sábado, 6 de março de 2010

REDUÇÃO DE RENDIMENTOS, REMÉDIO AMARGO PARA A EUROPA

Manifestação de funcionários gregos contra as medidas de austeridade. O acrónimo "PIGS" (porcos) designa Portugal, Irlanda (ou Itália), Grécia e Espanha. Fedephoto. Le Monde

Grécia, Portugal e Irlanda decidem reduzir salários e pensões para restabelecer a competitividade e equilibrar o orçamento.

"Ontem, sexta-feira, a Grécia esteve quase totalmente paralisada por uma greve dos transportes urbanos e por greves parciais dos controladores aéreos. Na véspera, em Portugal muitos serviços públicos não funcionaram devido igualmente a uma greve da função pública.
Estas manifestações de descontentamento são provocadas pelas futuras reduções de rendimentos, previstas nos planos de estabilidade e redução do défice, nos países com grandes dificuldades. Na Grécia, anuncia-se uma redução de 30% no 13º mês, e de 60% no 14º mês, para todos os funcionários públicos. Em Portugal foram congelados os vencimentos e salários do sector público. Haverá igualmente cortes ainda não especificados nas pensões..
Já em 2009, os funcionários públicos irlandeses sofreram uma redução média de 7,5% dos respectivos vencimentos, enquanto os letões perderam quase 17%. Será este amargo remédio necessário ? E será o único eficaz ?
"Estes países sofrem de duas doenças, diz-nos a economista Agnès Benassy-Quéré. Acumularam défices incomportáveis e padecem de graves perdas de competitividade. Baixando a massa salarial da função pública, tratam dos dois problemas em simultâneo. Reduzem a despesa pública e acalmam o aumento dos preços ao consumidor."
Os dados disponíveis permitem explicar como os gregos, por exemplo, vivem acima dos seus recursos. "A evolução dos preços ao consumidor foi 10% mais elevada que a da zona euro, desde 2001 e até ao quarto trimestre de 2oo9, declarou-nos Claude Giorno, economista da OCDE. Impõe-se, por conseguinte a moderação salarial", acrescentou.
Por seu lado, PatrickArtus, director de pesquisa económica do banco Natixis, discorda da ideia segundo a qual os países agora em crise exageraram. "É verdade que em Espanha os custos salariais aumentaram 40% mais do que na Alemanha, desde 1999. Mas tal convergência nada tem de anormal, pois os custos salariais espanhóis representam apenas 80% dos custos alemães."
Em contrapartida, Artus manifesta a sua preocupação no que se refere a reduções salariais, que vão deformar a partilha de rendimentos a favor do lucro patronal. "Dado que estes lucros não são reinvestidos, vão gerar mais poupança, numa altura em que esta é excedentária e em que haveria necessidade de mais consumo."
Porque os planos de austeridade provocam inevitavelmente um arrefecimento económico, o qual se traduz em aumento do desemprego no sector privado, que arrasta consigo reduções salariais nas empresas. Para evitar demasiado esforço na área do poder de compra, numerosos especialistas aconselham reformas estruturais capazes de melhorar a competitividade. "A Grécia devia liberalizar diversas profissões, como por exemplo a de arquitecto, advoga Claude Giorno.."Devia igualmente simplificar o processo de criação de empresas, bem como rever o salário mínimo nacional de 727 €, que sendo baixo, provoca ainda assim um desemprego da ordem dos 27,8% entre os jovens."
Quanto a Olivier Blanchard, economista chefe do FMI, apoiado por Jacques Delpla, do conselho de análise económica do mesmo organismo, preconiza desde há vários anos uma outra forma de actuar nos diversos países da zona euro. Segundo ele, os chamados "países-cigarras" (por oposição aos países-formigas) que deixaram de poder desvalorizar a moeda, tendo em vista melhorar a sua competitividade, a partir do momento em que aderiram ao euro, "devem congelar simultaneamente os preços, as rendas e os salários, o que representará uma redução do poder de compra unicamente em termos de bens importados", diz-nos Jacques Delplas.
O problema, contrapõe Gilles Saint-Paul, professor na Escola de Economia de Toulouse, "é que se trata de uma quase-desvalorização, e dado que tais reduções se repercutem no PIB, ao mesmo tempo que a dívida externa não terá qualquer alteração, a relação dívida/PIB agravar-se-á."
"Um outro problema, acrescenta Bruno Cavalier, chefe economista da Oddo Securities, "é que não dará grande resultado, devido à excessiva resistência à redução, tanto dos salários como dos preços. E esperemos que a Alemanha não agrave a situação dos gregos e dos portugueses, prosseguindo os seus esforços de moderação salarial para reforçar a sua competitividade. O "sistema Blanchard", diz-nos a concluir, é bastante hábil, mas não funcionará porque esquece a urgência em que se encontram os países em crise e a"massa humana", que quase nunca se comporta em conformidade com as preconizações dos peritos.
Por conseguinte, voltamos à tradicional dieta forçada das famílias, que a consideram tanto mais insuportável quanto é certo que nunca tiveram consciência de viver acima dos seus recursos. Apenas pretendiam alcançar o mesmo nível de vida dos seus vizinhos europeus. Teremos então manifestações violentas ? "De acordo com analistas escandinavos, os sacrifícios são menos dolorosos quando são impostos a todos os cidadãos, sem qualquer excepção", afirma Benassy-Quéré. Qualquer plano de austeridade terá portanto de ser equitativo. Se não for..."

