Na seu aparente imediatismo e espontaneidade, o comentário supra tem afinal muito que se lhe diga. Ao lê-lo pela primeira vez fiquei deveras intrigado com aquela do "Antes és parte do PROBLEMA". E o caso não era para menos. Estando há mais de vinte anos arredado da política local, não ocupando qualquer cargo político por eleição ou nomeação, não escrevendo na imprensa local, nem estando inscrito em qualquer força política, porquê ser parte do PROBLEMA? Após várias releituras e prolongadas cogitações -que sou de compreensão lenta, como é do conhecimento geral -julgo ter encontrado explicação para o busilis da questão.
A julgar unicamente pelo referido comentário, o (a) seu (sua) autor (a) é de ideias fixas e definitivas. Sem apelo nem agravo. Afirmou, está dito, é assim! Mesmo quando formula uma pergunta, é só por retórica: "E o que é que as TUAS DORES têm a ver com a vida e os métodos democráticos do "Le Monde"? NADA! Cabe perguntar -Mas então para quê a pergunta? Não teria sido muito mais simples, claro e cordato escrever singelamente "As TUAS DORES nada têm a ver com a vida e os métodos democráticos do "Le Monde"?
Além das ideias fixas e definitivas, parece ter igualmente tendência para se alhear da realidade política envolvente. Uma espécie de autismo atenuado. Basta atentar nas expressões que usa: "NÃO fazes parte da solução", "és parte do PROBLEMA", "as TUAS DORES têm a ver com..." "Se fosses...tínhamos um novo director nomeado à Belmiro".
Em vez de procurar aferir o que pensa pelo diálogo, não senhor. Penso assim, logo não pode ser de outra maneira. E vá de determinar e mandatr publicar. Sem sem sequer se dar conta de que não é nada educado nem legítimo atribuir aos outros ideias ou atitudes que nunca assumiram. Saudades da velha pecha estalinista do "processo de intenção"?
Regressando ao que me parece ser o âmago da questão -as frases "NÃO fazes parte da solução. Antes és parte do PROBLEMA". Trata-se para o anónimo autor, (que usa o "tuteio", quiçá conforme lhe terá sido recomendado, procurando assim dar a entender que tem ou já teve um hipotético longo relacionamento amigável comigo) de me apontar como bode expiatório, a excluir como condição prévia para qualquer negociação da fantasmática lista de união de esquerda. E compreende-se que assim aconteça. Enquanto me mantive em silêncio, não consta que na urbe alguém tenha pugnado no sentido de contestar as opções de António Paiva, excepto os independentes, já mais para o fim. Os outros, nicles! E basta observar o que continua a passar-se na imprensa local, que foge dos textos políticos como Maomé fugia do toucinho, para compreender que Tomar a dianteira veio incomodar, agitar as águas salobras, que naturalmente não cheiram nada bem. Por isso, alguns arautos das futuras alvoradas gloriosas, acolitados por quem tem muita tarimba, vão obrando no sentido de tentar imobilizar o avião, enquanto ainda se encontra na pista. Para que não se perca o saudável hábito tomarense de ir mudando, mas de modo a que tudo fique sensivelmete na mesma.
Assumo, portanto, que procuro de forma humilde problematizar a situação local, mas tendo em vista encontrar soluções pelo diálogo fraterno. O Tal PROBLEMA!
E cuidado com as incoerências, que revelam espíritos perturbados. Ninguém é obrigado a aturar-me. Basta não frequentar Tomar a dianteira, cujos administradores têm mais que fazer do que ler insanidades, ainda por cima involuntárias. Como bem escreveu o abade Dinouart, há mais de dois séculos, "o primeiro grau da sabedoria é saber calar-se; o segundo é saber falar pouco e moderar-se no discurso" E acrescentou, noutra passagem, que "o silêncio pode fazer de um homem limitado um sábio, e de um ignorante um homem capaz".
Um pouco o que vem ocorrendo na política tomarense desde o século passado... Mas quê! Na sociedade moderna são de tal forma frequentes os implícitos apelos ao protagonismo, que mesmo quem nada tem a dizer julga poder botar figura. É a vida!, diria o Guterres.
