Vários cidadãos (incluindo algumas cidadãs) me têm abordado, uns pessoalmente, outros através dos comentários do blogue, outros ainda para o meu email a.frrebelo@gmail.com. A todos os meus agradecimentos por se interessarem por aquilo que faço ou digo. Procurando evitar o alastrar de dúvidas e/ou de falsidades e dando continuidade à minha usual linha de conduta, que consiste em dizer o que faço, fazer o que digo e só me meter em empreitadas que seja capaz de concluir com êxito, seguem-se as respostas a algumas perguntas mais frequentes. Se outras houver, queiram fazer o favor de as endereçar para o email supra.
Na sequência da recente entrevista ao TEMPLÁRIO, a interrogação mais vezes repetida refere-se à minha eventual candidatura em 2013. Tal como referi na altura, poderei vir a ser candidato SE a) - os tomarenses assim o entenderem; b) - o contexto sócio-económico-político em 2013 me permitir perceber que vale a pena avançar, por haver condições para endireitar o barco nabantino; não estou absolutamente nada interessado em candidatar-me e eventualmente vencer, para depois me limitar a ocupar o lugar, auferindo as respectivas benesses, de que não tenho qualquer necessidade; c) -entretanto não aparecer uma candidatura encabeçada por pessoa/projecto em quem eu possa confiar e que teria muito gosto em apoiar; d) - uma vez reunidas as condições anteriores, concluir que há hipótese de construir uma equipa forte, honesta, ganhadora e realizadora, no quadro partidário actual; e) - se nessa altura me sentir em condições, tanto físicas como intelectuais, de vir a desempenhar as funções alvo da candidatura.
Tudo o que antecede devidamente ponderado, se for caso disso, em Abril de 2013, serão os eleitores contactados, via internet, rádios locais e semanários, no sentido de se inscreverem previamente para participar numa reunião, durante a qual terei o gosto de expor as grandes linhas do meu projecto para Tomar e de responder a eventuais dúvidas. Podem portanto ir tomando nota -Antes de Abril de 2013, aconteça o que acontecer, (salvo qualquer imprevisto no campo da saúde), não confirmarei nem desmentirei a hipótese de me candidatar. É também para isso que pago impostos cada vez mais pesados para auferir prestações cada vez mais leves e de pior qualidade. Ficamos assim.
Outra questão recorrente é saber em que partido estou inscrito e se Miguel Relvas conseguiu dar-me a volta com a sua excelente intervenção no programa "À mesa do café".
Desde 1982 que não estou filiado em qualquer partido político, após ter sido abatido à lista nacional de militantes do Partido Socialista "a meu pedido", que na realidade nunca formulei.
"Dar-me a volta" após todo este tempo de vivência política, creio não ser tarefa fácil. Só se fosse alguma rapariga nova, ladina e bem parecida! E mesmo assim, seria coisa de curta duração, que o físico já não está para maratonas, e provas de velocidade, só muito devagarinho. O que tem ocorrido é afinal bem mais singelo, como a/o Leitor/a já verá.
Quem teve a pachorra de seguir todos os programas "À mesa do café", (directamente ou através da gravações no site da Rádio Hertz), terá verificado que não hostilizei nem procurei rasteirar qualquer um dos nove convidados até ao momento. Incapacidade minha? Nem tanto. Creiam que ainda tenho recursos para atrapalhar os mais pintados, desde que a tanto me disponha. Acontece simplesmente que desde o início a opção foi a da concórdia, da fraternidade, da conversa amena, conforme consta da apresentação do programa.
Graças a tal atitude, tenho agora uma opinião muito mais fundamentada sobre cada um deles. Manda a boa educação guardá-la para mim e, eventualmente, para os meus íntimos, salvo no que toca às posições políticas que a todos dizem respeito. Neste quadro, julgo ser a altura e o local para confessar que três convidados me impressionaram bastante, de uma forma agradável: 1 - Miguel Relvas; 2 - Custódio Ferreira; 3 - Hugo Cristóvão, por esta mesma ordem.
Miguel Relvas, porque demonstrou ser um excelente profissional da política, tendo preparado minuciosamente a sua prestação, apesar de se tratar de uma pequena rádio da província e de um desconhecido político e jornalista amador. Também e sobretudo por ter avançado ideias claras e estruturadas sobre eventuais soluções para a crise local, no quadro de um salutar relacionamento entre todas as formações políticas. Foi só fogo de vista? A seu tempo se verá. Por enquanto, ninguém tem o direito de duvidar da sua sinceridade.
Custódio Ferreira, pela corajosa acção política de toda uma vida, em prol de uma sociedade mais justa, mais livre e mais fraterna, segundo o seu ponto de vista. Pelos perigos que aceitou correr para difundir as suas ideias, num tempo em que não era nada fácil ser oposicionista activo. Pela extraordinária lição de humanidade de um cidadão que, nunca tendo passado pela universidade, soube ainda assim abraçar as grandes causas dos povos e construir ao longo dos anos uma sólida cultura política e humanista.
Hugo Cristóvão, finalmente, porque apesar da sua frescura etária e da sinceridade inerente à juventude e à falta de vivência, constitui já, na minha modesta opinião, uma excelente promessa para futuros cargos locais, regionais ou nacionais. Sabe ouvir, sabe dizer, sabe debater, reconhece sem esforço o direito à crítica, à diferença e à natural discordância, tudo sem azedume e sem se alterar. Tem portanto as condições básicas para vir a ser um excelente político, se assim o entender. Além de tudo isto, incomoda-se com situações menos ortodoxas e já teve a coragem de reconhecer que o PS não tem qualquer projecto devidamente articulado para Tomar. Está portanto disposto a colaborar com outros cidadãos de boa vontade e alma limpa na busca de novas soluções para esta nossa adorada terra.
E os outros sete convidados?! Pois são igualmente boas pessoas, bons cidadãos, de boa companhia, honestos e por aí além, mas não conseguiram impressionar-me tão favoravelmente como os três já citados. Devo-lhes esta franqueza, que não significa de modo algum menos consideração ou menos estima e amizade. Nesta vida, nada é tipo 8 ou 80. Não há só o preto e o branco. Entre os excelentes e os maus, há múltiplas categorias intermédias, que aliás variam em função de quem classifica e para que classifica. Mesmo os que já demonstraram na prática aquilo de que foram capazes naquelas circunstâncias, não têm de que se envergonhar se sempre procuraram fazer o melhor que podiam e sabiam, com objectivos honestos e em prol da comunidade.
A fechar, quero esclarecer que, apesar de conhecidas e muito numerosas discordâncias em relação ao seu desempenho enquanto presidente da câmara, nunca confundi questões políticas com relações pessoais, pelo que tenciono convidar em breve António Paiva para um programa "À mesa do café", durante o qual, como até agora, não haverá tentativas de hostilizar, nem rasteiras mais ou menos dissimuladas. Será, caso ele venha a aceitar, mais uma "conversa amena", porque afinal "em português nos entendemos" e assim deverá continuar a ser, para bem de todos.