Alain Faujas, Le Monde 06/03/10
Tradução e adaptação de António Rebelo

UM GRANDE EMPRESÁRIO PRIVADO CONFESSA-SE

(Clicar sobre a imagem para ampliar)

Com a devida vénia, resolvemos publicar parte da entrevista de Alexandre Soares dos Santos, 75 anos, presidente executivo do Grupo Jerónimo Martins, publicada na edição de hoje do suplemento Economia do semanário EXPRESSO. O Grupo Jerónimo Martins emprega milhares de pessoas, sobretudo em Portugal e na Polónia. Em 2009 obteve um lucro líquido de 200 milhões de euros, dos quais 60% vieram da Polónia, onde são proprietários de centenas de supermercados "Biedronka" (Joaninha).
No caso daqueles usuais tomarenses, cuja ignorância é tanta que nem dá para perceberem isso mesmo, perguntarem o que tem a referida entrevista "a haver" (é assim que escrevem e dizem, em vez de a ver com Tomar e com os tomarenses, desde já lhes respondemos. Nada ! Absolutamente nada ! A crise não chegou às margens nabantinas; temos uma sólida maioria na Câmara; essa maioria têm um projecto sólido, fecundo, bem estruturado, promissor e devidamente discutido e sufragado pela população; as empresas locais gozam todas de invejável folga financeira; desemprego praticamente não há; os candidatos a investidores são tão numerosos que são forçados a esperar em fila nas escadarias dos Paços do Concelho; os hotéis, restaurantes e outros meios de alojamento estão sempre cheios que até já recusam clientes; o turismo local aumenta a um ritmo desconhecido, não só no país como até no resto da Europa e quiçá no Mundo; a segurança nas ruas é total; há mais de não se sabe quanto tempo que não se regista um único assalto aqui em Tomar; a comunidade cigana está devidamente instalada e não causa problemas a ninguém; o relacionamento entre os eleitos e os eleitores é directo, fraterno, rápido e geralmente proveitoso; a Câmara tem uma situação financeira tão sólida que a actual maioria já encara a hipótese de o município investir nas petroleiras, etc. etc.
O contexto sócio-económico nabantino está de tal forma próspero, que, numa das suas últimas e frutuosas reuniões, após longo debate com a população e com os eleitos da oposição, (como aliás sempre faz), o executivo camarário votou por unanimidade a implementação de uma "carta de residência", que será obrigatória para os imensos candidatos à mudança para Tomar com armas e bagagens. Falta só a aguardada autorização da Assembleia da República, uma vez que se trata de algo não previso na actual constituição, que por isso terá de ser revista.
Pelo que fácil se torna concluir termos resolvido publicar parte das declarações do referido grande empresário para nos entretermos, bem como para mostrar como vivem os desgraçados portugueses que não têm a sorte de habitar e trabalhar em Tomar. Que sorte a nossa ! Do que Deus nos livrou ! Amen !

UM FUNICULAR PARA REMEDIAR ?

