Berço muito moderno, muito elegante e muito prático para equipar vários serviços da autarquia. Sobretudo os relacionados com as obras particulares, o urbanismo, o mercado, o Convento de Santa Iria, os acampamentos do Flecheiro, o elefante branco da Levada...
Quando já não couberem mais processos no berço propriamente dito, podem colocar-se outros tantos na cadeirinha à esquerda, de forma a poder embalar todos ao mesmo tempo, enquanto os cidadãos-eleitores vão esperando, desesperando e alguns esportulando.
Trata-se de um erro de interpretação muito difundido no eleitorado tomarense, mesmo no mais evoluído, o qual contribui poderosamente para manter tudo como está. Perante o actual marasmo, agora singularmente agravado pelo bloqueio político a que se chegou na autarquia, quando numa conversa se pergunta a algum dos especialistas locais em bitaites -Afinal o que é que lá estão a fazer os autarcas da relativa maioria, se nem sequer sabem o que querem nem para onde vão?!?! -Sobretudo quando o interrogado usa lentes alaranjadas, a resposta é pronta e sempre igual -Enquanto aqueles gajos teimosos e tinhosos da oposição não derem o braço a torcer, vão despachando os assuntos correntes.
Sucede que tal não é verdade ou -sendo mais justo- não é toda a verdade. Como bem sabem todos os eleitos, burócratas autárquicos, empreiteiros e outros, os únicos assuntos correntes e pontualmente despachados pela autarquia são os vencimentos e outras benesses para uns e outros. Da casa, bem entendido. Nos restantes casos, a expressão "despachar os assuntos correntes" não passa de um manifesto abuso de linguagem. Desde logo porque naquela casa contam-se pelos dedos das duas mãos (com alguma generosidade...) os agentes que são realmente despachados. E quem nunca foi nem é despachado, obviamente não consegue despachar nada, como de resto se tem visto.
Temos por conseguinte que não há despacho nenhum, excepto no caso já citado. E não havendo despacho, haverá pelo menos assuntos correntes? Pois também não! Como bem sabemos todos, tanto os de dentro dos Paços do Concelho, como os de fora, o que há na dita casa são assuntos dormentes. Processos que por ali vão dormindo semanas e mais semanas, meses e mais meses, por vezes até anos e mais anos. Pelos motivos que todos conhecemos, mas não podemos mencionar, por não haver provas concludentes.
Por conseguinte, uma vez que nem a relativa maioria nem as duas forças políticas agora na oposição querem resolver o problema, ou sequer sair de cima para dar a vez a outros, haja pelo menos a coragem de chamar as coisas pelo nome que devem ter: embalar os assuntos dormentes, em vez de despachar os assuntos correntes, visto que os processos não andam, quanto mais agora correrem...
E como estamos a falar de embalar e de berços, seja-nos permitida uma analogia. Diz o povo, armado da sua milenar sabedoria, "ao menino e ao borracho, põe-lhe Deus a mão por baixo". Da mesma forma, ao processo e ao despacho, põem-lhe muitos as mãos por baixo. Mas a intenção não é mesmo nada divina. Pelo contrário...

