
É ponto assente nos meios académicos que a História não se repete. Neste caso, porém, temos fundadas dúvidas. Na verdade, tudo aponta no sentido de termos regressado à Grécia Clássica, quando os oráculos do poder só muito raramente acediam descer até à turba ignara, para explicar o sentido do mundo. Assim estamos agora, segundo nos parece e salvo melhor opinião, uma vez que não somos historiadores encartados. (Nem temos pena). Os oráculos transitoriamente sentados nas cadeiras do poder, ou mantêm o prudente silêncio, ou, como é o caso, falam/escrevem ao povoléu cada vez mais raramente. Razão imperativa para ler e analisar de fio a pavio tudo o que condescendem comunicar aos pobres e humildes ignorantes, cujas únicas virtudes são pagar impostos e votar. Mas são tão pesporrentes e inconvenientes, credo !
Vamos então à tarefa. Sabedores de que a governança local praticamente não deixa tempo livre aos ocupantes do poder, procuraremos ser o mais sintéticos possível. Afinal, "tempo é dinheiro".
Interroga o respeitável edil se dizer sempre mal não cansa. A nós não, porque já estamos habituados. Mas prejudica, sobretudo ao nível dos bolsos. Em todo o caso, deve cansar menos do que dizer bem da actual maioria. Basta pensar no trabalho que dará procurar o que já terão feito, digno de elogios não hipócritas. Só se for o "Orçamento" para 2010, realmente uma verdadeira obra-prima de contabilidade virtual.
Já agora que estamos "com a mão na massa" (salvo seja !), aproveitamos para esclarecer que nunca dizemos mal deliberadamente. Limitamo-nos a mostrar a verdade, tal como a vemos, sem óculos partidários. Dito isto, aqui vai um elogio, coisa bem rara por estes lados. Gostámos francamente deste par de frases: "Problemas sempre existiram, sempre existirão. Soluções é que são mais difíceis de encontrar." Concordamos inteiramente, aplaudimos a franqueza e até vamos mais longe. Acrescentamos que autarcas capazes de encontrar verdadeiras soluções, são uma ínfima minoria. Com tendência a extinguir-se. E aqui nas margens nabantinas nunca houve, desde 74, nem há.
Quanto ao resto do documento em análise, a técnica de responder às perguntas que não foram feitas, como artimanha para escamotear as que todos formulam, já é demasiado conhecida. O que os cidadãos querem é conhecer (finalmente !) o programa completo das comemorações dos 850 anos, se possível com a respectiva fundamentação, globalmente ou caso a caso. O resto não passa de música de fundo, para mobilar.
A alusão às eleições partidárias e às autárquicas parece-nos carecer de pertinência. Por um lado, porque ninguém pode garantir neste momento que a actual maioria circunstancial durará até final do mandato. A não ser que se entre num ciclo comparável ao da actual oposição na Assembleia da República: Às segundas, quartas e sextas fazem tudo e mais alguma coisa para provocar a queda do governo PS, mas às terças, quintas e sábados acham que não há razão nenhuma para Sócrates se demitir, porque tem todas as condições para governar...
Por outro lado, os partidos já há algum tempo que a nível local têm importância secundária. Basta pensar que nas últimas autárquicas, dos sete cabeças de lista, só dois (PS e BE) é que eram filiados. Os restantes cinco eram independentes. E mesmo assim, garantem as habituais línguas viperinas, o do PS é socialista de fresca data, muito boa pessoa e digno profissional, mas não passa de "Américo Tomás do senhor vereador Luís Ferreira". São mesmo maus, não são !?
De uma infelicidade gritante é a última frase. A confirmar que quando já se foi "peixeira", não se consegue evitar que o pé fuja para a tamanca de tempos a tempos. É o caso. Lamentável.