Decorreu ontem, no salão da ACITOFEBA, a sessão de apresentação do projecto "Funicular da Anunciada". Pouca gente. Menos de 30 pessoas. Dos eleitos, apenas os presidentes de S. João (IpT) e Santa Maria (PSD). Além disso, os jornalistas do costume, entre os quais o director d'O Templário, o director de Cidade de Tomar e quatro ou cinco cidadãos, crónicos nestas andanças: Luis Pedrosa Graça, Carlos Trincão, Horta-Marques, Abel Paulo, e um dos administradores de tomaradianteira.
Durante a apresentação, falaram sucessivamente o autor do projecto, Vítor Silva, e um dos dois engenheiros da EFACEC, vindos expressamente do Porto para a circunstância (A EFACEC é a única empresa portuguesa fornecedora, instaladora e gestora de funiculares).
Ficou-se a saber que aquele equipamento, se e quando instalado, terá uma capacidade máxima de 420 pessoas por hora, a viagem de ida e volta custará um euro e meio, e fará cada percurso em cerca de quatro minutos. O custo total estimado, a preços actuais, será da ordem dos três milhões de euros.
Seguiu-se um interessante debate, no qual tomaradianteira também participou. Dele resultaram várias objecções, como por exemplo a manifesta inadequação do projecto no actual contexto de crise e de ausência de estruturas de acolhimento, a evidente falta de condições citadinas, susceptíveis de atrair turistas, a gritante carência de recursos humanos, em concomitância com excesso de funcionários públicos, e o evidente desprezo a que têm sido votadas as actividades culturais, na cidade e no concelho.
De tudo o que foi dito, ficou a ideia de que se trata sem dúvida de um projecto generoso e bem intencionado, o qual não tem, todavia, nas actuais circunstâncias, qualquer viabilidade económica ou hipótese, mesmo remota, de vir a ser implementado. A época dos recursos abundantes já passou, a das obras desgarradas igualmente, e o pior ainda está para acontecer. Enquanto até agora o mais importante para as autarquias era arranjar obras para candidatar e sacar os fundos europeus, chegou o tempo de arranjar maneira de ganhar dinheiro, gerar riqueza, criar valor acrescentado, conseguir postos de trabalho produtivos, (e não empregos à custa do orçamento) procurar retornos negociáveis, de forma a só depois usar esses recursos em investimentos devidamente planeados, tendo em conta o rumo a seguir, de acordo com o projecto global previamente sufragado pelos cidadãos.
Naturalmente que a ideia e o trabalho de Vítor Silva têm mérito. Mostraram empenhamento cívico, desassossego cidadão e possibilitaram uma interessante sessão de troca civilizada de ideias entre tomarenses, coisa suficientemente rara para aqui ser sublinhada. Dito isto, qualquer técnico da Europa Central, que por acaso assistisse à referida sessão, só poderia ficar de olhos esbugalhados. Não só se verificou a inexistência de prévios estudos de mercado (onde, como quando e para quê ir buscar os tais 420/turistas/hora ?), como igualmente a falta de caracterização política, económica e social da cidade, nos tempos que correm. Por outras palavras, mais severas, mas que nos parecem as mais pertinentes -tudo indica que se trata de mais um daqueles "castelos em Espanha", que nós portugueses tanto gostamos de construir mentalmente, porque em teoria bate tudo certinho. O pior é depois o choque com a cruel realidade.
Tomaradianteira esteve numa posição assaz desconfortável. Por um lado não queria nem pretende ser desagradável com o autor da projecto nem com os seus mentores. Por outro lado, mesmo sem contar com a sua evidente falta de viabilidade económica, não concorda com a localização nem com o tipo de transporte. Instigados por Horta-Marques, acabámos por dizer que na nossa opinião, estribada num conhecimento da realidade local, do mundo actual e do novo paradigma económico, a melhor solução (que ainda assim também não deverá ser implementada de forma desgarrada, mas sim fazer parte de um projecto multifacetado, muito mais amplo) para o problema da vinda dos turistas à cidade será um túnel com tapetes e/ou escadas rolantes, ligando o antigo mercado (trazeiras dos Paços do Concelho) ao castelo templário. É que são apenas cerca de 70 metros, (contra os mais de 300 do funicular) que "obrigarão" de certeza os turistas a virem ao centro da cidade...

PS - Só agora nos ocorreu que, além das vantagens já antes indicadas, o eventual tapete rolante, entre as trazeiras da Câmara e a Cerrada dos Cães, dadas as circunstâncias políticas actuais cá na urbe, poderia até ficar muito barato, pelo menos na instalação: Como o novo líder local do PSD já declarou estar convencido de que o cruel e atrevido marido PS camarário vai tirar o tapete à jovem, ingénua e virginal esposa PSD, basta aguardar, aproveitar e adaptar o dito tapete ao novo uso... Ou somos assim tão ricos que podemos mandar para o lixo genuinos Arraiolos ponto fino, financiados com dinheiros de todos nós ?

sexta-feira, 5 de março de 2010

ALELUIA ! FINALMENTE BOAS NOTÍCIAS !

