

Os leitores farão o favor de desculpar a insistência. Nós aqui no blogue, temos um princípio que procuramos nunca traír: nenhuma das observações, positivas ou negativas, feitas pelos comentaristas, cai em saco roto. Podemos não responder e até perdoar, mas não esquecemos. Por outro lado, ao invés do conhecido fado "Cantarei até que a voz me doa", nós, enquanto nos doer, continuaremos a "cantar".
Partindo de anteriores observações, segundo as quais a comparação aqui feita era demagógica, porque num dos recibos havia acertos, fomos de novo à procura e, como quem procura sempre acha, aqui temos o resultado: Em cada consumo mínimo de 5 metros cúbicos, os consumidores tomarenses pagam mais 6,49 € em relação aos de Ourém e perdem um metro cúbico de água. Os recibos supra são como aquele algodão do anúncio televisivo -não enganam ! 6,49 não é grande coisa ? Pois não ! São 1.298 escudos mensais =15.576 escudos e menos 12 metros cúbicos ao fim de cada ano ! Para quem vive da política, não é nada, realmente. Para os pobres trabalhadores, pensionistas e outros reformados...
O compadre Zé da Bilha e outros apaniguados vieram igualmente com uma história da carochinha, afirmando que a VEOLIA, uma multinacional privada, implantada dos USA à China, está a fornecer água em Ourém a perder dinheiro e que só em 2013 é que os consumidores de Ourém vão ver como elas lhes mordem. Trata-se de uma reles patranha, que envergonha quem a engendrou, se tal pessoa souber realmente o que é vergonha. Consultados os competentes serviços anti-dumping da Comissão Europeia (a internet permite estas coisas com rapidez; basta dar-se ao trabalho) foi-nos dito que tal prática é estritamente proibida e severamente punida em toda a UE, pelo que devemos enviar qualquer prova cabal em nosso poder e imediatamente haverá inquérito, eventualmente seguido de multa e de suspensão da concessão, se for caso disso. Estamos esclarecidos, compadre Zé da Bilha ? Faça o favor de arranjar outra desculpa que a anterior era demasiado tosca.
Aproveitando o ensejo, esclarecemos todos os nossos concidadãos, que mais de 35 anos após Abril ainda não conseguiram habituar-se a viver em democracia, agindo em conformidade, daquilo que nos parece ser básico. Eis portanto, em linguagem metafórica, os princípios dundamentais da cidadania democrática:
A - Cada doente tem o direito e o dever de se queixar quando lhe dói, esclarecendo onde lhe dói.
B - O facto de exercer o direito de se queixar, não significa que tenha sempre razão.
C - Cabe ao médico ouvir os doentes, examiná-los, estudar as queixas, estabelecer o diagnóstico e indicar a terapêutica.
D - O doente tem o dever de comunicar sempre ao médico os efeitos da terapêutica por ele indicada, sem nunca procurar impôr a sua própria medicação.
Os senhores clínicos terão a bondade e a humildade de desculpar esta abusiva intromissão em seara alheia, motivada por alguns sindicalistas e outros trabalhadores, que não concordam com o congelamento de vencimentos e outras medidas de austeridade. Como se coubesse aos doentes indicar a terapêutica para a doença que afecta o país, ou como se uma tuberculose, por exemplo, se pudesse curar com aspirinas. Trata-se, em resumo e afinal, de tentar fugir com o dito à seringa, por parte de quem sabe muito bem que tem de levar as injecções, quer queira, quer não.

