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sábado, 30 de abril de 2011

UM LIVRO APAIXONANTE E INQUIETANTE


Não tenho ilusões, que a idade já não o permite. Escrevo sobre uma obra que só está ao alcance de uma ínfima minoria -a dos francófonos. Ainda bem representada a nível nacional (Carrilho, Barreto, Rosas, Medeiros Ferreira, Soares, Pacheco Pereira, Eduardo Lourenço...), em Tomar nem sei se ainda haverá meia-dúzia. Esperemos.
Trata-se da edição de bolso do livro do economista Daniel Cohen (que alguns julgam poder vir a ser um futuro Nobel) A prosperidade da deformidade, cujo formato original causou furor em França, tendo vendido mais de 70 mil exemplares, sucesso inimaginável para um agreste trabalho de história económica, já vai na segunda edição de bolso...a 6 euros e 95! Até parece que estamos em Portugal!
Para todos os que não vão conseguir lê-lo, pois dificilmente virá a ter uma versão portuguesa, aqui fica a apresentação da contra-capa: Este livro espantoso é uma viagem. Uma viagem através do tempo e do espaço. Uma viagem inquieta. Assediada por uma pergunta: Como e porque é que o Ocidente, que  conseguiu arrancar a humanidade do reino da fome e da miséria, acabou a sua viagem no suicídio colectivo das duas guerras mundiais? Qual é a deformidade escondida que paulatinamente aniquilou a Europa? A questão continua actual. O mundo ocidentaliza-se cada vez mais rapidamente: irão as tragédias europeias repetir-se, na Ásia e alhures? Poderá o planeta evitar um novo desastre, desta vez ecológico? Tal como a crise financeira relembrou, uma incerteza de ordem sistémica paira sobre o capitalismo: sabe para onde vai? para onde arrasta a humanidade?
Aliando erudição e pedagogia, concisão e sentido das fórmulas eficazes, Daniel Cohen descreve-nos a história da humanidade. Um livro apaixonante.

Lida e relida a obra, eis o que me parece ser o extracto do sumo da matéria. 
Porque implodiu a URSS? Por causa da Gorbachov, da perestroica e da glasnost, como é sabido. Mas qual foi a causa próxima desse encadeamento da factos? A guerra virtual. Quando Reagan anunciou aquilo que ficou conhecido como o projecto da "guerra das estrelas", os dirigentes russos perceberam que tinham perdido a corrida aos armamentos. E desistiram. O resto é do domínio público.
E porque caiu o muro de Berlim? Porque implodiram os regimes ditos socialistas na Europa? Como foi possível a democracia em Espanha? Qual a razão do sucesso do 25 de Abril, com menos de 800 militares impreparados para aquela tarefa?
Segundo o autor, a partir de determinada complexidade, qualquer estrutura, dos grandes impérios às pequenas localidades, começa a não responder aos comandos, esboroando-se de forma lenta mas inexorável.
Precisamente o que está a ocorrer, tanto no país como sobretudo em Tomar.
Haverá solução? Julgo que sim. Com os tomarenses. Se eles quiserem. O que não parece ser o caso. Por enquanto?