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sábado, 31 de dezembro de 2011

Para ficar escrito


Na situação em que nos encontramos, tanto no país como em Tomar, nada melhor para começar do que um ascensor, até agora inactivo porque desnecessário. Pode ser que assim se consiga elevar o nível dos debates, a qualidade dos aprendizes políticos e a até agora nula eficácia da governação. Pode ser, mas a esperança é pouca. Apesar de -dizem- ser sempre a última a morrer.
Uma palavra, muito querida do nosso Presidente da República, é neste momento a mais adequada para qualificar a situação tomarense. Essa palavra é: INSUSTENTÁVEL. Dêem-lhe as voltas que quiserem ou puderem, tudo radica numa incompetente gestão da coisa pública que já se arrasta há mais de 14 anos. Com o passar do tempo, os problemas foram-se multiplicando e agravando. Apareceram cada vez mais pontas soltas e desordenadas. Eis alguns exemplos: Mercado municipal, mercado abastecedor, parque de campismo, Várzea Grande, Flecheiro, Convento de Santa Iria, Colégio feminino, ciganos, Levada, Bairro 1º de Maio, Bairro Srª dos Anjos, Estalagem de Santa Iria, Convento de S. Francisco, alambor templário. E, como escreveu Camões, "cale-se tudo o que a velha glória canta, que outro valor mais alto se alevanta" - Bragaparques/ParqT.
Em declarações que podem ser lidas clicando aqui, um dirigente da sociedade nortenha disse que ficaram a perder dinheiro, pois inicialmente tinham avançado para a justiça com um pedido de reparação de 9 milhões de euros. Temos assim que, mesmo se viesse a liquidar os 6,5 milhões de euros à Parqt/Bragaparques, o que está impossibilitado de fazer, como veremos mais adiante, o Município de Tomar ainda lhes ficaria a dever o favor de terem condescendido numa redução substancial. Admirável! Quem sabe, sabe!
O problema, o único mas inultrapassável obstáculo, é que a autarquia nunca poderá vir a pagar essa ou qualquer outra soma da mesma ordem. Porque a oposição não consente, nem se antevê como ou quando poderá vir a consentir e porquê. Porque a tutela (leia-se Gaspar & Companhia) nunca irá em cantigas, uma vez que o seu dirigente máximo é um estrangeirado, muito credenciado no eixo Bruxelas-Berlim, onde nunca se brinca em serviço. Porque o Tribunal de Contas, se a isso fosse chamado, não deixaria os seus pergaminhos por mãos alheias. Porque os bancos estão com a corda ao pescoço e a troika à perna, situação muito desconfortável, que os obriga a evitar implacavelmente os clientes duvidosos ou problemáticos, entre os quais avulta a Câmara de Tomar, devido à sua gestão errática. Porque, em suma, somando ao que antecede o facto de o Município estar, desde antes do início da crise (já lá vão mais de 3 anos), a arrecadar bastante menos do que aquilo que gasta e a ser gerido por eleitos geralmente ineptos -a situação é insustentável, não podendo vir a durar muito mais tempo, sendo inquestionável que, quanto mais tardar, mais graves serão os problemas e mais elevados os encargos daí resultantes.
É por conseguinte imperioso encontrar uma saída quanto antes. No que concerne ao imbróglio ParqT/autarquia só há uma solução vantajosa para ambas as partes e para os tomarenses: A - Não pagar agora nem mais tarde, uma vez que não há abertura política nem folga financeira ou condições de mercado para isso; B - Conseguir um novo deal com a Bragaparques, naturalmente com outros jogadores e outras cartas na mesa, mas sem trunfos na manga. O para alguns saudoso Paiva não deixou boas recordações a toda a gente...
Desbravado o terreno, ultrapassado pela positiva o caso Bragaparques, o resto virá por acréscimo, embora com muito e profícuo trabalho, que o tempo dos amadores já lá vai e não volta. Agora só falta provocar eleições intercalares, condição sine qua non para que a ParqT volte à mesa da negociação.
Quanto à oposição PS/IpT e à relativa maioria PSD/Independentes, talvez seja conveniente recordar que, ao contrário daquilo que todos pensam e não assumem em público, quem provoca eleições nem sempre as perde. Passos Coelho ganhou-as folgadamente e Mariano Rajoy também. Trata-se portanto de mais um argumento a arquivar no contentor amarelo. Ninguém consegue travar o progresso de forma perene!