Ora até que enfim ! Boas notícias do laranjal da Nabância, que o mesmo é dizer boas notícias para os tomarenses. Finalmente, aparece um dirigente local que, logo na sua primeira grande intervenção pública, consegue catapultar a política nabantina para um patamar bem mais alto. Diz o que lhe vai na alma, mostra ter uma política definida, para já a curto prazo; indica que sabe distinguir a táctica da estratégia; não corta qualquer ponte, mas logra manter as mãos inteiramente livres, colocando os parceiros da circunstancial e infeliz coligação a jogar à defesa, o que não tem acontecido até agora.
Destaque igualmente para a Rádio Hertz, cujo jornalista (que não ignoramos quem seja) soube conduzir a entrevista de forma a obter declarações simultaneamente originais, bem estruturadas e substantivas.
A partir de agora, -dependendo igualmente do desfecho do imbróglio social-democrata a nível nacional-, está tudo em aberto na política nabantina. Repare-se que o novo dirigente máximo concelhio dos laranjas (que não temos o gosto de conhecer pessoalmente), já antes declarara que a sua equipa não apoia nenhum dos candidatos em liça, deixando a cada militante inteira liberdade de escolha.
Para já, José Delgado mostrou arcaboiço político, ao levar os dois eleitos do PS a perceberem que estão às ordens do PSD, partido maioritário a nível local, que por isso deve exercer a liderança efectiva. Sem, todavia, o dizer frontalmente, como convém. Bastou-lhe afirmar que não concordava com a forma como o acordo estava a ser cumprido e, mais tarde, que ele e os da sua equipa nada tiveram a ver com o inesperado casamento de conveniência, pois nem sequer foram consultados, ou dele tiveram conhecimento antecipado. A isto se chama política de alto coturno. Dar a entender muito mais do que aquilo que se diz. Para bom entendedor...
Significa isto que melhores dias se aproximam para os tomarenses ? A ver vamos. Até agora, os primeiros sinais são muito favoráveis, o que já não sucedia há demasiado tempo. Porém, como é sabido, os ciganos nunca gostam de ver bons princípios aos filhos. Optimismo portanto, mas moderado e cauteloso. Os dados estão lançados ! Aguardemos.

Nota final:

Muitos estranharão que finalmente digamos bem de alguma coisa. Acrescentarão até que "os gajos ou já se passaram para os laranjas, ou estão a preparar o terreno para a próxima corrida".
Nada disso, caros conterrâneos ! Sucede simplesmente que -como aliás aqui tem sido repetido com alguma frequência- há já muitos anos que deixámos de usar "óculos partidários" para ver, analisar e explicar o que acontece, tanto na sociedade local, como nacional ou internacional. O que nunca nos impediu, nem impede, de termos uma determinada visão do mundo, a qual nunca implicou que esqueçamos a conhecida frase do saudoso Vítor Cunha Rego: "As coisas são o que são." Para o bem e para o mal. Ou, citando os nossos irmãos brasileiros, "Quem nasceu lagartixa nunca chega a jacaré."

quinta-feira, 4 de março de 2010

ANÁLISE DA IMPRENSA DESTA SEMANA

Colaboração da Papelaria CLIPNETO Lda.

Tempos cada vez mais difíceis e agitados para a imprensa local e regional. De tal forma que até o geralmente pacato e conformista CIDADE DE TOMAR resolveu esta semana surpreender os leitores com uma manchete política, coisa rara e muito pouco vista por aquelas bandas. Ademais, a própria fotografia é ainda mais eloquente do que o título. À direita todos os vencedores, entre os quais o antigo Secretário de Estado Lourenço dos Santos, que não costuma embarcar em aventuras políticas. Sorrisos rasgados e olhares atentos, a ver se as chaves mudam realmente de mãos. Do lado oposto, apenas os três sacrificados destacados para o acto. Carrão ri abertamente, enquanto Vicente sorri, mas trata-se, em ambos os casos, de semblantes de ocasião.
Ao assumir o risco de publicar e ilustrar assim tal manchete, o decano da imprensa tomarense, de forma voluntária ou não, dá a entender que já mudou de cavalos e passará a partir de agora a apostar nos recentes vencedores. Nas páginas interiores, destaque para as crónicas de Luís Pedrosa Graça (Vem aí a República), António Serraventoso (O rei continua nu) e MC (A herança dos buracos no pavimento).

