Goste-se ou não de Luís Ferreira, forçoso é reconhecer que ao cabo de dois anos soube pôr fim a uma situação nada prestigiante para o PS, para o PSD ou mesmo para a política local. A coligação-post-eleitoral celebrada em Outubro de 2009 nunca passou afinal de um aborto, com os laranjas convencidos de que tinham comprado os eleitos socialistas para todo o serviço. prova disso é que nunca acharam necessário qualquer tipo de diálogo. Nestas condições, a recente ruptura da dita mancebia evidenciou coragem, coerência e respeito pela opinião dos eleitores, pois implicou a renúncia a vantagens materiais da ordem dos cinco mil euros mensais para cada um dos vereadores do PS.
Após esse rompimento, logo imitado pelos social-democratas, ficou-se na expectativa em relação à atitude de Pedro Marques e dos IpT. Uma vez que José Vitorino e Luís Ferreira ousaram fazer o mais difícil, teria sido lógico que os outros dois oposicionistas procurassem "acertar agulhas" com os seus homólogos, no sentido de encontrar a melhor solução para a grave crise local. Infelizmente, o tempo passou e nada aconteceu nessa área. Pedro Marques perdeu assim mais uma excelente ocasião para marcar a diferença, agindo em prol dos interesses dos tomarenses.
Quiçá farto de esperar e angustiado perante tanta inépcia, Luís Ferreira acaba de realizar mais uma jogada feliz. Em declarações à Rádio Hertz, alegando que a autarquia vive ao Deus dará, mostra-se favorável a eleições intercalares, como a melhor saída para a presente crise, aproveitando para implicitamente desafiar Pedro Marques. No seu entender, caso o líder dos IpT aceite uma renúncia colectiva, pode contar com igual atitude por parte dos socialistas, o que obrigaria à convocação de eleições, visto que o PSD ficaria sem quórum para reunir ou tomar qualquer decisão.
A bola está agora no campo de Pedro Marques e Graça Costa, que vão ser forçados a agir, ainda que o não queiram. Ou aceitam o oportuno repto lançado por Luís Ferreira, sentando-se à mesma mesa e conversando, tendo em vista eventuais futuras acções conjuntas; ou recusam qualquer conversa e não alinham na renúncia colectiva, pelo que passarão a ser considerados cúmplices objectivos da cegada social-democrata local. Têm a palavra os IpT. Contudo, se até na Assembleia Municipal já há "ratos a abandonar o navio" em grupos de três, manifestamente o naufrágio não deve tardar, que os roedores são animais extraordinariamente inteligentes e de raciocínio ultra-rápido. Sobretudo os mais velhos.
Post Scriptum
Entretanto o vereador socialista transcreveu em vamosporaqui.blogspot.com o seu comentário supracitado, acompanhando-o com uma curta introdução que vale a pena ler, porque transpira sinceridade e seriedade.
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Entretanto o vereador socialista transcreveu em vamosporaqui.blogspot.com o seu comentário supracitado, acompanhando-o com uma curta introdução que vale a pena ler, porque transpira sinceridade e seriedade.
