Com o país de férias, como se Portugal fosse rico e não houvesse crise, por essa Europa fora os governantes continuam a trabalhar.No seu regresso da Grécia, o chefe da missão conjunta de inspecção (FMI, UE, BCE), o dinamarquês Poul Thomsen, mostrou-se simultaneamente optimista e bastante prudente. Em declarações à imprensa internacional, indicou três pontos urgentes sobre os quais o governo grego terá de agir quanto antes: 1-Reduzir as despesas das autarquias, dos hospitais e da segurança social; 2-Apertar a fiscalização e a luta contra a fuga aos impostos, de forma a que os ricos passem a pagar como os outros; 3-Liberalizar o acesso às profissões demasiado portegidas: advogados, farmacêuticos, notários, transportistas, por exemplo.
Entretanto, em França, Sarkozy já anunciou que em Setembro haverá remodelação governamental, com acentuada redução do pessoal dos gabinetes ministeriais. Em Itália, Berlusconi e o seu ex-aliado Fini preparam-se para eleições, enquanto o presidente do governo espanhol, Zapatero garantiu perante o parlamento que tomará todas as medidas anti-crise necessárias, por muito impopulares que sejam e ainda que o possam vir a prejudicar eleitoralmente. Tudo mexe, portanto.
Enquanto isto, neste rincão à beira-mar plantado, assiste-se a um curioso tango, como se o Mar da Palha fosse o Mar de la Plata, frente a Buenos Aires. Conquanto não o diga abertamente, o que se compreende, PP Coelho recusa-se a apoiar qualquer iniciativa parlamentar que possa vir a provocar o derrube do governo, enquanto este não tomar uma série de medidas drásticas, que são tão indispensáveis quanto impopulares, pois terão forçosamente de ir todas no sentido de limitar cada vez mais o usual regabofe à custa do dinheiro dos contribuintes.
Sabedor desta posição, de resto já demonstrada na prática parlamentar, (e se calhar mesmo previamente acordada entre ambos), Sócrates compreendeu que as ditas reformas indispensáveis são a sua apólice de seguro contra o fim prematuro do seu governo. Por outras palavras, sabe desde o início da liderança de Coelho, que mal promulgue as citadas leis impopulares, terá os dias contados como chefe de governo, na presente legislatura. O que o leva, naturalmente, a ir adiando, na esperança de melhores dias, que nunca vão chegar, como é óbvio.
Sem decisões drásticas a nível nacional, as quais terão de incluir inevitavelmente a redução das despesas autárquicas, como já está ou vai acontecer em Espanha, em França, na Irlanda ou na Grécia, e por toda a Europa, aqui nas margens do Nabão continua tudo na maior. Aparentemente há verbas disponíveis e abundantes para tudo e mais alguma coisa. É apenas uma aparência, mas isso só se virá a saber na altura de honrar os débitos, o que ainda vai levar o seu tempo.
Em Setembro recomeçará a normal faina autárquica, com a relativa maioria a fazer de conta que continua o governar a cidade e o concelho de acordo com os interesses da maioria dos eleitores e tendo sempre em conta o bem comum. Haverá concerteza novas tentativas do PSD local para substituir Corvêlo por Carrão, apesar de o nosso inquérito, que já ultrapassou os 100 votos, indicar claramente não ser essa a solução preferida pelos tomarenses que têm e/ou sabem usar computador. Discrepância sem qualquer efeito prático, pelo menos até meados de 2012, altura em que o nosso autarca-mor completará 65 primaveras e poderá então requerer a almejada aposentação. A não ser que os eleitores tomarenses resolvam, entrementes, acordar em grande número e começar a agir, coisa que nos parece tão provável quanto as chuvas de Verão no Deserto do Sará.
Ter nascido tomarense e viver em Tomar é por vezes uma cruz bem pesada... sobretudo quando alguns eleitos ou ex-eleitos se gabam neste blogue de muito terem feito em 10 anos pelos tomarenses, quando é agora claro que apenas muito fizeram para os tomarenses. O que não é bem a mesma coisa, nem tem o mesmo cheiro.