Ao invés do colega da cidade antiga, O TEMPLÁRIO, destaca a evidente falta de política local de apoio aos investidores. Além da manchete sobre os despedimentos na CITAVES, refere igualmente que o supermercado Santo André abre falência. E só não noticia ainda o caso das duas marcas de combustível cujos postos da cidade deixaram de vender, por falta de pagamento ao fornecer, dado que a ocorrência é posterior.
Quanto à notícia sobre a pancadaria no baile de finalistas da Jácome Ratton, apesar de a mesma ocupar dois terços de página e de a termos lido e relido, ainda não conseguimos entender qual ou quais os motivos e os objectivos dos componentes do bando juvenil invasor. Defeito nosso, seguramente.

N'O MIRANTE, além do curioso tema da manchete, que dará concerteza pano para mangas nas tertúlias jurídicas distritais, há uma notícia da nossa cidade a dar que pensar: "Câmara de Tomar prolonga medidas de apoio social. Com esta decisão pretende-se apoiar as pessoas que estão a ser mais afectadas pela crise." Vai-se ao corpo da notícia e constata-se que afinal as ditas medidas são assaz específicas e bastante limitadas: apoios aos alunos carenciados, apoio aos cidadãos que apenas auferem um ordenado igual ou inferior ao mínimo nacional, pequenas reparações domésticas e redução de 50% nas taxas de ligação dos SMAS. Presume-se que nas de religação, as tais de 55 euros, terão de continuar a pagar a totalidade. Ou não ?
E vá lá ! vá lá ! Com a crise que por aí vai, designadamente nos recursos da autarquia, já não é nada mau. Tudo indica que a crise económica vai continuar a agravar-se, pelo que, quem agora ainda pensa numa próxima recuperação, faria melhor se adoptasse, quanto antes, a frase mais corriqueira, na Grécia, por estes dias: "Não há dinheiro, nem nunca mais vai voltar a haver como no passado". Não é mesmo nada mobilizador, mas é a pura verdade. Lá como cá. Vão tomando nota...e reduzindo os gastos.

PAPAGAIOS CINZENTOS É O QUE POR AÍ HÁ MAIS...

A abrir, garantimos que este anúncio é mesmo real. Está na edição datada de amanhã do CIDADE DE TOMAR, na página 2. Caso duvidem (como aliás é costume), farão o favor de ir lá verificar. Afinal o semanário só custa 70 cêntimos, e a gerência agradece. Esclareça-se igualmente que, salvo os tomarenses, devido à sua aversão a qualquer forma de sorriso e ao seu apreço pelas caras de escritório, às segundas-feiras de manhã, todos os outros percebem perfeitamente que estas coisas não se inventam.
Seja como for, lido o respectivo anúncio, logo pareceu urgente aproveitar a oportunidade de cumprir dois mandamentos ao mesmo tempo: 1) - Ajudar o próximo como a si mesmo; 2) - Não cobiçar o papagaio do próximo. (Se não é bem assim, andará lá perto, mais coisa, menos coisa.)
Para tentar ajudar o próximo, neste caso o dono da ave desaparecida, o mais urgente parece ser um conselho básico: A sua caracterização do bicho é insuficiente, numa terra como a nossa, onde o que há mais são papagaios cinzentos. Ainda assim, enquanto aguardamos novos elementos, procurámos os exemplares que mais dão nas vistas.
Só no executivo camarário há sete. Cinco do sexo feminino e dois do sexo feminino (mas cuidado que não são araras !). O primeiro entre os seus pares, é realmente cinzento, mas a sua cauda sempre foi de cor indefinida. O seguinte também é cinzento, mas tem a cauda cor de laranja, tal como acontece com o terceiro, o tal feminino, que já usou cauda vermelha, mas depois mudou para laranja independente. Do outro lado da mesa, temos mais dois exemplares cinzentos, um de cada sexo. O masculino já usou cauda rosa independente, acabando por gostar mais de cauda de cor indefinida. A sua parceira de lista teve durante anos cauda laranja, tendo optado recentemente por uma cor independente, que ainda ninguém percebeu muito bem qual é.
E restam os dois papagaios cinzentos de cauda rosa. Um fartou-se da cauda laranja e mudou para rosa, que lhe parece uma cor com mais futuro. O outro deve ser a ave rara que o anúncio procura. Embora igualmente algo cinzento, dá nas vistas, fala bem, é muito protocolar e a sua cauda, quando observada atentamente, é mais vermelha que rosa. Cuidado com ele porque já tirou o curso de "pássaro de bisnau", sabendo portanto (ou julgando que sabe) muito mais do que os outros.
Quanto ao parlamento municipal, um imenso viveiro de papagaios cinzentos, abstemo-nos por agora de tecer quaisquer comentários, dadas as circunstâncias trágicas de todos conhecidas: O papagaio cinzento que preside ao órgão está gravemente ferido de asa, o mesmo acontecendo com os seus pares de cauda laranja. No momento em que escrevemos, tudo parece indicar que vão de derrota em derrota, até à derrota final. Uns ingratos, estes tomarenses, é o que é ! De qualquer forma, o nosso amor pelas aves, sobretudo as de arribação, impede-nos de castigar as que já estão feridas de asa. Bem basta o que basta !

