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domingo, 6 de setembro de 2009

UMA CAMADA DE DEBATES...



O assunto não é propriamente de âmbito tomarense. Porém, como também somos eleitores e pagamos os nossos impostos pontualmente, pareceu-nos útil traduzir a parte que nos interessa da notícia enviada para Madrid pelo correspondente do EL País em Lisboa, Francesc Relea, que é catalão. Tanto mais que o nosso lema é "Os meios de saber e a coragem para o dizer."
Sob o título acima reproduzido, o citado correspondente estrangeiro, após analisar os debates já realizados, explica o entre nós chamado "Caso TVI - Manuela Moura Guedes".
"Nesta batalha pré-eleitoral, uma simples decisão empresarial converteu-se no tema que absorve a atenção dos políticos e dos media. A notícia produziu-se quando a cadeia de televisão TVI, cujo accionista maioritário é o grupo PRISA, igualmente editor do El País, deu a conhecer a mudança de formato do Jornal Nacional de 6ª feira, tendo em vista torná-lo semelhante aos restantes telejornais da semana. Tal decisão implicava a saída de Manuela Moura Guedes de directora do citado jornal. Foi então que vários outros dirigentes da área de informação da TVI, apresentaram as suas demissões, num gesto de solidariedade para com a jornalista.
Dá-se a circunstância que o Jornal de Sexta se tem caracterizado pelas suas críticas ferozes ao governo socialista, e especialmente à figura do primeiro-ministro, que chegou a qualificar o referido jornal televisivo de jornalismo travestido. As reacções de políticos, candidatos e comentadores surgiram então em cadeia. Em poucas horas, não só a TVI e a PRISA, como também"Espanha" e "os espanhóis", se tornaram protagonistas involuntários da campanha eleitoral e do fogo cruzado entre candidatos.
A utilização eleitoralista de um tema tão recorrente como as relações luso-espanholas, deslocou os grandes temas de fundo da campanha, que andam à volta da crise económica e das medidas para a ultrapassar. Os programas de todos os partidos realçam a luta contra o desemprego, que segundo as últimas estatísticas já chegou a 9,3% (meio milhão de desempregados).
Quanto a propostas, é outra música. O cavalo de batalha são as obras públicas, matéria que divide os dois grandes partidos, o PS e o conservador PSD, líder da oposição. Os socialistas defendem o TGV que ligue Portugal à Europa, com as linhas Porto-Vigo e Lisboa-Madrid para 2013, e Lisboa-Porto para 2015. Propõem igualmente uma terceira travessia do Tejo e um novo aeroporto na capital, bem como o prosseguimento do plano de novas rodovias, tendo em vista criar emprego e modernizar o país. O PSD, pelo contrário, pretende suspender o TGV e reanalisar as concessões rodoviárias, bem como a calendarização da construção do novo aeroporto, por considerar que, nas actuais circunstância, se trata de esbanjamento de dinheiros públicos."


Tradução e adaptação de A. R.