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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A SALGANHADA CMT/PARQ T

Foto Rádio Hertz, com os nossos agradecimentos

SOBRE COMPROMISSOS E ENVERGADURA POLÍTICA

De acordo com o pensador italiano Alberoni, parece haver uma certa correspondência entre a arquitectura das cidades e a idiossincrasia dos seus habitantes. A ser assim, faz todo o sentido o ocorrido esta manhã na reunião da autarquia, aquando da discussão e votação da hipótese de solução a que as partes chegaram, no diferendo autarquia/ParqT. Como somos, sem contestação possível, a capital portuguesa e mundial do estilo manuelino (que só existe em Portugal), tanto o debate como a votação e os subsequentes comentários só podiam ser retorcidos, barrocos, complicados, como o referido estilo.
Aconteceu logo a abrir uma infelicidade. Num assunto de tamanho melindre, envolvendo a autarquia numa responsabilidade de pelo menos 7 milhões de euros, faltou  por mero acaso a vereadora Graça Costa, entretanto submetida a uma intervenção cirúrgica. Também por mero acaso, Pedro Marques não procedeu à sua substituição atempada, que nem sequer solicitou. Outro mero acaso, PS e IpT  votaram desta vez no mesmo sentido. Contra o referido acordo.
Houve, contudo, mais dois meros acasos, a saber: A - Os três vereadores da oposição que estavam presentes, não tiveram a ideia ou a audácia necessárias para abandonar a sala, deixando o executivo sem quórum e o presidente sem poder exercer o seu voo de qualidade, dado que o executivo não pode sequer deliberar sem quórum; B - Todo satisfeito, como facilmente se calcula, Corvêlo de Sousa soube agarrar a ocasião com ambas as mãos, proclamando logo que exercia o dito voto de qualidade. E a tragédia autárquica consumou-se, a contento da relativa maioria. Conforme fora previsto? A seu tempo se saberá.
Ferido de asa, o vereador Luís Ferreira foi logo escrever no seu blogue vamos por aqui  cobras e lagartos sobre o bizarro litígio, tentando atribuir responsabilidades e culpas ao PSD e aos IpT, devido à curiosa actuação de Pedro Marques. Poderá ter alguma razão. Todavia, ao não terem deixado o executivo sem possibilidade de deliberar, abandonando a sala, ambos -PS e IpT- são igualmente culpados. Apesar de se tratar de mero acaso, provocado por manifesta falta de envergadura política, de experiência cívica, de devoção à causa pública e de coragem para dizer não em qualquer circunstância. Estou a ver mal? Então tende a coragem de ouvir quem tenha estatuto que lhe permita dizer-vos a verdade e não aquilo que quereis ouvir.
Tratou-se de um infeliz caso de esquecimento? Pois muito bem! Na política, só a morte é que não tem remédio. Na próxima reunião, caso a deliberação não tenha entretanto sido tomada em minuta, o que só podia e pode ser feito com a vossa participação, basta que recusem aprovar a acta, alegando aquilo que entenderem, desde terem pensado melhor e ter havido pouco debate, até à mera mudança de opinião. Se assim não procederem, tudo bem. Mas depois, seja onde e quando for, não me venham com histórias da Carochinha. Os pais de semelhante aborto são todos os eleitos que participaram na reunião. Porque não souberam, não quiseram ou não puderam usar todos os recursos legais à disposição. Essa é que é essa! Que aqui fica exarada desde já para memória futura!
Entretanto, resta aguardar  o debate na Assembleia Municipal, onde o caso pode muito bem não passar assim tão facilmente como uma carta pelo correio. Cá estarei para ver, pois é também para isso que pago impostos.