quarta-feira, 3 de março de 2010

A DESCOBERTA DO CAMINHO MARÍTIMO PARA A ÁGUA D'EL CANO

Já aqui foi escrito que impera nalguns serviços da autarquia uma mentalidade doentia, que pune os pobres munícipes com decisões nitidamente sádicas e despropositadas. Pode-se agora acrescentar que tais práticas ocorrem sobretudo no DAU e nos SMAS, mas não só. No entender de tomaradianteira, por nítida falta de pulso, de projecto político e de modelo de sociedade, no que toca aos eleitos.
Já na primeira metade do século XVI, o insigne médico, viajante e herborista Garcia da Horta proclamou que "a experiência é a madre das coisas". Nos nossos dias, o presidente brasileiro Lula da Silva demonstra que o nosso ilustre antepassado tinha toda a razão. Com mais de 70% de opiniões favoráveis, o actual presidente do grande país irmão é o exemplo perfeito do valor insubstituível da experiência pessoal. O líder do PT nunca frequentou qualquer universidade, nem tenciona vir a frequentar. Mas conheceu a fome, o frio, a miséria, o desprezo, a violência, a repressão, os empregos mal pagos, a prisão, e por aí adiante. Por isso, quando à terceira tentativa conseguiu vencer, não teve qualquer dificuldade e começou logo a fazer aquilo que a maioria dos brasileiros ambicionava. Entretanto por aqui...

