sua faceta hipócrita, cujo desfecho nunca surpreendeu quem se interessa por estes assuntos, visto que que as coisas já para lá vão bem combinadas. Desta vez, como na anterior, será decidido fazer a festa e escolher João Victal como mordomo. Na mesma linha, a câmara vai comprometer-se a arcar com os eventuais prejuízos, os meios materiais da autarquia (transportes, pessoal, telefones, instalações, etc.) estarão ao serviço do mordomo, (não sendo contabilizados) e Corvelo de Sousa será presidente da Comissão Central.
Haverá um magnífico trabalho comunitário, um desfile de vaidades, com todos os autarcas e outras "personalidades" em carripanas de tracção hipo, chamado Cortejo do Mordomo, gastar-se-ão centenas de milhares de euros, teremos uma enchente de turistas que deixarão tudo conspurcado, alguns comerciantes locais, e outros de visita, aproveitarão para "meter a mão", bem como o beija-mão da Praça da República . A chamada bênção dos tabuleiros, que é a explícita negação da tradicional autonomia dos Impérios do Espírito Santo, (é por isso que há as saídas das coroas), verdadeira origem da festa. A câmara "entrará" com 20 ou 30 mil euros e o Turismo de Portugal com 100 ou 120 mil, como habitualmente, após o que se dirá, caso não haja nenhum percalço de maior, que a festa deu lucro.
Tudo bem, então ? Pois depende. Se acham que é normal desperdiçar o magnífico esforço comunitário, o extraordinário espectáculo que é o cortejo dos tabuleiros, as qualidades do mordomo e dos restantes colaboradores benévolos, os fundos e outros meios da autarquia, bem como o subsídio governamental, tudo em época de grave crise, sem que se perceba para quê; nesse caso, e só nesse, tudo bem. Se pelo contrário pensam, como nós, que a nossa festa grande, quando adequadamente estruturada, poderá vir a ser (falta saber quando...) uma das quatro molas impulsionadoras do desenvolvimento local (conjuntamente com o Convento, o Nabão e a Albufeira), então concordarão decerto ser não só indispensável como urgente efectuar o tal debate, em moldes a definir, para adoptar objectivos e escolher caminhos racionais para os atingir. (Ourém acaba de o fazer...) Persistir na negação objectiva da cada vez mais acelerada mutação do mundo e do contexto tomarense, será uma via suicidária, que as gerações mais novas, a seu tempo, dificilmente nos perdoarão.
Aqui fica o nosso recado, mais uma vez. Sem rancor, mas com muita tristeza. Porque dá Deus nozes a quem não tem dentes, e dentes a quem não tem nozes. Anda tudo trocado ! O costume, afinal !