Como por todo o lado, no país e na Europa, em Tomar a crise avança a um ritmo cada vez mais alucinante. Os responsáveis políticos nem tanto. Ouvi ontem parte da gravação do programa semanal "À conversa com elas", na Rádio Hertz, e fiquei muito preocupado com o futuro desta terra. Muito mais do que já estava anteriormente. Isto porque as três políticas locais, naturalmente formatadas à maneira tomarense -coisa normal, dado que são nabantinas- procedem como se o comboio do progresso, ou do futuro, estivesse sempre parado, ali na estação à nossa espera. Ou pelo menos que, como antigamente, o chefe Bengala venha à porta espreitar para a Várzea Grande, a ver se há passageiros atrasados, só dando a partida depois de todos devidamente sentados. Infelizmente, nem uma coisa nem outra. Esses tempos já lá vão e não voltam. Agora até o lider dos IpT vai repetindo que não são bengala de ninguém, quanto mais agora chefes de estação.
Atento à evolução galopante da política nacional e aos seus efeitos na política tomarense, cujo piso está a ficar cada vez mais escorregadio, o presidente da Junta de Freguesia das Olaias não esteve com meias medidas. Mais vale prevenir que remediar. Antes que lhe fundam a junta com outra ou outras, decidiu fundir uma parte do orçamento na compra de uma moderna carrinha (ver foto supra), com tracção às quatro rodas, para evitar despistes em terrenos lamacentos. Ele lá sabe.
Voltando às senhoras, que são sempre boa companhia, pasmei com o que ouvi. Sucintamente o que segue. PS: O PSD tem de dialogar porque já não tem maioria absoluta e tem de esclarecer rapidamente o problema da liderança autárquica. IpT: O PSD tem de dialogar. Foram eles que ganharam, são eles que devem apresentar soluções e dizer o que querem. Devem também esclarecer quanto antes a questão da presidência. PSD: estamos prontos a dialogar com todos e vamos esclarecer a problemática da câmara; só não sabemos é quando, porque como sabem houve aquele caso dos ouvidos entupidos.
Questionadas pelo hábil António Feliciano, (cujo trabalho merece aplauso), sobre a realização de eleições intercalares só para o executivo, a representante laranja acha que são de evitar pois seriam mais uma despesa e, dados os prazos legais (que confessou desconhecer em absoluto) e o tempo necessário para a elaboração das listas, na sua opinião, quando já tivéssemos todo o processo concluído e um novo executivo, outras eleições autárquicas estariam à porta. Só lhe faltou acrescentar o usual argumento dos inimigos encapotados da democracia genuína: -Novas eleições para quê, se são sempre os mesmos candidatos?!
Por sua vez, Anabela Freitas admitiu que o PS ainda não definiu a sua posição sobre a eventualidade de eleições intercalares, acrescentando haver no partido vários militantes que são a favor das ditas. Outro tanto referiu Graça Costa. O que coloca este curioso problema: Admitindo que os autarcas da relativa maioria se decidissem repentinamente a dialogar, quais seriam os temas em debate e quais os intervenientes, dado que nem os socialistas nem os independentes sabem ainda que posição defender sobre intercalares, quais os assuntos a debater ou que objectivos procurar alcançar?
É certo que, de memória de homem, nunca os mudos começaram bruscamente a falar, pelo que se o PSD-Tomar nunca dialogou nos últimos 14 anos (dando de barato que alguma vez o tenha feito antes ou saiba sequer o que isso é e como se faz), também não virá ao diálogo. Mas se vier?
Quem trabalha em eventos públicos ou em televisão sabe que, por vezes, apesar do planeamento mais rigoroso, há imponderáveis a resolver em cima da hora. Aquilo que em Portugal se chama na gíria profissional "encher chouriços", em Espanha "rellenar" e em França "meubler". Na minha modesta opinião, é exactamente isso que procuram fazer (com maior ou menor habilidade) as três forças políticas em presença no tabuleiro nabantino: encher chouriços, rechear, mobilar. Queimar tempo, em suma. Esquecendo deliberadamente que os anglo-saxónicos não se cansam de proclamar que "time is money", quando em Tomar e no país estamos cada vez mais limitados pelo factor NHD. (Ver post anterior).
Pela minha parte, como procuro ser sempre o mais prático e directo possível, já arranjei uma solução transitória para a actual crise política nabantina:
Depois não me venham com a velha história de que ninguém ajuda!

