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sábado, 8 de maio de 2010

CONTORCIONISMO POLÍTICO E MALABARISMO ADJECTIVAL

No seu texto "Tudo tem um limite", que antes reproduzimos com o devido destaque, o senhor vereador Ferreira mostrou-se agastado, qual donzela ultrajada, porque aqui escrevemos, numa análise política, que fora da política não conseguiria auferir nem o vencimento nem as mordomias proporcionadas pelo intempestivo acordo de coligação. É natural. Habituados a uma actuação praticamente sem críticas, graças a uma informação local habilmente condicionada, estranham a nossa frontalidade. Apesar de respeitarmos todas a regras da boa cidadania -direito à vida privada, ao bom nome, a informar e ser informado, a ser considerado inocente até prova em contrário, produzida em julgamento imparcial, etc.etc.
Em vez de responder no mesmo estilo directo, informando, esclarecendo, mostrando, justificando, o respeitável autarca resolveu afinal usar uma táctica quase tão velha como o mundo: Como a mensagem lhe desagradou, atacou quem julga ser o mensageiro. E não o tentou agredir, ou até matar, porque esse tempo já lá vai há muito. Mas a técnica de tentar desqualificar o mensageiro já não será a melhor, nesta época de auto-estradas da informação.
Dirá o nosso edil que "quem não se sente, não é filho de boa gente". Conquanto aqui no Tomar a dianteira prefiramos "Quem não 60 (à mesa do orçamento municipal), não 70 (amanhar), sempre lhe diremos que tal desculpa, na nossa fosca óptica, foi chão que já deu uvas. Agora já nem cepas tem.
Se realmente o digno vereador da cultura e do turismo pretende evitar que voltemos a apelidar a coligação 3+2 de meramente circunstancial e alimentar, fará o favor de nos informar quais os objectivos políticos contidos no acordo assinado entre ambos os partidos. E se estiver em condições de nos indicar que planos tem a coligação, tanto para a cidade como para o concelho, para além de umas vagas obras a financiar com dinheiros de Bruxelas, e cuja utilidade real não é nada evidente, (como de resto já aconteceu com a rotunda, o paredão, o campo de treinos, o Mouchão, etc. etc.), ficaríamos muito agradecidos. Porque realmente, o que até agora se sabe é extremamente pouco: 2 vereadores a tempo inteiro, automóvel para cada um, telemóvel para cada um, ajudas de custo para cada um, secretária/o para cada um, pelouros para cada um, um secretário na AM. Quanto a opções políticas, planos, projectos, ideias com futuro, nicles. Se o PSD não tem qualquer plano estruturado e previamente debatido para todo o mandato, o PS está exactamente na mesma. Ou estaremos enganados ? Quais foram afinal as bases reais do acordo de coligação, para além das benesses pessoais ?
E depois ficam muito ofendidos, quando se escreve que se tratou apenas de assegurar um confortável ganha-pão para cada um dos eleitos intervenientes? Nestas coisas, como em tudo, em vez de insistir no malabarismo adjectival, o melhor mesmo é explicar a situação, de maneira simples e concisa. Porque o que aí vem vai ser muito pior do que aquilo que já passou. E os eleitores são cada vez mais difíceis de intrujar. Mesmo com falinhas mansas, ou exaltadas mensagens de gente ofendida. "Quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele", pois é certo e sabido que a liberdade tem os seus custos. Sábio como sempre, o povo até aconselha: "Quem tem calos, não se deve meter em apertos".