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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A SALGANHADA CMT/PARQ T

Foto Rádio Hertz, com os agradecimentos de Tomar a dianteira


Os nossos parceiros europeus além-Pirenéus desconfiam dos povos do sul da Europa e nós teimamos em dar-lhes argumentos para tal. Sobretudo aqui em Tomar. Como se não bastassem algumas atitudes muito peculiares, como a da maioria relativa, quando insiste em obras milionárias tipo elefante branco em altura de crise e penúria, agora temos a longa e bizarra salganhada CMT/ParqT. Se tivéssemos autarcas desempoeirados, mentalmente desembaraçados, sem interesses espúrios e realmente devotados à causa pública, já há muito tempo que, de uma maneira ou de outra, se teria procurado encontrar resposta (em último caso pela via judicial) para o estranho comportamento de António Paiva em todo este caso. Claro que não duvido da sua integridade enquanto autarca e enquanto cidadão. Nem tenho razões para isso. Ainda assim, não deixa de ser inesperado que um cidadão culto, num gesto ponderado, resolva fornecer argumentação para a ruptura de um contrato milionário antes voluntariamente assinado. Porquê? Se sabia perfeitamente que não podia, fosse de que maneira fosse, instalar na área urbana espaços de estacionamento tarifado susceptíveis de fazer concorrência às da Parq T, porque decidiu a onerosa construção do parque subterrâneo?
Por razões que só os próprios poderiam explicar cabalmente, se quisessem e estivesse nos seus feitios políticos, os senhores autarcas que temos tido e temos, nunca julgaram útil, quanto mais agora indispensável, responder a tais perguntas. De forma que, os anos foram passando, as coisas foram-se arrastando, os preparos e outros honorários foram crescendo, tudo no círculo fechado das maiorias PSD, com o oficial silêncio conivente das oposições. Agora que o município está obrigado a desembolsar a bagatela de pelo menos 7 milhões de euros (=350 mil contos) tudo incluído, agitam-se as hostes. Sobretudo as das três formações com assento no executivo.
O caso não é para menos, uma vez que, não tendo sido vistos nem achados até agora em tal alhada, entendeu o presidente debater finalmente o assunto na presença de todo o executivo. Muito estranho, não é? Para fazer as sucessivas asneiras, não precisaram da oposição para nada. Agora que se trata de pagar a loiça partida, já precisam.
Numa câmara de gente sincera, que não vivesse total ou parcialmente da política, a ocasião seria excelente para esclarecer enfim o imbróglio de uma vez por todas. Infelizmente, como é sabido, temos uma "câmara tipo pilhas Duracell". "E duram!, e duram!, e duram!". Uns porque aguardam a aposentação, outros porque estão esperançados em vôos mais altos (apesar de visivelmente não terem envergadura de asa para tanto), outros ainda porque os proventos são muito confortáveis e inalcançáveis noutras funções, outros finalmente pelo estatuto, pelo penacho, pelo gosto de pertencer à reduzida e muito exclusiva tribo do poder executivo, todos estão mais ou menos inibidos de provocar o irremediável. Que seria chumbar o acordo provisório laboriosamente conseguido. Bastaria para tanto que PS e IpT decidissem finalmente urinar os quatro para o mesmo lado, votando contra. Mas não. Salvo grata surpresa, tudo indica que, sendo embora neste caso todos da oposição, se uns votarem contra, os outros abstêm-se, por causa dos lugares facultados pela coligação.
Há também a hipótese de PS e IpT abandonarem a reunião, deixando a relativa maioria sem quórum, situação que, impedindo a aprovação do provisório convénio entre as partes, obrigará Corvêlo de Sousa a fazer as cedências necessárias ao cabal esclarecimento de toda a verdade. Terão uns e outros golpe de asa político e audácia para tanto? Ou as cadeiras são demasiado confortáveis e o futuro incerto?