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segunda-feira, 8 de junho de 2009

AÍ ESTÃO OS NÚMEROS...

António Rebelo

Após a votação de ontem, anda muita gente eufórica. Só os socialistas e jeronimistas é que não. Uns porque os manelistas tiveram mais votos e ganharam, outros porque os louçanistas ficaram ligeiramente à frente. Perante isto, convém tentar imitar os espanhóis e procurar "poner las cosas en sus sítios".
Sempre pensei que, a nível nacional e apesar de tudo, o PS ganhasse. Enganei-me. Convém, no entanto, ter em conta que, embora o PSD ostente o 1º lugar, a sua votação ficou praticamente ao nível da obtida há quatro anos, quando os socialistas conseguiram a maioria absoluta. Que se passou en tão? A meu ver, a junção de dois fenómenos. Por um lado, a evidente fuga para os extremos, como resultado dos votos de protesto, fenómeno que se verificou em quase todos os países da União Europeia. A chamada esquerda moderada não foi batida só em Portugal mas em todos os países europeus onde governa, enquanto que a direita obteve excelentes resultados, designadamente em França e na Alemanha. Significa esta fuga que a extrema-esquerda (Bloco+CDU) vale agora em Portugal mais de 20% dos votos expressos? Não nos iludamos! Valeu agora quase 22%, mas apenas dos 39,5% que foram votar, o que é muito pouco. E numa eleição cujos resultados se sabia de antemão que não teriam qualquer consequência prática a nível interno. Era, portanto, a situação ideal para protestar, com a certeza de não vir a sofrer quaisquer consequências.
Por outro lado, a fraca prestação de Vital Moreira veio mostrar que Sócrates se terá precipitado ao ir buscar um comunista reciclado, aquilo a que o povo chama um "vira-casacas". Os resultados aí estão, para eventual meditação...
A nível local, o panorama é extremamnente interessante, pois os resultados apurados divergem sensivelmente dos nacionais. Desde logo porque os socialistas tomarenses ficaram a uns incómodos 8 pontos do PSD, cuja maioria autárquica não tem feito um trabalho assim muito apreciado pelos tomarenses, pelo menos a julgar por alguma comunicação social e por aquilo que tem dito a fraca oposição. Se, mesmo assim, o PS/Tomar soçobrou, há seguramente algo que não vai bem. Tanto mais que louçanistas+jeronimistas obtiveram quase 3.400 votos. Num concelho reconhecidamente conservador e intolerante, não terá sido certamente pelo charme do Miguel ou o encanto da Ilda. E depois há ainda os 1.478 votos brancos ou nulos, o 6º lugar na votação, à frente do CDS e da CDU, o que dirá muito a quem souber interpretar. Porque, salvo muito raras excepções (votos anulados involuntariamente, por exemplo), quem assim vota está a dizer que considera não haver escolha. E se agora, mesmo com 13 formações políticas a concorrerem, não havia escolha, que acontecerá em Outubro próximo, com apenas 4 ou 5 listas em compita?
Em conclusão: Os socialistas tomarenses obtiveram um péssimo resultado, tendo deixado fugir muitos votos não só para o PSD mas também, e sobretudo, para o Bloco de Esquerda, o que pode bem significar que, tal como ocorrido a nível nacional, os tomarenses não gostam mesmo nada de vira-casacas. Em Outubro logo veremos se assim é ou não. A menos que, entretanto...