Eis um relato na primeira pessoa, com assinatura e demais elementos identificatórios. Para que conste.
Precisei de requisitar a luz e a água para um pequeno apartamento de família. Fui primeiro à EDP e correu tudo bem. Pediram-me o contrato de arrendamento, expliquei que agia em nome da senhoria, pediram-me a procuração, leram e perguntaram qual era o NIB, se era o mesmo que já lá constava, imprimiram, deram-me o contrato pronto e ofereceram-me uma tomada tripla, por ter optado pelo pagamento por conta bancária. Até me deram a escolher as horas mais convenientes para efectuar a ligação. E estiveram lá à hora combinada ! Não paguei nem um cêntimo.
No dia seguinte fui aos SMAS, pedir a ligação da água. Mesma conversa inicial, com uma funcionária menos sorridente. A seguir à procuração, pediu-me o título de propriedade. Leu atentamente e declarou que a matriz não estava actualizada, pelo que tinha que ir às Finanças fazer a actualização, sem o que... Retorqui que a matriz actualizada, ou não actualizada, nada tem que ver com o fornecimento de água. -Eu cumpro ordens, foi a resposta seca. Expliquei que os oficiais nazis também disseram o mesmo em Nuremberga, o que não impediu que posteriormente fossem condenados à morte e executados. Não me pareceu muito convencida.
Lá fui às Finanças. Tirei a respectiva senha, aguardei cerca de 10 minutos e fui atendido por um funcionário assaz amável. Entregou-me logo a actualização solicitada e à pergunta "quanto é?" disse que era gratuito. Saí, a pensar que afinal neste país nem tudo continua mal.
Voltei aos SMAS, entreguei os papéis, a funcionária voltou a ler e inquiriu: -Tem aí o bilhete de identidade deste senhor Jacinto Lopes (marido da senhoria) ? Disse-lhe que não, porque o senhor faleceu há mais de cinco anos. Tem aí a certidão de óbito ? Claro que não, respondi agastado. Então tem de ir buscar uma.
Podia ter começado a fazer banzé e exigir que chamassem o chefe, que provavelmente me daria razão, uma vez que continuo a não perceber qual a utilidade da certidão de óbito do marido da senhoria, para um mero pedido de fornecimento de água. Receio de que eu ou a senhora estivéssemos a enganar o morto ? Que este deixasse de pagar ? Que eu estivesse a mentir ? Em todo o caso, nunca fiando. Limitei-me a dizer à funcionária, por uma questão de lealdade, que era capaz de vir a ser incomodada por causa deste assunto. Senhora de si indagou: -Porque é que o senhor diz isso ? -Só para depois não dizer que fui desleal para consigo.
Aproveitando a embalagem, solicitei que me dissesse se faltava mais algum documento, além da certidão de óbito. -Se a senhora é viúva, o bilhete de identidade está desactualizado. Diz aqui que é casada e já não é. Realmente, balbuciei eu, quase sufocado com tão caricata situação. -Mas olhe que o BI é vitalício e a senhora mal pode andar. Tem 80 e tantos anos e já não consegue pôr-se em pé à frente daquela maquinória das fotos digitais, lá no Registo Civil. -São ordens, disse-me em tom conclusivo. -Pois, mas na EDP foi tudo muito mais simples, observei. A resposta foi elucidativa: -A EDP, sabe, é a nível nacional. Nós é a nível local, não podemos facilitar.
Ala, direito ao Registo Civil, que se faz tarde. Certidão de Óbito 50 cêntimos, Certidão de Actualização de Estado Civil 1 euro (É a 50 cêntimos a folha, esclareceu-me a funcionária, em tom amável). Regresso aos SMAS, nova verificação, fotocópia de tudo aquilo, do meu BI e da minha caderneta bancária, por causa do NIB. Nem o governo americano exige tantos documentos para se entrar no país, apesar de ter razões para se sentir ameaçado. Pagamento de 32, 36 € e aguarde que o funcionário lá vá colocar o contador. -O contador é interior ou exterior ? É interior? Tem um contacto telefónico ?...Eu escrevo aqui para o meu colega telefonar antes de lá ir.
Tal e qual, sem tirar nem pôr.

Perante isto, se autarcas e eleitores tomarenses em geral acham que está bem tratar qualquer consumidor como eu fui tratado, como se fosse um foragido, um vigarista, um aldrabão, um caloteiro, ou um preso em liberdade condicional, quem sou eu para os contradizer ? Hão-de vir a compreender, dentro de alguns anos, o mal que fizeram uns, e deixaram fazer os outros, a esta terra que no meu entendimento merecia bem melhor. Oxalá não seja então já demasiado tarde...
Entretanto continuo com uma dúvida: O conhecido acrónimo SMAS significa: A)-Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento ? Ou B)- Secção de Mariquices, Autoritarismos e Sacanices ?
Aqui há anos, no final do último mandato de Pedro Marques, tornou-se evidente, aos olhos dos eleitores, que certos sectores da autarquia estavam praticamente em autogestão, às ordens de determinados dirigentes. Pedro Marques deixou de ser aceite pelo PS como candidato e António Paiva venceu. Teve a coragem de usar os seus poderes para restabelecer a normalidade nos citados sectores. Alguns quadros superiores resolveram ir arejar para outros lados. Diz-se que a história raramente se repete e que, quando tal acontece, se da primeira vez foi um drama, a seguir é uma comédia, e vice-versa. Será agora o caso ? Aos leitores, como sempre, cabe a resposta. Em todo o caso, apesar das tentativas, Pedro Marques nunca mais voltou a ser presidente sa autarquia...

António Rebelo, BI 0534432, eleitor nº 3762 de S. João Baptista, pensionista nº 2211795oo, ADSE 003429504, calço 41, uso camisas 42 e blusões 54. Espero que seja suficiente para me identificar, ficando no entanto às ordens dos senhores funcionários para quaisquer outros elementos julgados indispensáveis. Não quero que me possam vir a acusar de lhes estar a dificultar tão magnífico trabalho em prol do bom nome e do prestígio de Tomar. À evidente simpatia é imperativo responder de igual forma.