Enquanto a nível nacional há fortes indícios de virmos a ter mudança de governo até ao Verão, muito provavelmente após eleições intercalares, em Tomar o futuro político é por enquanto uma incógnita. Detalhando a situação, o PSD que se apresentou ao eleitorado e venceu com o slogan "No rumo certo", afinal nem rumo chegou a ter, quanto mais agora certo. Vai sendo arrastado pelas circunstâncias, entre as quais o estranho comportamento da oposição.
O PS, por sua vez, alardeou a "Geração Tomar" e garantiu que tinha um programa à altura das circunstâncias. Vai-se a ver, na primeira oportunidade a dita geração passou-se para o inimigo com armas e bagagens, mas também com reservas mentais, como se tem vindo a constatar.
"Gente que resolve", os IpT parecem ter resolvido, antes de mais, esperar para ver. É pelo menos o que se deduz de todo o comportamento até agora, bem como do muito específico modo de agir aquando do caso ParqT.
Acantonados na Assembleia Municipal, CDU, BE e CDS têm-se mostrado inócuos, salvo no que concerne aos bloquistas. Estes, entusiasmados com uma moção de censura que passou graças ao voto de qualidade do presidente Miguel Relvas, o que indica ter constituído na realidade uma boleia dada ao PSD, resolveram repetir a dose na mais recente sessão daquele órgão. Desta vez, porém, a censura aprovada não teve até agora, nem parece vir a ter, qualquer resultado prático. Decepcionados, os dirigentes locais do BE convocaram uma conferência de imprensa, durante a qual afirmaram ter esperado que a relativa maioria se demitisse. Revelaram assim uma ingenuidade e angelismo que não se lhes conhecia. Acontece...
Temos, por conseguinte, uma peculiar situação local, que podemos apodar de "nó cego": A - O PSD não sabe que mais fazer, esgotado que está o ciclo das obras, salvo em relação ao Flecheiro, mas aí é necessário realojar previamente os ciganos e ninguém está a ver onde. Mais grave ainda, nem Corvêlo nem Carrão nem Rosário fazem a menor ideia de como conseguir os indispensáveis 10 milhões de euros, para pagar à ParqT e aos empreiteiros da Estrada de Coimbra, da Levada e do Convento. Empréstimo bancário, não é? Se houver autorização prévia da tutela para ultrapassar o actual limite de 2,5 milhões de euros; se a Assembleia aprovar; se a banca emprestar, tendo em conta a conhecida penúria de liquidez. Se! B - O PS prossegue no seu número circense de acrobacia, em duplo arame paralelo e sem rede. Um desempenho complicado, que consiste em ser simultaneamente poder e oposição, consoante as conveniências. Acontece todavia que se aproxima a passos largos a chamada hora da verdade -a aprovação ou rejeição da alteração orçamental e do inadiável, porém eventual e muito problemático empréstimo de 10 milhões, antes referido, seguida lá mais para o fim do ano da votação, igualmente muito condicional, do orçamento e plano para 2012. São três ocasiões de "cuco ou mocho" ou abstenção, como no caso ParqT, o que equivale a conivência = co-responsabilidade. Está tudo dito. C - Os IpT, que já revelaram à saciedade a ausência de qualquer projecto alternativo, saíram muito feridos de asa do caso ParqT. Se antes já inspiravam algumas dúvidas em diversos sectores do eleitorado, a partir de então o descrédito tem vindo crescer. De tal forma que é recorrente a pergunta assassina "No fim de contas, estão lá a fazer o quê?"
D - Dado que sem a dupla PS/IpT, a restante oposição aparcada na Assembleia, pouco ou nada pode fazer, resta aos tomarenses uma última hipótese -a indignação do eleitorado. Infelizmente, os cidadãos continuam agarrados à velha tradição local de esperar para ver, quiçá convencidos de que alguém encontrará uma solução que a todos beneficiará. O que seria excelente se não fosse apenas um sonho de criança. Uma fantasia em forma de coisa nenhuma.
Qualquer que venha a ser o futuro político a nível nacional; com este ou com outro governo qualquer, com ou sem eleições, os próximos dez/quinze anos vão ser extremamente duros, diria até dramáticos. A exigir designadamente substanciais mudanças nas autarquias, com cortes radicais nos respectivos orçamentos. Em Tomar, o problema vai ser ainda bem mais grave, visto que o actual executivo continuou a adjudicar obras bastante onerosas, quando devia ter começado a poupar logo em 2008, tendo em conta uma dívida global que já ultrapassa os 33 milhões de euros = 6.6 milhões de contos. Ou seja: fez exactamente a mesma coisa que Sócrates praticou a nível nacional, com os resultados agora à vista de todos e a inevitável vinda do FMI antes do Verão.
Entretanto, no vale do Nabão, nada se poderá fazer sem o empenhamento dos tomarenses. Infelizmente, com os tomarenses também não. É o que se pode caracterizar como uma dádiva do pau e das costas aos nossos competidores da região. Que nem sequer agradecem. Ingratos!