Após os pontos prévios e as declarações de âmbito nacional, apresenta-se agora o que de mais importante disse Miguel Relvas sobre assuntos locais. Para evitar más interpretações, esclarece-se que se trata das posições que pareceram mais significativas no actual contexto, na nossa opinião, bem entendido. Os tópicos são apresentados tal e qual, sob a forma de apontamentos sucintos. Caso alguns leitores tenham dificuldade para perceber o contexto de algum troço, farão o favor de ir ao site da Rádio Hertz e clicar primeiro em programas, depois em "À mesa do café". Poderão assim ouvir a gravação integral do programa.
"As boas ideias aparecem quase sempre a partir das divergências. Sou presidente da AM desde 1997; faltei duas vezes. Trabalhei sem cá vir, sem aparecer, não é o meu estilo pôr-me em bicos de pés. Considero Tomar a minha terra. O futuro tem de ser construído com a presença dos melhores; não é tarefa só para o partido que ganhe as eleições. Não tenho uma visão fechada. Noto em Tomar um desnivelamento cultural e social. O nível de discussão é agora mais baixo. Houve uma desgraduação do debate. Estamos a construir uns amanhãs muito vagos.
Os melhores têm saído de Tomar. Não podemos continuar a pisar os que não pensam como nós. Há pessoas que querem participar mas não estão para aturar as reuniões partidárias.
O Politécnico recebe alunos de manhã e fecha à tarde. Não tem sido um espaço de inovação.
Tomar tem perdido lideranças. A imprensa tomarense é medíocre quando olha para a frente. Não quero ser político em exclusividade. Estou disponível para ajudar Tomar; não para as pequenas tricas.
Convoquei uma Assembleia extraordinária para discutir o desenvolvimento de Tomar e o que ouvi foram discursos balofos. Discursos que retratavam mal a realidade, quanto mais agora abordar o futuro. Tudo gente preocupada com a agenda do presente. Ainda estive para intervir, mas depois lembrei-me que não tenho funções executivas.
Numa outra sessão, houve empate numa moção que não era simpática para a maioria a que eu pertenço, mas como não me pareceu correcto o que acontecera, votei de acordo com a minha consciência.
Vai ter de haver portagens por todo o lado. Porque não no troço da A23?
Tem de haver projectos conjuntos de índole regional na área do turismo e da cultura. Tem de haver políticas, corredores, opções. Já há hardware, faltam os conteúdos. Têm de ser reavaliados todos os projectos, incluindo o museu da Levada, no sentido de ser elaborada outra aposta muito mais leve. Inteligente é aquele que recua para tomar balanço.
Deve-se encontrar uma estratégia com a colaboração dos melhores. Obras é fácil, software é mais difícil. Quem quiser ser presidente da câmara tem de ter um sonho. Não podemos continuar a discutir a reunião seguinte. Tem de se discutir a década seguinte. Os tempos não estão para quem não se quer comprometer. Há ausência de ambição.
Acho que a Festa dos Tabuleiros também parou no tempo.
O vereador Vitorino tem feito um excelente trabalho, até pela discrição. O PS está e não está na coligação. Eu não posso dar qualidade a quem a não tem. Fiquei incrédulo quando me disseram que o orçamento tinha passado com a abstenção dos socialistas.
Eu no lugar do presidente da câmara dormiria menos descansado.
Não tem aparecido gente nova na política. Tomar precisa de um abanão. Com o evoluir da crise, se houvesse hoje eleições autárquicas há aí gente que não saberia o que dizer nos programas. Aqui em Tomar os partidos não têm estratégia, têm opiniões. Não compreendo qual a diferença entre o PSD, o PS e os IpT.
Sobre eventuais mudanças na presidência, quem tem de responder é Corvêlo de Sousa. Sei e sinto que o vice-presidente está preparado
Tomar precisa de virar a página. Temos de ter ambição."